Os meios de libertação na Igreja Católica são os seguintes:
- Cultivar o espírito de penitência e de conversão
- Renunciar ao mal e fazer o bem, professar a fé católica (o CREDO)
- Perdoar aos que nos fizeram mal
- A oferta voluntária do sofrimento
- As bênçãos do sacerdote
- A oração de libertação
- Amar e partilhar
- Os sete sacramentos
- Participação ativa na Santa Missa
- Confissão e Comunhão frequentes
- Verdadeira devoção a Maria
- Os santos anjos
- O Anjo da Guarda
- Os santos: nossos intercessores diante de Deus
- Os sacramentais
- Um expediente radical: confiar em deus
- Alegria e humildade, antídotos soberanos
- Direcção espiritual e obediência
OS MEIOS DE LIBERTAÇÃO NA IGREJA
Jesus veio para destruir o poder de Satanás e deu à Sua Igreja o poder de expulsar os demónios. A Graça divina adquirida pela paixão de Jesus Cristo está ao dispor de todos os que precisarem. A Igreja tem os meios mais adequados para curar e libertar as pessoas: a Palavra de Deus, os sacramentos e os sacramentais.
Contudo a libertação é um caminho de conversão, a partir do interior. Quanto mais vivemos unidos a Deus, Deus, Pai, Filho e Espírito Santo, pela fé, a esperança e a caridade tanto mais nos tornamos forte no combate contra o Mal: «tornai-vos fortes no Senhor e no seu poder. Revesti-vos da armadura de Deus, para terdes a capacidade de vos manterdes de pé contra as maquinações do diabo.» (Ef 6,10-20).
Quem vive na graça de Deus é um templo vivo da Santíssima Trindade (1Cor 6,19). Esta graça santificante de Deus recebe-se através dos sacramentos e da oração, e por isso, são tão importantes a Confissão e a Comunhão frequentes. Um cristão que luta pela santidade, para conseguir amar cada vez mais a Deus com todo o coração e amar cada vez melhor os seus irmãos, sente a necessidade de ir à Missa e comungar todos os dias, de se confessar todas as semanas, de rezar o terço mariano todos os dias, de meditar com frequência a Palavra de Deus, e de adorar Jesus realmente presente na Eucaristia. Tudo isto une-nos a Deus e, portanto, defende-nos dos ataques do demónio. (Duarte Sousa Lara, Deus está a salvar-me e a libertar-me de todo o mal, Ed. Canção Nova, p. 28)
O demónio conhece as fraquezas de cada pessoa e serve-se delas para a levar ao pecado, para a afastar da oração, da igreja, dos sacramentos e de todos os meios que transmitem a Graça divina. A sua acção destrói os relacionamentos sociais e familiares, mas sobretudo, o relacionamento com Deus. Destrói o ser humano enquanto tal, tudo quanto há nele de bom, a paz interior, a alegria e a capacidade de amar. Destrói a confiança em Deus, leva ao pecado, ao vício, ao desespero, ao suicídio e à perdição eterna. A Igreja indica com clareza o caminho a seguir, Jesus, o Único Salvador e Vencedor de Satanás.
1. A LIBERTAÇÃO: UM CAMINHO DE CONVERSÃO.
A Libertação não acontece recebendo uma bênção do sacerdote ou com um exorcismo, requer uma purificação interior, uma mudança vida, um caminho de conversão longo e cansativo. A pessoa que alimenta a sua alma com a Palavra de Deus, com os sacramentos, particularmente a Confissão e a Eucaristia e com a oração pessoal, com a sua viva cresce interiormente, enfraquece as ligações maléficas, fecha as portas ao demónio e se liberta porque entra num caminho de conversão.
Cultivar o espírito de penitência.
Cultivar o espírito de purificação interior e de sincera conversão ao Senhor. O jejum e a renúncia. A Igreja recomenda a custódia dos sentidos, os olhos são as janelas da alma e a língua fala da riqueza que há no coração. Evitar a pornografia, a maledicência e tudo aquilo que pode ser ocasião de pecado.
É muito importante a oração pessoal, como também a oração em família, a confissão frequente, a Eucaristia e participação regular a um grupo de oração. É muito importante a fidelidade diária à oração pessoal e como também à oração comunitária. A consagração a Nossa Senhora, o Santo Rosário, a devoção a São Miguel Arcanjo, o Terço da Divina Misericórdia e a oração de libertação individual ou em grupo. A invocação ao Espírito Santo e a oração em línguas, no estilo do Renovamento Carismático.
