O PEQUENO PARAFUSO
No casco de um grande navio havia um pequeno
parafuso, minúsculo, insignificante, que juntamente com outros parafusos,
ligava duas vigas de aço.
Durante uma viagem, quando o navio estava no meio do Oceano, o pequeno parafuso
decidiu que era tempo de acabar com a sua existência obscura e mal paga. Depois
de tantos anos ainda ninguém lhe tinha dito «obrigado». Disse então para
consigo:
- Vou-me embora! Está decidido!
Os outros parafusos responderam:
- Se tu vais embora, também nós iremos!
Quando o pequeno parafuso começou a mexer-se no
seu buraco, também os outros começaram a movimentar-se, cada vez mais. Os
outros pregos que seguravam as tábuas do navio protestaram:
- Assim também nós somos obrigados e deixar o nosso lugar...
As vigas de aço começara a gritar:
- Por amor de Deus, parai! Se ninguém nos segura, é uma tragédia!
A intenção do pequeno parafuso de deixar o seu
lugar propagou-se rapidamente por todo o imenso casco do navio. Toda a
estrutura do navio começou a vacilar e a tremer. Foi então que todas as vigas,
as ferragens, as tábuas, os parafusos, até os mais pequenos pregos decidiram
enviar uma mensagem ao parafuso para que ficasse no seu lugar. Disseram-lhe:
- O barco afundar-se-á e nenhum de nós voltará a ver a sua pátria.
O pequeno parafuso sentiu-se orgulhoso com estas palavras e descobriu imediatamente que ele era muito mais importante do que pensava. E então mandou dizer a todos que permanecia no seu lugar.
Todos são importantes, cada um no seu lugar
* O pequeno parafuso, embora ignorado, contribuía à sua maneira para que o navio pudesse navegar. Acabou por sentir-se importante, embora, na sua pequenez.
* Cada pessoa é diferente e tem uma missão única, mesmo que faça um trabalho humilde, uma missão única, necessária para os outros e importante aos olhos de Deus. Desde o varredor até ao cientista, todos são importantes.
* Tens consciência de que tens uma missão a
cumprir a cumprir neste mundo.
(Pedrosa Ferreira, Educar contando, Ed. Salesianas, p. 7)
É SUFICIENTE
Naquela região havia uma tremenda seca como nunca
se tinha visto. A erva tinha secado. As árvores mais frágeis já estavam todas
mortas. Nem sequer uma gota de água chovia do céu. Os animais estavam a
morrer aos milhares. Poucos tinham força para fugir desta aridez desértica. A
secura estava cada dia pior. Até as mais fortes e velhas árvores, que afundavam
as suas raízes na profundidade da terra, perdiam as suas folhas. Todas as
fontes e nascentes estavam secas. Rios e ribeiros não tinham nem uma gota de
água. Apenas uma pequena flor conseguiu permanecer em vida, porque ainda
conseguia receber algumas gotas de águas, de uma pequena, quase invisível, fontes,
a qual estava a esgotar-se, e começava a ficar desesperada:
- Tudo é aridez e morte. E eu nada posso fazer. Que sentido têm as minhas gotas
de água? Ali, a pouca distância, estava uma velha e robusta árvore que ouviu a
sua lamentação e, antes que morresse, disse à nascente:
- Ninguém está à espera que tu faças florescer o deserto. A tua missão é,
simplesmente, a de manter em vida aquela pequena flor. Nada mais.
* A nascente lamentava-se daquilo que não podia
fazer. A mesma coisa acontece às pessoas que gostariam de fazer grandes coisas.
Mas, a que serve lamentar-se? É tempo perdido.
* De facto, cada pessoa, não pode resolver os problemas do mundo, só pode fazer
o que está ao seu alcance, nada mais.
* A sua obra pode ser como «uma pequena gota no oceano», mas é
necessária.
* Será que tu estás a dar a devida importância aos pequenos gestos de amor, de
ternura, de carinho?
(Pedrosa Ferreira, p. 8)
A FESTA DA CRIAÇÃO
No sétimo dia, terminada a Criação,
Deus declarou que era o dia da sua festa. Todas as criaturas, recém-criadas,
decidiram oferecer a Deus a coisa mais bela que encontrassem.
Os esquilos levaram-lhe nozes e avelãs; os coelhos cenouras e raízes doces; as
ovelhas lã macia e quente; as vacas leite rico de gordura.
Milhares de anjos colocaram-se em círculo, cantando uma música celestial.
O homem esperava pela sua vez, mas estava preocupado. Dizia para consigo:
- Que poderei eu dar? As flores têm o perfume, as abelhas o mel, e até os
elefantes se ofereceram para dar um duche a Deus com as suas trombas para o
refrescar.
O homem colocou-se no último lugar da fila e continuava a pensar. Todas as
criaturas desfilavam diante de Deus e depositavam as suas ofertas.
Quando permaneciam só duas criaturas diante dele, o caracol e a tartaruga,
o homem começou a entrar em pânico.
Quando chegou a sua vez, o homem fez o que nenhum animal tinha ousado fazer.
Correu em direção a Deus, com um saltou subiu nos Seus joelhos, abraçou-O e
disse-lhe:
- Amo-te!
O rosto de Deus, então, iluminou-se. Toda a criação naquele momento compreendeu
que ele tinha oferecido a Deus o presente mais belo. Toda a criação, então,
entoou um melodioso cântico de alegria.
A grandeza do homem
* A ciência explica como surgiu a vida na Terra. A Bíblia, ao falar da criação, afirma que Deus criou tudo por amor, e quer que o homem seja feliz.
* Deus criou-nos para o conhecermos, amarmos e servirmos nesta vida, e para vivermos plenamente felizes, um dia, com Ele no Céu. Esta é a nossa vocação.
* Será que compreendes que a
verdadeira felicidade consiste em amar a Deus com todo o coração e com toda a
alma e com todas as tuas forças?
(Pedrosa Ferreira, p. 12)
A FERRADURA
Um mercador acabara os últimos negócios na feira. Tinha vendido toda a sua mercadoria e agora tinha a sua bolsa cheia de moedas de ouro e de prata. Por prudência, pensou regressar à casa antes do por do sol, por isso, pôs-se logo a caminho. Montou no seu cavalo e partiu a galope.
Por volta do meio‑dia, parou numa povoação. Foi
então que alguém lhe fez notar o seguinte:
‑ Veja que o seu cavalo perdeu a ferradura da pata posterior direita!
Respondeu-lhe o mercador:
‑ Deixa correr. Só me faltam apenas seis léguas para chegar à casa. Agora estou
com pressa, não posso parar, vai mesmo assim!
No meio da tarde, o mercador parou numa aldeia a
fim de dar uma ração de aveia ao cavalo. Quem lhe vendeu a ração disse‑lhe:
‑ Olhe que ao seu cavalo faltam-lhe as ferraduras, uma da pata direita e outra da
pata esquerda. Se quiser, eu posso coloca-las.
O mercador respondeu:
- Não é preciso. Estou com pressa, o animal irá suportar muito bem as duas
léguas até chegar à minha casa.
Montou de novo e continuou o caminho. Mas, passado pouco tempo, o cavalo começou a vacilar e, acabou por partir uma pata e caiu por terra. O pobre do mercador teve de o deixar abandonado. Carregou o saco às costas o dinheiro e percorreu o resto do caminho a pé. Entretanto, fez‑se noite escura e lhe aconteceu outra desgraça: foi assaltado por dois bandidos que lhe roubaram tudo. Ficou, assim, sem cavalo e sem dinheiro, e chegou à casa, de madrugada, sem cavalo e sem dinheiro.
Não deixes para amanhã
* Aquele mercador, quando o cavalo perdeu a primeira ferradura, devia ter remediado logo o problema. Não o fez, assim, as coisas passaram de mal para o pior.
* Se tens alguma coisa que é necessário fazer, não a deixes para o amanha, porque pode ser tarde demais. Resolve logo o problema, não deixar as coisas correr.
* És desleixado? Já te aconteceu algo parecido ao
que se descreve nessa história?
(Pedrosa Ferreira, p. 15)
A CRIANÇA E O IDOSO
Um dia, o pequeno Ciang penetrou no bosque e,
depois de ter caminhado muito, viu uma miserável casa de madeira à volta da
qual reinava a mais absoluta paz: nem uma galinha, nem um porco ou um gato.
Pensando que aquela casa fosse desabitada, aproximou-‑se cautelosamente. Mas,
qual não foi o seu espanto, quando viu através de um buraco na madeira, um
velho de barba branca deitado na cama.
O velho disse‑lhe:
- Entra, menino.
A sua voz era como que de algodão, como se viesse de uma nuvem. Insistiu:
- Ouvi os teus passos a chegar, pelo menos, à distância de um quilómetro.
Entra!
Ciang entrou onde ele estava e perguntou‑lhe:
- Como é possível que tu, velho como és, tenhas ouvido os meus passos, quando
eu estava ainda tão longe?
O velho sábio, respondeu-lhe:
- É que eu estou a morrer. E com esta idade já vivi o suficiente, agora convém
familiarizar‑-me com a morte, por isso, os meus ouvidos tornaram-se sensível,
como os ouvidos finos de um leopardo. Por isso, me retirei neste lugar. Quem
está a morrer não tem necessidade de ver outras pessoas, já as viu bastante;
quem está a morrer apenas necessita de tranquilidade; é inútil atormentar-se
com vãs palavras. Convém que as pessoas que se aproximarem aqui, passem ao
largo como se fosse uma casa desabitada.
Ciang, timidamente, perguntou:
- Mas tu me convidaste‑ para eu entrar.
O velho, deu um suspiro e disse:
- É verdade, é porque tenho saudades de um sorriso. Queres dar-‑me um sorriso?
Ciang deu-lhe um leve sorriso e o velho sábio adormeceu para sempre.
O valor do sorriso
* Aquele velho, embora, parecia não necessitar das pessoas, precisava, porém, de alguém que lhe desse um sorriso. Se for possível, o sorriso inocente de uma criança.
* Um sorriso custa muito pouco, mas dá vida, comunica alegria. Mesmos que não tivéssemos, outra coisa para darmos aos outros, se lhe dermos um amável sorriso, respeitador e sincero, bastaria par lhe darmos alento nas suas dificuldades.
* Sejas, portanto, uma pessoa sorridente. Será
que alegras as pessoas com a tua presença, sobretudo os idosos.
