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terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Introdução aos Sacramentos

Jesus Cristo veio instaurar o Reino de Deus para a salvação de todos os homens. Por meio de Cristo, o Pai instaurou o Seu Reino sobra a terra, segundo o eterno desígnio de Deus. O Reino de Deus manifestou-se na pessoa de Cristo e consiste em participar na vida, morte e ressurreição de Cristo. Isto acontece na Igreja através do anúncio da Palavra de Deus e da celebração dos sacramentos.

Palavra e sacramentos

Na Igreja existem duas formas para atualizar a presença de Cristo: a Palavra e os Sacramentos. Através da Palavra e dos Sacramentos, as ações salvíficas que Cristo realizou durante a sua vida terrena, continuam a realizar-se hoje na Sua Igreja.

«Sentado à direita do Pai» e derramando o Espírito Santo sobre o seu corpo que é a Igreja, Cristo age agora pelos sacramentos, que instituiu para comunicar a sua graça. Os sacramentos são sinais sensíveis (palavras e ações), acessíveis à nossa humanidade atual. Realizam eficazmente a graça que significam, em virtude da ação de Cristo e pelo poder do Espírito Santo. (Catecismo, 1084)

Para realizar a grande obra da salvação, «Cristo está sempre presente na sua igreja, sobretudo nas ações litúrgicas, isto é, nos sacramentos. O ministro atua  «in persona Cristi», tanto que, quando alguém batiza, é o próprio Cristo que batiza». (Cf. Catecismo, 1088)

Através dos Sacramentos, a Igreja celebra, isto é, atualiza, torna presente a salvação. O mistério pascal não se repete, aconteceu de uma vez para sempre, mas em cada sacramento, pela ação do Espírito Santo, se atualiza (Catecismo, 1104).   

O sacramento é constituído por dois elementos: palavra e matéria (coisas e gestos) intimamente conexos e reciprocamente ordenados um ao outro. Quando a palavra é pronunciada sobre os elementos materiais, realiza-se uma ação sagrada, isto é, um sacramento.

A palavra é pronunciada sobre os elementos materiais. Neste caso, a palavra é uma palavra eficaz porque é Deus que atua. Os elementos materiais conferem à palavra estabilidade e força. De facto, a matéria não é considerada na sua naturalidade, mas no significado que lhe é conferido pela Revelação.

Palavras e matéria constituem o sacramento: atingem os sentidos do homem, que vê e ouve. A vista e os ouvidos revelam que o homem acolhe sensivelmente a salvação. Recebe o amor de Deus que, gratuitamente, é dado no sacramento. Desta forma, os sacramentos estabelecem o encontro do homem com Deus. A palavra chama à obediência; e o elemento visível realiza à comunhão. Desta forma, o homem está, de certo modo, face-a-face com o Deus escondido, mas visto com os olhos da fé.[1]

A união de palavra e matéria é atestada na Sagrada Escritura. No Batismo, a água está unida à invocação de Deus Trindade (Jo 3,5; Mt 28, 19; Ef 5, 26); no Crisma, a oração está unida à imposição das mãos (Actos 8, 17); na Eucaristia, o pão e o vinho estão unidos às palavras de bênção (Mt 26, 26-28; 1Cor 11, 23-26); na Santa Unção, a unção é unida à oração (Jac 5,14). Nos Sacramentos, a palavra toma a forma de uma oração que será certamente atendida. É uma palavra eficaz que explica e consagra, isto é, explicando, consagra.  Não existe uma palavra tão eficaz e produtiva do que a palavra unida ao elemento material. São Agostinho dizia: «se juntares a palavra ao elemento material, se cumpre o sacramento». (Schmaus, p. 41)

A distinção entre elemento material e palavra

A distinção de Santo Agostinho entre elemento material e palavra foi amplamente usada pelos teólogos mais antigos. Tal explicação resultava fácil para o Batismo, para Crisma, para Eucaristia e para Santa unção; isto podia criar alguma dificuldade para o sacramento da Ordem e, sobretudo para a Penitência e o Matrimónio, onde não era fácil encontrar o elemento material; mas esta dificuldade desaparece quando ao termo matéria se incluem também as ações.

A partir do século XIII entrou na linguagem teológica a expressão matéria e forma, dois termos que se encontram na filosofia aristotélica. Com isso, a Igreja não entendia aplicar aos sacramentos uma filosofia especifica, embora encontre nela uma explicação, que deve ser entendida no sentido analógico.

Como nas coisas naturais as coisas são compostas de matéria e forma:  a matéria é determinada e a forma é determinante, assim o sinal externo dos sacramentos é composto de matéria e forma. A matéria em si, pode ter diversos significados: é a palavra que lhe dá um significado unívoco. Quando a palavra é pronunciada sobre a matéria, ou está a ser realizada uma ação, acontece o sacramento.

Cada sacramento é uma ação sacra e representa sempre a morte e ressurreição de Cristo. Com isso, o simbolismo assume o seu significado dramático. Este drama simbólico exprime o dom da graça que deriva da morte e ressurreição de Cristo.

 

O Concilio de Trento

O binómio matéria e forma entrou na linguagem teológica comum, mas não é uma doutrina definida da parte da Igreja. O Concilio de Trento utilizou a expressão de matéria e forma, mas não tinha a intenção de a declarar como doutrina certa. Era simplesmente uma expressão muito apta para explicar de forma analógica o mistério da unidade de coisas e palavras nos sacramentos, mas não entendia, de forma nenhuma, ligar a explicação teológica a uma filosofia determinada.

Na Igreja antiga, a palavra era sobretudo oração dirigida a Deus (fórmula deprecativa) e exprimia melhor a certeza de que Deus atende sempre a oração. Na idade média, entrou em uso a forma indicativa, isto é, uma declaração pronunciada pelo ministro, com a certeza de que Deus atuava pela ação do ministro: havia uma ligação entre a ação do ministro (instrumento) e a ação salvífica de Deus. Podemos dizer que a igreja antiga acentuava a ação divina; e a idade-média e a época moderna acentuam o instrumento humano.    

A mediação da igreja   

Igreja é sinal e instrumento de salvação e, pela palavra e pelos sacramentos, atualiza a obra redentora de Jesus Cristo até ao fim dos tempos. A própria Igreja é sacramento, sendo o prolongamento de Cristo na história. Pela Igreja, Cristo insere Nele aqueles que se deixam inserir, de modo que, entrem no âmbito da Sua morte e ressurreição.

A Igreja atua a salvação através dos sacramentos.  Por isso, a vida cristã é essencialmente vida sacramental. O direito canónico afirma que os sacramentos são causa da união com Cristo; e que o Reino de Deus, instituído por Cristo, atua eficazmente naqueles que os recebem. Portanto, os sacramentos são na Igreja, o principal meio de santificação e salvação (Cânon 713, § 1).

É nos sacramentos que se fundamenta, se assegura e se realiza a Igreja; Cristo realiza o Seu Reino, continua a operar, realizando na Igreja, em palavras e gestos, o que realizava durante a Sua vida terrena. Os sacramentos são encontros com Cristo e Cristo que atua neles, realizando a salvação. Como os medicamentos são remédios naturais para o corpo, os sacramentos são remédios sobrenaturais para a alma, em vista da salvação eterna.

Pelos sacramentos, o Reino de Deus é realizado no coração dos homens. Neles, Cristo, ou melhor, o Pai celeste por Cristo, incorpora os homens a Si mesmo, isto é, no Seu Corpo Místico, que é a Igreja. Os sacramentos fazem parte do culto divino, são, portanto, adoração a Deus; não só a Eucaristia, mas todos os sacramentos, como veremos.


[1] (Michele Schmaus, Dogmática Cattolica, vol IV, palavra e sacramento, p. 38-40)

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

HISTORINHAS PARA MEDITAR

1 – O PEQUENO PARAFUSO

No casco de um grande navio havia um pequeno parafuso,
minúsculo, insignificante, que juntamente com outros parafusos,
ligava duas vigas de aço. Durante uma viagem, quando o navio estava no meio do Oceano, o pequeno parafuso decidiu que era tempo de acabar
com a sua obscura e mal paga a existência.
Depois de tantos anos ainda ninguém lhe tinha dito «obrigado».
Disse então para consigo: 
- Vou-me embora! Está decidido!
Os outros parafusos responderam: 
- Se tu vais embora, também nós iremos!
Quando o pequeno parafuso começou a mexer-se no seu buraco,
também os outros começaram a movimentar-se, cada vez mais.
Os outros pregos que seguravam as tábuas do navio protestaram:
- Assim também nós somos obrigados e deixar o nosso lugar...
As vigas de aço começaram a gritar: 
- Por amor de Deus, parai! Se ninguém nos segura, é uma tragédia!
A intenção do pequeno parafuso de deixar o seu lugar
propagou-se rapidamente por todo o imenso casco do navio.
Toda a estrutura do navio começou a vacilar e a tremer.
Foi então que todas as vigas, as ferragens, as tábuas,
os parafusos, até os mais pequenos pregos
decidiram enviar uma mensagem ao parafuso
para que ficasse no seu lugar.
Disseram-lhe:
- O barco afundar-se-á e nenhum de nós voltará a ver a sua pátria.
O pequeno parafuso sentiu-se orgulhoso porque descobriu
que ele era muito mais importante do que pensava.
E então mandou dizer a todos que continuava a permanecer no seu lugar.

 

Todos são importantes, cada um no seu lugar 

* O pequeno parafuso, embora ignorado,
   contribuía à sua maneira para que o navio pudesse navegar.
   Acabou por sentir-se importante, embora, na sua pequenez.

* Cada pessoa é diferente e tem uma missão única,
   mesmo que faça um trabalho humilde,
   tem uma missão única, necessária para os outros,
   e importante aos olhos de Deus.
  Desde o varredor até ao cientista, todos são importantes. 

* Tens consciência de que tens uma missão
   a cumprir a cumprir neste mundo. 
(Pedrosa Ferreira, Educar contando, Ed. Salesianas, p. 7)  

 

2 - É SUFICIENTE

Naquela região havia uma tremenda seca como nunca se tinha visto.
A erva tinha secado. As árvores mais frágeis já estavam todas mortas.
Nem sequer uma gota de água chovia do céu. 
Os animais estavam a morrer aos milhares.
Poucos tinham força para fugir desta aridez desértica.

