A doutrina sobre o Purgatório é fruto de um lento progresso dogmático que se desenvolveu durante séculos. Nos primeiros três séculos, os cristãos seguiram a tradição hebraica e ofereciam sufrágios pelos defuntos. A partir dessa prática não se pode deduzir que que os primeiros cristãos tivessem ideias claras sobre a purificação das almas depois da morte. Naquele tempo, a opinião largamente difusa naquele tempo era que os defuntos estivessem num estado de sono, esperando a parusia para despertarem. O Purgatório, podemos dizer, era como pano de fundo, uma realidade imprecisa de uma comunhão entre vivos e mortos, onde uns podiam levar os pesos dos outros.
Orígenes (185-253). Segundo a escatologia judaica o fogo era visto como punição dos pecadores; ele é o primeiro autor cristão a falar do fogo para a purificação dos pecados. No seu comentário à 1Cor 3 afirma que «se um homem parte desta vida com faltas leves, ele é condenado ao fogo (purificador) que consome os materiais mais leves e prepara a alma para o reino de Deus, onde nada impuro pode entrar».[1]
São Cipriano, bispo de Cartago (+258) diz que «rezando pelos defuntos, mesmo sendo pecadores, apresentamos a Deus os méritos de Cristo, morto pelos nossos pecados, procurando merecer e alcançar graça junto de Deus, tanto por eles como por nós mesmos» A partir desses testemunhos, a reflexão teológica sobre o Purgatório começou a desenvolver-se.
Tertuliano (160-220). Nos seus escritos encontramos numerosas e claras referências a um estado de purificação das almas depois da morte.
Uma primeira referência encontra-se na sua obra Paixão de Santa Perpétua. Neste escrito, ele descreve um episódio da vida de Santa Perpétua. Ela, em sonho, visualizou o seu irmão Dinócrato, que tinha morrido bastante jovem e, provavelmente, sem batismo: naquele momento, estava num lugar tenebroso e tinha um rosto bastante triste. Depois desta visão, Santa Perpetua começou a orar pelo seu irmão falecido; e, depois, teve outro sonho, onde o irmão lhe apareceu com o rosto alegre: pois, tinha trocado “o lugar de sofrimento por uma mansão de alegria”.[2]
Este episódio, na sua brevidade e simplicidade, representa o primeiro testemunho escrito sobre a purificação das almas depois da morte, que servirá de base para posteriores reflexões. O próprio Tertuliano, na sua obra Sobre a alma, começou a desenvolver esta doutrina. Ele, nesta fase já montanista, vê o Purgatório como um cárcere, no qual se tem oportunidade de pagar o «último centavo». Segundo a sua maneira de ver, seria um estado temporário, necessário para todos”.[3]
“Ao deixar o seu corpo, ninguém vai imediatamente viver na presença do Senhor – exceto pela prerrogativa do martírio, pois então adquire uma morada no paraíso e não nas regiões inferiores” (Da Ressurreição da Carne 43).[9]
Há um determinado lugar chamado Seio de Abraão. Esta região, embora não esteja no céu, é ainda mais alta do que o inferno, sendo designada para proporcionar um intervalo de descanso para as almas dos justos, até a consumação de todas as coisas, que deve ser completada com ressurreição de todos os homens com a plena recompensa de seus méritos. (Contra Marcião 04:34)
“O sacramento da Eucaristia, encomendado pelo Senhor no tempo da ceia, é para todos; o recebemos nas assembleias, antes do amanhecer, e não das mãos de outros que não sejam os que as presidem. Fazemos ablações pelos falecidos, a cada ano, nos dias de aniversário” (Da Coroa 3: PL 2,79).[11] O que é o Purgatório
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