(Pedrosa Ferreira, p. 22)
A IMAGEM DE DEUS
Numa aldeia da Polinésia viviam
dois homens continuamente em guerra um contra o outro. Ao mais pequeno pretexto
entravam em luta. A vida tinha‑se tornado insuportável tanto para um como para
o outro. Mas também para toda a aldeia. Um dia, alguns anciãos disseram a
um deles:
‑ A única solução que te resta é que tu vás ver a Deus.
‑ De acordo. Mas onde?
‑ É muito simples. Basta que subas ao cimo da montanha e lá verás a Deus.
O homem consentiu e começou a subir a montanha. Passados alguns dias, chegou ao
cimo. Deus estava lá à sua espera.
O homem arregalou bem os olhos: Deus tinha o rosto do seu vizinho brigão e
antipático.
O que Deus lhe disse, ninguém sabe, mas ele, ao regressar à aldeia já não era a
mesma pessoa. Tentou reconciliar-se com o seu vizinho, mas em-vão. Apesar da
sua gentileza e da vontade de reconciliar-se com o vizinho, tudo continuava a
correr mal, porque ele inventava sempre novos pretextos de litígio.
Os anciãos disseram:
‑ É melhor que também ele vá ver a Deus.
Ele recusava, mas o conseguiram convencer, assim também ele partiu para a
montanha. Quando chegou em cima, também ele, descobriu que Deus tinha o rosto
do seu vizinho.
Tudo o que fizerdes...
* Os dois homens descobriram que tudo o que faziam um ao outro era como se o fizessem ao próprio Deus e passaram a viver em paz.
* Jesus Cristo disse que «tudo o que fizermos ao mais pequeno dos nossos irmãos, a ele o fazemos» (Cf Mt 25). Ele identifica‑se com cada pessoa.
* Estamos verdadeiramente
conscientes de que cada pessoa é imagem de Deus e como tal merece todo o nosso
amor?
(Ferreira Pedrosa, p. 24)
A GRUTA
Um beduíno perseguido por ferozes inimigos, fugiu
para o deserto, pelos caminhos mais ásperos e pelas rochas mais cortantes.
Corria rapidamente, até ao ponto de se sentir extenuado. Foi então que olhou à
sua volta. Estava num caminho estreito rochoso. Avançou mais um pouco, até que,
à sua frente, viu a entrada de uma gruta.
Olhou e via apenas escuridão, embora, hesitante, avançou nas trevas. Ouviu uma
voz bondosa que lhe dizia:
‑ Avança, irmão!
Obedeceu e continuou a caminhar. Quando, na penumbra, viu um beduíno, era um
eremita que estava lá recolhido em oração. Anão, o beduíno perguntou‑lhe:
‑ Tu vives aqui?
‑ Sim.
‑ E como consegues resistir nesta gruta, sozinho, pobre e longe de todos?
O eremita sorriu e respondeu:
‑ Não sou pobre. Tenho grandes tesouros.
‑ Onde?
‑ Olha para cima?
O eremita indicou‑lhe uma pequena fresta situada num lado da gruta e perguntou:
‑Que vês?
‑ Nada.
A eremita, retorquiu:
‑ Não vês mesmo nada?
‑ Vejo apenas um pedaço de céu.
‑ É mesmo isso, um pedaço de céu: não achas que é um tesouro maravilhoso?
Olhar para o céu
Pode acontecer que as pessoas passem os seus dias tão atarefadas e entretidas com as coisas deste mundo, que se esquecem de olhar para o céu.
* Somos peregrinos neste mundo, por isso, temos que viver com os pés bem assentes na terra, mas tendo os olhos bem fixos para o alto, para o céu. Dizer a palavra «céu» é dizer «Deus», pois Ele dá sentido à nossa vida.
* Será que te lembras de olhar para o Céu? Se
estás a passar por momentos difíceis, olha para o alto, olha para Deus, confia
no seu Amor!
(Pedrosa Ferreira, p. 35)
OS QUATRO MONGES
Quatro monges decidiram caminhar juntos em
silêncio durante um mês. O primeiro dia correu bem. Mas no segundo dia, um
monge disse:
- Estou com dúvidas de fechei a porta antes de sair do convento.
Outro respondeu-lhe:
- Estúpido! Tínhamos decidido de guardar silêncio durante um mês. E tu já
quebraste o silêncio!
Então, o terceiro interveio:
- E tu, também, quebraste o silêncio!
O quarto disse:
- Graças a Deus, sou o único, que não falei!
O silêncio difícil
* Vivemos numa sociedade cheia de ruídos: desde que nos levantamos até que fechamos a televisão para descansar. Até parece que as pessoas têm medo do silêncio.
* É necessário que as pessoas façam silêncio para se interrogarem quem são, de onde vêm, para onde vão. Só o silêncio iluminado pelas palavras do Evangelho responde a essas perguntas.
* E tu, és capaz de guardar o silêncio e meditar
sobre as realidades últimas da vida?
(Ferreira Pedrosa, p. 46)
ENTRE AS DUNAS DO DESERTO
Um homem tinha-se perdido no deserto e havia dois
dias que se arrastava na areia quente. Tinha chegado já ao limite das suas
forças.
De repente, viu diante de si um vendedor de gravatas. Não tinha consigo senão
gravatas. E tentou vender uma a esse pobre homem que estava a morrer de sede.
Com a língua seca, o homem julgou que esse estranho estava maluco: vender uma
gravata a um homem que morre de sede? E não a quis comprar.
O vendedor de gravatas encolheu os ombros e continuou o seu caminho no deserto.
Ao cair da tarde, o viajante, sequioso, ergueu a cabeça e ficou deveras
espantado: diante dele, um luxuoso restaurante com o parque cheio de
automóveis. Uma construção grandiosa, absolutamente solitária em pleno deserto.
O homem arrastou-se com dificuldade até á porta e, num último gemido, suplicou:
- Dai-me de beber, por favor!
O porteiro respondeu:
- Lamento muito, mas aqui não se pode entrar sem gravata.
* As pessoas vão vagueando pelos caminhos desta vida, prescindem das realidades que consideram inúteis. Por exemplo, poder achar inútil dar de comer a quem tem fome.
* Jesus, porém, disse que só entrarão no banquete do Reino àquele que, durante a sua peregrinação terrena, tiverem amado como Ele amou.
* Estás consciente de que, aquilo que te parece
inútil, pode ser necessário para a tua felicidade.
(Ferreira Pedrosa, p. 51)
A ORAÇÃO DE NATAL
André tinha apenas um desejo: ter uma bicicleta, como aquela que viu numa loja da cidade. Este desejo não lhe saía da cabeça, até sonhava com ela todas as noites.
Fez este pedido à sua mãe, mas ela tinha tantas dívidas a pagar e as despesas aumentavam cada vez mais, de dia para dia, e não podia comprar-lhe a bicicleta. O André, que bem conhecia as dificuldades da mãe, decidiu pedir a bicicleta diretamente a Deus, por ocasião do Natal. Todas as noites concluía a sua oração com estas palavras: «Lembra‑te, Deus, de me dar uma bicicleta amarela para o Natal. Ámen»
A mãe ouvia a oração do filho e abanava
tristemente a cabeça. Sabia bem que no Natal iria chegar, mas não a bicicleta e
que o André iria ter uma grande desilusão.
De facto, chegou o dia de Natal, mas o André não recebeu nenhuma bicicleta. Por
isso, à noite, ele ajoelhou‑se, como de costume para rezar. A mãe, interveio,
com doçura, e disse-lhe:
‑ André, penso que estarás descontente porque não ter recebido a bicicleta.
Espero que não estejas zangado com Deus por Ele não ter respondido às tuas
orações.
André olhou para a mãe:
‑ Não, mãe. Não estou zangado com Deus. Ele respondeu às minhas orações;
disse-me que não!
Ensina‑nos a rezar
* As pessoas rezam a Deus e pedem as coisas que consideram importantes. Mas, muitas vezes recebem apenas, como resposta, o silêncio de Deus, que parece não ter ouvido.
* Os cristãos que confiam em Deus, sabem que Ele sempre escuta as nossas orações; mas, acontece, que, muitas vezes, o que pedimos é insensato. Nem sabemos o que estamos a pedir.
* Como é a tua oração? Te lembras de Deus, só
para pedir? A verdadeira oração produz uma mudança de vida que nos leva a amar
e ajudar os outros. Não achas que a oração deve sempre empenhar à nossa ação?
Porquê?
(Pedrosa Ferreira, p. 52)
O JULGAMENTO FINAL
Depois da morte, um homem apresentou‑se diante de
Deus e, orgulhosamente, mostrou‑lhe as mãos:
‑ Senhor, olha como as minhas mãos, estão limpas! Deus sorriu-lhe, mas com uma
certa tristeza, disse-lhe:
‑ É verdade estão limpas, mas também estão vazias!
Mãos cheias
* Muitas palavras, muitas promessas, muitos bons propósitos, mas, o importante é atuar, não nos podemos apresentar diante de Deus, de mãos vazias. Temos de "sujar" as nossas mãos, fazendo o bem aos outros.
* No final da nossa vida seremos julgados pelas nossas obras, feitas com amor ao próximo. O modelo de vida que demos imitar é Jesus Cristo, que passou no meio de nós fazendo o bem a todos. Trata‑se de viver ao Seu jeito, amando a Deus e amando o próximo.
* Se te apresentasses agora diante do Senhor,
como é que seriam as tuas mãos, cheias ou vazias? Cheias, concretamente, de
quê?
(Pedrosa Ferreira, p. 52)
UMA ESMOLA
Estava Sanatan a rezar o seu rosário junto do
Ganges, quando se chegou a ele um Brâmane esfarrapado que lhe disse:
‑ Uma esmola a este pobrezinho!
‑ Dei tudo o que tinha - respondeu Sanatan - só me resta o meu prato.
Mas, naquele momento, Sanatan lembrou‑se de que
tinha encontrado uma pedra preciosa entre os seixos da ribeira e que a tinha
escondido na areia, para o caso de alguém precisar dela. Disse, então ao
Brâmane que tinha encontrado uma pedra preciosa e que a tinha enterrado. Então,
volto atrás, desenterrou a pedra, mas ficou pensativo. Sentou‑se no chão, a
meditar sozinho, até que, depois do sol posto, via por detrás das árvores os
pastores que regressaram aos seus lares com os rebanhos.
