O cristão, que une a sua própria morte à de Jesus, encara a morte como chegada até junto d'Ele, como entrada na vida eterna. (Catecismo, 1020)
A vida eterna é comunhão perfeita com Deus: é o que chamamos de «visão beatífica». A vida terrena é preparação para a vida eterna; é o tempo da graça e da misericórdia de Deus, o tempo oportuno que Deus nos oferece afim de decidirmos o nosso destino eterno.
«A morte é o fim a vida do homem, enquanto tempo oportuno para aceitar ou rejeitar a graça divina, que se manifestou em Jesus Cristo, o qual destruiu a morte e deu-nos a vida imortal» (2Tim 1, 9-10).
Não acreditamos na reencarnação. Acreditamos na vida eterna e na ressurreição. Quando acabar «a nossa vida sobre a terra, que é só uma» (LG 48), não voltaremos a outras vidas terrenas: «assim está determinado que os homens morram uma só vez e depois há o julgamento» (Heb 9, 7). Não existe «reencarnação» depois da morte». (CIC 1013). A doutrina da «reencarnação» das religiões orientais não é compatível com a doutrina cristã da vida eterna.
«Creio na ressurreição da carne e na vida eterna»: nesta breve fórmula do «credo» está resumida a nossa esperança.
Nós cremos e esperamos firmemente que, tal como Cristo ressuscitou verdadeiramente dos mortos e vive para sempre, assim também os justos, depois da morte, viverão para sempre com Cristo ressuscitado, e que Ele os ressuscitará no último dia (Jo 6, 39-40). (CIC 989)
«Se o Espírito d’Aquele que ressuscitou Jesus de entre os mortos habita em vós, Ele, que ressuscitou Cristo Jesus de entre os mortos, também dará vida aos vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que habita em vós» (Rm 8, 11)
Tertuliano dizia: «é por crermos na ressurreição que somos cristãos».
São Paulo afirma: «Cristo ressuscitou dos mortos, como primícia dos que morreram. Porque, assim como por um homem veio a morte, também por um homem vem a ressurreição dos mortos. E, como todos morrem em Adão, assim em Cristo todos voltarão a receber a vida» (1Cor 15, 12-14.20).
Jesus Cristo é «o primogénito» de uma grande multidão: «Porque àqueles que Ele de antemão conheceu, também os predestinou para serem uma imagem idêntica à do seu Filho, de tal modo que Ele é o primogénito de muitos irmãos» (Rm 8, 29).
A ressurreição dos mortos significa a plenitude da vida imortal, na qual participa também o nosso corpo mortal, revestido de imortalidade (Fil 3,21). Será uma corpo real e material, mas não terreno nem mortal. A ressurreição do homem, como a de Cristo, terá lugar, para todos, depois da morte. Com a morte, a alma separa-se do corpo; com a ressurreição, corpo e alma unem-se de novo, para sempre (cf. Catecismo, 997).
A ressurreição dos mortos coincide com a Sagrada Escritura que fala dos «novos céus e da nova terra» (Ap 21,1).
1049. «A expectativa da nova terra não deve, porém, enfraquecer, mas antes deve ativar a solicitude em ordem a desenvolver esta terra onde cresce o corpo da nova família humana, que já consegue apresentar uma certa prefiguração do mundo futuro. Por conseguinte, embora o progresso terreno se deva cuidadosamente distinguir do crescimento do Reino de Cristo, todavia, na medida em que pode contribuir para a melhor organização da sociedade humana, interessa muito ao Reino de Deus» (Gaudium et Spes 39; cf. Catecismo, 1049).
A morte é uma realidade natural: marca o fim da nossa vida terrena, o fim do tempo oportuno para alcançarmos a salvação eterna; marca o limite do tempo da prova em que podemos, com as boas obras, "merecer" aproveitando o tempo e os talentos que Deus nos deu.
Depois da morte perdemos a capacidade de merecer, de nos arrepender e mudar de visa, a nossa opção torna-se definitiva. Logo depois da morte haverá o juízo particular (CIC 1021-1022) e alma irá para o Céu, para o Inferno ou para o Purgatório. (Catecismo, 1009).
A morte, embora seja dolorosa e repugnante, é o momento que marca a passagem deste mundo para Deus: «Se morremos com Cristo, com Ele viveremos» (2 Tm 2,11). Por este motivo, «graças a Cristo, a morte cristã tem um sentido positivo» (Catecismo, 1010).
Deus criou-nos para a vida eterna, para a comunhão perfeita com Ele, no Céu. Assim, se realiza a promessa do Pai: «servo bom e fiel; já que foste fiel no pouco, eu te confiarei muito. Participa na alegria do teu senhor» (Mt 25,21). A vida eterna é mergulhar no oceano do amor infinito de Deus, é a plenitude da vida.