A secura estava cada dia pior.
Até as mais fortes e velhas árvores, que afundavam
as suas raízes na profundidade da terra, estava a perder as suas folhas.
Todas as fontes e nascentes estavam secas.
Rios e ribeiros não tinham nem sequer uma gota de água. 
Apenas uma pequena flor conseguiu permanecer em vida,
porque ainda conseguia receber algumas gotas de águas,
de uma pequena, quase invisível, fontes,
a qual estava prestes a esgotar-se,
e começava a ficar desesperada:
- Tudo é aridez e morte. E eu nada posso fazer.
   Que sentido podem ter as minhas pequenas gotas de água?

Ali, a pouca distância, estava uma velha e robusta árvore
que ouviu a sua lamentação e, antes que morresse, disse à nascente:
- Ninguém está à espera que tu faças florescer o deserto.

  A tua missão é, simplesmente, a de manter em vida
  aquela pequena flor. Nada mais.

 

A gota de água

* A nascente lamentava-se daquilo que não podia fazer.
   A mesma coisa pode acontecer às pessoas que gostariam
  de fazer grandes coisas. Mas, a que serve lamentar-se?  É tempo perdido. 

* De facto, cada pessoa, não pode resolver os problemas do mundo, só
   pode fazer o que está ao seu alcance, nada mais. As suas boas obras são

   como «uma pequena gota de água no oceano», mesmo assim, são  
   necessárias. 

* Será que tu estás a dar a devida importância à tua vida? Aos teus
   pequenos gestos de amor, de ternura, de carinho?

   (Pedrosa Ferreira, p. 8)

 

4 – OS BARCOS

Era uma vez um homem que habitava à beira do rio. Uma manhã, depois de uma noite de chuva intensa, verificou que as águas do rio tinham subido e chegaram à porta da sua casa. A rádio assustou-o um pouco: «todos os que habitam a beira do rio devem deixar as suas casas: às águas estão a subir».
O homem era muito religioso e tinha uma grande confiança em Deus. Ajoelhou-se e começou a rezar: Senhor, salva-me!
Naquele momento, ouviu uma voz que vinha do alto. Era a voz do Senhor:

- Não tenhas medo! Eu cuidarei de ti!

Cheio de alegria, levantou-se e continuou a trabalhar como se nada acontecesse.

A meio da manhã as águas do rio já tinham chegado aos ombros e teve de se refugiar no andar superior. Nessa altura, passou um barco de bombeiros.
Um deles, ao vê-lo, gritou: Venha depressa connosco! É perigoso ficar aí!

O homem, apontando para o céu, respondeu:

- Não! Tenho um seguro superior!

A meio da tarde, a água já tinha subido de tal forma que ele teve de se refugiar no sótão. Passou um barco da Proteção Civil e uma voz gritou:

- Desça depressa! A água vai subir ainda mais!

O homem recusou teimosamente, dizendo:

- Eu tenho um protetor!

Ao fim da tarde, a água tinha subido ainda mais e o homem teve de se refugiar no telhado. Passou um barco da Cruz Vermelha, que procurava os últimos a salvar.
Em vão tentaram levá-lo. Ele agarrou-se à chaminé dizendo:

- Não preciso. Tenho quem me salva!

A água continuou a subir e o pobre homem acabou por morrer afogado.

Ao chegar ao Paraíso, apresentou-se diante de Deus e protestou:

- Disseste que pensavas em mim e deixaste que eu morresse!

Deus fixou-o com um olhar de ternura, dizendo:

- Eu pensei em ti! Mandei-te três barcos! Tu é que os recusastes!

A mão de Deus

·       O pobre homem não percebeu que Deus age por meio das pessoas que fazem o bem, que ajudam os outros. Deus está no meio de nós e quer salvar-nos a todos.

·       Deus precisa de cada um de nós para manifestar o seu amor. Necessita de pessoas que vivam ao jeito de Jesus, o homem que mais amou.

·        Confias verdadeiramente no amor imenso de Deus? Tens uma confiança filial em Deus, ou tens medo dele?   

(Pedrosa Ferreira, p. 10)


 

5 - A FESTA DA CRIAÇÃO

No sétimo dia, Deus terminou a grande obra da Criação,
por isso, declarou que o sétimo dia era o dia da sua festa.
Todas as criaturas, recém-criadas, decidiram oferecer a Deus
a coisa mais bela que encontrassem.
Os esquilos levaram-lhe nozes e avelãs;
os coelhos cenouras e raízes doces;
as ovelhas lã macia e quente;
as vacas leite rico de gordura.
Milhares de anjos colocaram-se em círculo,
cantando uma melodia celestial.
O homem esperava pela sua vez, mas estava preocupado.
Dizia para consigo:
- Que poderei eu dar ao Criador? As flores têm o perfume,
   as abelhas o mel, e até os elefantes se ofereceram
   um duche a Deus com as suas trombas para o refrescar.
O homem colocou-se no último lugar da fila e continuava a pensar.
Todas as criaturas desfilavam diante de Deus e depositavam as suas ofertas. 
Quando permaneciam só duas criaturas diante dele, o caracol e a tartaruga,
o homem começou a entrar em pânico;

Mas, quando chegou a sua vez,
o homem fez o que nenhum animal tinha ousado fazer:
Correu em direção a Deus, com um saltou subiu nos Seus joelhos,
abraçou-O e disse-lhe:
- Amo-te!
O rosto de Deus, então, iluminou-se.
Toda a criação naquele momento compreendeu
que ele tinha oferecido a Deus o presente mais belo.
Toda a criação, então, entoou um melodioso cântico de louvor!

 

A grandeza do homem

 * A ciência explica como surgiu a vida na Terra.
    A Bíblia, ao falar da criação, afirma que Deus
    criou tudo por amor, e quer que o homem seja feliz. 

 * Deus criou-nos para o conhecermos,
    amarmos e servirmos nesta vida,
    e para vivermos plenamente felizes,
    um dia, com Ele no Céu. Esta é a nossa vocação.

 * Será que tu compreendes que a verdadeira felicidade
    consiste em amar a Deus com todo o coração
    e com toda a alma e com todas as tuas forças?
  (Pedrosa Ferreira, p. 12)

 

 6 – O RELÓGIO DE SOL

Um rei oriental trouxe de uma longa viagem um relógio de sol para os seus súbditos, que ainda não conheciam as horas.

Esta singular oferta mudou a vida das pessoas do reino. Os súbditos aprenderam imediatamente a dividir o dia em horas, olhando para o relógio de sol. Tornaram-se pontuais, ordenados, diligentes. Deste modo, em poucos anos, ficaram mais ricos.

Quando o rei morreu, os súbditos, bons e diligentes, quiseram erigir um monumento que o recordasse dignamente. E como o relógio de sol era o símbolo da bondade do rei e estava na origem da sua riqueza, pensaram construir à volta dele um magnífico templo com uma bela cúpula dourada.

Quando acabou a construção do templo, a cúpula de ouro cobria o relógio de sol, naturalmente que os raios de sol já não podiam entrar.

Aquele fio de sombra que, graças ao sol, tinha indicado o tempo aos cidadãos, desapareceu.

Alguns cidadãos deixaram de ser pontuais, outros voltaram a ser um pouco desleixados, outros ainda ficaram desorientados. Andava cada um para seu lado e o reino entrou em ruína.

 

Evangelho e vida

• O templo, apesar de belo, fechou o relógio de sol e não permitiu que ele continuasse a orientar as pessoas. Ele tomou-se num objeto de museu.

• Pode acontecer a mesma coisa com o Evangelho de Jesus Cristo. E muito honrado nos templos, mas não orienta as pessoas na sua vida quotidiana.

• Que importância tem o Evangelho na tua vida? Os ensinamentos de Jesus Cristo são para ti uma luz que te orienta na vida?

(Pedrosa Ferreira, p. 13)

 

8 - A FERRADURA

Um mercador acabara os últimos negócios na feira. Tinha vendido toda a sua mercadoria e agora tinha a sua bolsa cheia de moedas de ouro e de prata.

Por prudência, pensou regressar à casa depressa, antes do por do sol,
por isso, pôs-se logo a caminho. Montou no seu cavalo e partiu a galope. 

Por volta do meio‑dia, parou numa povoação. Foi então que alguém
lhe fez notar o seguinte:
‑ Veja que o seu cavalo perdeu a ferradura da pata posterior direita!
O mercador que estava com pressa, respondeu-lhe:
Deixa correr. Só me faltam apenas seis léguas para chegar à casa. Agora estou com pressa, não posso parar, vai mesmo assim!

No meio da tarde, o mercador parou numa aldeia a fim de dar uma ração de aveia ao cavalo. Quem lhe vendeu a ração disse‑lhe:
Olhe que ao seu cavalo faltam-lhe as duas ferraduras, uma da pata direita e outra da pata esquerda. Se quiser, eu posso coloca-las.
O mercador respondeu: 
- Não é preciso. Estou com pressa, o animal irá suportar muito bem as duas léguas
   até chegar à minha casa.

Montou de novo e continuou o caminho.
Mas, passado pouco tempo, o cavalo começou a vacilar e,
acabou por partir uma pata e caiu por terra. 

O pobre do mercador teve de o deixar abandonado.
Carregou o saco do dinheiro às costas
e percorreu o resto do caminho a pé.

Entretanto, fez‑se noite escura e lhe aconteceu outra desgraça:
foi assaltado por dois bandidos que lhe roubaram tudo.
Ficou, assim, sem cavalo e sem dinheiro,
e chegou à casa, de madrugada, cansado, sem cavalo e sem dinheiro.

 

Não deixes para amanhã

* Aquele mercador, quando o cavalo perdeu a primeira ferradura,
   devia ter remediado logo o problema, mas não o fez,
   assim, as coisas passaram de mal para o pior.

* Se tens alguma coisa que é necessário fazer, não a deixar para o amanha,
   pode ser tarde demais. Resolve logo o problema, não deixar as coisas correr. 

* És desleixado? Já te aconteceu algo parecido ao que se descreve nessa história?
(Pedrosa Ferreira, p. 15)

 

12 - O CONVITE

O senhor de um castelo deu uma grande festa,
para a qual convidou todos os habitantes da aldeia.
Mas as pipas do nobre, embora fossem muitas,
não chegariam para satisfazer a previsível
e grande sede da multidão de convidados.

O senhor pediu então um favor a todos os habitantes da aldeia:
- Meteremos ao centro da praça, onde terá lugar o banquete,
uma imensa pipa. Cada um trará o vinho que puder dar,
e o deitará na pipa. A pica ficará cheia com a colaboração
de todos e haverá vinho para todos.

Um homem da aldeia, antes de partir para o castelo,
procurou uma bilha e encheu-a de água.
Pensava entre si: 
- Um pouco de água no meio do vinho, na pipa, ninguém dará por ela!