Então levantou‑se, voltou lentamente para Sanatan e disse‑lhes:
‑ Mestre, eu quero ter que um pedaço dessa riqueza, que despreza todas as
riquezas do mundo. E atirou à água aquela pedra preciosa.
(Rabindranath Tagore)
Simplicidade de vida
* Aos olhos de muitos, é uma loucura abandonar as riquezas para viver uma vida simples e pobre. E o caso dos religiosos e religiosas que consagram a sua vida para servirem os mais pobres.
* Renunciar às riquezas do mundo é uma profecia: é anunciar que existe uma riqueza maior do que as riquezas deste mundo: Jesus Cristo. Ele é a fonte da paz, da alegria e da verdadeira felicidade.
* Come é que estás a viver neste momento:
agarrado às riquezas deste mundo, ou à verdadeira riqueza que é Jesus?
(Pedrosa Ferreira, p. 54)
O BOBO E O REI
Um rei tinha ao seu serviço um bobo que o
distraia com as suas brincadeiras e palhaçadas.
Um dia, o rei entregou o seu cetro ao bobo, dizendo-lhe:
- ficas com ele, até encontrares alguém mais estúpido que tu: então poderás
oferecer-lho. Passado algum tempo, o rei adoeceu gravemente.
Sentindo aproximar-se a morte, chamou o bobo, a quem se tinha afeiçoado, e
disse-lhe:
- Vou partir para uma longa viagem.
Pergunta solícito o bobo:
- E quando regressa? Daqui a um mês?
- Não, não voltarei mais.
- E quais os preparativos que fez para esta expedição? O rei respondeu
tristemente:
- Nenhum!
- Tu partes para sempre e não te preparaste em nada? Toma lá o cetro, porque
encontrei alguém mais estúpido que eu.
Estai vigilantes!
• A realidade da morte incomoda a toda a gente. Alguns fazem dela um ponto final; outros iluminam-na com a luz que vem da Páscoa de Jesus Cristo.
• É preciso não ignorar a realidade da morte e preparar-se para ela. Não é fácil aceitá-la numa atitude de esperança cristã. E preciso consolidar essa esperança.
• Qual a melhor preparação para a morte?
(Pedrosa Ferreira, p. 56)
POR QUE CORRES?
Da janela que dava para a praça do mercado, o
Mestre vê um dos seus alunos, um certo Haikel, que caminhava apressado, todo
atarefado. Chamou-o e convidou-o a ir ter com ele. Perguntou-lhe:
- Haikel, viste o céu esta manhã?
- Não. Mestre.
- E a estrada, Haikel? Viste a estrada esta manhã?
- Sim, Mestre.
- E agora, ainda a vês?
- Sim, Mestre, vejo-a.
- Diz-me o que é que vês?
- Gente, cavalos, carroças, comerciantes que se movimentam, homens e mulheres
que andam de um lado para o outro; é tudo o que eu vejo, O Mestre disse-lhe
amavelmente:
- Haikel, Haikel, daqui a cinquenta anos, daqui a duas vezes cinquenta anos
ainda existirá uma estrada como esta, um mercado semelhante a este. Outros
meios de transporte levarão os mercadores para comprar e vender outros cavalos.
Mas eu já não estarei aqui, tu também já não existirás.
Por isso te pergunto, Haikel, por que corres tanto, e nem sequer tens tempo de
olhar para o céu?
Olhar para o céu
* As gerações sucedem-se umas às outras. As pessoas que se julgavam insubstituíveis vão partindo deste mundo e, apesar disso, a vida continua.
* Os cristãos sentem-se como um povo peregrino: não têm aqui morada permanente e caminham para a pátria definitiva. Olham, por isso, para o céu.
* Sentes-te instalado neste mundo ou peregrino de
uma nova terra?
(Pedrosa Ferreira, p. 58)
O RAMO CORTADO
Uma vez, um bandido foi para matar
Buda. Este disse‑lhe:
‑ Antes de me matares, ajuda‑me a cumprir o meu último desejo. Corta, por
favor, um ramo dessa árvore.
Com um golpe de espada, o bandido fez o que Buda lhe pedia. Mas este
acrescentou:
‑ Agora colocas o ramo na árvore para que continue a florescer.
O bandido, muito admirado, respondeu:
‑ Deves estar louco, se pensas que isso é possível.
Responde o Buda:
‑ Pelo contrário, o louco és tu,
que te julgas poderoso porque podes ferir e destruir. Isso qualquer criança
pode fazer. Verdadeiramente poderoso é aquele que sabe criar e curar.
Destruir ou construir?
* É muito fácil destruir a obra dos outros, deitar abaixo o que outros levantaram com o seu esforço. O difícil é construir, criar de novo, fazer o bem.
* Se queres ser poderoso, sê poderoso no amor. Tal como Deus, que tem uma amor tão forte que ama a todos e deseja para todos que tenham vida em abundância.
* És destruidor ou construtor? Poderás um dia dizer, ao partires deste mundo, que construíste algo de bom e de belo?
(Pedrosa Ferreira, p. 60)
A MELHOR PREGAÇÃO
Um dia, saindo do convento, São Francisco
encontrou Frei Junípero. Era um frade simples e bom. São Francisco gostava
muito dele. Encontrando-o um dia disse-lhe:
- Frei Junípero, vem comigo, vamos pregar.
Respondeu ele:
- Meu pai, sabe que tenho muito pouca imaginação. Como poderei falar às
pessoas?
Mas porque São Francisco insistia, Frei Junípero obedeceu.
Giraram por toda a cidade, rezando em silêncio por todos os que trabalhavam nas
oficinas e nos campos. Sorriram às crianças, especialmente às mais pobres.
Trocaram algumas palavras com os idosos. Acariciaram os doentes. Ajudaram uma
mulher a transportar um recipiente cheio de água.
Depois de terem atravessado a cidade, S. Francisco disse: - Frei Junípero, são
horas de regressar ao convento.
- E a nossa pregação?
O santo, sorrindo, respondeu:
- Já a fizemos... Já a fizemos.
A força do exemplo
• A melhor forma de comunicar uma mensagem não são as palavras, mas outra linguagem não verbal feita de um jeito de viver que irradia da pessoa.
• Para comunicar a Boa Nova de Jesus deve utilizar-se sobretudo o exemplo de vida: a felicidade sentida, a preocupação pelos pobres, a ajuda fraterna...
• Com o teu jeito de viver, anuncias o que é ser
cristão? Vives o Evangelho com seriedade?
(Pedrosa Ferreira, p. 61)
OS TRÊS CACHIMBOS
Um velho índio dava este sábio conselho aos
jovens impacientes da sua tribo:
- Quando estiveres muito aborrecido com alguém porque te ofendeu imenso, e
decidirás matá-lo para lavares a honra, senta-te antes de sair, acende bem o
primeiro cachimbo e fuma-o.
Uma vez que acabes o primeiro cachimbo notarás que a morte, afinal de contas, é
um castigo demasiado grande para a culpa cometida... Sentirás então vontade de
lhe dares uma boa sova...
Antes de ir buscar um forte cacete, senta-te, carrega um segundo cachimbo e
fuma-o até ao fim… Então pensarás que uns quantos insultos, bem fortes e
sonoros, podem suprir bem uma sova…
For fim, quando te dispuseres a sair de casa para ir insultar quem te ofendeu,
carrega um terceiro cachimbo e fuma-o. Quando acabares, talvez só desejes fazer
as pazes com quem te ofendeu e causou mal.
Recado aos impacientes
* Os impacientes, ao sentirem-se ofendidos, geralmente não estão para pensar duas vezes antes de reagir. E fazem-no com violência.
* Somos convidados a ter a paciência de Deus que, apesar de nos ver tantas vezes a ofendê-lo, espera pacientemente pela nossa conversão ou mudança de atitudes.
* Estarias disposto a seguir o conselho do velho
índio?
(Pedrosa Ferreira, p. 62)
EU FIZ-TE A TI
Um homem passava por uma floresta,
de repente, viu um macaco que tinha perdido as patas. Ele pensou: «Como pode
ele sobreviver?». Viu, então, chegar um tigre que levava uma presa na boca,
comeu, saciou‑se e, depois, deu o resto da carne ao macaco. No dia seguinte,
aconteceu a mesma coisa, então ele pensou: «Deus voltou a alimentar o macaco
por meio do tigre». ficou maravilhado pela grande bondade de Deus, e resolveu:
‑ Eu também vou ficar num canto, confiando no Senhor, Ele me dará tudo quanto
necessito.
Assim fez durante muitos dias, mas nada aconteceu, estava cada
vez mais fraco, quase às portas da morte, quando ouviu uma voz que dizia:
‑ És tu que andas errado, abre os olhos e observa a verdade. Segue o exemplo do
tigre e não o do pobre macaco mutilado.
Passado algum tempo, o homem viu uma criança triste, a tremer de frio e cheia
de fome. Irritou‑se para com Deus e disse:
‑ Deus, porquê é que Tu permites estas coisas? Porquê é que não fazes nada para
o ajudar?
Durante algum tempo, Deus ficou calado, mas um dia, respondeu‑lhe:
‑ Certamente que Eu fiz algo para ele. Fiz‑te a ti!
A, nossa responsabilidade
* Há situações em que Deus não intervém diretamente. Assim como o macaco é alimentado pelo tigre... Deus interpela o homem para que alimente a criança faminta.
* É verdade que há muitas situações dramáticas neste mundo. É fácil acusar a Deus. Mais difícil é atuar. Precisamos de nos convencer de que Deus atua sempre, mas através da nossa ação?
* Com a tua maneira de viver, será
que atuas como instrumento de Deus, que quer para todos a felicidade?
(Pedrosa Ferreira, p. 63)
O SERMÃO DO CANÁRIO
Um monge budista chinês subiu ao púlpito para
pregar, mas quando estava para começar o seu sermão, eis que apareceu um lindo canário
que, na janela do templo, começou a cantar uma das suas maravilhosas melodias.
O templo estava repleto de gente, que ficou extasiada. O canário continuava a
cantar, e cantou, cantou sem que o monge o interrompesse. Depois dessa
maravilhosa expressão artística, o canário levantou voo, deu uma volta no
templo e saiu pela janela fora. O povo permanecia num silêncio encantador.