Renúncia e profissão de fé
Os demónios revoltam-se contra nós precisamente porque pelo Batismo somos filhos de Deus e herdeiros da vida eterna. Por isso, renunciar a Satanás e renovar as Promessas Batismais é uma forte proteção contra as forças do mal. É importante á renúncia explícita a Satanás, ao ocultismo e a todas as práticas supersticiosas e a profissão de fé batismal, rezando o credo. Revela-se útil e necessária também a oração e a bênção do sacerdote.
O perdoar aos que nos ofendem
É sempre necessário perdoar de todo o coração o culpado, orar por ele, mandar celebrar Santas Missas em reparação dos seus pecados e pela sua conversão. Satanás quer sempre provocar ódio e vingança, por isso orar, perdoar e oferecer por ele o próprio sofrimento é a melhor forma de avançar rapidamente no caminho do amor e da libertação. Não cultivar o ressentimento, perdoar os inimigos e orar por eles.
A oferta voluntária do próprio sofrimento.
A intimidade com o Senhor, acaba por transformar o sofrimento em oferta de amor. O homem que ama o Senhor, só deseja cumprir a Sua vontade. Mesmo desejando a libertação, compreende que o seu sofrimento, tal como o sofrimento de Jesus, tem valor de salvação, não só para ele, mas para muitos, através dele. É difícil falar dos sofrimentos de origem maléfica, só os conhece quem passa por eles, mas é uma grande fonte de libertação descobrir, à luz da fé, o valor escondido do sofrimento e fazer dele uma oferenda de amor: é um grande acto de amor e confiança, por isso mesmo, uma arma poderosíssima contra os demónios.
As bênçãos do sacerdote
As bênçãos do sacerdote são particularmente eficazes porque, através dele é Jesus que actua, especialmente quando invoca o Espírito Santo, impondo as mãos sobre a cabeça das vítimas de malefícios. Existem orações de renúncia que o sacerdote pode usar para cortar ou anular os malefícios, que se revelam muito eficazes, em virtude da autoridade sacerdotal. Estas mesmas orações podem ser utilizadas pelas próprias vítimas de malefício e por todos os fiéis, em virtude do seu sacerdócio batismal.
A oração de libertação
A oração de libertação é um pedido dirigido a Deus para que nos liberte dos influxos diabólicos. Na última petição do Pai Nosso «liberta-nos do Mal» pedimos a libertação do Maligno (CIC 2854) e de todos os males. Há muitas orações de libertação que se encontras nos manuais, que, como na oração do Pai Nosso, pedem a Deus a libertação do Maligno, importante que sejam feitas com fé. De facto, há pessoas que procuram orações de libertação específicas e detalhadas que repetem muitas vezes, transplantando a mentalidade mágica na relação com Deus. Recordamos que qualquer oração é eficaz, quando feitas com fé. A oração que Jesus ensinou, o Pai Nosso, a Ave Maria, o Glória, o Credo e outras orações conhecidas, se rezadas com fé tornam-se, eficazes. O que liberta não é repetição, mas a confiança em Deus.
Amar e partilhar
O que liberta é o amor, a prática das obras de misericórdia corporais e espirituais, o que nos afasta do pecado e nos enche da graça de Deus. O amor a Deus leva-nos a amar o próximo, a partilhar as nossas capacidades e os bens materiais com quem mais precisa. Tudo o que nos ajuda a amar a Deus e ao próximo, tudo o que nos purifica, tuto o que nos afasta do pecado e tudo o que nos leva à conversão do coração, fecha a porta a Satanás.
Os sete sacramentos
Pelos sacramentos da iniciação cristã, Batismo, Crisma e Eucaristia, o homem recebe a vida nova de Cristo: torna-se filho de Deus. Mas, como diz São Paulo, trazemos este tesouro «em vasos de barro» (2Cor 4,7) e a nossa vida está ainda «escondida com Cristo em Deus» (Cl 3, 3). Vivemos ainda na «nossa morada terrena», sujeita ao sofrimento à doença e à morte. A vida nova de filhos de Deus pode ser enfraquecida e até perdida pelo pecado. Por isso, Jesus Cristo, médico das nossas almas e dos nossos corpos, instituiu a graça do Sacramento da Confissão: «a quem perdoardes os pecados, serão perdoados» (Jo 20, 23)
Os demónios revoltam-se contra nós precisamente porque pelo baptismo somos filhos de Deus e herdeiros da vida eterna. Por isso, renunciar a Satanás, renovar a nossa fé em Cristo, rezar o Credo, lembrar o que Deus fez para nós, é uma forte protecção contra as forças do mal. O sacramento da Confissão, corta com o poder do mal porque renova a graça batismal.