Ao chegar o dia da festa, deitou o conteúdo da sua bilha na grande pipa comum
e sentou-se à mesa.

Quando os primeiros serventes foram para tirar o vinho, da torneira saía apenas água.

Todos tinham pensado da mesma maneira.

 

Dar o melhor

• Os habitantes, nada generosos, pensaram em dar a água em vez do vinho que lhes era pedido. E a festa ficou estragada, porque o vinho é sinal de alegria.

• Somos convidados a dar o nosso melhor para contribuirmos para a festa da humanidade, que é possível com a colaboração de todos, assim haverá alegria de viver e paz para todos.

• Qual é a tua contribuição para um mundo melhor? Para que as pessoas sejam mais felizes? Dás o teu melhor vinho, ou deitas só água?

(Pedrosa Ferreira, p. 21)


 13 - A CRIANÇA E O IDOSO

Um dia, o pequeno Ciang penetrou no bosque e, depois de ter caminhado muito,
viu uma miserável casa de madeira à volta da qual reinava a mais absoluta paz:
nem uma galinha, nem um porco ou um gato.
Pensando que aquela casa fosse desabitada, aproximou-‑se cautelosamente.
Mas, qual não foi o seu espanto, quando através de um buraco na madeira,
viu um velho de barba branca deitado na cama.
O velho disse‑lhe:
- Entra, menino.
A sua voz era como que de algodão, como se viesse de uma nuvem. Insistiu:
- Ouvi os teus passos a chegar, pelo menos, à distância de um quilómetro. Entra!
Ciang entrou onde ele estava e perguntou‑lhe:
- Como é possível que tu, velho como és, tenhas ouvido os meus passos, quando eu estava ainda tão longe?
O velho sábio, respondeu-lhe: 
- É que eu estou a morrer. E com esta idade já vivi o suficiente,
agora convém familiarizar‑me com a morte, por isso,
os meus ouvidos tornaram-se sensível, como os ouvidos finos de um leopardo.
Por isso, me retirei neste lugar. Quem está a morrer não tem necessidade de ver outras pessoas, já as viu bastante; quem está a morrer apenas necessita de tranquilidade; é inútil atormentar-se com vãs palavras.
Convém que as pessoas que se aproximarem aqui,
passem ao largo como se fosse uma casa desabitada.

Ciang, timidamente, perguntou:
- Mas tu me convidaste‑ para eu entrar.
O velho, deu um suspiro e disse:
- É verdade, é porque tenho saudades de um sorriso. Queres dar-‑me um sorriso?
Ciang deu-lhe um leve sorriso e o velho sábio adormeceu para sempre.

 

O valor do sorriso

* Aquele velho, embora, parecia não necessitar das pessoas,
   mas ainda precisava de alguém que lhe desse um sorriso.
   Se for possível, o sorriso inocente de uma criança.

* Um sorriso custa muito pouco, mas vale muito,
   porque dá vida, comunica alegria.
   Mesmos que não tivéssemos, outra coisa para dar aos outros,
   se lhe dermos um amável sorriso, respeitador e sincero,
   bastaria par lhe darmos alento nas suas dificuldades.

* Sejas, portanto, uma pessoa sorridente.
   Será que alegras as pessoas com a tua presença, sobretudo os idosos.
(Pedrosa Ferreira, p. 22)

 


 15 - A IMAGEM DE DEUS

 Numa aldeia da Polinésia viviam dois homens continuamente em guerra
um contra o outro. Ao mais pequeno pretexto entravam em luta.
A vida tinha‑se tornado insuportável tanto para um como para o outro.
Mas também para toda a aldeia. 

Um dia, alguns anciãos disseram a um deles: 
‑ A única solução que te resta é que tu vás ver a Deus.
‑ De acordo. Mas onde?
‑ É simples! Basta que subas ao cimo da montanha e lá verás a Deus.
O homem consentiu e começou a subir a montanha.
Passados alguns dias, chegou ao cimo.
Deus estava lá à sua espera.
O homem arregalou bem os olhos:
Deus tinha o rosto do seu vizinho brigão e antipático.
O que Deus lhe disse, ninguém sabe,
mas o que se sabe, é que ele, ao regressar à aldeia
já não era a mesma pessoa. Tentou reconciliar-se com o seu vizinho,
mas em-vão. Apesar da sua gentileza e da vontade de reconciliar-se
com o seu vizinho, tudo continuava a correr mal,
porque ele inventava sempre novos pretextos de litígio.
Os anciãos lhe disseram:
‑ É melhor que tu também vai ver a Deus.
Ele recusava, mas o conseguiram convencer,
assim também ele partiu para a montanha.
Quando chegou em cima, também ele, descobriu
que Deus tinha o rosto do seu vizinho.

 

Tudo o que fizerdes...

* Os dois homens descobriram que tudo o que faziam um ao outro
   era como se o fizessem ao próprio Deus e passaram a viver em paz.

* Jesus Cristo disse que «tudo o que fizermos ao mais pequeno
   dos nossos irmãos, a ele o fazemos» (Cf Mt 25).
   Ele identifica‑se com cada pessoa.

* Estamos verdadeiramente conscientes de que cada pessoa
   é imagem de Deus e como tal merece todo o nosso amor?

(Ferreira Pedrosa, p. 24)

 

16 – O QUE DEU FAZ

Uma princesa romana perguntou ao rabi Jossi bem Chalafta:
- O que é que faz Deus durante todo o dia?

O rabi respondeu:
- Junta os pares. Decide com quem é que cada um deve casar.
Este homem para aquela mulher, esta mulher para aquele homem,
e assim por diante.

A princesa retorquiu:
- Não é grande trabalho! Isso também eu o posso fazer. Fosso juntar milhares de pares num único dia.

O rabi Jossi permaneceu em silêncio.

E que fez a princesa? Foi pelos seus palácios,
convocou milhares de escravos e milhares de escravas,
formou pares e decretou que estavam casados.

Durante a noite quase todos os noivos discutiram
e lutaram entre si. Ao amanhecer, foram ter com a princesa.
Uns tinham a cabeça partida, outros um olho negro,
outros um braço partido...

A princesa mandou chamar o rabo Jossi,
contou-lhe toda a história e concluiu:

- Tinhas razão. Fiquei a saber que só Deus
   consegue juntar homens com mulheres.

Então ouviu-se uma voz do céu que dizia:
- Mesmo para mim não é tarefa fácil!

 

Harmonia conjugal

• Com algum humor, este conto quer dizer que a harmonia conjugal
   não é tarefa fácil. Ambos, ele e ela, são diferentes e nem sempre
   é fácil viver no amor.

• Os esposos devem renovar todos os dias o «sim» que for pronunciado no dia do seu casamento. E terão de se empenhar por crescer no amor fiel e santo.

• Como se vive em tua casa esta harmonia conjugal?
   Que devem fazer os esposos para manifestarem o seu amor mútuo?

(Pedrosa Ferreira, p. 25)

 

16 – O PRECIPÍCIO

Um homem sempre descontente consigo e com os outros
resmungava com Deus dizendo:
- Mas quem é que disse que cada qual deve levar a sua cruz?
   Será possível que não exista maneira para a evitar?
   Estou farto dos meus pesos quotidianos.

Deus escutou-o e respondeu-lhe com um sonho. O homem viu
que a vida dos homens sobre a terra era uma interminável
procissão. Cada qual caminhava lentamente com a sua cruz às costas.

Também ele estava inserido nesse interminável cortejo
que avançava com dificuldade levando a sua cruz.
Passado pouco tempo, reparou que a sua cruz era muito comprida
e, por isso, tinha dificuldade em caminhar.
Então pensou: - Agora vou cortar um pedaço, assim ficará mais leve.

Sentou-se num marco de pedra e, com um machado, cortou­-lhe
um pedaço. Quando partiu, a cruz era mais leve, podia caminhar
com mais agilidade, e chegar à meta sem tanto cansaço.

Eis que no trajeto surge um grande precipício: uma larga abertura
no terreno, além da qual, começava a terra da felicidade eterna,
uma paisagem maravilhosa, encantadora.

Mas não havia pontes para o atravessar, mas,
as pessoas passavam com facilidade. E como?
É que cada qual tirava a sua cruz das costas, apoiava-a
nas margens do precipício e podia passar por cima dela.
As cruzes pareciam feitas à medida: coincidiam
exatamente com as margens do precipício.

Todos passaram. Mas ele não. Tinha encurtado a sua cruz
e agora era demasiado curta; não chegava à outra margem.
Desesperado, pôs-se a chorar:

Levar a cru

·       Este conto recorda que a cruz faz parte da nossa vida. Somos criaturas limitadas, caminhamos para a morte física.

·     *  Os cristãos carregam a sua cruz com atitude pascal: se sofrem com Cristo, viverão felizes para sempre

·       Como é que tu aceitas o sofrimento, quando ela aparece na tua vida?

 

20 – O ANEL MÁGICO

 

Um rei chamou ao seu palácio todos os magos do reino e disse-lhes:

- Quero ser sempre de exemplo para os meus súbditos, forte e firme, sereno e impassível perante as con­trariedades da vida. Às vezes acontece que me sinto triste ou deprimido devido a um acontecimento menos agradável. Outras vezes, uma imensa alegria põe-se num estado de grande excitação. Tudo isto me desagrada. Faz-me sentir como um barco ao sabor das ondas. Faz-me um amuleto que me defenda de todos esses estados de ânimo e mudanças de humor, sejam eles tristes ou alegres.

Um depois do outro, todos os magos se recusaram. Sabiam fazer amuletos de todos os tipos, para os necessitados que recorriam a eles, mas não era fácil contentar um rei. Ele queria um amuleto com uma eficácia tão grande.

A ira do rei estava para explodir, quando avançou um velho sábio que lhe disse:
- Majestade, amanhã te darei um anel mágico. Todas as vezes que olhares para ele, se estiveres triste poderás ficar alegre, se estiveres excitado poderás acalmar-te. Basta que leias a frase mágica que nele estiver escrita.

No dia seguinte, o velho sábio regressou trazendo o anel e colocou-o no dedo do rei. Todos estavam com curiosidade de saber a frase mágica.

O rei olhou para ele e leu a frase gravada no círculo de prata: Também isto passará.

 

Há tempo para tudo

·   *   A magia do anel estava na sabedoria de que tudo passa. Alegrias, tristezas, tudo tem o seu tempo.

·  Há tempo para plantar e tempo para recolher, tempo para chorar e tempo para alegrar-se, tempo para conservar e tempo para deitar fora, tempo de guerra e tempo de paz (cf. Qoelet 3,11-15)

·   * És capaz de manter-te sereno no meio das dificuldades? Tem consciência de que tudo passa, e só Deus permanece? 