Então disse o monge:
‑ Acabámos de ouvir o mais belo sermão jamais pronunciado neste templo. Este
passarinho falou‑nos da beleza, da alegria e da felicidade da vida, que Deus
nos deu. Eu não posso acrescentar mais nada. As minhas palavras medíocres
roubariam a beleza deste sermão.
E desceu silencioso do púlpito...
Deixar‑se maravilhar
* Precisamos de nos deixarmos maravilhar pela beleza e pela harmonia da natureza: o cantar dos passarinhos, o desabrochar de uma flor, a beleza do nascer e do pôr do sol...
* Jesus apreciava a beleza da natureza e serviu‑se das «avizinhas do céu e dos lírios do campo» para nos revelar a beleza da Providência divina que cuida das aves do céu e das flores do campo e que muito mais cuida de nós.
* Será que tens capacidade de te deixar
maravilhar com a beleza da criação, reflexo de Deus, que é amor e festa?
(Pedrosa Ferreira, p. 64)
O SEGUIMENTO
Um poderoso sultão viajava pelo deserto, seguido de uma longa caravana que
transportava um pesado carregamento de riqueza em oiro e objetos preciosos.
A meio do caminho, rodeado pelo intenso calor dos areais, um camelo, extenuado,
caiu e já não se levantou. Estava morto.
A arca, que transportava às costas, caiu e desfez-se espalhando nas areias
joias e brilhantes. O príncipe, não tendo com que recolher o precioso caudal,
fez um gesto como que de desprezo e de generosidade, convidando os seus pajens
e criados a guardar cada um o que pudesse para si.
Enquanto estes se lançavam com avidez sobre o rico tesouro para tirar de entre
os grãos de areia outros grãos que brilhavam um pouco mais, o príncipe seguiu
adiante o seu caminho pelo deserto.
De repente, ouviu os passos de alguém que caminhava atrás de si. Voltou-se para
trás e viu que era um dos seus pajens que o seguia, ofegante e a suar.
Perguntou-lhe:
E tu, não ficas a recolher nada?
O jovem respondeu com simplicidade cheia de distinção:
- Eu sigo o meu rei
Renunciar
• Hoje há quem dê uma tal importância ao ter, à riqueza, à posse de bens, que se esquece que o que é essencial na vida, é o que verdadeiramente nos fará felizes.
• O importante na vida é o seguimento do nosso «rei», quem tem um nome: Jesus de Nazaré. Segui-lo como o caminho que nos levará até Deus Amor.
* Estás disposto a renunciar a uma vida fácil
para seguir a Cristo?
(Pedrosa Ferreira, p. 66)
A LEITEIRA
Uma leiteira foi ao mercado levando a sua bilha
de leite à cabeça. Ia muito contente e decidiu:
- Com o dinheiro que ganhar com esta venda, comprarei uma cesta com cem
ovos.
Assim fez. A partir desses cem ovos, nascerão cem
pintainhos. Então pensou: quando estes pintainhos forem grandes, vendê-lo-ei e
comprarei um porco. Quando este porco ficar gordo, vendê-lo‑ei, e, com o
dinheiro dessa venda, comprarei um bezerro, que correrá alegremente pelos
campos.
A leiteira andava tão distraída com estes pensamentos que não viu uma pedra que
estava no caminho. Tropeçou, e a bilha ao chão e se perdeu o seu conteúdo.
Pobre da leiteira! Lá se foram o dinheiro e os ovos, os pintainhos e os frangos,
o porco e a vitela!
Os nossos projetos
* Por vezes, construimos castelos no ar, isto é, fazemos projetos sem sem fundamentos seguras, sonhamos de olhos abertos, imaginando o impossível.
* Os projetos de futuro, antes de serem executados, devem ser refletidos e cuidadosamente programados. Só assim se assegura o sucesso dos mesmos.
* Gostas de sonhar de olhos abertos acerca do teu
futuro?
(Pedrosa Ferreira, p. 70)
O TESOURO DO LENHADOR
O lenhador penetrou no bosque. Selecionava cuidadosamente as árvores cuja madeira lhe podia trazer mais benefícios, escolheu a mais esbelta. Preparava‑se para a primeira machadada quando uma voz o deteve. Diante dele encontrava‑se o Génio do bosque, que lhe disse:
‑ Peço‑te que respeites esta árvore; é a minha preferida. Dar‑me‑ias um grande desgosto se o cortasses. Eu repouso à sua sombra e admiro a sua beleza.
O lenhador respondeu‑lhe:
‑ Dá‑me alguma coisa em troca.
O Génio deu‑lhe um cofre cheio de oiro, joias e pedras preciosas, e ficou com o machado do lenhador. Este regressou a casa contente com a sua sorte e pensando que, sem fazer nada, tinha a sua vida resolvida.
O lenhador passava os dias e as noites a contemplar o seu tesoiro. Nenhum esconderijo lhe parecia bom para o guardar; não se decidia a comprar nada, para evitar que os outros soubessem que tinha um tesoiro. Vivia inativo e em contínuo sobressalto. Chegou a perder o sono e o apetite. Deixou de viver em paz.
Pouco tempo depois, o lenhador pegou no cofre e
foi ao bosque. Chamou pelo Génio e disse‑lhe:
‑Toma o teu cofre e devolve‑me o meu machado.
A riqueza dará felicidade?
O ouro, as joias e as pedras preciosas tiraram a paz ao lenhador. É verdade que a ânsia da riqueza impede as pessoas de viverem verdadeiramente felizes.
É preferível ter apenas os bens necessários para viver dignamente e viver alegremente, do que passar os dias e as noites a pensar nas riquezas.
Achas que os ricos avarentos são gente feliz? Se fosses para uma ilha deserta, que levadas contigo?
(Pedrosa Ferreira, p. 72)
OS TRÊS FILHOS DO REI
Era uma vez um rei que tinha três
filhos. Possuía, além disso, muitas riquezas. Sobretudo um brilhante de um
valor extraordinário, admirado no mundo inteiro.
Para quem seria aquele brilhante, ao repartir a sua aliança?
O seu pai submeteu‑os a uma prova. Seria para aquele que realizasse uma proeza
maior.
Um certo dia, mandou‑os realizar essa tal proeza extraordinária.
Ao cair a noite, cada um relatou os acontecimentos do dia.
O mais velho disse que tinha matado um dragão que semeava o pânico por todo o
reino.
O segundo disse que venceu com uma simples fisga dez homens bem armados.
O terceiro, que era o mais novo, disse:
‑ Saí esta manhã e encontrei o meu maior inimigo a dormir à sombra de um
muro... e deixei que continuasse a dormir.
Então o rei levantou‑se do trono, abraçou esse seu filho mais novo e entregou‑lhe
o precioso brilhante.
A maior proeza
* A comunicação social (televisão, rádio, imprensa) dá relevo a tudo o que é sensacional, fora do comum, espetacular. Isso é que tem interesse no mundo.
* Acontece que Deus tem outra maneira de ver as coisas. Para ele, o importante é a fraternidade, o amor a todos, inclusivamente aos inimigos.
* Que gestos de amor já soubeste observar no dia de hoje?
(Pedrosa Ferreira, p. 73)
A RAPOSA E O CORVO
Numa árvore estava o senhor Corvo com um rico
queijo no bico. Passava por aí a senhora Raposa que, atraída pelo cheiro, lhe
disse:
- Bom-dia, senhor corvo! Como você é bonito! Se o seu cantar fosse tão belo
como as suas penas, seria a ave mais formosa de todas quantas habitam na
floresta.
Ao ouvir este elogio, o corvo encheu-se de grande alegria ao abrir o bico para
mostrar a sua voz, deixou cair o queijo. A raposa agarrou-o imediatamente e
disse:
- Senhor Corvo, o elogio que lhe dei vale verdadeiramente um queijo.
Envergonhado, o corvo jurou que nunca mais se deixaria enganar com elogios.
Elogios
* Os elogios não são para serem levados a sério, pois muitas vezes escondem a adulação. Se fizemos o bem, cumprimos apenas o nosso dever.
* Contudo, devemos estar sempre prontos a elogiar os outros, não por adulação, mas para os animarmos. As pessoas precisam de escutar palavras de ânimo.
* Quanto te elogiam, será que te enches de vaidade? Sabes elogiar ou apenas criticar?
(Pedrosa Ferreira, p. 74)
O CAMINHO DA FELICIDADE
Era uma vez um homem que estava farto de chorar.
Olhou à sua volta e viu diante dos seus olhos a felicidade. Estendeu a mão e
queria apanhá-la.
A felicidade era uma flor. E logo que a apanhou com a sua mão,
imediatamente a flor perdeu as pétalas.
A felicidade era um raio de sol. Ergueu os olhos para aquecer o rosto, mas de
repente unia nuvem o cobriu.
A felicidade era uma guitarra. Acariciou-a com os seus dedos, mas as cordas
desafinaram.
Quando ao entardecer regressou a casa, o homem continuava a chorar.
Na manhã seguinte continuou à procura da felicidade. À beira do caminho havia
unia criança que choramingava. Para a tranquilizar, colheu uma flor e deu-lhe.
A fragrância da flor perfumou os dois. Unia pobre mulher, coberta de trapos,
tremia de frio. Levou-a até ao sol e também ele se aqueceu.
Um grupo de crianças cantava. Acompanhou-os com a sua guitarra. Também ele se
deleitou com aquela melodia.
Ao anoitecer, regressando a casa, o bom homem sorria verdadeiramente.
Tinha encontrado a felicidade.
Felizes sereis
• A grande sede e fome de todas as pessoas é a de serem verdadeiramente felizes. Correm para os lugares de diversão e para os grandes supermercados à sua procura.
• Mas a felicidade não se encontra aí. Como sugere o conto, pode estar em viver numa atitude permanente de amizade, de serviço, de dedicação aos outros.
• Para ti, onde estará a felicidade à medida da pessoa humana? Já a encontraste?
(Pedrosa Ferreira, p. 76)
FESTA NO CASTELO
A população que vivia à volta do castelo acordou
ao ouvir o mensageiro do marquês que proclamava no meio da praça:
Faz-se saber a todos que o senhor marquês convida a todos os bons e fiéis
súbditos a participar na festa do seu aniversário. Cada um dos que assistir
terá uma agradável surpresa. Pede a todos um pequeno favor: Cada um dos
participantes na festa faça o favor de levar um pouco de água para encher o
depósito do castelo que está vazio...» O mensageiro repetiu várias vezes o
anúncio. Depois regressou ao castelo.
