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sábado, 3 de janeiro de 2026

7 - O PURGATÓRIO EM SANTO AGOSTINHO

Santo Agostinho (354-430) representa uma viragem teológica fundamental sobre a doutrina do Purgatório. Ele afirma que, com a morte é fixada a sorte definitiva de cada ser humano. Não existe tempo de espera entre a morte e o destino definitivo do homem: os defuntos entram logo ou na felicidade eterna do Céu ou na perdição eterna do Inferno. A retribuição acontece imediatamente depois da morte, também o fogo purificador das almas. 

Santo Agostinho rejeita a tese de Origene sobre a salvação de todos os homens. Ele recorda a advertência de São Tiago: «a fé sem as obras é morta». Àqueles que não vivem segundo a caridade evangélica ou  cometem crimes contra Deus, não entrarão no Reino de Deus. A purificação depois da morte existe, mas é reservada aos pecadores que não puseram a Jesus Cristo em segundo lugar.

No seu pequeno livrinho «De cura pro mortis gerenda»O cuidado devido aos mortos, insere a oração pelos defuntos na verdade católica da comunhão dos santos e coloca a seguinte pergunta: «serão proveitosas as orações que o sacerdote dirige a Deus no altar para os que já partiram deste mundo?» e responde: «são duplamente benéficas porque beneficiam os que morreram e também os orantes, nos quais se fortalece a fé na ressurreição».

“Não se pode negar que as almas dos defuntos recebam alívio pela piedade dos seus parentes vivos, quando por elas se oferece o sacrifício do Mediador, ou quando se fazem esmolas na Igreja. Mas estas coisas aproveitam aquelas almas que, quando viviam, mereceram que depois pudessem aproveitá-las.”

“Quando, portanto, se oferecem sacrifícios, seja do altar, seja de qualquer tipo de esmolas por todos os batizados defuntos, para àqueles que foram muitos bons, são ação de graças; para àqueles que foram maus, ainda que não sejam de ajuda alguma para os mortos, são decerto consolação para os vivos”. (AGOSTINHO DE HIPONA, De civitate Dei, 20, 9, 2, PL 41, 674).

Santo Agostinho reconhece que a salvação é destinada sim aos pecadores, mas aos pecadores que puseram a Cristo em primeiro lugar na sua vida. Para ele, a ligação da vida cristão com a observância dos mandamentos é tal que Cristo reconhece como seus discípulos não simplesmente os crentes, mas os crentes que praticaram boas obras e evitaram de pecar contra o Reino de Deus. Portanto, nem todos os pecadores terão parte da salvação eterna.

Este tratado constitui a base teológica e doutrinal da Igreja do Ocidente, no que diz respeito os sufrágios pelos defuntos, e, portanto, sobre a realidade do Purgatório. Agostinho recomenda os sufrágios pelos defuntos, sendo uma prática proveitosa pelos mortos e, também é proveitosa para os vivos, afim de alcançarem a vida eterna.  

Depois dele, quem mais difundiu a oração pelos defuntos foi o Papa Gregório Magno (590-604). Ele é conhecido por ter introduzido as «Missas Gregorianas»:  um conjunto de 30 missas seguidas, a serem celebradas por um sacerdote em sufrágio de uma alma especifica, não sendo possível colocar outra intenção. A palavra «sufrágio» serve para indicar as orações pelos mortos.

A Santa Missa representa a expressão máxima da nossa fé, pois nela se renova o sacrifício de Cristo para a salvação das almas, pois, «é um santo e salutar pensamento orar pelos defuntos» (2Mac 12,46). Sem descuidar das outras expressões de piedade como: orações, esmolas, obras de misericórdias e indulgências aplicadas em favor das almas.

Será, sobretudo, na Idade Média, a partir do século XII que alguns pregadores e teólogos a desenvolvem ainda mais a teologia do Purgatório. O que é o Purgatório



[1] Santo Agostinho, O cuidado devido aos mortos, Ed. Paulus.

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