Participação ativa na Santa Missa
Tendo amado os seus, o Senhor amou-os até ao fim. Sabendo que era chegada a hora de partir deste mundo para regressar ao Pai, no decorrer duma refeição, lavou-lhes os pés e deu-lhes o mandamento do amor (170). Para lhes deixar uma garantia deste amor, para jamais se afastar dos seus e para os tornar participantes da sua Páscoa, instituiu a Eucaristia como memorial da sua morte e da sua ressurreição, e ordenou aos seus Apóstolos que a celebrassem até ao seu regresso, «constituindo-os, então, sacerdotes do Novo Testamento» (CIC 1337).
São Tomás de Aquino sublinha a importância fundamental da Eucaristia e, referindo-se a São João Crisóstomo, observa que «quando voltamos da Santa Mesa, somos como leões que expelem fogo, temíveis para os demónios». E por que razão nos tornamos temíveis? Porque «então trazemos em nós Cristo, vencedor de Satanás». (Suma teológica, II, q. 79, a. 6c)
Quando comungamos estamos a responder ao desejo de Jesus: «Quem realmente come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna e Eu hei-de ressuscitá-lo no último dia, porque a minha carne é uma verdadeira comida e o meu sangue, uma verdadeira bebida. Quem realmente come a minha carne e bebe o meu sangue fica a morar em mim e Eu nele. Assim como o Pai que me enviou vive e Eu vivo pelo Pai, também quem de verdade me come viverá por mim.» (Jo 6, 53-57)
A Eucaristia é, com certeza a maior defesa contra Satanás porque Nela está presente Jesus, alem disso, dá-nos uma grande serenidade interior e a mais alta felicidade que dá sabor e sentido à nossa existência. Jesus está presente em todos os sacrários da terra. Quando passamos perto de uma igreja, podemos saudar o Senhor que está presente no sacrário, com o sinal da cruz. E quando entramos numa igreja, a presença eucarística do Senhor, convida-nos à oração e eleva-nos para a adoração.
A Eucaristia é fonte e cume da vida cristã, a presença sacramental do Senhor. Quando escutamos a Palavra de Deus, Jesus fala-nos, quando oramos falamos com Ele, mas quando comungamos, O recebemos. O próprio Jesus, faz de nós a sua morada, recebemos Aquele que cura e liberta. Tuto é possível pelo poder da oração porque pedimos ajuda a Deus, mas nada é tão libertador como a Sagrada Comunhão, porque Nela recebemos Jesus. A Eucaristia une-nos a Cristo, por isso corta com Satanás. A Santa Missa dominical ou diária tem uma força libertadora especial sobretudo quando é oferecida em reparação dos pecados e pela conversão daqueles que nos fizeram o mal.
A adoração ao Santíssimo Sacramento é também muito libertadora porque prolonga o encontro pessoal com Jesus Cristo. Adorar é permanecer à Sua presença, estar diante de Jesus, a Vítima divina, que nos resgatou com o Seus Sangue. Nestes momentos de profundo recolhimento podemos entregar ao Senhor o nosso sofrimento em sacrifício de louvor, pela conversão dos pecadores e pelo bem da Santa Igreja. O amor à Eucaristia cura e liberta.
Confissão frequente.
O Catecismo da Igreja Católica (1423-1424). É chamado sacramento da conversão (CIC 1423) porque realiza sacramentalmente o apelo de Jesus à conversão, o esforço do pecador que regressa à casa do Pai (Lc 15,18) e recebe o Seu perdão. É chamado sacramento da Penitência, porque se insere no caminho pessoal e eclesial para a conversão. É chamado o sacramento da confissão, porque o pecador confessa os pecados diante do o sacerdote que representa Jesus. É o sacramento do perdão, porque, pela absolvição sacramental do sacerdote, Deus concede ao penitente «o perdão e a paz». É também o sacramento da Reconciliação, porque do pecador se reconcilia com Deus e está pronto a reconciliar-se os irmãos (Mt 5, 24). Insere-se no caminho de conversão, em vista da santidade e da vida eterna.