Entre a população surgiram os mais diversos
comentários.
- O tirano de sempre! Se quer encher o depósito, que mande trabalhar os seus
muitos criados! Levarei uni copo de água e basta!
- Foi sempre uni marquês muito generoso! Vou levai--lhe uni barril de água.
- Eu, um dedal e chega!
- Eu um balde!
Chegou o dia da festa. Naquela manhã um estranho cortejo subia a colina em direção ao castelo. Alguns levavam aos ombros pesados tonéis ou grandes baldes cheios de água. Outros, troçando dos seus companheiros, levavam pequenas garrafas e até simples copos de água.
A procissão entrou no pátio do castelo. Cada um esvaziava o seu recipiente no grande depósito. Deixava-o depois a um canto e dirigia-se, contente, para a sala do banquete. Comeram, beberam e divertiram se até ao fim do dia.
Ao anoitecer, o marquês manifestou a todos o seu
obrigado e retirou-se para os seus aposentos.
Uns, desiludidos, interrogavam-se:
- Mas onde é que está a surpresa prometida?
Outros mostravam-se alegres e satisfeitos. Respondiam:
- O senhor marquês brindou-nos com uma festa estupenda.
Cada um, antes de se retirar, foi buscar o seu
recipiente. E foi então que se ouviram quer gritos de júbilo quer de raiva. E
que os recipientes tinham sido cheios, até ao cimo, de moedas de oiro!
Alguns diziam:
- Ah! Se eu tivesse trazido um pouco mais de água!
A alegria de dar
* A população gosta de ir à festa do marquês, mas não está disposta a colaborar apenas com um pouco de água. As pessoas gostam mais de receber do que de dar.
* Jesus Cristo disse que há mais alegria em dar do que em receber. Precisamos todos de ser mais generosos para com todos, dando o melhor do que somos e também do que temos.
* Sabes dar gratuitamente, mesmo que seja só um sorriso?
(Pedrosa Ferreira, p. 80)
OS DOIS REMOS
Nas margens de um grande rio entre
montanhas, um velho barqueiro esperava com a sua barca as pessoas para as
trasladar para a outra margem.
Era pessoa de poucas palavras, mas no seu rosto refletia‑se algo da majestade
das montanhas e da transparência das águas do grande rio.
Um dia chegou um jovem perdido por aquele vale, acostumado apenas ao asfalto e
ao ruído da cidade. E pediu ao velho barqueiro que o levasse com a sua barca
para a outra margem. Ele aceitou sem dizer unia palavra e pôs‑se a reinar.
Enquanto avançavam, a melo do rio, o jovem sempre curioso deu‑se conta de que
num dos dois remos se podia ler DEUS. Não conseguia ler as outras letras, que
estavam quase apagadas.
Incomodado pela palavra DEUS, que lhe parecia passada de moda, começou a dizer:
«Hoje o ser humano com a sua razão descobriu os segredos do mundo e da vida...
Não precisa de Deus».
O ancião calou‑se. Pegou no remo em que estava escrita a palavra DEUS, deixou‑o
na barca e continuou a remar só com o outro, no qual estava escrita a palavra
EU.
Naturalmente não seguiu adiante; a barca começou a dar voltas sobre si mesma,
sem qualquer outro futuro que aquele pequeno círculo no qual se movia, e a ser
arrastada pela corrente.
O jovem ficou pensativo... O velho barqueiro interrompeu o silêncio:
‑ Sozinhos não chagamos a lugar nenhum. Necessitamos de Deus para poder avançar
em frente e ir mais além.
E pegando novamente no remo DEUS, continuou a remar, acompanhando o jovem para
a outra margem.
Precisamos de Deus
* Vivemos numa sociedade onde há muitos agnósticos, ateus e indiferentes, isto é, pessoas para quem Deus não conta para nada. Vivem sem fé.
* A verdade é que, apesar disso, Deus continua a existir e a dizer‑nos no nosso íntimo que a vida sem Ele não tem sentido. Ele decifra‑nos o sentido da nossa vida.
* Quem é para ti Deus? Que imagem fazes dele?
(Pedrosa Ferreira, p. 91)
PAIS E FILHOS
Um camponês viu numa árvore um ninho de
passarinhos. Estavam sós, pois os pais tinham ido à procura de alimento para os
filhos. O camponês pegou nos passarinhos, levou-os para casa e meteu-os numa
gaiola.
Quando chegaram os pais, vendo que não estavam os filhos, procuraram-nos muito
aflitos, Encontraram a gaiola e viram os seus filhos a esvoaçar lá dentro.
Ao vê-los, disse o camponês.
- Se os pais vêm cuidar dos filhos com tanto esmero, quero ver como é que os
filhos agradecem todo esse amor.
Agarrou os pais e, abrindo a porta da gaiola, meteu-os lá dentro. E libertou os
filhos, que correram a voar para longe. Em vão os pais esperaram pelo seu
regresso. Passado algum tempo, morreram de tristeza.
Amor filial
* Este breve conto pode ser o retrato do que se passa por esse mundo fora, onde são cada vez mais os lares de pais idosos, que podemos comparar a gaiolas.
* O quarto mandamento da Lei de Deus manda honrar pai e mãe durante toda a sua vida. E uma lei que está gravada no coração de todas as pessoas.
* Os idosos, separados das famílias, serão felizes? Qual a melhor solução para tomar a velhice feliz?
(Pedrosa Ferreira, p. 95)
UM DIA COMEÇOU A PAZ
As espingardas recusaram-se a disparar.
Os tanques não se quiseram mover.
Os aviões disseram que não desejavam transportar mais bombas.
- Estamos fartos de matar homens.
- Estamos cansados das guerras.
E, de repente, cessou o ruído das balas e das bombas e todos ouviram o trinar
dos passarinhos e as vozes das crianças. Os campos de batalha transformaram-se
em enormes parques infantis. Os tanques pintados de mil cores diferentes
transformaram-se em esconderijos para brincar. Nos grandes canhões pousavam as
pombas e as andorinhas. Dos aviões fizeram-se escolas, bibliotecas e salas de
vídeo.
As espingardas deixaram de ser utilizadas. For isso, nasceram lindas rosas nos
seus canos. E os cascos serviram para vasos, onde se plantaram plantas que
estão a enfeitar as varandas das habitações.
Os homens apagaram dos livros e dicionários as palavras guerra, inimigo,
ódio...
E nas escolas os professores ensinavam que se escreve com letras maiúscula as
palavras: PAZ, AMIGO, AMOR...
A paz é possível
* Este conto vem juntar-se a outros que sonham com um tempo novo em que, em vez de armas de guerra, se farão instrumentos de trabalho. Um sonho muito antigo.
* Jesus Cristo proclamou: «felizes os construtores de paz, porque serão chamados filhos de Deus». A paz assente na justiça é uma tarefa urgente.
* És uma pessoa pacífica e pacificadora? Interessas-te pelos problemas da humanidade?
(Pedrosa Ferreira, p. 96)
O VENTO E O SOL
Um dia, o Sol e o Vento discutiram sobre qual deles conseguiria que um caminhante, que passava, tirasse o sobretudo.
O Vento, porque é muito forte, dizia que, bastava-lhe soprar com muita força, e o capote desse homem voaria pelos ares. O Sol, mais astuto, apenas disse: Comecemos a aposta. Entra tu em ação, amigo Vento. Quanto mais este soprava, mais o homem se agarrava ao sobretudo, protegendo-se do frio Vento.
Chegou a vez do Sol. Este começou a brilhar e a aumentar lentamente o seu calor. O caminhante, atingido pelos ardentes raios do Sol, tirou o sobretudo. O Vento, apesar de tanta força e tanto ruído, deu-se por vencido.
A força do amor
• Este conto tão conhecido encerra uma grande sabedoria. E que há quem julgue que a força do homem reside apenas nos músculos, na força tísica.
• Há outras forças que, sendo mais discretas, são mais poderosas. E o caso, por exemplo, da força do amor. Nada é mais forte que o amor verdadeiro.
• Nos conflitos, utilizas a força da violência ou a força do amor?
(Pedrosa Ferreira, p. 98)
O BURRO E O PICA-PAU
Carregando uma pesada carga, ia uma vez um burro pelo caminho fora. Um pica-pau, que estava num ramo de uma velha árvore, viu e disse-lhe: Não vês que assim tão carregado não chegarás muito longe? Escuta o que te digo: tira das tuas costas metade dessa carga; caso contrário, vais morrer antes de chegares ao teu destino.
O burro, depois de zurrar, perguntou: Mas que devo fazer? O meu dono carregou-me assim? Não há nada a fazer, porque ordens são ordens. E o infeliz burro continuou a sua dolorosa caminhada. De repente, quando chegava ao cimo da última encosta, caiu exausto no meio do caminho.
O pica-pau, que preguiçosamente seguia os passos do pobre jumento, exclamou então: Vês, irmão? Já te tinha dito. Se tivesses prestado atenção aos meus conselhos...
Deitado no chão duro e poeirento do caminho, o burro, já moribundo, olhou vagamente para o seu néscio conselheiro e teve ainda [orças para dizer amargamente: Se antes, quando era tempo, em lugar de me dares conselhos, me tivesses prestado a ajuda necessária, nem que fosse pequena, talvez não me encontrasses agora neste estado. Agora, por favor, fecha o bico e não lamentes a minha morte.
Não me dês conselhos
* É fácil dar conselhos aos outros. Mas o que os outros necessitam é de quem os ajude a carregar as suas tristezas e angústias, a fim de não desanimarem.
* A ajuda fraterna faz parte do mandamento novo. Jesus passou a sua vida pública a ajudar os mais pobres, dando-lhe esperança e a vida que necessitam.
* E tu, habitualmente, dás conselhos ou prefere
dar a ajuda que os outros necessitam?
(Pedrosa Ferreira, p. 99)
VIVER NA CIDADE
Uma senhora, que vivia numa grande cidade, tinha deixado as chaves dentro de casa e fechado a porta. Ao regressar do mercado, deu-se conta do esquecimento e não sabia como entrar. O seu marido só regressaria ao fim da tarde. A única solução seria pedir ajuda e talvez hospitalidade a alguma vizinha do mesmo prédio.
Mas não o fez, porque era gente anónima,
desconhecida.
Sentou-se nas escadas e esperou pelo regresso do marido.
