Questão 27 - O que é a morte eterna?
(cf. José António Fortea, Summa demoníaca)
Os espíritos angélicos, tal como como as almas humanas são eternos. A alma é eterna, não pode morrer, continua a existir depois da morte corporal, e, mesmo que queira morrer, não pode morrer porque é uma criatura imortal.
Então o que queremos dizer com a expressão «morte eterna»?
Esta expressão não se refere à vida terrena, isto é, à morte corporal; refere-se à vida sobrenatural, à vida da graça. O pecado mortal mata a vida sobrenatural, a vida de filhos de Deus. A alma é imortal, continua a existir, mas perdeu a vida da graça, vive uma vida meramente natural. A sua vontade, a sua inteligência e todas as suas capacidades continuam a operar, mas sem a luz da graça divina.
A alma sem a graça divina é como se estivesse morta, é como um cadáver. É uma expressão que pode parecer hiperbólica, mas é exata. A alma, em pecado mortal é como um cadáver inanimado, falta-lhe a graça santificante. É uma alma que vive a natureza, mas não a vida sobrenatural.
Muitos seres humanos vivem só a natureza, não vivem na graça de Deus. São corruptos, embora esta corrupção varia de pessoas em pessoa. Mas se pudéssemos ver as suas almas diríamos que são mortas, verdadeiros cadáveres, cheiram mal, num estado avançado de decomposição.
Questão 28 – Qual é o processo que leva à morte eterna?
«cada um é tentado pela sua própria concupiscência, que o arrasta e seduz. A seguir, a concupiscência concebe o pecado e o dá à luz; e o pecado, uma vez maduro, gera a morte” (Tg 1,14-15).
O Apóstolo São Tiago descreve em dois versículos, com incrível profundidade, do princípio ao fim, o processo que produz para a morte da alma. O pecado não se produz sem motivo, nem de forma repentina, nem é algo surge abruptamente sem que tenhamos culpa. O Apóstolo descreve este processo. A tradução do grego destes dois versículos deve ter sido muito precisa para não perder o significado dos verbos. O processo descrito da seguinte forma:
- Surgem as paixões
- Começa a gestação do pecado
- Dá-se à luz o pecado
- O pecado recomeça uma gestação
- Dá-se à luz a morte
A imagem de uma mulher que concebe em seu ventre durante nove meses uma criança serve para descrever o processo de gestação do pecado no coração do homem. A pessoa gera a iniquidade no seu interior. O pecado aparece num dado momento, num momento concreto; num segundo, antes disso, não havia pecado, um segundo depois, sim. Mas esse pecado produz-se, vem à luz, como? Através de uma gestação prévia. E assim como no mundo da zoologia, quanto mais longa é a gestação, maior é o ser que se dá à luz; assim também no campo espiritual: quanto maior é o pecado, maior é a gestação necessária para ele apareça.
Aqui está a resposta à pergunta que tantas pessoas se fazem sobre como é possível que tal indivíduo tenha cometido tal barbaridade. Nenhuma barbaridade moral aparece sem um processo de gestação, ainda que seja oculto aos olhos dos outros. É algo que surge e se vai desenrolando no interior da pessoa.
O Apóstolo São Tiago usa a expressão «dar à luz» porque o pecado, realmente, é «concebido», tem uma gestação prévia. A sedução atua sobre a vontade como o espermatozoide que fecunda o óvulo. A paixão surge para abrir o caminho e penetrar na vontade. Mas se a vontade resiste e não a acolhe, a sedução fica estéril, não produz nada. Se a vontade fechar às portas, nem milhares e nem milhões de espermatozoides conseguirão penetrar em seu seio. Mas quando a vontade acolhe a sedução, acontece irremediavelmente a conceição do pecado. Mesmo assim, o pecado pode ser evitado. Mas, quando isso não acontece, o pecado se reproduz, aumenta em quantidade, transformando-se em faltas piores.
Se o primeiro pecado tem um processo prévio, o pecado que segue, também começa com um novo processo, o qual leva à morte: a morte da alma.
E a morte da alma leva à morte eterna. A alma invadida pelo pecado é como uma alma morta, pois não tem a vida sobrenatural dentro de si. E se a alma morta decide permanecer até o final nesse estado de corrupção, está destinada à morte eterna, ao Inferno.
É importante conhecermos este processo porque nos ajuda a valorizar ainda mais a ação sobrenatural da graça divina, que se acolhida, tem o poder de quebrar em qualquer momento esse processo de morte e vivificar a alma. O perdão de Deus não é só perdão dos pecados, mas também e, sobretudo, vivificação da alma.
E o que dissemos sobre o processo de gestação do pecado que leva à morte, vale também, só que ao contrário, para a graça e a virtude. A vida nova em Cristo é um processo, uma vida que se desenvolve.
padreleo.org
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