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terça-feira, 6 de janeiro de 2026

2 - PORQUÊ DEUS PÔS À PROVA OS ANOS

Propomos sob forma de perguntas alguns aspetos da natureza do demónio e da sua ação no mundo, utilizando o livro do Padre José António Fortes, Summa demoníaca, Paulus, 2010. Confronte o texto original.

O método de pergunte e resposta ajuda a memorizar e interiorizar algumas imagens ou pensamentos sobre este tema. As respostas constituem e retomam estudos anteriores de muitos exorcistas.

 Questão 2 - Por que Deus impôs uma prova aos espíritos angélicos? 1

            - para dar um grau de felicidade diferente a cada um.

            - para que cada um determinasse o grau de gloria

            - Porque Deus quer ser amado livremente e não por obrigação

Questão 3 - Por que Deus não lhes retirou a liberdade?                    3

         - tirar-lhe a liberdade seria como mudar a natureza.

            - O mal não obstaculiza os planos de Deus

            - permite as criaturas de crescer em santidade

Questão 4 - Todos os demónios são iguais?                                      4                 

 - Cada anjo é completamente distinto do outro

         - Existem 9 hierarquias angélicas.

 

Questão 2 - Por que Deus impôs uma prova aos espíritos angélicos?

Porque cada um deles exercesse o dom da liberdade, assim pudesse determinar o grau de felicidade na «visão beatifica». Deus é Amor e que ser amado livremente.   

Deus poderia ter criado os espíritos angélicos e ter-lhes concedido a graça da «visão beatífica». Isto era perfeitamente possível para a Sua omnipotência e se Deus o tivesse feito, não se teria cometido nenhuma injustiça. Porém, Deus tinha três poderosas razões para lhes conceder uma fase de prova antes da visão beatífica.

- Para dar um grau de felicidade diferente. A razão menos importante de todas era que Deus teria que dar a cada ser racional um grau de felicidade. Todos no Céu veem a Deus, mas ninguém pode gozar d’Ele num grau infinito, isso é impossível. Só Deus pode gozar infinitamente. Cada ser finito goza o máximo que poder, sem desejar mais, mas de modo finito, goza finitamente de um bem infinito. Para compreender melhor este conceito metafísico, podemos comparar cada ser racional a um vaso. Deus preenche este vaso até a borda, plenamente, embora, cada vaso tem uma determinada medida.

- Para que cada um determinasse a sua glória. Deus, na Sua infinita sabedoria estabeleceu que cada anjo determinasse o se grau de glória na visão beatifica». A mesma coisa é para os seres humanos. Deus deixou que tal decisão ficasse em nossas mãos, assim, cada recebe um grau de glória diferente, segundo as escolhas que fez durante a vida terrena. Deus põe à prova os homens como também os anjos, desta forma, cada um determina, segundo a generosidade, o amor, a constância e demais virtudes que manifestou nessa prova. Como se vê, é uma disposição magnífica, ditada pela sabedoria infinita de Deus.

- Porque Deus quer ser amado livremente. Desta forma, quer os anjos, quer os homens, durante a prova, têm a possibilidade de desenvolver a sua fé, a sua generosidade para com Deus, amá-Lo enquanto ainda não O vê. Depois, ao vê-l’O na «visão beatifica» cada um será grato de contemplar a Deus, mas, o amor generoso, a confiança em Deus mesmo na obscuridade, só é possível antes da visão. Depois, já não será possível.

Esta evolução do espírito que ama a Deus de alma e coração só é possível antes da «visão beatifica», depois é absolutamente impossível. Por isso a prova é um dom de Deus, uma grande oportunidade que Deus oferece às suas criaturas para que germine e se desenvolva a flor da fé e produza frutos abundantes. Essa flor é destinada a nascer pela eternidade, cada um segundo os seus frutos. Quando chegar na «visão beatifica» cada um goza em plenitude a presença de Deus. Assim foi para os anjos e assim será para as criaturas humanas. Durante o tempo da prova é possível desenvolver as virtudes teologais. Há quem desenvolve mais e quem desenvolve menos. Uns desenvolvem mais algumas virtudes, outros desenvolvem outras, por exemplo, a perseverança, a humildade, a caridade, a súplica, etc.

O risco da liberdade.

Devemos afirmar e deixar bem claro o seguinte: Deus criou os anjos e os homens dando-lhes o livre arbítrio. A liberdade determina a natureza angélica, tal como determina a natureza humana. Tirando-lhe a liberdade, os anjos já não seriam anjos, como os homens não seriam homens.