Com o Baptismo recebemos a vida de filhos de Deus, mas continuamos a pecar, por isso, necessitamos de renovar a graça do Batismo pelo o Sacramento da Confissão. Lembrar-se constantemente de que fomos batizados e renovar as promessas batismais, rezando o Credo, é um meio particularmente eficaz na luta contra Satanás.
O dito popular diz que «Ninguém é bom juiz em causa própria». A humildade faz-nos desconfiar dos nossos próprios critérios, examinar a nossa consciência a recorrer à Misericórdia de Deus, através da confissão frequente.
A Confissão é necessária porque somos pecadores e o pecado abre as portas ao inimigo, expõe-nos às suas ciladas. Pelo sacramento da Confissão recebemos o perdão dos nossos pecados, como isso, nos afastamos do inimigo e nos aproximamos do Senhor: como o filho pródigo voltamos à casa do Pai. A Confissão frequente é uma arma poderosa contra as forças do mal porque renova em nós a graça do Batismo, desperta em nós a vigilância para não voltar a pecar, renova as nossas forças na luta contra os vícios, vence a preguiça e corrige os defeitos.
A Sacramento de Confissão (ou da Reconciliação) é mais eficaz do que exorcismo, porque, com este sacramento, cortamos com os pecados e nos aproximamos de Jesus. Este sacramento é importante para todos os cristãos e, particularmente, para os que sofrem influências maléficas. Seria aconselhável para todos uma confissão mensal. O sacerdote, além de perdoar os pecados, dá sempre algum conselho útil ajuda o crescimento da vida espiritual, a renunciar a Satanás, a todas as ligações com o ocultismo e a perseverar no caminho da verdadeira conversão.
O Padre Raul Salvucci afirma que «alguns exorcistas não começam a oração se a pessoa atormentada não estiver em estado de graça pelo sacramento da confissão. É uma exigência justa porque, se a pessoa não estiver em paz com Deus, o exorcismo perde muito da sua eficácia. Mas eu acredito que é melhor respeitar os tempos. Muitas pessoas que pedem ajuda, geralmente estão muito afastadas da Igreja. Se lhes impormos a Confissão, aceitam, mas não acusam todos os pecados, nem manifestam um sincero arrependimento e, sobretudo, ainda não chegaram a ter a disposição firme de mudar de vida. Contudo, é necessário explicar-lhes claramente que a Confissão é indispensável, mesmo para os pecados veniais e, também, constitui uma barreira segura de defesa contra as forças do mal. É, portanto, uma fonte de purificação e de graça que não se deve subestimar» (Raul Salvucci, p. 236)
Verdadeira devoção a Maria: a arma mais temível para os demónios
Maria é a «Bendita entre todas as mulheres», a Mãe de Deus, como costumamos rezar em cada Ave Maria. Ela disse: «Todas as gerações me proclamarão ditosa» (Lc 1, 48). A veneração da Virgem Maria faz parte da «própria natureza do culto cristão» (Marialis Culto, 56) e sob a sua maternal proteção se acolhem os fiéis implorando-a em todos os perigos e necessidades (CIC 971). Ela é nossa «arma» mais temível contra os assaltos dos demónios.
São Luís Maria Grignion de Montfort, no seu livro sobre A verdadeira devoção a Virgem Maria descreve o poder extraordinário de Nossa Senhora sobre os demónios:
«Maria é o inimigo mais terrível que Deus fez contra o demónio [...] Desde o Paraíso terrestre, embora então só estivesse na sua mente, Ele incutiu na nossa Mãe tanto ódio contra esse maldito inimigo de Deus, tanta habilidade para descobrir a malícia dessa antiga serpente, tanta força para vencer, derrubar e destruir esse orgulhoso ímpio, que o demónio a teme não só mais do que teme todos os anjos e homens juntos, mas, em certo sentido, mais do que teme o próprio Deus».
Deus combate o orgulho de Satanás através de Maria, a Virgem Imaculada, a cheia de graça, a humilde serva do senhor, a bendita entre todas as mulheres, a nova Eva, a gloriosa Mãe de Deus. Por isso, São Luís Maria, continua:
«Satanás é orgulhoso, sofre infinitamente mais sendo vencido e castigado por uma pequena e humilde serva de Deus: a sua humildade humilha-o mais do que o poder divino; em segundo lugar, porque Deus deu a Maria um poder tão grande contra os demónios que estes a temem mais» (Tratado da verdadeira devoção à Virgem Maria, 52)
Os Padres da Igreja afirmam que Nossa Senhora é a Mulher que esmagará a cabeça da antiga serpente:
«Farei reinar a inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a sua descendência. Esta esmagar-te-á a cabeça e tu tentarás mordê-la no calcanhar» (Gn 3, 15); é a «Mulher vestida de sol, com a lua debaixo dos seus pés e, sobre a sua cabeça, uma coroa de doze estrelas.» (Ap 12, 5).