(Pedrosa Ferreira, p. 31)


24 - A GRUTA

Um beduíno perseguido por ferozes inimigos, fugiu para o deserto,
pelos caminhos mais ásperos e pelas rochas mais cortantes.
Corria rapidamente, até ao ponto que ficou tão cansado e teve de parar.

Foi então que olhou à sua volta. Estava num caminho estreito rochoso.
Avançou mais um pouco, até que, à sua frente, viu a entrada de uma gruta.
Olhou e via apenas escuridão, embora, hesitante, avançou nas trevas.
Ouviu uma voz bondosa que lhe dizia:
‑ Avança, irmão!
Obedeceu e continuou a caminhar.
Quando, na penumbra, viu um beduíno,
era um eremita que estava lá recolhido em oração.
O beduíno perguntou‑lhe:
‑ Tu vives aqui?
‑ Sim.
‑ E como consegues resistir nesta gruta, sozinho, pobre e longe de todos?
O eremita sorriu e respondeu:
‑ Não sou pobre. Tenho grandes tesouros.
‑ Onde?
‑ Olha para cima?
O eremita indicou‑lhe uma pequena fresta situada num lado da gruta e perguntou:
‑ O que vês?
‑ Nada.
A eremita, retorquiu:
‑ Não vês mesmo nada?
‑ Vejo apenas um pedaço de céu.
‑ É mesmo isso, um pedaço de céu: não achas que é um tesouro maravilhoso?

 

Olhar para o céu

* Pode acontecer que as pessoas passem os seus dias
   tão atarefadas e entretidas com as coisas deste mundo,
   que se esquecem de olhar para o céu. 

* Somos peregrinos neste mundo, por isso, temos que viver
   com os pés bem assentes na terra, mas tendo os olhos
   bem fixos para o alto, para o céu. Dizer a palavra «céu» é dizer «Deus»,
   pois é Ele que dá sentido à nossa vida.

* Será que te lembras de olhar para o Céu?
   Se estás a passar por momentos difíceis,

* Lembra-te de olhar para o alto, olha para Deus, e confia no seu Amor!
(Pedrosa Ferreira, p. 35)

 

25 – OS QUATRO PRÍNCIPES

Quatro príncipes reais andavam à procura de uma espe­cialização verdadeiramente única. Disseram um ao outro: Percorremos a terra e aprenderemos a ciência máxima.

Assim, depois de terem concordado num lugar para um encontro futuro, os quatro irmãos partiram, cada qual na sua direção…  Passado um ano, um mês e um dia, os quatro irmãos encontraram-se no lugar que tinham estabelecido e perguntaram um ao outro o que é que tinham aprendido.

O primeiro disse:
- Aprendi uma ciência que me dá a possibilidade de pegar num pedaço de osso de um ser vivo e criar imediatamente carne para o cobrir.

O segundo disse:
- Se esse osso estiver coberto de carne, eu sei como fazer crescer a pele e também o pelo.

O terceiro disse:
- Eu sou capaz de criar membros nesse ser, se já tiver a carne, a pele e o pelo.

Concluiu o quarto:
- E eu sei como dar vida a essa criatura, se tiver já os membros.

Os quatro irmãos foram, então, à selva à procura de um pedaço de osso, a fim de demonstrarem as suas espe­cialidades. Não foi difícil. Encontraram um osso. Estavam tão entretidos a pensar nas suas capacidades científicas, que não repararam a que espécie de animal teria pertencido.

O primeiro juntou a carne ao Osso; o segundo criou a pele e o pelo; o terceiro completou o ser com os membros adequados e o quarto deu vida a um leão.

Movendo a larga crina, a fera abriu a boca, mostrou os seus dentes afiados e lançou-se sobre os seus criadores. Matou-os a todos e, satisfeita, fugiu para a floresta.

 

O poder da ciência

• Os quatro homens foram destruídos por um animal que era obra da sua ciência. Um conto que aponta para uma realidade: a ciência pode destruir o homem.

• O homem, através da ciência e a técnica, cria coisas maravilhosas. Mas tem de ter cuidado, não aconteça que, em vez de ser ele o dominador, passa a ser dominado.

• Conheces situações em que o homem se deixa escravizar pelas suas descobertas? Que pensas dos que vivem só para a informática, a televisão, a «última moda» em tudo?

 

26 – O GALO E O DIAMANTE

Um pobre galo perdido e faminto andava desesperadamente à procura de alguma coisa para comer.

Debicava por toda a parte, debaixo de montes de lenha, na folhagem, à volta das pedras e pedrinhas.

Inesperadamente, o galo parou. Ali estava uma pedra diferente das outras, que brilhava de uma forma particular.

O galo, perplexo, começou a olhá-la. Depois, de repente, percebeu. Aquela não era uma pedra comum, A sua forma, o seu brilho e a sua dimensão demonstravam-no bem.

O galo faminto murmurou:
- Os homens chamar-te-iam diamante, mas especial ou não, para mim não vales mais do que um grão de arroz.

Deu meia volta e continuou a debicar.

 

Valores preciosos

• O galo via a pérola preciosa, mas, na sua lógica, não passava de uma pedra vulgar. Há valores preciosos na vida que as pessoas por vezes desprezam.

• Não será que, por vezes, as pessoas desprezam o que tem mais valor que um diamante? São estes os valores humanos, pelos quais vale a pena lutar.

• Consideras os valores humanos como algo de precioso na tua vida de cada dia? O Evangelho de Jesus é para ti como uma pedra preciosa?

(Pedrosa Ferreira, p. 38)

 

28 – A SEMENTE

Um jovem sonhou que entrava numa grande loja. Havia um anjo por detrás do balcão. Perguntou o jovem:
- Que vendes aqui?

O anjo respondeu delicadamente:
- Tudo o que desejares.

Então o jovem começou a lista das suas petições: queria o fim de todas as guerras do mundo, mais justiça para os explorados, tolerância e generosidade para com os emigrantes, mais amor nas famílias, trabalho para os desempregados...

O anjo interrompeu-o:
- Lamento muito, meu jovem. Não me compreendeste bem. Nós aqui não vendemos frutos, mas somente sementes.

 

Das palavras aos atos

• Não basta ter bons sentimentos: desejos de jus­tiça, paz e amor. E necessário empenhar-se para que os bons ideais não se fiquem em palavras bonitas.

• Deus precisa de cada um de nós para semear no mundo de hoje a boa semente que, a seu tempo, dará bons frutos. Todos nós somos convidados.

• Que fazemos nós para deixar este mundo mais belo do que o que encontrámos?

(Pedrosa Ferreira, p. 40)


 

29 - O CONSELHO DO URSO

Dois amigos atravessavam um bosque intrincado e selvagem onde não existia vestígio algum de civilização.

De repente, apareceu diante deles um urso faminto que veio ao seu encontro numa atitude ameaçadora.

Um dos amigos, atropelando o outro, fugiu rapidamente, sem se preocupar com o seu companheiro. Procurando salvar-se a si próprio, trepou rapidamente a uma árvore.

O outro, para se salvar, não encontrou solução melhor senão atirar-se ao chão, permanecendo imóvel e sem respirar, como se estivesse morto. Chegou o urso, lambeu-o durante algum tempo e, julgando-o morto, foi-se embora.

Quando o urso desapareceu, o amigo que tinha subido para cima da árvore, ainda a tremer, perguntou:

- Quando o urso se aproximou de ti, parecia que estava a falar. O que é que te disse?
- Disse-me apenas uma coisa: que nunca me fiasse dos amigos como tu.

(Lev Tolstoi)

 

Há amigos e amigos

• Quando tudo corre bem, não faltam amigos. Mas, quando surgem as dificuldades (doença, miséria, desgraça...), é que se vêem quem são os verda­deiros.

• Há uma pessoa com quem nos podemos fiai em quem podemos confiar durante toda a nossa vida. Essa pessoa tem um nome: chama-se Jesus Cristo e vive.

• Podes dizer com toda a sinceridade que Cristo é o teu melhor amigo?

(Pedrosa Ferreira, p. 41)

 

31 - FORTES SE UNIDOS

Um pai queria que os seus filhos vivessem de acordo. Mas não havia maneira. Então mandou trazer um feixe de ramos e convidou-os a parti-los. Mas, por mais esforço que fizessem, não conseguiam.

O pai pegou então no feixe, separou os ramos um a um e disse-lhes para os quebrarem. Naturalmente que foi muito fácil.

Disse-lhes o pai:

- Vedes? Será assim convosco, se não permanecerdes unidos. Se não viverdes unidos, qualquer um poderá vencer-vos.

(Lev Tolstoi)

 

A união é força

• É necessário estar juntos; permanecer juntos; trabalhar juntos. É impossível sobreviver sozinhos, cada um por si, pois a pessoa humana é relação. Somos plurais, é urgente estarmos unidos.

• Jesus, na oração da última Ceia, orou ao Pai para que todos os seus discípulos vivam unidos entre si: «Deveis continuar sempre unidos no meu amor» (Jo 15, 9).

• Que união existe na tua família, no teu grupo de trabalho?

(Pedrosa Ferreira, p. 43)

 

32 - A LUTA DO CORPO

Um dia, os membros do corpo decidiram fazer greve, pois estavam cansados de trabalhar para que o estômago tivesse comida.

Passaram alguns dias e todas as partes do corpo se sentiram a enfraquecer. Então o estômago falou:
- Eu também me sinto muito fraco. Se me alimentardes, poderei de novo trabalhar; vós e eu sentir-nos-emos melhor.

A mão direita disse:
- Está bem. Vamos experimentar. 

E as pernas com muita dificuldade levaram o corpo à mesa, as mãos colaboraram e meteram a comida na boca.

Passado pouco tempo, todos os membros do corpo come­çaram a sentir-se melhor. Compreenderam então que todos os membros do corpo devem cooperar se se querem conservar saudáveis.

E o estômago também compreendeu que ele depende do trabalho dos membros e de que deve repartir com igualdade tudo o que chegue a ele.

 

Cooperação

• No corpo humano, todos os membros são impor­tantes, mesmo os mais escondidos e aparen­temente insignificantes. O mesmo deverá acon­tecer na sociedade.

• S. Paulo utiliza a mesma imagem do corpo humano para dizer que, na Igreja, todos os batizados têm uma vocação e uma missão. Todos têm a mesma dignidade.

• És um membro ativo na sociedade e na Igreja, cooperando nas tarefas comuns?