A liberdade tem as suas consequências, por isso, Deus, ao criar seres livres, arriscou que cada criatura, usando o livre arbítrio, se pudesse desviar do bem e escolher o mal. Com a liberdade, Deus concedeu aos anjos, como também aos homens, a capacidade que se determinassem escolhendo o bem ou o mal. O santo não se cria, faz-se escolhendo o bem, embora, com o auxílio da graça divina. O dom da liberdade supõe que possa aparecer uma madre Teresa de Calcutá ou um Hitler. A vontade de Deus é que todas as suas criaturas escolham o bem, mas deixa aberta a possibilidade de escolherem o mal, quando a liberdade é explorada da forma egoística. O bem espiritual, supõe o risco tremendo da liberdade, isto é, a possibilidade de fazer o mal que Deus não quer. O mal não contraria os planos divinos, mas afirma a existência de criaturas livres, autónomas e pensantes; por outro lado, o mal nem obstaculiza os planos de Deus, que na Sua Providencia infinita, é capaz de tirar o bem, mesmo através do mal. Deus escreve direito nas nossas linhas tortas.

 

A necessidade da prova. 

Resumindo, a prova é necessária por causa da liberdade por Deus concedida quer aos anjos, quer aos homens, para que cada um deles possa determinar com as suas escolhas, o seu próprio grau de glória na «visão beatifica». Esta prova só é possível em criaturas livres. Sem essa prova, Deus obteria, com certeza, a gratidão das suas criaturas, mas não seria por elas amado livremente. O único modo para Ele obter esse amor livres é, precisamente, pô-los à prova, para que na obscuridade da fé, o amor confiante, desinteressado e perseverante pudesse amadurecer e consolidar-se no meio das provações e chegasse à sua plenitude na «visão beatifica». Deus pode criar milhares criaturas e de cosmos, mas não pode criar o amor livre das suas criaturas, que é fruto de uma vontade livre, isto é, de um amor que nasce no coração, se desenvolve e persevera no meio das provações. O amor a Deus não se cria, é uma doação generosa da criatura.

 

Questão 3 - Por que Deus não retirou a liberdade?

Por que é que Deus não retira a liberdade quando vê que alguém avançar pelo caminho do mal? Não não retira a liberdade, porque, ao fazer tal coisa suporia que tal espírito seria para sempre inclinado para o mal. Ao permitir que continue a fazer o mal significa que lhe oferece-lhe também a possibilidade de arrepender-se e retornar a fazer o bem. Tirar-lhes a liberdade significaria modificar a natureza angélica, tal como a natureza humana.

 

Questão 4 - Todos os demónios são iguais?

Não, porque cada demónio tem caraterísticas próprias, tal como um homem é diferente de outro homem; além disso, cada demónio pecou de forma diferente e com uma determinada intensidade. Cada demónio pecou, cometeu vários pecados. A sua rebelião teve uma raiz comum, a soberba, mas a partir dessa raiz comum, surgiram outros pecados. Uns pecam mais pela ira, outros pelo egoísmo, outros pela cólera, etc. Cada demónio tem a sua própria psicologia e sua forma de ser: um é mais falador, outro mais esquivo, num brilha a soberba, noutro o ódio, etc. Apesar de todos se terem afastado de Deus, uns se afastaram mais do que outros.

Temos de recordar que, como nos diz São Paulo, que existem nove hierarquias dos anjos. As hierarquias superiores são mais poderosas, belas e inteligentes que as inferiores. Cada anjo tem uma identidade própria, completamente distinta de outro. Não existem raças de anjos, para usar um termo zoológico, uma vez que cada um deles esgota sua espécie. Todavia, é possível distinguir entre eles grandes grupos ou hierarquias. São também chamados coros, pois cada grupo forma uma espécie de coro que canta os louvores a Deus. Seu louvor, certamente, não procede da voz, mas é um louvor espiritual que parte da sua vontade, ao conhecer e querer amar a Santíssima Trindade. Os demónios, antes de se tornarem demónios, eram anjos, e pertenciam a uma das nove hierarquias angélicas e mantiveram a sua própria dignidade. Podemos dizer que há demónios que são virtudes, outros que são Potestades, outros Serafins … e mesmo sendo demónios, continuam a conservar intacta a sua dignidade angélica, o seu poder e inteligência.

Por tudo isto, é claro que existe uma hierarquia demoníaca. Os exorcistas comprovam que entre eles há os que têm um poder superior sobre os outros. Em que consiste esse poder? É impossível sabe-lo, pois não se conhece como um demónio possa obrigar outro a fazer algo, dado que não existe um corpo para empurrar ou forçar, mas, é comprovado que um demónio superior pode forçar um inferior a não sair de um corpo durante um exorcismo. Mesmo que o inferior sofra e queira sair, o superior pode impedi-lo. Como um demónio possa forçar outro, sendo esse intangível, é algo que, repito, escapa à nossa compreensão.

 

(padreleo.org)

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