Maria é a mãe que Jesus agonizante deu a todos os homens aos pés da cruz. Ela, como mãe, nunca deixa de velar por cada um dos seus filhos. Desta forma, Deus combate e vence a criatura mais orgulhosa, Satanás, servindo-se da criatura mais humilde, Maria.
O Padre Raul Salvucci dá o seguinte testemunho: «Um dia um grupo de Renovamento Carismático que estava a orar por uma pessoa que de repente entrou em obsessão, procuraram-me. Estavam em oração, embora um pouco amedrontados, cheguei e juntei-me à oração e comecei a dizer: vamos continuar com a oração, mas em breve iremos rezar o Terço. Naquele momento a pessoa obsessa deu um berro e gritou: “Maria, não”. Com um simples olhar, todos concordamos e começamos a rezar o Terço. Foi extremamente eficaz!» (Raul Salvucci, p. 242)
O terço é uma oração humilde, simples e popular, muito recomendada por Nossa Senhora em todas as aparições. Muito eficaz é também o acto de consagração a Nossa Senhora.
Os santos Anjos
Toda a vida da Igreja beneficia da ajuda misteriosa e poderosa dos anjos (CIC 334). A Igreja, na sua liturgia, associa-se aos anjos para adorar a Deus três vezes santo e invoca a sua assistência e festeja de modo mais particular a memória dos Arcanjos São Miguel, São Gabriel, São Rafael, como também os Anjos da Guarda (CIC 335). São Miguel Arcanjo é o «Príncipe das milícias celestes». O seu grande papel é especificado no livro do Apocalipse:
«Depois, travou-se uma batalha no céu: Miguel e seus anjos declararam guerra ao Dragão. O Dragão e os seus anjos combateram, mas não resistiram.» (Ap 12, 7-8).
A Igreja sempre o considerou um grande defensor da Igreja na luta contra Satanás e, desde sempre, invoca a sua proteção. O papa Leão XIII redigiu o pequeno exorcismo e o grande exorcismo.
O pequeno exorcismo é o seguinte: São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate, contra as maldades e ciladas do demónio. Instante e humildemente, vos pedimos, que Deus sobre ele impere; e vós, Príncipe da milícia celeste, pelo poder divino, lançai no inferno a Satanás e aos outros espíritos malignos que vagueiam pelo mundo para a perdição das almas. Amém.
O Grande exorcismo começa com uma grande invocação a São Miguel Arcanjo: «Príncipe Gloriosíssimo das legiões celestes, São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate contra os principados e as tempestades, contra os chefes deste mundo de trevas, contra os espíritos malignos espalhados pelos ares (Ef. 4, 10-12). Vinde em auxílio dos homens que Deus fez à Sua imagem e semelhança, e resgatou com grande preço da tirania do demónio (Sab 2, 23-24; 1Cor 4, 20). É a vós que a Santa Igreja venera como seu guardião e patrono, vós a quem o Senhor confiou as almas resgatadas para as introduzir na felicidade celeste. Suplicai, pois, ao Deus da Paz, que esmague Satanás sob os nossos pés a fim de lhe tirar o poder de prejudicar a igreja. Apresentai ao Altíssimo as nossas orações para que depressa desçam sobre nós as misericórdias do Senhor. E sujeitai a antiga serpente - que não é outro senão o Diabo ou Satanás - para o precipitar encadeado nos Abismos, de modo que não possa, nunca mais, seduzir as almas. (Ap. 20,1-3).
A Congregação para a doutrina da fé, em 29 de Setembro de 1985 publicou um decreto, segundo o qual, todos os cristãos poder usar estas duas orações a São Miguel Arcanjo e outras orações, mas não podem rezar o grande exorcismo.