(Pedrosa Ferreira, p. 44)

 

33 – O ESPELHO

Um jovem perguntou ao mestre:
- Rabi, o que pensas do dinheiro?

O mestre disse:
- Olha para a janela. O que é que vês?

- Vejo uma mulher com uma criança, um carro puxado por cavalos e um aldeão que de dirige para o mercado.

- Muito bem. E agora olha para o espelho. O que é que vês?

- O que é eu vejo? Vejo-me a mim próprio, naturalmente!

-  Agora pensa: a janela é feita de vidro e também o espelho é feito de vidro. Basta uma subtilíssima camada de prata sobre o vidro e o homem apenas se vê a si próprio.

 

Deus ou o dinheiro

• O dinheiro é necessário para que as pessoas possam adquirir os bens de que necessitam para viver dignamente. E quem não trabalhar, não tem direito a comer.

• frias existe o perigo dos que têm dinheiro se deixarem envolver de tal modo pelo dinheiro, que isso os impede de ver os miseráveis e pobres a clamar por justiça.

• Como utilizas os bens que possais? És capaz de partilhar?

(Pedrosa Ferreira, p. 45)


 

35 - OS QUATRO MONGES

Quatro monges decidiram caminhar juntos em silêncio durante um mês.
O primeiro dia correu bem. Mas no segundo dia, um monge disse:
- Estou com dúvidas de fechei a porta antes de sair do convento.
Outro respondeu-lhe:
- Estúpido! Tínhamos decidido de guardar silêncio durante um mês; e tu já quebraste o silêncio!
Então, o terceiro interveio:
- E tu, também, quebraste o silêncio!
O quarto disse:
- Graças a Deus, sou o único, que não falei! 

 

O silêncio é tão difícil

* Vivemos numa sociedade cheia de ruídos: desde que nos levantamos até que fechamos a televisão para descansar. Até parece que as pessoas têm medo do silêncio. 

* É necessário que as pessoas façam silêncio para se interrogarem quem são, de onde vêm, para onde vão. Só o silêncio iluminado pelas palavras do Evangelho responde a essas perguntas.

* E tu, és capaz de guardar o silêncio e meditar sobre as realidades últimas da vida? 
(Ferreira Pedrosa, p. 46)

 

 

39 - ENTRE AS DUNAS DO DESERTO 

Um homem andava perdido no deserto havia dois dias, arrastando-se naquela areia quente. Tinha chegado já ao limite das suas forças. De repente, viu diante de si um vendedor de gravatas.
Só tinha gravatas, e tentou vender-lhe uma.

Mas esse pobre homem que estava a morrer de sede, com a língua seca, julgou que aquele estranho vendedor estava maluco:
- vender uma gravata a um homem que morre de sede?
E não a quis comprar.
O vendedor de gravatas encolheu os ombros e continuou o seu caminho no deserto.
Ao cair da tarde, o viajante, cheio de sede, ergueu a cabeça e ficou deveras espantado: diante dele, estava um luxuoso restaurante com o parque cheio de automóveis. Era uma construção grandiosa, absolutamente solitária, em pleno deserto.
Recolheu às forças e arrastou-se com dificuldade até á porta daquele restaurante e, num último gemido, suplicou:
- Dai-me água, por favor!
O porteiro respondeu:
- Lamento muito, mas aqui não se pode entrar sem gravata.

 

A surpresa

* As pessoas vão vagueando pelos caminhos desta vida,
   prescindem das coisas que consideram inúteis.
   Por exemplo, uma pessoa poder achar inútil dar de comer a quem tem fome.

* Jesus, porém, disse que só entrarão no banquete do Reino àqueles que, durante a
   vida terrena, tiverem amado como Ele amou.

* Estás consciente de que, aquilo que te parece inútil,
   pode ser necessário para a tua felicidade. 
(Ferreira Pedrosa, p. 51)


 

40 - A ORAÇÃO DE NATAL

André tinha apenas um desejo: ter uma bicicleta, sim uma bicicleta,
como aquela que tinha vista numa loja da cidade.
Este desejo não lhe saía da cabeça, até sonhava com ela todas as noites.

Fez este pedido à sua mãe, mas ela estava preocupada com outras coisas:
com as dívidas a pagar e com as despesas aumentavam, de dia para dia,
e não podia decerto comprar-lhe a bicicleta.
O André, bem conhecia as dificuldades da mãe, por isso,
decidiu pedir a bicicleta diretamente a Deus, por ocasião do Natal.
Todas as noites concluía a sua oração com estas palavras:
«Lembra‑te, Deus, de me dar uma bicicleta amarela para o Natal. Ámen»

A mãe ouvia a oração do seu filho e abanava tristemente a cabeça.
Sabia bem que no Natal iria chegar, mas não iria a chegar a bicicleta, e que o André iria ter uma grande desilusão.
De facto, chegou o dia de Natal, mas o André não recebeu nenhuma bicicleta.
Por isso, à noite, ajoelhou‑se, como de costume para rezar.
A mãe, interveio, com doçura, e disse-lhe:
‑ André, penso que estarás triste porque não ter recebido a bicicleta.
Espero que não estejas zangado com Deus
por Ele não ter respondido às tuas orações.
André olhou para a mãe:
‑ Não, mãe. Não estou zangado com Deus.
  Ele respondeu às minhas orações; disse-me que não!

 

Ensina‑nos a rezar

* As pessoas rezam a Deus e pedem as coisas que consideram importantes.
   Mas, muitas vezes recebem apenas, como resposta, o silêncio de Deus,
   que parece não ter ouvido.

* Os cristãos que confiam em Deus, sabem que Ele sempre
   escuta as nossas orações; mas, acontece, que, muitas vezes,
   o que pedimos é insensato. Nem sabemos o que Lhe estamos a pedir.

* Como é a tua oração? Te lembras de Deus, só para pedir?
   A verdadeira oração produz sempre uma mudança de vida
   que nos leva a amar e ajudar os outros.
   Não achas que a oração deve sempre empenhar à nossa ação? Porquê?
(Pedrosa Ferreira, p. 52)  

 

41 - O JULGAMENTO FINAL

Depois da morte, um homem apresentou‑se diante de Deus
e, orgulhosamente, mostrou‑lhe as mãos: 
Senhor, olha como as minhas mãos, estão limpas!
Deus sorriu-lhe, mas com uma certa tristeza, disse-lhe:
É verdade estão limpas, mas também estão vazias!

 

Mãos cheias

* Muitas palavras, muitas promessas, muitos bons propósitos,
   mas, o importante é atuar, pois não podemos apresentar-nos
   diante de Deus, de mãos vazias.
   Temos de "sujar" as nossas mãos, fazendo o bem aos outros. 

* No final da nossa vida seremos julgados pelas nossas obras,
   feitas com amor ao próximo.
   O modelo de vida que demos imitar é Jesus Cristo,
   que passou no meio de nós fazendo o bem a todos.
   Trata‑se de viver ao Seu jeito, amando a Deus e amando o próximo. 

* Se te apresentasses agora diante do Senhor,
   como é que seriam as tuas mãos, cheias ou vazias?
   Cheias, concretamente, de quê?
(Pedrosa Ferreira, p. 52)  

 

42 - UMA ESMOLA

Sanatan estava a rezar o seu rosário junto do Ganges,
quando se chegou a ele um Brâmane esfarrapado que lhe disse:
‑ uma esmola a este pobrezinho! Respondeu Sanatan
Já dei tudo o que tinha, só me resta o meu prato.
Mas, naquele momento, lembrou‑se de que tinha encontrado uma pedra preciosa entre os seixos da ribeira e que a tinha escondido na areia, para o caso de alguém precisar dela.
Disse, então ao Brâmane:
- Encontrei na ribeira uma pedra preciosa
Voltou atrás, desenterrou a pedra, mas ficou pensativo.

Sentou‑se no chão para meditar sozinho, até que, depois do sol posto, via por detrás das árvores os pastores que regressaram aos seus lares com os rebanhos.
Então levantou‑se, voltou lentamente para Sanatan e disse‑lhes:
Mestre, eu quero ter que um pedaço dessa riqueza,
que despreza todas as riquezas do mundo.

E atirou à água aquela pedra preciosa. (Rabindranath Tagore)

 

Simplicidade de vida

* Aos olhos de muitos, é uma loucura abandonar as riquezas
   para viver uma vida simples e pobre. É o caso dos religiosos
   e religiosas
   que consagram a sua vida para servirem os mais pobres.  

* Renunciar às riquezas do mundo é uma profecia:
   é anunciar que existe uma riqueza maior do que as riquezas deste mundo:
   Jesus Cristo. Ele é a fonte da paz, da alegria e da verdadeira felicidade.

* Come é que estás a viver neste momento: agarrado às riquezas
   deste mundo, ou à verdadeira riqueza que é Jesus?
(Pedrosa Ferreira, p. 54)
  

 

43 - O BOBO E O REI

Um rei tinha ao seu serviço um bobo que o distraia
com as suas brincadeiras e palhaçadas.
Um dia, ele entregou o seu cetro ao bobo, dizendo-lhe:
- ficas com ele, até encontrares alguém mais estúpido que tu: então poderás oferecer-lho.

Passado algum tempo, o rei adoeceu gravemente.
Sentindo aproximar-se a morte, chamou o bobo,
a quem se tinha afeiçoado, e disse-lhe:
- Vou partir para uma longa viagem.
Perguntou solícito o bobo:
- E quando regressarás? Daqui a um mês?
- Não, não voltarei mais.
- E quais foram os preparativos que fizeste para esta última viagem?
O rei respondeu-lhe tristemente:
- Nenhum!
- Tu partes para sempre e não te preparaste em nada?
  Toma lá o teu cetro, já encontrei alguém mais estúpido do que eu.

 

Estais vigilantes!

• A realidade da morte incomoda a toda a gente.
  Alguns fazem dela um ponto final de tudo;
  outros, com a luz que vem da Páscoa de Jesus Cristo,
  fazem da morte uma passagem para a vida eterna

• Não podemos ignorar a realidade da morte,
  é necessário preparar-se! Temos que aceitá-la
  com uma fé, iluminada pela esperança cristã.
   É preciso consolidar, fortalecer essa esperança.

• Qual a melhor forma de preparar-se para a morte?
(Pedrosa Ferreira, p. 55) 

 

44 – OS DOIS PÁSSAROS

Dois pássaros estavam muito felizes sobre a mesma planta. Um dele estava mais em cima e o outro mais em baixo. Um dia, o pássaro que estava mais acima disse para o outro:
- Que lindas são estas folhas verdes!