Anonimato
* Nos ambientes rurais, as pessoas conhecem-se umas às outras, partilham das mesmas alegrias e dores. Nas cidades impera o anonimato.
* É importante conhecer os vizinhos do prédio e da rua. Não custa nada uma saudação, um sorriso, uma palavra amiga. E urgente humanizar as cidades.
* Se visses um desconhecido em aflição, eras capaz de o ajudar.
(Pedrosa Ferreira, p. 100)
UMA CHÁVENA DE CHÁ
Um sábio japonês, conhecido pela sua sabedoria e doutrina, recebeu de visita um professor universitário, que for ter com ele para o interrogar acerca do seu pensamento.
O professor universitário tinha fama de ser orgulhoso, nunca prestava atenção ao que os outros diziam, julgando-se estar na posse de toda a verdade. O sábio, então, quis dar-lhe uma lição.
Para tal o sábio começou por lhe servir uma chávena de chá. Deitava pouco a pouco o chá, a chávena ficou cheia a transbordar. O sábio, fingindo não se dar conta, continuava a deitar chá, tanto que o líquido começava a molhar a toalha. O sábio mantinha a sua expressão serena e sorridente,
O professor, vendo o chá a transbordar, ficou admirado, sem perceber como era possível que o sábio tivesse uma tal distração, contrária às normas das boas maneiras. Mas, num certo ponto, não consegui mais conter-se, e disse ao sábio: - Já está cheia! Não cabe mais!
O sábio, imperturbável, respondeu-lhe:
- Tu também estás cheio como esta chávena, cheio da tua cultura e das tuas opiniões. Como é que eu poderei falar-te da sabedoria, se antes não esvaziares a tua chávena?
O professor compreendeu a lição. A partir desse dia, esforçou-se por se esvaziar das suas certezas e de escutar com maia atenção as opiniões dos outros, sem desprezar nenhuma delas.
A minha e a tua verdade
* Há pessoas que, como o professor do conto, estão tão cheios de certezas que não há lugar para acolher as certezas ou opiniões dos outros.
* As pessoas verdadeiramente inteligentes reconhecem que necessitam de escutar os outros. É que cada qual tem a sua parcela de verdade.
* Em ti ainda existe espaço para receber o que os outros têm para te ensinas?
(Pedrosa Ferreira, p. 101)
O MELHOR ARGUMENTO
Um velhinho, ateu e incrédulo, foi visitar um sacerdote. Queria que o ajudasse a resolver as suas dúvidas de fé. Não conseguia convencer-se de que Jesus de Nazaré tenha ressuscitado. Procurava provas da sua ressurreição. Quando entrou em casa do sacerdote, estava alguém a falar com ele.
O sacerdote avistou o idoso de pé no corredor e correu imediatamente, sorridente, a ofereceu-lhe uma cadeira. Quando o outro se despediu, o sacerdote convidou o velhinho a entrar. Logo que conheceu o seu problema, falou-lhe largamente e, depois de um denso colóquio, o idoso ateu converteu-se em cristão e quis conhecer melhor os Evangelhos, receber os sacramentos e rezar.
O sacerdote, satisfeito, mas também um pouco surpreendido pela mudança, perguntou-lhe:
- Por favor, depois da nossa longa conversa, qual foi o argumento que o convenceu de que Cristo ressuscitou verdadeiramente e continua vivo no meio de nós?
Respondeu o velhinho:
- O pormenor de me ter dado uma cadeira, para não me cansar de esperar.
(Danilo Zanella)
A linguagem do testemunho
• Hoje na Igreja as pessoas preferem ver testemunhos a ouvir discursos. O que convence as pessoas é, de facto, a nossa alegria, a nossa amizade...
• Os cristãos devem dar testemunho que é viver segundo o Evangelho. Deverão viver um cristianismo que realmente é Boa Nova de salvação para toda a gente.
• Que testemunho dás da tua fé em Cristo vivo?
(Pedrosa Ferreira, p. 104)
O LEOPARDO E AS MACACAS
Um leopardo, que andava na floresta à procura de alimento, encontrou um grande grupo de macacas. Estas, quando o viram, subiram às árvores. Ali refugiadas e dependuradas nos ramos, sentiam-se seguras. O leopardo, que era muito manhoso, pensou: Para que elas baixem, vou fingir que estou morto.
As macacas, entretanto, saltavam de um ramo para o outro com grande satisfação. A mais atrevida, ao ver o leopardo estendido no chão pensou: Está morto!. Sem raciocinar mais, desceu da árvore. Gritou para as colegas: Descei, porque o nosso inimigo está morto».
Baixaram então todas as macacas e tocavam despreocupadamente no leopardo. Umas saltavam-lhe em cima, outras puxavam-lhe as orelhas...
Quando já estavam cansadas de brincar, o leopardo levantou-se e matou-as a todas.
O inimigo não dorme
* O leopardo era manhoso e as macacas estultas. No sociedade não faltam pessoas com as mesmas características. Daí que toda a atenção é pouca.
* Não convém brincar com o perigo. A prudência é considerada uma das virtudes fundamentais em que deve assentar a nossa personalidade.
* És prudente ou brincas com o perigo? Quais os «perigos» existentes no mundo de hoje?
(Pedrosa Ferreira, p. 104)
CONSELHO DE AMIGO
Um homem bom e honrado tinha sido requisitado pelo imperador para assumir o governo de uma região na antiga e milenária China. Este bom homem quis começar bem o seu mandato e decidiu pedir conselho a um dos seus melhores amigos.
Alguns dias depois, reuniu-se com o seu amigo. Ao mesmo tempo que se despedia dele, pediu-lhe, por favor, um conselho que lhe servisse para a nova etapa que ia começar.
O amigo, conhecendo-o bem, depois de refletir um
pouco recomendou-lhe:
- Sobretudo, sê paciente e dessa maneira não terás dificuldades nas tuas
funções.
O novo governador respondeu que não se esqueceria de tais palavras.
O seu amigo repetiu-lhe três vezes a mesma
recomendação e todas as vezes o futuro governador prometia seguir o seu
conselho. Mas quando, pela quarta vez, lhe fez a mesma advertência, irritou-se:
- Julga que sou um imbecil? Já me recomendou a mesma coisa quatro vezes!
O amigo simplesmente sorriu e, advertindo-o de
como é difícil seguir o conselho que lhe propusera, disse-lhe:
- Vês como não é fácil ser paciente. O único que fiz foi repetir-te o meu
conselho, talvez, mais vezes do que é conveniente. E tu ficaste logo
enfurecido!
(Popular chinês)
Sê paciente
• A paciência é muito importante para toda a gente. Trata-se de manter a calma, mesmo quando alguém nos irrita com as suas palavras, atitudes ou modos de ser.
• Diz a Bíblia que Deus é paciente; descreve a Jesus Cristo paciente e compreensivo para com toda a gente. E esta a referência do agir cristão.
• Numa escala de 0 a 20, qual o teu grau de paciência?
(Pedrosa Ferreira, p. 106)
NEM POR DEZ MIL RUBLOS
Vivia há muitos anos na Rússia um jovem. Tinha o
costume de se lamentar. Repetia sempre a mesma coisa:
- Deus deu aos meus vizinhos tantas riquezas. Mas comigo foi avarento. Não me
deu nada. Como posso eu singrar na vida sem nada?
A sua lamentação chegou, por acaso, aos ouvidos
de um velho sábio, que lhe perguntou:
- Tens mesmo a certeza de que és pobre como dizes? Será que Deus não te
ofereceu a juventude e a saúde?
O jovem, enchendo o peito, disse:
- Eis-me. Sinto orgulho da minha força e da minha juventude.
Pegando-lhe agora na mão direita, o velho
prosseguiu: - E estarias disposto a deixá-la cortar por mil rublos?
- Nunca! Só se fosse maluco!
- E a esquerda?
- Nem sonhar!
O sábio, ainda não satisfeito com as respostas do
jovem, insistiu:
- Aceitarias tornar-te cego em troca de dez mil rubros?
Concluiu, decidido:
- Que Deus me livre de tal coisa! Não daria um dos meus olhos, nem em troca da
maior fortuna!
O velho então concluiu:
- Então por que é que te lamentas? Não te dás conta dos imensos presentes que
Deus te ofereceu? Recorda-te deles e procura ser reconhecido.
(Lev Tolstoi)
Viver positivo
• Há pessoas tão pessimistas que só se sabem lamentar. Veem a vida através de umas lentes negras. Preferem sempre apontar para o que existe de negativo.
• Somos convidados a viver num são otimismo. Sem ignorar a realidade com luzes e sombras, sublinhar o que existe de positivo, de bom, de estimulante.
• Vives positivamente? És uma pessoa alegre?
(Pedrosa Ferreira, p. 107)
A PASSAGEM DO REI
Andava eu a pedir esmola, de porta em porta, quando vi ao longe um carro de ouro. fiquei maravilhado e perguntei se aquele não seria o Rei dos reis.
O carro foi-se aproximando e, ao chegar junto de mim, parou. O rei olhou para mim, sorriu e desceu. Pensei que me iria dar uma esmola tão grande que ficaria rico para sempre. Mas ele estende-me a mão direita e diz-me:
- Podes dar-me alguma coisa?
Um rei a pedir! fiquei confundido, sem saber que fazer. Nesse momento, tirei do meu saco de mendigo um grão de trigo e dei-lho. foi grande a minha surpresa quando, ao fim do dia, esvaziei o meu saco: encontrei um grão de trigo na miséria no montão. Senti uma imensa pena de não ter dado tudo!
Dar tudo
• Se tivesse dado todo o trigo, teria recebido todos esses grãos transformados em ouro. Mas a sua generosidade não era pouca e não arriscou.
• Esse Rei dos reis pode ser imagem de Deus. Ele espera de nós a nossa adesão incondicional de fé. Em resposta, dá-nos todos os seus bens: a vida em abundância.
• À tua fé em Deus é mesmo grande? Entregas-lhe toda a tua vida?
(Pedrosa Ferreira, p. 108)
A CONCHA DE LEITE
O sábio indiano Narada era um amigo de Deus. Tão grande era a sua devoção, que um dia sentiu a tentação de pensar que ninguém no mundo amaria tanto a Deus como ele.
O Senhor leu no seu coração e disse-lhe:
- Narada, vai à cidade que está na margem do rio Ganges e procura um meu devoto
que viva ali. Será para ti uma boa companhia.