O anjo da guarda
Cada ser humano é acompanhado e protegido por um anjo, tal como dizia São Basílio: «cada fiel tem ao seu lado um anjo como protector e pastor para o guiar durante a sua vida» (CIC 336), o anjo da guarda. É esta uma verdade de fé confirmada pela tradição constante da Igreja, baseada, principalmente em duas passagens bíblicas:
«Livrai-vos de desprezar um só destes pequeninos, pois digo-vos que os seus anjos, no Céu, veem constantemente a face de meu Pai que está no Céu» (Mt 18, 10). O apóstolo Pedro, aprisionado por Herodes, foi libertado prodigiosamente da prisão pela intervenção de um anjo (Actos 12, 13-16).
A Igreja celebra a festa do Anjo da Guarda no dia 2 de Outubro e na Missa o sacerdote pronuncia uma bela oração: «Ó Deus, que na vossa admirável providência enviais os santos Anjos para nos guardarem, ouvi as nossas súplicas e fazei que sejamos sempre defendidos pela sua protecção e gozemos eternamente da sua companhia».
Outra oração, talvez até melhor, encontra-se na festa dos Santos Arcanjos, Miguel, Gabriel e Rafael que se celebra no dia 29 de Setembro: «Senhor, Deus do Universo que estabelecestes com admirável providencia as funções dos Anjos e dos homens, concedei, propício, que a nossa vida seja protegida na terra por aqueles que eternamente Vos assistem e servem no Céu»
Os santos: intercessores diante de Deus
Os santos são os nossos irmãos que já passaram por este mundo e agora estão na plenitude da glória eterna no Céu. Pertencem ao Corpo Místico de Cristo, são os membros gloriosos da família de Deus. São exemplos de vida e nossos poderosos intercessores. Louvam a Deus e não deixam de cuidar dos irmãos que deixaram na terra. Podemos e devemos recorrer aos santos pedido que intercedam por nós e pelo mundo inteiro (CIC 2683)
São Tomás de Aquino explica esta maravilhosa realidade: «A oração feita para os outros vem sempre do amor, quanto maior é a perfeição do amor dos Santos que estão no Céu, tanto mais eles intercedem para os fiéis que estão na terra, que podem ser ajudados pela sua oração; e quanto mais, eles estão perto de Deus, tanto mais são eficazes as suas súplicas» (São Tomás de Aquino, Suma Teológica, II-IIªc, q. 83, a. 11)
Os sacramentais
A Igreja instituiu outros sinais chamados «sacramentais» destinados a santificar as circunstâncias mais variadas da vida cristã. Eles não conferem a graça do Espírito Santo à maneira dos sacramentos (graça santificante», mas oferecem a possibilidade de santificar quase todos os acontecimentos da vida, isto é, concedem as inúmeras e tão necessárias «graças atuais».
A eficácia dos sacramentos, como dos sacramentais depende das disposições interiores de quem os recebe. Entre os sacramentais, existe o exorcismo (CIC 1673), que tem um ritual próprio, reservado ao bispo e aos sacerdotes por ele explicitamente nomeados. Depois o Ritual das bênçãos, que contem bênçãos particulares por todas as circunstâncias da vida, inclusive, os objetos religiosos, terços, medalhas … (CIC 1674).
Os sacramentais mais utilizados para nos proteger dos ataques do Maligno são, especialmente a água, o sal e o óleo abençoados. É sempre bom, utilizar medalhas, crucifixos, imagens sagradas, cânticos e música sacra. Aqui nos limitamos a falar da água benta.
Santa Teresa de Jesus utilizava frequentemente a água benta: «De muitos factos tirei a experiência de que não há coisa de que mais fujam os demónios, para não voltar. Grande deve ser a virtude da água benta; para mim, é particular e muito notória a consolação que experimenta a minha alma quando a tomo. É muito comum sentir um recreio espiritual que não saberia exprimir; é como que um deleite interior que me conforta toda a alma. Isto não é imaginação nem coisa que me tenha acontecido só uma vez: aconteceu-me muitíssimas vezes, e tenho-o verificado com grande advertência». (Livro da vida, 31,4)
Um dia em que Santa Teresa foi cruelmente atormentada pelo diabo e conseguiu libertar-se usando a água benta: «Como o tormento não cessava, disse às que me rodeavam: «Se não se rissem, pediria água benta. Trouxeram-na e aspergiram-me com ela, mas sem resultado. Tomei-a eu e lancei-a para o lugar onde estava o demónio, e imediatamente fugiu, e desapareceu-me todo o mal, como se mo tivessem tirado com a mão. Apenas fiquei cansada, como se me tivessem dado muitas pauladas» (Livro da vida, 31,5)
A irmã Ana de Jesus, secretária de Santa Teresa, deixou o seguinte testemunho: «A Santa não empreendia nunca uma viagem sem levar consigo água benta. Sofria muito se se esquecia. Por isso, todas nós levávamos um pequeno frasco de água benta pendurado à cintura e ela queria levar o seu». (George Huber, p. 91)
Haverá quem sorria diante do costume um pouco ingénuo desta mulher extraordinária, como é Santa Teresa de Ávila, elevada pelo Papa Paulo VI à dignidade de Doutora da Igreja universal, mas os seus conselhos são válidos também para nós, hoje.