O pássaro que estava mais abaixo respondeu irritado:
- Estás cego? Não vês que são brancas?

O de cima continuou:
- Tu é que estás cego. São verdes! Continuou o outro:

- Aposto contigo que são brancas. Tu não percebes nada de folhas de árvores!

O pássaro de cima, irritado com esta discussão, atirou-se para cima do adversário, para lhe dar uma lição. O outro não se moveu. Quando estavam próximos um do outro, tiveram a lealdade de olhar os dois para cima, na mesma direção, antes de começar o duelo.

O pássaro que tinha vindo de cima ficou surpreendido:
- Que estranho! Afinal são brancas! E convidou o seu amigo:
- Vem cá acima, onde eu estava antes.

Voaram para o ramo do alto e desta vez disseram os dois em coro:
- Que estranho! Afinal são verdes! O diálogo

 

A importância do diálogo

• Cada pessoa tem o seu ponto de vista, a sua opinião, a sua verdade. Cada qual vê as coisas segundo a sua perspetiva, que por vezes julga ser a única.

• É necessário que as pessoas se juntem, ponham em comum o que pensam e sentem acerca dos assuntos em questão, escutando-se amas às outras.

• És intransigente na defesa das tuas convic­ções? Sabes escutar o que os outros têm para dizer?

(Pedrosa Ferreira, p. 56) 

 

45 - CIÚMES

Dizem que numa aldeia havia uma senhora muito desconfiada que espiava o marido passo a passo, por onde ele andava.

Quando este, no fim do dia, chegava a casa, olhava-o cuidadosamente de cima para baixo, a ver se encontrava alguma coisa, por ter estado com alguém.

E arranjava sempre pretexto, tanto que, depois dessa minuciosa inspeção, havia sermão e missa cantada.

Um dia, depois de muito investigar, a senhora consegui encontrar um cabelo preto no casaco. Foi o suficiente para o acusar de que tinha andado com outra mulher e o desancar verbalmente.

No dia seguinte, após ter feito esse minucioso exame, a senhora encontrou no casaco um cabelo claro.

Novo ralhete! porque já não lhe chegava uma amante, mas até tinha duas. Também uma loura.

Farto disso, o marido começou a escovar-se cuidadosa­mente antes de entrar em casa, para não dar pretexto a mais desconfianças e gritarias. Mas não conseguiu.

Depois da habitual inspeção, como não tinha encontrado nada, a esposa desata aos gritos como de costume, acusando-o de, naquele dia, o marido ter andado metido com uma mulher careca!

 

Preconceitos

• A história, embora um pouco caricata, denuncia a situação dos que são exageradamente ciumentos, encontrando sempre razões para castigar o outro.

• Quando se tem má-fé, há sempre argumentos para acusar o outro. E isto acontece frequentemente: os preconceitos prejudicam as relações humanas.

• Habitualmente, procuras despir-te de precon­ceitos?

(Pedrosa Ferreira, p. 57) 

 


46 - POR QUE É QUE CORRES?

Da janela que dava para a praça do mercado, o Mestre viu um dos seus alunos, um certo Haikel, que caminhava apressado, quase a correr. Chamou-o e convidou-o a entrar. Depois, perguntou-lhe:
- Haikel, já viste como é o céu esta manhã?
- Não. Mestre.
- E a estrada, Haikel? Viste como está estrada esta manhã? 
- Sim, Mestre.
- E agora, ainda a vês?
- Sim, Mestre, vejo-a.
- Diz-me o que é que vês?
- Gente, cavalos, carroças, homens e mulheres, que andam de um lado para o outro, comerciantes que querer vender, todos em movi­mento. Eis o que eu vejo.  
O Mestre disse-lhe amavelmente:
- Haikel, Haikel, daqui a cinquenta anos e, daqui a cem anos, ainda haverá gente em movimento, em estradas como esta, num mercado como este. Haverá meios de transporte e pessoas a comprar e a vender. Haverá outros cavalos e outras pessoas, mas eu já não estarei aqui e tu, também, não estarás aqui. Por isso, te pergunto, Haikel, por que corres tanto, e nem sequer tens tempo de olhar para o céu?

 

Olhar para o céu

* As gerações sucedem-se umas às outras. Houve e haverá muitas pessoas que se julgam insubstituíveis, mas todos partem, deixam este mundo, mas, a vida continua.

* Mas, os cristãos sabem que são peregrinos: não têm aqui uma morada permanente e caminham para a pátria definitiva. Olham para o céu!

* Vives instalado neste mundo ou como peregrino

   de uma nova terra?
(Pedrosa Ferreira, p. 58)  

 

47 – O JOVEM DEPRIMIDO

Um jovem sentia-se sempre deprimido. A tristeza tinha-se apoderado da sua mente e do seu coração. Sentia-se inútil. Os outros só lhe causavam aborrecimento. Nem sequer as festas e diversões o conseguiam alegrar.

Foi ter com o seu médico para que o curasse dos seus males, mas não conseguiu resolver o seu problema. Por isso, aconse­lhou-o a consultar um sábio que vivia no cimo de uma mon­tanha.

O sábio, depois de o escutar, foi-lhe dando pistas para ele sair desse labirinto. Eis algumas:

- Que o negativo que existe na vida não te impeça de ver o que tem de positivo.

- Não julgues que és o «umbigo» do mundo e que todos olham para ti.

- Ninguém nasce com «mau-sino». Ri-te dos horóscopos.

- Não julgues ter o monopólio da verdade. Os outros também têm a sua parte de razão.

- As pessoas não mudam milagrosamente de um dia para o outro. Aceita-as como são e aceita-te também a ti próprio, como és.

- Não ponhas etiquetas nas pessoas, nem julgues as suas intenções.

- Não te lamentes da tua pobreza. Lembra-te que trazes sapatos e há quem ande descalço.

 

As pistas de saída

• A estas sete pistas que o sábio deu àquele jovem podíamos acrescentar outras. Mas, qual destas gostarias de sublinhar como mais importante?

• Tendo em conta a tua experiência em que tu também te sentiste depri­mido, qual é a mais importante para ti?

 

48 - O RAMO CORTADO

Era uma vez, um bandido que foi para matar Buda.
Mas este, disse‑lhe:
‑ Antes de me matares, ajuda‑me a cumprir o meu último desejo. Corta, por favor, um ramo dessa árvore. Com um golpe de espada, o bandido fez logo o que Buda lhe pedia.

Mas Buda acrescentou:
‑ agora volta a colocar o ramo na árvore para que continue a florescer.
O bandido ficou muito admirado, e respondeu:
‑ Deves estar louco, se pensas que isso é possível.

Então, Buda respondeu-lhe:

‑ Não, louco és tu, que te julgas poderoso porque és capaz de ferir e destruir. Isso também as crianças podem fazer. Verdadeiramente poderoso é aquele que sabe criar e curar.

 

Destruir ou construir?

 * É muito fácil destruir a obra dos outros, deitar abaixo o que outros levantaram com o seu esforço. O difícil é construir, criar de novo, fazer o bem.

* Se queres ser poderoso, sê poderoso no amor. Tal como  Deus, que tem uma amor tão forte que ama a todos e deseja para todos que tenham vida em abundância.

* És destruidor ou construtor? Poderás um dia dizer, ao partires deste mundo, que construíste algo de bom e de belo?

(Pedrosa Ferreira, p. 60)

 


49 - A MELHOR PREGAÇÃO

Um dia, saindo do convento, São Francisco encontrou o Frei Junípero. Era um frade simples e bom, por isso, gostava muito dele, e disse-lhe:  
- Frei Junípero, vem comigo, vamos pregar.
Respondeu ele:
- Meu pai, sabe que tenho muito pouca imaginação.
  Como poderei falar às pessoas?
Mas, como São Francisco insistia, Frei Junípero obedeceu.
Deram a volta a cidade, rezando em silêncio por todos aqueles que trabalhavam nas oficinas e nos campos. Sorriram às crianças e aos pobres. Trocaram algumas palavras com os idosos. Acariciaram os doentes. Ajudaram uma mulher a transportar um recipiente cheio de água.
Depois de terem atravessado a cidade, São Francisco disse:
- Frei Junípero, são horas de regressarmos ao convento.
- E a nossa pregação?
O santo, sorrindo, respondeu:
- Já a fizemos... Já a fizemos.

 

A força do exemplo

• A melhor forma de comunicar uma mensagem não são as palavras, mas outra linguagem não verbal feita de um jeito de viver que irradia da pessoa.

• Para comunicar a Boa Nova de Jesus deve utili­zar-se sobretudo o exemplo de vida: a felicidade sentida, a preocupação pelos pobres, a ajuda fraterna...

• Com o teu jeito de viver, anuncias o que é ser cristão? Vives o Evangelho com seriedade?
(Pedrosa Ferreira, p. 61)

 

50 - OS TRÊS CACHIMBOS

Um velho índio dava um sábio conselho aos jovens impacientes da sua tribo:
- Quando estiveres muito aborrecido com alguém porque te ofendeu imenso, e decidirás matá-lo para lavares a honra, senta-te antes de sair, acende bem o primeiro cachimbo e fuma-o.
Quanto acabares o primeiro cachimbo notarás que a morte, afinal, seria um castigo grande demais para a culpa tão pequena... Optarás, então, por lhe dares uma boa sova...
Mas, antes de ir buscar uma frustra para lhe bater, senta-te, carrega um segundo cachimbo e fuma-o até ao fim… Então começaras a pensar que alguns insultos, bem fortes e sonoros, podarão suprir bem uma sova…
For fim, quando te dispuseres a sair de casa para o insultar,  carrega um terceiro cachimbo e fuma-o. Quando acabares, talvez, só desejarás fazer as pazes com quem te ofendeu.

 

Recado aos impacientes

* Os impacientes, quando se sentirem ofendidos, geral­mente, não pensam duas vezes antes de reagir com violência.

* Mas Deus tem paciência para connosco e, apesar de nos ver tantas vezes a ofendê-Lo, espera pacientemente a nossa conversão ou que mudamos as nossas atitudes.

* Estarias disposto a seguir o conselho do velho índio?
(Pedrosa Ferreira, p. 62)

 


 51 - EU FIZ-TE A TI

 Um homem estava a passar por uma floresta,
de repente, viu um macaco que tinha perdido as patas.
Ele pensou: «Como pode esse macaco sobreviver?».

