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sábado, 3 de janeiro de 2026

8 - O PURGATÓRIO EM SÃO TOMÁS DE AQUINO

São Tomás de Aquino (1225-1274) enfrenta o tema do Purgatório no seu Comentário às sentenças de Pedro Lombardo. Para ele é um lugar, onde são perdoados os pecados leves, passando através da purificação do fogo. A seguir, elabora a distinção entre pena de dano e pena de sentido. A pena de dano refere-se à privação da visão beatífica, que é temporária. A pena de sentido é a dor que brota pelo adiamento da visão beatífica.

São Tomás, segue o pensamento de São Boaventura e enquadra o Purgatório numa dimensão eclesiológica da comunhão dos santos. Citando São Gregório de Nissa, diz:

«Quem vive na amizade com Jesus Cristo e não pode inteiramente purificar-se do pecado nesta vida, depois da morte purgá-lo-á nas chamas do purgatório». (Questão II, artigo I,2)

Depois, citando Santo Agostinho, acrescenta:

«o fogo do purgatório será mais doloroso que qualquer pena que possamos sentir ou imaginar neste mundo» (Questão III, 3).

Quanto às penas, lá existem duas espécies de penas: as penas do «dano» e as penas dos sentidos.

- As penas do dano consistem na separação temporária de Deus, a qual é para as almas causa de um terrível e constante sofrimento, pois anseiam ardentemente unir-se a Deus, mas esta união é retardada por não estarem completamente purificadas. Esta uma privação, embora temporária, é para elas causa de grande sofrimento espiritual. 

- As penas dos «sentidos». São Tomás afirma que o fogo do Purgatório não é um «fogo material», é um fogo espiritual, um fogo purificador que queima todos os resquícios dos pecados veniais e dos apegos terrenos, que não foram expiados durante a vida terrena.

- Os sofrimentos do Purgatório excedem todos os sofrimentos da vida terrena. As almas do Purgatório estão em paz porque sabem que estão destinadas à comunhão perfeita com Deus, mas sofrem terrivelmente porque não estarem ainda preparadas.

- São Tomás de Aquino afirma que o Purgatório e o Inferno são dois lugares diferentes, por isso, não se trata do mesmo fogo. O fogo do Purgatório é temporário, o fogo do Inferno é eterno. Sendo lugares, ocupam um certo espaço. Prevalece, portanto, o realismo imaginativo, tal como é representado nas artes pictóricas daquele tempo e que, ainda hoje, está amplamente enraizada na cultura e na piedade popular. Nesta imaginação figurativa, o fogo é real, é como tinha dito Santo Agostinho, «será mais doloroso que qualquer pena que possamos sentir neste mundo».

Porquê é que São Tomás está tão preocupação em localizar o Purgatório? Porque, segundo a mentalidade ocidental prevalece o conceito de espaço cósmico: todos os seres existentes têm que ocupar nu lugar concreto, determinado. O Purgatório, portanto, deveria estar num lugar inferior, perto do Inferno e longe do Céu, mas no caminho ascendente para o Céu. Além disso, naquele tempo faltava a noção de que o Céu, o Inferno e o Purgatório são estados e não lugares.

Quanto aos sufrágios oferecidos pelas almas do purgatório, São Tomás segue o ensinamento de Santo Agostinho: os sufrágios são proveitos tanto pelos mortos como para os vivos. São úteis para os mortos devido a intenção para eles aplicada; são úteis para os vivos porque a oração é um ato de caridade.

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