A vida eterna dá sentido à vida terrena, como empenho ético, entrega generosa e serviço para o bem de todos. O Céu é o fim último da existência humana, a realização das aspirações mais profundas do homem, o estado de felicidade suprema e definitiva" (Catecismo, 1024).
A vida eterna, com efeito, é o objeto principal da esperança cristã:
«Os que morrem na graça e na amizade de Deus e estão perfeitamente purificados, viverão para sempre com Cristo: a «visão beatífica».
Contudo, o Céu não consiste apenas numa pura, abstrata e imóvel contemplação da Trindade. Em Deus o homem poderá contemplar todas as coisas que, de algum modo, fazem referência à sua vida, gozando delas e, em especial, poderá amar às pessoas que amou no mundo com um amor puro e perpétuo.
Com a «visão beatifica» o homem continua a ser uma criatura livre. No céu, o homem não peca, não pode pecar, porque, vendo Deus face a face, vendo-O, além do mais, como fonte viva de toda a bondade criada, na realidade não quer pecar. Finalmente livre e salvo pela Misericórdia de Deus, o homem ficará em comunhão com Deus para sempre. Com isso, sua liberdade alcança a sua plena realização.
A vida eterna é «visão beatifica», gozar da presença de Deus para sempre. Por isso, tem algo de infinito. No entanto, a graça divina não elimina a natureza humana, nem em seu ser, nem em suas faculdades, nem sua personalidade, nem o que tenha merecido durante a vida.
O inferno como recusa definitiva de Deus
A Sagrada Escritura afirma, repetidas vezes, que os homens que não se arrependerem dos seus pecados graves perderão o prémio eterno da comunhão com Deus, sofrendo, pelo contrário, a desgraça perpétua.
«Morrer em pecado mortal, sem arrependimento e sem dar acolhimento ao amor misericordioso de Deus, significa permanecer separado d'Ele para sempre, por nossa própria e livre escolha. É este estado de auto-exclusão definitiva da comunhão com Deus e com os bem-aventurados que se designa pela palavra “Inferno”» (Catecismo, 1033).
Não é Deus que decide à condenação eterna; é o homem que, procurando o seu fim último à margem de Deus e da sua vontade, constrói para si um mundo isolado onde não pode penetrar a luz e o amor de Deus. O inferno é um mistério, o mistério do Amor recusado, é sinal do poder destruidor da liberdade humana quando se afasta de Deus.
Relativamente ao inferno, é tradição distinguir entre «pena de dano», a mais fundamental e dolorosa, que consiste na separação perpétua de Deus, sempre desejado ardentemente pelo coração humano, e «pena dos sentidos», a que se alude frequentemente nos evangelhos com a imagem do fogo eterno.
A doutrina do inferno apresenta-se como um chamamento à conversão e a usar os dons e talentos recebidos em vista da vida eterna. O juízo particular deve ajudar os homens a perceber gravidade do pecado mortal, a necessidade de evitá-lo e de conduzir uma vida santa, dedicada ao serviço de Deus.
Sem dúvida, a existência do inferno é um mistério: o mistério da justiça de Deus para com aqueles que se fecham ao Seu perdão misericordioso.
«Com a morte, a opção de vida feita pelo homem torna-se definitiva; esta sua vida está diante do Juiz. A sua opção, que tomou forma ao longo de toda a sua vida, pode ter caracteres diversos. Pode haver pessoas que destruíram totalmente em si próprias o desejo da verdade e a disponibilidade para o amor; pessoas nas quais tudo se tornou mentira; pessoas que viveram para o ódio e espezinharam o amor em si mesmas. Trata-se de uma perspetiva terrível, mas algumas figuras da nossa mesma história deixam entrever, de forma assustadora, perfis deste género. Em tais indivíduos, não haveria nada de remediável e a destruição do bem seria irrevogável: é isto que se indica com a palavra inferno» (Bento XVI, Enc. Spe Salvi, 45).
A purificação é necessária para o encontro com Deus
«Os que morrem na graça e na amizade de Deus, mas não estão completamente purificados, embora tenham garantida sua salvação eterna, passam, após sua morte, por uma purificação, a fim de obter a santidade necessária para entrar na alegria do Céu» (Catecismo, 1030).
A existência do Purgatório oferece aos homens a possibilidade de serem purificados depois da morte, em vista da «visão beatífica» do paraíso. O Purgatório apresenta-se como una nova manifestação da misericórdia de Deus.
O purgatório deve ser considerado como um estado temporário e doloroso purificação, no qual são perdoados os pecados veniais, são purificados da inclinação para o mal, que o pecado deixa na alma. O pecado não só ofende a Deus, e causa dano ao próprio pecador como também, através da Comunhão dos Santos, causa dano à Igreja, ao mundo, à humanidade. A oração da Igreja pelos defuntos restabelece, de algum modo, a ordem e a justiça: principalmente por meio da Santa Missa, das esmolas, das indulgências e das obras de penitência (cf. Catecismo, 1032).
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