Nunca é demais recordar que o verdadeiramente liberta não são os objectos mas a nossa confiança em Deus, a vida cristã autêntica. A conversão sincera ao Senhor afasta os vícios e purifica o coração, por isso, fecha as portas a Satanás. A confiança em Deus, a aceitação da Sua Vontade e o abandono na Sua Divina Providência, é a melhor defesa contra todos os males.
UM EXPEDIENTE RADICAL: CONFIAR EM DEUS
São João da Cruz propõe um expediente radical contra a influência de Satanás na nossa imaginação:
«em vez de discutir com o Tentador, convém elevar imediatamente o nosso espírito a Deus por um acto de fé (confiança) ou de amor. Quando unimos os nossos afectos a Deus, acontece que a alma deixa as coisas da terra, apresenta-se diante de Deus e une-se a Ele. A tentação do inimigo fica assim frustrada e derrotada. A ideia de praticar o mal fica sem objecto. Nesse momento, o diabo já não pode alcançar nem ferir a alma, porque ela já não se encontra no lugar em que ele a esperava para acorrentá-la pelo jogo das imagens.» (Georges Huber, O diabo hoje, p. 91)
Se confiamos em Deus, estamos a cumprir um acto duplamente meritório. Por um lado, resistimos à tentação. Por outro, cumprimos um grande acto de amor a Deus. Não é difícil imaginar o "desânimo" do inimigo se, em cada tentação que nos apresenta, em vez de conversar com ele, tal como uma criança que, apenas surge o perigo, corre e se abriga nos braços do pai. Esta atitude interior manifesta uma confiança ilimitada em Deus, por isso, é um acto de amor muito eficaz. Os raciocínios humanos e as reações nervosas a nada servem, pois, o Inimigo, com a sua astúcia, encontra sempre formas para nos enganar. A atitude confiante de refugiar-se nos braços de Deus – ou no regaço da Virgem Santa Maria -, além de nos encher de paz, fortalece também a nossa fé.
Santa Teresa de Avila dizia: «Não tenhas a covardia de ser «valente» contra o demónio, foge dele!» (Caminho de Perfeição, n. 132). Confiar em Deus é fugir, subtrair-se ao inimigo e abrigar-se seguros nos braços de Deus-Pai. É estratégia positiva e eficacíssima abranda a violência dos demónios pela graça divina e, também, fortalece a nossa fé e nossa esperança.
ALEGRIA E HUMILDADE, ANTÍDOTOS SOBERANOS
Os santos experimentaram com frequência como Satanás se disfarça de muitas formas, de acordo com as circunstâncias, mas não resiste diante da humildade, foge logo. São Francisco de Assis sofreu muito por causa dos demónios, mas saia sempre vencedor pela sua grande humildade. Ele recomendava sempre aos seus frades humildade e alegria espiritual, grandes antídotos contra o poder do diabo. Ele dizia: «O diabo exulta sobretudo quando pode roubar aos servidores de Deus a alegria do espírito». Esforça-se por lançar poeira nas dobras da nossa consciência e, assim, sujar a candura do espírito e a pureza da vida. Mas, quando uma alma tem o coração cheio da alegria interior do Espírito Santo, em vão Satanás tentará injetar o seu veneno mortal.
Os demónios não conseguem causar mal algum aos servidores de Cristo que cultivam constantemente a alegria interior. Mas aqueles que se deixam levar pela tristeza, pela desolação e pelo desânimo, enfraquecem e, facilmente, cedem ao Inimigo. Perdem tempo em coisas inúteis e frívolas e ficam esmagados sob o poder do Inimigo.