Viu, então, chegar um tigre que levava uma presa na boca,
comeu, saciou‑se e, depois, deu o resto da carne ao macaco.
No dia seguinte, viu acontecer a mesma coisa,
então ele pensou: «Deus voltou a alimentar o macaco por meio do tigre» e ficou maravilhado pela grande bondade de Deus.
Então resolveu:
Eu também vou ficar num canto, confiando no Senhor, Ele me dará tudo quanto necessito.
Fez assim por muitos dias, mas nada aconteceu. Ainda mais, o pobre homem ficava cada vez mais fraco.

Estava quase à beira da morte, quando ouviu uma voz que dizia:
És tu aquele que andas errado: abre os olhos e observa a verdade. Segue o exemplo do tigre e não o do pobre macaco mutilado.
Passado algum tempo, o homem viu uma criança triste, a tremer de frio e cheia de fome. Irritou‑se para com Deus e disse:
‑ Deus, porquê é que Tu permites estas coisas? Porquê é que não fazes nada para o ajudar?
Durante algum tempo, Deus ficou calado, mas um dia, respondeu‑lhe:
‑ Certamente que Eu fiz algo para ele. Fiz‑te a ti!

 

A nossa responsabilidade

* Há situações em que Deus não intervém diretamente. Assim como o macaco é alimentado pelo tigre... Deus interpela o homem para que alimente a criança faminta.

* É verdade que há muitas situações dramáticas neste mundo. É fácil acusar a Deus. Mais difícil é atuar.  Precisamos de nos convencer de que Deus atua sempre, mas através da nossa ação?

* Com a tua maneira de viver, será que atuas como instrumento de Deus, que quer para todos a felicidade?
(Pedrosa Ferreira, p. 63)


 

52 - O SERMÃO DO CANÁRIO

Um monge budista chinês subiu ao púlpito para pregar um sermão, mas quando estava para começar, apareceu um lindo canário na janela do templo e começou a cantar uma das suas maravilhosas melodias. O templo estava repleto de gente, e ficou extasiada. O canário continuava a cantar, e cantou, cantou sem que o monge o interrompesse. Depois da sua maravilhosa expressão artística, o canário levantou voo, deu uma volta no templo e saiu fora pela janela. O povo permanecia num silêncio encantador.
Então disse o monge:
‑ Acabámos de ouvir o mais belo sermão jamais pronunciado neste templo. Este passarinho falou‑nos da beleza, da alegria e da felicidade da vida, que Deus nos deu. Eu não posso acrescentar mais nada. As minhas palavras medíocres roubariam a beleza deste sermão.
E desceu silencioso do púlpito...

 

Deixar‑se maravilhar

* Precisamos de nos deixarmos maravilhar pela beleza e pela harmonia da natureza: o cantar dos passarinhos, o desabrochar de uma flor, a beleza do nascer e do pôr do sol...

* Jesus apreciava a beleza da natureza e serviu‑se das «avizinhas do céu e dos lírios do campo» para nos revelar a beleza da Providência divina que cuida das aves do céu e das flores do campo e que muito mais cuida de nós. 

* Será que tens capacidade de te deixar maravilhar com a beleza da criação, reflexo de Deus, que é amor e festa?
(Pedrosa Ferreira, p. 64)

 

53 – O JOVEM CARANGUEJO

Um jovem caranguejo pensou:
- Por que é que na minha família todos andam para trás? Quero aprender a andar para frente, e tenho de o conseguir!

Começou a exercitar-se às escondidas. Nos primeiros dias custava-lhe muito: continuava a tropeçar, caia e amachucava a couraça, as patas pisavam-se umas às outras. Mas, pouco a pouco, as coisas iam melhorando, porque, quando se quer, tudo se pode aprender. Quando já estava seguro de si, apresentou-se à família e disse-lhe:
- Prestem atenção - e deu uma boa corrida para frente.
A mãe, lamentando-se, disse-lhe:
- Filho, tu estás louco? Caminha como o teu pai e a tua mãe te ensinaram, como também caminham os teus irmãos.

Os irmãos riam-se às gargalhadas. O pai olhou severamente para ele e disse-lhe: - Se queres ficar connosco, tem que caminhar como os outros caran­guejos. Se não, desaparece daqui e não voltes cá mais.

O pobre caranguejo gostava muita da sua família, mas estava convencido de que era importante é caminhar para a frente. Por isso, despediu-se dos familiares e partiu. Depois de muito vaguear, viu um velho caranguejo, solitário e junto a uma pedra. O jovem caranguejo saudou-o: - bom-dia!

O velho observou-o por momentos e depois disse-lhe:
- Sabes uma coisa. Eu, quando era jovem, pensava a ensinar aos caranguejos a caminhar para a frente. E olha o que consegui: vivo abandonado por todos. Por isso, enquanto é tempo, escuta o que te digo: resigna-te a fazer como os outros e um dia agradecerás o meu conselho.

O jovem caranguejo não sabia o que responder e calou-se. Mas no seu íntimo pensava: «Eu tenho razão»; despediu-se do velho caranguejo e continuou com valentia o seu caminho para diante.

Não sabemos se ainda continua a caminhar para frente com a coragem do primeiro dia. Apenas podemos desejar-te de todo o coração: - Boa viagem!

(Gianni Rodar!)

·  

    *  Andar para trás é próprio dos caranguejos, mas não para os seres humanos: cada pessoa foi criada para viver em fraternidade, junto com os outros.

·  Andar para frente é seguir pelo caminho que o Senhor nos ensinou: viver a nossa dignidade de filhos de Deus.

·  Podes dizer que és de verdade seguidor de Jesus Cristo, mesmo que haja à tua volta muitos que troçam de ti?

(Pedrosa Ferreira, p. 64)

 

54 – O SEGUIMENTO

Um poderoso sultão viajava pelo deserto, seguido de uma longa caravana que transportava uma carga pesada de oiro e objetos preciosos.
A meio do caminho, pelo intenso calor, um camelo, extenuado, caiu e já não se levantou. Estava morto.
A arca que transportava às costas caiu e desfez-se espalhando nas areias joias e brilhantes. O príncipe, não tendo com que recolher o precioso caudal, fez um gesto como que de desprezo e de generosidade: convidou os seus pajens e criados a guardar para si, cada um, o que conseguisse recolher.
Enquanto os pajens se lançavam com avidez para recolherem aquele rico tesouro, o príncipe seguiu adiante o seu caminho pelo deserto. Mas, de repente, ouviu os passos de alguém que caminhava atrás de si. Voltou-se para trás, e viu que era um dos seus pajens, que o seguia, ofegante e a suar.

Perguntou-lhe:
- E tu, não ficas a recolher nada?
O jovem respondeu com uma simplicidade cheia de distinção: 
- Eu sigo o meu rei

 

Saber renunciar

• Ainda hoje, há pessoas quem dão uma tal importância ao ter, à riqueza, à posse de bens materiais, que se esquecem do essencial na vida, é o que de verdade nos podes fazer felizes.

• O importante na vida é o seguirmos o nosso «Rei», quem tem um nome: Jesus de Nazaré. Ele é «o caminho» que nos leva à verdadeira felicidade: ao Deus Amor.

* Estás disposto a renunciar a uma vida fácil para seguir a Cristo?
(Pedrosa Ferreira, p. 66)

 

55 – QUERO TRABALHAR

Era um rapaz cheio de boa-vontade e sempre pronto para trabalhar. Quando morreu, foi para o céu e disse a São Pedro:
- Gostaria de fazer qualquer coisa e não ficar para aqui parado!

Respondeu São Pedro:
- Muito bem! Toma esta lima e vai serrar o Monte Himalaia. Ao fim de sete mil anos, o moço regressou ao céu.

Disse ao guardião do céu:
- Pronto, já terminei! Não me poderia arranjar outro trabalhinho?

São Pedro, já um pouco enfadado, ordenou-lhe:
- Muito bem! Pega agora nesta colher de sopa e vai esvaziar o Oceano Pacífico.

O rapaz voltou mil anos depois. Disse com satisfação:
- Já acabei! Não há mais nada para fazer?

Diz-lhe São Pedro:
- Olha! Se queres mesmo trabalhar, volta para o planeta
Terra e diz às pessoas que se amem todas umas às outras.
Consta que até hoje o moço ainda não regressou ao céu...

 

Amai-vos

·      Essa história tem sabor de anedota, mas diz uma grande verdade: como é difícil cumprir o mandamento novo do amor?

·       A verdade é que temos uma lei: o amor. E nisso somos todos principiantes, aprendizes. Será que tenho como referência a maneira de viver de Jesus Cristo?

·       Para ti, quais são as caraterísticas do amor cristão? Conheces algum santo canonizado, que viveu melhor o mandamento do amor? 

 

 57 - A LEITEIRA

 Uma leiteira ia ao mercado levando a sua bilha cheia de leite à cabeça. Estava muito contente e pensava: 
- Com o dinheiro que ganhar com esta venda, comprarei uma cesta com cem ovos. 

Assim fez: comprou cem ovos, dos quais nascerão cem pintainhos. Então pensou:
- quando os pintainhos forem grandes, vendê-lo-ei e comprarei um porco. Quando este porco ficar gordo, vendê-lo‑ei, e, com o dinheiro dessa venda, comprarei um bezerro, que correrá alegremente pelos campos.

No entanto, andava tão distraída com estes pensamentos, e não viu uma pedra que estava no meio do caminho, tropeçou, e todo o leite da bilha espalhou-se, e perdeu o seu conteúdo.
Pobre da leiteira! Lá se foram o dinheiro e os ovos, os pintainhos e os frangos, o porco e a vitela!

 

Os nossos projetos

* Por vezes, construímos castelos no ar, isto é, fazemos projetos sem fundamentas seguras, sonhamos de olhos abertos, imaginamos o impossível.

* Os projetos de futuro, antes de serem executados, devem ser refletidos e cuidadosamente programados. Só assim se assegura o sucesso dos mesmos.

* Gostas de sonhar de olhos abertos acerca do teu futuro?
(Pedrosa Ferreira, p. 70)

 

58 - O CARACOL FELIZ

Era uma vez um caracol que, sempre que chovia ou havia muita humidade, saía a passear entre as couves da horta. Quando brilhava o sol, estendia para fora os seus cornos.
- Bons-dias, senhora borboleta! Está um dia maravilhoso. Já viste esta bela hortaliça?
A borboleta, abrindo as asas, respondeu:
- Oh, se visses a horta ao lado! Nunca vi uns repolhos tão lindos.

As palavras da borboleta despertaram a curiosidade do caracol e pensou: «Devia ir visitar essa horta». Mas, como levava a casa às costas, decidiu não perder tempo, e pôs-se a caminho. Percorreu caminhos de erva, deixando atrás de si um rasto brilhante. Teve de trepar em pedras e de atravessar sulcos. Estava coberto de suor.
Mais que uma vez pensou em abandonar a sua empresa, mas, as palavras da borboleta, davam-lhe novas forças.