Narada assim o fez. Encontrou um lavrador que todos os dias se levantava muito cedo, pronunciava o nome de Deus uma única vez, pegava no seu arado e ia para o campo onde trabalhava todo o dia.
À noite, antes de se deitar, pronunciava outra
vez o nome de Deus. E Narada disse para consigo:
- Como é que este indivíduo pode ser um amigo de Deus, se passa todo o dia
envolvido nas suas ocupações terrenas? Então o Senhor disse a Narada:
- Pega numa concha, enche-a completamente de leite e passeia com ela pela
cidade. Depois volta aqui, mas sem que se derrame uma só gota.
Narada fez como lhe tinha ordenado. E o Senhor
perguntou-lhe:
- Quantas vezes te recordaste de mim enquanto passeavas pela cidade?
Narada respondeu:
- Nem uma só, Senhor. Como o poderia fazer, se estava se tal modo preocupado
com a concha cheia de leite?
E Deus disse-lhe:
- Essa concha absorveu a tua atenção de tal maneira que te esqueceste de mim
por completo. Repara agora nesse camponês que, apesar de ter de trabalhar tanto
e cuidar da sua família, se recorda de mim duas vezes ao dia...
Oração e vida
• O sábio indiano julgava que o amor a Deus se media pelo relógio, pelo tempo gasto a dizer orações. Ainda há pessoas que julgam que basta rezar muito para agradar a Deus.
• O importante é que as pessoas, vivendo o seu quotidiano, não se esqueçam da presença amorosa de Deus, que ama a todos com um amor eterno.
• Quantas vezes ao dia te recordas de Deus? Pronuncias o seu nome?
(Pedrosa Ferreira, p. 109)
O ASTRÓNOMO
Era uma vez um astrónomo que tinha o costume de sair todas as noites a observar os astros do firmamento.
Um dia, quando vagueava pelos arrabaldes de cabeça erguida e olhos no céu, caiu, por descuido, num buraco. Lá de dentro, lamentava-se e gritava por socorro. Um transeunte, ao passar, ouviu os seus gemidos, aproximou-se e perguntou:
- O que foi que lhe aconteceu? De dentro, uma
voz:
- Andava a olhar para cima e cai aqui em baixo! O transeunte disse-lhe:
- Então, amigo, pretendes conhecer o que há no céu, e não te interessas pelo
que há na terra?
(Esopo)
Com os pés em terra
• Os cristãos são pessoas que, apesar de terem os olhos fixos no céu, sua pátria definitiva, andam com os pés bem assentes neste mundo que passará.
• Os cristãos devem interessar-se pela terra, e colaborarem na resolução dos problemas da injustiça, da falta de solidariedade, do analfabetismo, etc.
• És sensível aos problemas sociais? Sabes o que o magistério da Igreja diz acerca dos mesmos?
A ESMOLA
Um dia, uma mulher vestida de trapos velhos percorria as ruas de uma aldeia a bater às portas e a pedir esmola.
Não tinha grande sorte. Muitos lhe dirigiam palavras ofensivas, outros atiçavam-lhe os cães para que fugisse. Outros ainda davam-lhe pedaços de pão já muito duro e batatas já greladas.
Apenas dois velhos, que habitavam num casebre,
convidaram a pobre mulher a entrar. Disse o velho:
- Senta-te à nossa fogueira, enquanto a minha mulher prepara uma sopa quente e
mais alguma coisa.
Enquanto a mulher comia, os dois idosos dirigiam-lhe palavras de conforto.
No dia seguinte, naquela aldeia aconteceu algo de extraordinário. Um mensageiro real levou a todas as casas, também a casa dos dois idosos, um cartão que convidava todas as famílias para uma festa no castelo do rei.
O convite inesperado provocou uma grande animação na aldeia. Ao cair da tarde, todas as famílias, vestidas com trajes de festa, chegaram ao castelo. Foram introduzidas numa imponente sala de jantar e a cada um foi indicado um lugar.
Quando todos estavam sentados, os serventes em traje de cerimónia começaram a servir.
Imediatamente se ouviram murmúrios de desilusão e de cólera mal dissimulada. É que os serventes deitavam nos pratos pedaços de pão muito duro, de batatas já greladas e de pedras. Apenas nos pratos dos dois velhos, sentados a um canto, eram colocadas ricas e saborosas iguarias.
De improviso, entrou na sala a mulher que vestia
trapos velhos. Todos emudeceram. A mulher disse:
- Hoje encontrastes exatamente o que me oferecestes ontem.
Tirou os trapos que a cobriam. For debaixo estava
um grande vestido doirado revestido de pedras preciosas.
Era a rainha.
Todos convidados
• Todos foram convidados, mas só os dois idosos tiveram direito às melhores iguarias. Foram os únicos que acolheram verdadeiramente bem.
• O acolhimento faz parte do programa de vida de todo o cristão. «Tudo o que fizerdes ao mais pequenino dos meus irmãos, a mim o fazeis» (Jesus Cristo).
• Como acolhes as pessoas, sobretudo as pobres e humildes?
(Pedrosa Ferreira, p. 111)
O MELHOR PRESENTE
Há alguns anos, caminhando pelas ruas de Genebra nos dias de Natal, reparei num cartaz publicitário que chamou a minha atenção.
Era um anúncio que destoava no meio de todos os outros cartazes que anunciavam o último modelo de automóveis, uma marca de chocolates, brinquedos da moda.
Nesse cartaz estavam escritas apenas algumas palavras a vermelho: Christ est le meilleur cadeau (Cristo é o melhor presente).
O anúncio estava assinado pelas Igrejas protestantes da Suíça, e queria recordar a toda a gente, precisamente nos dias em que se celebrava a vinda de Deus ao nosso mundo, que não se esquecessem do maior presente que Deus nos fez.
Deus connosco
• O Natal muitas vezes é celebrado como uma festa que esquece o essencial. Há apenas iguanas sobre a mesa, lindas músicas, muitas compras, palavras lindas.
• O Natal só será verdadeiramente celebrado por quem medite neste mistério: Deus Amor faz-se um de nós, O Menino Jesus é o presente de Deus a todos nós.
• Como celebras o Natal? Será apenas um Natal
pagão? Haverá nele lugar para a festa cristã?
(Pedrosa Ferreira, p. 113)
O AMOR E A GUERRA
Entre dois países vizinhos a guerra tinha-se tornado inevitável. De ambas as partes, os senhores feudais decidiram enviar espias para averiguar os pontos mais débeis da fronteira do inimigo.
Passado algum tempo, regressaram para informar o mesmo de ambas as partes. Em toda a fronteira havia apenas um lugar adequado para penetrar no território inimigo. Disseram:
- Ali vive um pequeno mas laborioso camponês numa pequena casa com a sua encantadora esposa. Estão muito enamorados. Até se diz que são o casal mais feliz do mundo. Têm um filho. Se nós invadirmos por meio das suas terras, estragamos a sua felicidade. Por conseguinte, não pode haver guerra.
Os senhores feudais entenderam os motivos e é óbvio que não houve guerra.
Não impedir a felicidade
• O importante é que as pessoas tenham oportunidade de saborear um pouco de felicidade. Esta existe, por exemplo, no amor, no serviço aos outros.
• Tornar os outros felizes faz parte do programa de vida do cristão. Ele sabe que a plenitude da alegria só se encontrará no Reino futuro, na casa de Deus.
• Que fazes para tornar os outros mais felizes?
(Pedrosa Ferreira, p. 107)
O VALOR DE MAIS UM
Um pássaro perguntou a uma pomba quanto pesava um
floco de neve. A pomba respondeu:
- Nada. Mesmo nada,
Foi então que o pássaro contou esta história à
pomba:
- Estava eu poisado no ramo de um abeto, perto do tronco, e começou a nevar.
Era um nevão leve e suave como um sonho. Os flocos de neve caíam lentos. Como
não tinha nada que fazer, fui contando os flocos enquanto caíam sobre o ramo
onde estava poisado. Caíram exatamente 3.751.952.
Quando, sobre o ramo, caiu o seguinte floco (que
nada pesa, como dizes) o ramo partiu-se.
E, dito isto, o pássaro foi-se embora voando.
A pomba, uma autoridade em assuntos de paz, desde os tempos de Noé, pôs-se a refletir. Passados alguns minutos, depois disse:
-Talvez falte a colaboração de uma pessoa para que a paz aconteça no mundo.
(K. Hauter)
A nossa colaboração
• For vezes julgamos que a nossa colaboração não tem qualquer valor quando se trata de melhorar este mundo, fazendo com que haja nele mais paz.
• A realidade é que cada um de nós tem um programa a realizar neste mundo. Se for preguiçoso, ficará por executar. Todos somos importantes.
• Qual achas que deve ser a tua colaboração para a paz no mundo?
(Pedrosa Ferreira, p. 114)
NEGROS E BRANCOS
Há muitos e muitos anos, todos os elefantes do mundo eram negros ou brancos. Amavam os outros animais, mas odiavam-se entre si, porque ambos os grupos se mantinham apartados: os negros viviam de um lado e os brancos do lado oposto.
Um dia, os elefantes negros decidiram matar todos os elefantes brancos, e os elefantes brancos decidiram matar todos os elefantes negros.
Os elefantes de ambos os grupos que queriam a paz, esses retiraram-se para o lugar mais escondido da selva. E nunca mais ninguém os voltou a ver.
Começou a batalha. E durou muito, muito tempo. Até que não ficou sequer um elefante vivo.
Durante anos não se voltou a ver nenhum elefante sobre a Terra. Até que um dia, os netos dos elefantes pacíficos saíram da selva. Eram cinzentos.
Desde então os elefantes passaram a viver em paz. Mas há algum tempo, os elefantes que têm as orelhas pequenas e os elefantes que têm as orelhas grandes se olham uns aos outros de uma forma um tanto inquietante.
(David Nckee)
Extinguir o ódio
• Falamos de elefantes para recordar que, desde a aurora dos tempos que existe a violência na humanidade: irmãos que matam irmãos.
• Esta realidade não é um fatalismo. Se as pessoas quiserem, pode apressar-se a hora em que os ódios darão lugar a uma convivência pacífica.
• Que fazer para educar as novas gerações à convivência pacífica?