São Francisco «esforçava-se por permanecer sempre alegre e conservar a unção da alegria. Evitava com grande cuidado a melancolia, que ele denominava o pior de todos os males. Logo que notava algum sintoma de tristeza, recorria sem demoras à oração para não dar ocasião a Satanás» (Tomás de Celano, Vida de São Francisco, cap. 88)
São Tomás de Aquino ensina que existem três meios eficazes para repelir os assaltos de Satanás, a alegria espiritual, a oração ardente e o trabalho realizado com espírito de fé: «A alegria espiritual arma o homem contra Satanás; o louvor de Deus é uma força que contribui muito para repelir o diabo; o trabalho bem feito elimina o ócio, terreno propício para a acção dos demónios» (Tomás de Aquino, Comentário ao Salmo 2)
É muito interessante notar que dois grandes santos, como Francisco de Assis e Tomás de Aquino, dão grande importância a alegria espiritual.
A alegria interior é sinal da presença do Espírito Santo: «os frutos do Espírito: amor, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade» (Gal 5, 22). A alegria é a característica fundamental dos santos que se deixam conduzir pelo Espírito, fonte inesgotável de profunda alegria.
A humildade é fonte de alegria e de paz interior. A humildade, a sinceridade do coração e a obediência são três virtudes interligadas que nos asseguram na graça de Deus.
A humildade liberta-nos da presunção, do desânimo e do desespero. Ajuda-nos a formar uma ideia clara, simples e honesta de nós próprios, das nossas qualidade e defeitos, pequenas criaturas, diante de Deus, o Senhor e Criador, Pai Providente e Misericordioso. Somos um nada diante de Deus, mas Ele fez de nós Seus filhos amados, em Jesus Cristo.
A humildade traduz-se em oração, numa oração confiante e filial, descomplicada. Rezando, e rezando muito, dar-nos-emos conta de que nada podemos sem a ajuda de Deus, nem sequer, resistir à mais trivial tentação, nem levar a bom termo qualquer trabalho ou projeto.
DIREÇÃO ESPIRITUAL E OBEDIÊNCIA
Procurar e seguir os conselhos de um bom diretor espiritual. Ele ajuda-nos a procurar a verdade com sinceridade, a ter uma consciência límpida diante de Deus, a procura e seguir a Sua Vontade, a reconhecer as nossas falhas, sem desanimar e sem procurar justificações hipócritas. O diretor espiritual é um conselheiro, um irmão que nos escuta e nos ajuda-nos a repor as coisas, cada uma no lugar certo e na perspetiva correta, o que é justamente a virtude da humildade. A humildade é a virtude interior que nos ajuda a procurar a Vontade de Deus, a escutar e obedecer os bons conselhos do diretor espiritual ou de outras pessoas que Deus dispões para nos guiar. A pouco a pouco, adquirimos uma consciência esclarecida, capaz de julgar segundo os critérios de Deus e não do mundo ..., nem do diabo.
Humildade e obediência. Por fim, a virtude que corta mais diretamente a influência de Satanás é a obediência, fruto da humildade. A humildade ajuda-nos a procurar a Vontade de Deus, a obediência a pô-los em prática. As virtudes da humildade e da obediência aproximam-nos de Deus, a conhecer com clareza os seus planos e cumprir com eficácia a sua Vontade, em todas as circunstâncias da nossa vida.
Lembramos aqui, mais uma vez, o alerta de São Pedro: «Sede sóbrios e vigiai! O vosso adversário, o demónio, ronda como um leão que ruge buscando a quem devorar: resisti-lhes firmes na fé (1 Pe 5, 8-9). Por outro lado, a confiante afirmação do salmista: Não chegará perto de ti a calamidade nem a praga se aproximará da tua tenda. Pois Ele te confiará aos teus anjos para que te guardem em todos os teus caminhos, e eles te levantarão nas suas palmas para que teus pés não tropecem nas pedras; pisarás sobre áspides e víboras e afastarás o leão e o dragão (Sl 91, 10-13).
O diabo é o pai da mentira, actua sempre às escondidas, nunca mostrar o seu verdadeiro rosto. Até fica bem contente quando os homens pensam que ele não existe, assim tem a possibilidade de agir em plena liberdade e sem obstáculos.
Senhor Jesus, Vós que vencestes Satanás pela vossa Paixão e Ressurreição, livrai-nos do medo do Inimigo e das suas legiões, fazendo-nos compreender que os anjos que nos protegem são muito mais numerosos. Senhor, abri os nossos olhos para que vejamos à luz da fé o que não podemos ver com os olhos da carne: o invisível exército de anjos de luz que nos rodeia e nos guarda.
(padreleo.org)
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