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sábado, 3 de janeiro de 2026

1 - NÃO PERDER O HORIZONTE DA ETERNIDADE

Quando o homem perder o horizonte da eternidade entra nos meandros de uma vida superficial, sem sentido: “Comamos e bebamos, que amanhã morreremos” (1Cor 15,32). No entanto, a vida eterna, faz parta integrante da vida cristã, por isso, «não somos como os outros que não têm esperança» (1Tes 4,13). Acreditamos na vida eterna, a vida que continua para além da morte. O cristão é essencialmente homo Viator, peregrino da eternidade, «caminhamos, na fé e não na visão clara» (2Cor 5,7), «não temos aqui uma cidade permanente, mas buscamos a futura» (Eb 13,14), onde «veremos a Deus, face-a-face, como Ele é» (1Cor 13,12).

A Igreja ensina que nela existem três estados de vida:

«uns peregrinam na terra, outros, passada esta vida, são purificados, e outros, finalmente, são glorificados e contemplam “claramente” Deus trino e uno, como Ele é”. (CIC 954).

«O cristão, que une a sua própria morte à de Jesus, encara a morte como chegada até junto d'Ele, como entrada na vida eterna» (CIC 1020)

«Ao morrer, cada homem recebe na sua alma imortal a retribuição eterna, num juízo particular que põe a sua vida em referência a Cristo, quer através duma purificação, quer para entrar imediatamente na felicidade do céu, quer para se condenar imediatamente para sempre». (CIC 2022)

A Igreja chama Purgatório a esta purificação final dos eleitos, que é absolutamente distinta do castigo dos condenados. (CIC 1031)

O Purgatório é, portanto, o estado transitório de purificação das almas, depois da morte, em vista de alcançarem a felicidade eterna do Céu. A vontade do Pai é que todos «conheçam a verdade e cheguem à salvação» (1Tim 2,4). O próprio Jesus afirma:

«Todos os que o Pai me dá virão a mim; e quem vier a mim Eu não o rejeitarei, porque desci do Céu não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou. E a vontade daquele que me enviou é esta: que Eu não perca nenhum daqueles que Ele me deu, mas o ressuscite no último dia. Esta é, pois, a vontade do meu Pai: que todo aquele que vê o Filho e nele crê tenha a vida eterna; e Eu o ressuscitarei no último dia.» (Jo 6,37-40).

O Catecismo da Igreja Católica, explica:

A morte põe termo à vida do homem, enquanto tempo aberto à aceitação ou à rejeição da graça divina, manifestada em Jesus Cristo. O Novo Testamento fala do juízo, principalmente em vista do encontro final com Cristo na sua segunda vinda. Mas também afirma, reiteradamente, a retribuição imediata depois da morte de cada qual, em função das suas obras e da sua fé (Catecismo 1021).[1]

Ao morrer, cada homem recebe na sua alma imortal a retribuição eterna, num juízo particular que põe a sua vida em referência a Cristo, quer através duma purificação, quer para entrar imediatamente na felicidade do céu, quer para se condenar imediatamente para sempre. (Catecismo 1022)

Os que morrem na graça e na amizade de Deus, mas não de todo purificados, embora seguros da sua salvação eterna, sofrem depois da morte uma purificação, a fim de obterem a santidade necessária para entrar na alegria do céu. (Catecismo 1030).

Toda a vida terrena está orientada à vida eterna: é um caminho de conversão rumo à santidade para alcançar o Céu. Logo a seguir a morte, cada ser humano, enfrenta o juízo particular: será julgado, segundo as suas obras. Se forem obras boas, terá como destino a glória eterna do Céu; se forem más, terá a condenação eterna do Inferno. Contudo, há pessoas que mesmo praticando boas obras, morrem sem terem alcançado a santidade necessária, mas não merecem o Inferno: precisam de uma purificação, antes de chegarem à felicidade eterna do Céu: é este o Purgatório. Podemos dizer que o «Purgatório» é um estado de vida que começa já neste mundo. Trata-se de um estado transitório de purificação, que manifesta a Infinita Misericórdia de Deus, que quer que «todos conheçam a verdade e cheguem à salvação» (cf. Jo 6,39). Por isso, quer conceder às almas a possibilidade de se purificarem depois da morte. 


[1] O Catecismo diz: a parábola do pobre Lázaro (Lc 16,19) e a palavra de Cristo crucificado ao bom ladrão (Lc 23,43), assim como outros textos do Novo Testamento (2Cor 5,8), falam dum destino final da alma (Mt 16,26), o qual pode ser diferente para umas e para outras.

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