(Pedrosa Ferreira, p. 115)
AS CRÍTICAS
Em certa ocasião, um orgulhoso indiano foi ver um
sábio e, muito irado, começou a insultá-lo duramente. O sábio escutava-o
pacientemente, sem se alterar nem responder aos insultos que o orgulhoso
brâmane lhe dirigia. Passado algum tempo, o homem cansou-se dos seus
ataques verbais e calou-se.
Então o sábio perguntou-lhe:
- Já terminou?
O homem respondeu:
- Sim.
Perguntou-lhe o sábio:
- Recebe visitas em sua casa?
O bramante orgulhoso, intrigado, respondeu:
- Sim, frequentemente.
- E ofereces aos visitantes comida e bebida?
- Certamente! E este o costume.
- E se a visita não quer comer nem beber, que fazes?
- Não me importo. Como e bebo eu!
Então o sábio disse ao brâmane:
- Isso mesmo podes fazer com as tuas críticas. Foste muito amável em
convidar-me, mas não interessado em digerir as tuas criticas. Fica com elas e
come-as tu sozinho,
O brâmane, envergonhado, não soube que dizer.
(Conto zen)
Orgulho e ira
• Há muitas maneiras de criticar. O brâmane orgulhoso criticou duramente e estando muito irado. Passou Inclusivamente da crítica para o insulto.
• A atitude do sábio terá sido correta? É que as críticas, se necessárias, só darão efeito se forem feitas serenamente, num clima de amizade.
• Que pensas e sentes das críticas? Em que condições é que serão úteis?
(Pedrosa Ferreira, p. 116)
OS DOIS FÓSFOROS
Num dia de grande calor, um viajante atravessava os bosques da Califórnia e soprava um vento forte.
Cansado de tanto cavalgar, pensou em fumar um cigarro. Para tal, desceu do cavalo e tirou do bolso o cachimbo. Mas, por mais que procurasse, apenas encontrou no bolso dois fósforos,
Experimentou o primeiro, que não se acendeu, O
viajante resmungou:
- Só me faltava mais esta! Apetece-me tanto fumar e só tenho um fósforo, que
certamente também não acenderá. Haverá alguém com tão pouca sorte?
E continuou a refletir:
- Contudo, suponhamos que este fósforo se acende, eu fume o cachimbo e ponha as
cinzas aqui sobre a erva; tão seca como está, poderia incendiar-se. E, enquanto
procure apagar a chama, ela poderia escapar-se e correr atrás de mim e pegar-me
fogo. Depois atacaria aquele pinheiro coberto de musgo, que se incendiaria
imediatamente. Viria o vento, que levaria a lavareda para mais longe, pondo
todo o bosque em brasa. Um bosque a arder dias e dias, o gado a morrer, as
fontes a secarem-se, os camponeses arruinados e os seus filhos errantes pelo
mundo. Sim, tudo isto depende deste fósforo!
O viajante concluiu:
- Felizmente que me dei conta de tudo isto!
Meteu o cachimbo no bolso e seguiu o seu caminho.
(Robert Stevenson)
Proteger a Natureza
• Os perigos dum fósforo aceso são tão grandes que o homem deixou de fumar. Todos os anos assistimos, durante o Verão, aos temíveis incêndios.
• Os incêndios, que surgem espontaneamente ou são provocados por criminosos, são uma calamidade, porque destroem o pulmão da Terra.
• Que deverá fazer um cidadão para prevenir os incêndios? Como educar as pessoas ao respeito pela Natureza?
(Pedrosa Ferreira, p. 118)
JULGAMENTO UNIVERSAL
Depois de uma vida simples e serena, uma mulher
morreu e encontrou-se imediatamente a fazer parte de uma longa e ordenada
procissão de pessoas que avançavam lentamente para o Juiz Supremo. A medida que
se aproximava da meta, ouvia cada vez mais distintamente as palavras do Senhor.
Ouviu, assim, o que o Senhor dizia a um:
- Tu socorreste-me quando estava ferido na autoestrada e levaste-me ao
hospital, entra no meu Paraíso.
Depois disse a um outro:
- Tu fizeste-me um empréstimo sem juros a uma viúva, vem receber o prémio
eterno.
A outro disse o Juiz:
- Tu fizeste gratuitamente operações cirúrgicas muito difíceis, ajudando-Me a
restituir a esperança a muitos, entra no meu Reino.
E assim sucessivamente.
A pobre mulher começou a ficar aterrorizada porque, por mais que pensasse, não se recordava de ter feito nada de excecional. Ainda tentou abandonar a fila para ter tempo de pensar, mas foi-lhe absolutamente impossível: um anjo sorridente, mas decidido, não permitiu que deixasse a fila.
Com o coração a bater forte, e muito temor,
chegou diante do Senhor. Imediatamente se sentiu envolvida pelo seu sorriso.
Deus disse-lhe:
- Tu passaste a ferro as minhas camisas... Entra na minha felicidade.
O valor do quotidiano
• A mulherzinha, apesar de não ter feito coisas sensacionais, foi digna de entrar no Paraíso. Supõe-se que viveu uma vida de dedicação aos outros.
• De facto, o que Deus pede não é que os seus filhos muito amados sejam todos gente famosa. Simplesmente que vivam com amor e alegria o seu quotidiano.
• Que importância dás ao cumprimento fiel das tuas tarefas quotidianas? Fazes tudo isso por amor?
RECONSTRUIR A PESSOA
Um filho estava continuamente a incomodar o seu pai. Este, para o distrair e se libertar dele, pegou numa folha de um velho atlas onde se encontrava todo o mundo: a escala muito reduzida, continha todos os continentes, países, cidades...
Cortou-o em pequenos pedaços e entregou-o ao filho para que as compusesse. Pensou o pai: «Levará muito tempo e assim deixar-me-á em paz».
Passados alguns minutos, a criança regressou com
o mundo perfeitamente ordenado. O pai, assombrado, perguntou-lhe:
- Como é que conseguiste compô-lo tão depressa?
- Muito simples, pai. No reverso do papel estava desenhado um ser humano.
Reconstrui primeiro aquela pessoa e o mundo foi-se articulando por si mesmo.
(Adaptado de O. Negri)
Por um mundo novo
• Reconstruindo a pessoa, o problema do mundo ficou resolvido. Há no mundo muitas coisas por ordenar: a paz, a justiça social, os direitos humanos...
• Cada pessoa terá de começar por se ordenar a si própria. Cada pessoa terá de viver em paz consigo, em relação fraterna e em solidariedade.
• Que necessitas de fazer para ficares uma pessoa «reconstruída?» Que podes fazer para melhorar o mundo?
(Pedrosa Ferreira, p. 120)
A BONECA DE SAL
Era uma vez uma boneca de sal. Embora fosse de sal, nunca tinha visto o mar. For isso, um dia, deixou a sua terra e pôs-se a caminho em direção ao mar.
Depois de percorrer muitos quilómetros, chegou finalmente ao final da viagem. Ficou fascinada por aquela imensidão de água a perder-se no infinito. Nunca tinha visto uma coisa assim tão grandiosa. Mas seria isso o mar? Por isso, perguntou:
- Quem és tu?
Com um sorriso, o mar respondeu:
- Entra nas minhas águas e comprova-o tu mesma!
E a boneca de sal meteu-se no mar. Mas, à medida que avançava nas águas, ia derretendo-se, até que dela nada ficou. Mas, antes de se dissolver completamente, exclamou maravilhada:
-Agora sei quem sou!
(Anthony de Mello)
Sede de infinito
• A boneca de sal tinha ânsia de conhecer o infinito. Por isso, pôs-se a caminho em direção ao mar imenso. Só percebeu o que é o mar quando se derreteu nele.
• A pessoa humana, quando se põe a pensar, descobre que tem ânsia de chegar a Deus, e pressente que só aí encontrará verdadeira paz e felicidade.
• Tens ânsia de mergulhar no mistério de Deus? Ou preferes entreter-te com as coisas que esta sociedade te vai oferecendo?
O CAVALO DE CALÍGULA
Calígula, célebre imperador romano, tinha um cavalo muito valente e Formoso. Gostava tanto dele, que decidiu nomeá-lo cônsul. Ser cônsul era ter um grande poder. Certamente que este cavalo era apenas cônsul honorário, isto é, tinha o título, mas não exercia o poder.
O cavalo, ao ver-se com um tão grande título, começou a ficar cada vez mais vaidoso. Chegou ao ponto de deixar de comer a palha que lhe davam. Dizia para consigo: 'Um cônsul não se pode rebaixar a comer palha, como os outros miseráveis cavalos!'
Os que cuidavam dele, ao verem que se recusava a
comer a palha, não sabiam que fazer. Um deles teve uma ideia luminosa:
- E se pintássemos a palha da cor do ouro? Talvez assim ele, que é orgulhoso, a
coma.
E assim fizeram, pintaram a palha da cor do oiro e levaram-lha. O cavalo pensou: 1sto é outra coisa: um alimento digno de ser comido por mim!». E comeu-a toda.
A vaidade
• Como se poderia terminar esta história? Talvez que o vaidoso cavalo teve dificuldades em digerir uma palha que não era integral.
• Há pessoas que se julgam mais do que são. Têm uma exagerada consideração da sua pessoa. Nem complexos de superioridade nem complexos de inferioridade.
• Aceitas-te tal como és, com as tuas qualidades e também as tuas limitações?
MENSAGEM
Sonhei que caminhava à beira do mar com Deus e revia no écran do céu todos os dias da minha vida passada, e por cada dia transcorrido apareciam na areia duas pegadas: as minhas e as de Deus. Mas em alguns momentos, precisamente naqueles que correspondiam aos dias mais difíceis da minha vida, vi apenas umas pegadas.
Então disse:
- Senhor, escolhi viver contigo e Tu prometeste que estarias sempre comigo. For
que é que me deixaste só nos momentos mais difíceis?
Ele respondeu-me:
- Sabes que te amo e nunca te abandonei. Os dias nos quais há apenas umas
pegadas na areia são aqueles em que eu te levei nos meus braços.
(Anónimo)
Confiança em Deus
• Todos os crentes sentem a ausência ou o silêncio de Deus. Têm a amarga sensação de que Deus está distante e deixa as pessoas abandonadas à sua sorte.
• A certeza que nos vem da revelação feita por Jesus Cristo é a de que Deus está sempre com os seus, sobretudo nos momentos mais difíceis.
• Qual o teu grau de confiança em Deus? Já alguma vez te revoltaste contra Ele?
(Pedrosa Ferreira, p. 120)
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