Quando caiu a tarde, já tinha chegado à vedação que separava as duas hortas. Tão lenta era a sua marcha que, antes de escalar o ponto mais alto dessa vedação, já a lua tinha caído e os grilos enchiam a noite com o seu cantar.

Estava tão cansado que decidiu passar ali o resto da noite. As horas pareceram-lhe séculos até que acabou por adormecer. Foi acordado pela brisa do vento.

Ao sair de casa, encontrou-se com o sol que brilhava. Esticou o pescoço e estendeu os cornos. Diante dele descobriu um campo cheio de repolhos coberto de orvalho. A borboleta não lhe tinha mentido: eram as couves mais belas que jamais tinha visto.

Tinha valido a pena uma tão grande caminhada!

 

O esforço

• Vivemos numa sociedade onde impera o como­dismo, a falta de esforço. Se temos tudo aquilo de que necessitamos, para quê esforçar-se?

• Mas a realidade é que a pessoa necessita de se esforçar todos os dias para sair de uma vida banal e caminhar para metas mais elevadas.

• Que esforços fazes tu, todos os dias para fazeres o bem? Estás a assumir o sacrifício como algo que faz parte da vida?

 

59 - O TESOURO DO LENHADOR

Um lenhador penetrou no bosque. Selecionava cuidadosamente as árvores, cuja madeira lhe podia dar as maiores benefícios, escolheu a mais esbelta. Estava a preparar‑se para dar a primeira machadada quando uma voz o deteve.
Estava diante dele encontrava‑se o Génio do bosque, que lhe disse:

Peço‑te que respeites esta árvore; é a minha preferida. Dar‑me‑ias um grande desgosto se o cortasses. Eu repouso à sua sombra e admiro a sua beleza.

O lenhador respondeu‑lhe:
Dá‑me alguma coisa em troca.

O Génio deu‑lhe um cofre cheio de oiro, de joias e pedras preciosas, e ficou com o machado do lenhador.

O lenhador regressou à casa contente pela grande sorte que teve, pensando que, sem fazer nada, tinha agora a sua vida resolvida.

O lenhador passava os dias e as noites a contemplar o seu tesoiro. Nenhum esconderijo lhe parecia seguro para o guardar; mas, também, não se decidia a comprar nada, para evitar que os outros soubessem que tinha um tesoiro.
Vivia inativo e em contínuo sobressalto. Chegou a perder o sono e o apetite. Deixou de viver em paz.

Pouco tempo depois, o lenhador pegou no cofre e foi ao bosque. Chamou pelo Génio e disse‑lhe:
Toma lá o teu cofre e devolve‑me o meu machado.

 

A riqueza dará felicidade?

·   *    O ouro, as joias e as pedras preciosas tiraram a paz ao lenhador. É verdade que a ânsia da riqueza impede as pessoas de viverem verdadeiramente felizes.

·       É preferível ter apenas os bens necessários para viver dignamente e viver alegremente, do que passar os dias e as noites a pensar nas riquezas.

·      * Achas que os ricos avarentos são gente feliz? Se fosses para uma ilha deserta, que levadas contigo?

     (Pedrosa Ferreira, p. 72)

 

60 - OS TRÊS FILHOS DO REI

 Um rei tinha três filhos e possuía muitas riquezas. Sobretudo, tinha um brilhante de extraordinário valor, admirado em todo o mundo. Para quem seria esse brilhante, ao repartir a sua herança?
Com este fim, submeteu‑os a uma prova os seus três filhos. O que conseguisse realizar a maior proeza e que ficaria com aquele precioso brilhante.
Chegou o dia, e o rei mandou‑os realizar tal proeza.  Ao cair a noite, cada um relatava os acontecimentos do dia.
O mais velho disse que tinha matado um dragão que semeava o pânico por todo o reino.
O segundo disse que venceu com uma simples fisga dez homens bem armados.
O terceiro, que era o mais novo, disse:
‑ Saí esta manhã e encontrei o meu maior inimigo a dormir à sombra de um muro e não o matei, deixei que continuasse a dormir.
Então o rei levantou‑se do trono, abraçou o seu filho mais novo. Foi a ele que entregou o sue precioso brilhante.

 

A maior proeza

* A comunicação social (televisão, rádio, imprensa) dá relevo a tudo o que é sensacional, fora do comum, espetacular. Isso é que tem interesse no mundo.

* Acontece que Deus tem outra maneira de ver as coisas. Para ele, o importante é a fraternidade, o amor a todos, inclusivamente aos inimigos.

* Que gestos de amor já soubeste observar no dia de hoje? 

(Pedrosa Ferreira, p. 73) 


 61 - A RAPOSA E O CORVO

Numa árvore estava instalado o senhor Corvo que tinha um rico queijo no bico. Passou por aí a senhora Raposa que, atraída pelo cheiro, lhe disse:
- Bom-dia, senhor Corvo! Como você é bonito hoje! Se o seu cantar fosse tão belo como as suas penas, seria a ave mais formosa desta floresta.
Ao ouvir este elogio, o corvo encheu-se de alegria, abriu o bico para exibir a sua voz, e deixou cair o queijo.
A raposa agarrou no queijo e disse:
- Senhor Corvo, o elogio que lhe dei valeu verdadeiramente um queijo.
Envergonhado, o corvo jurou que nunca mais se deixaria enganar com elogios.

 

Elogios

* Os elogios nem sempre se podem levar à sério, pois muitas vezes escondem a adulação. Somos servos inúteis, se fizemos o bem, cumprimos apenas o nosso dever.

* Contudo, devemos estar sempre prontos a elogiar os outros, não por adulação, mas para os animar­mos. As pessoas precisam de escutar palavras boas que lhe deem ânimo.

* Quanto te elogiam, será que te enches de vaidade? Sabes elogiar ou apenas criticar? 

(Pedrosa Ferreira, p. 74)

 

63 - O CAMINHO DA FELICIDADE

Era uma vez um homem que já estava farto de chorar.
Olhou à sua volta e viu diante dos seus olhos a felicidade. Estendeu a mão e queria apanhá-la.
A felicidade era uma flor, mas logo que a apanhou, imediatamente perdeu as pétalas.
A felicidade era um raio de sol. Ergueu os olhos para aquecer o rosto, mas de repente uma nuvem o cobriu.
A felicidade era uma guitarra. Acariciou-a com os seus dedos, mas as cordas desafinaram.
Quando ao entardecer regressou a casa, o homem continuava a chorar. Na manhã seguinte continuou à sua procura da felicidade.
À beira do caminho havia unia criança que choramingava. Para a tranquilizar, colheu uma flor e deu-lha. A fragrância da flor perfumou os dois.

Uma pobre mulher, coberta de trapos, tremia de frio. Levou-a até ao sol e também ele se aqueceu.
Um grupo de crianças cantava. Acompanhou-os com a sua guitarra. Também ele se deleitou com aquela melodia.
Ao anoitecer, regressando a casa, o bom homem sorria verdadeiramente.
Tinha encontrado a felicidade.

 

Felizes sereis

• A grande sede e fome de todas as pessoas é a de serem verdadeiramente felizes. Correm para os lugares de diversão e para os grandes super­mercados à sua procura.

• Mas a felicidade não se encontra aí. Como sugere o conto, pode estar em viver numa atitude permanente de amizade, de serviço, de dedicação aos outros.

• Para ti, onde estará a felicidade à medida da pessoa humana? Já a encontraste? 

(Pedrosa Ferreira, p. 76)


 

64. OS OURIÇOS

Num Verão, uma família de ouriços foi viver para o bosque. O sítio era ideal e os ouriços divertiam-se imenso. Brincavam às escondidas, caçavam moscas e outros insetos para se alimentarem. De noite deitavam-se na relva.

Chegou o Outono. Corriam atrás das folhas que iam caindo cada vez em maior número... E como as noites eram cada vez mais frias, dormiam debaixo das folhas secas.

Mas cada vez fazia mais frio. Começou a cair a geada. Os ouriços tremiam de frio e, durante a noite, nem conseguiam pregar olho. For isso, uma noite, decidiram apertar-se uns contra os outros para se aquecerem mutuamente. Mas fugiram imedia­tamente um para cada canto, tantas foram as picadas no nariz e nas patas. Timidamente, voltaram a aproximar-se pouco a pouco, mas de novo se picaram.

Era preciso encontrar um modo de estar juntos: os pássaros também se juntam para dar calor uns aos outros, e o mesmo os coelhos, os ratos e todos os animais. E foi assim que, suavemente, pouco a pouco, uma noite após outra, para se poderem aquecer sem se picar, se foram aproximando uns dos outros. Encolhiam os seus espinhos e com mil cuidados para se poderem juntar. O vento frio soprava forte. Mas eles não se incomodavam. Agora podiam dormir quentinhos e todos juntos.

 

A ternura de Deus

• A história dos ouriços ensina-nos que cada um deve recolher tudo o que nele é espinhoso e pica, para se poder aproximar dos outros com cortesia e amabilidade.

• Este conto tem a ver com o Evangelho. Jesus diz-nos que temos um mandamento: o mandamento do amor. É pelo amor que temos uns pelos outros que reconhecerão que somos discípulos d’Ele.

• És tu uma pessoa com espinhos que ferem? Quais serão os teus espinhos?

(Pedrosa Ferreira, p. 75)

 

66 – A CAMISA DO HOMEM FELIZ

Um grande marajá da Índia não era feliz. Ele tinha tudo o que um mortal possa desejar: um palácio luxuoso, riquezas em abundância, escravos à sua disposição, divertimentos variados. Apesar disso, não era feliz.
Por isso, um dia, foi visitar o seu grande vizir e perguntou-lhe o que devia fazer para ser feliz. O homem respondeu-lhe:
- Ninguém é feliz!

Insatisfeito, o homem apresentava a mesma pergunta a todas as pessoas que encontrava. E um dia, um sábio escutou-o com atenção e depois deu-lhe a sua receita de felicidade:
- Se quer ser feliz, tem de vestir a camisa de um homem feliz. Então alcançará a felicidade.

Imediatamente, o marajá envia os seus embaixadores por todo o seu reino com a missão de encontrar um homem feliz, para lhe levarem a sua camisa. Os enviados partiram para os quatro pontos cardeais do reino e interrogaram as pessoas. For toda a parte, sempre a mesma resposta: as pessoas não eram felizes. Diziam:
- Não tenho senão um pequeno pedaço de terra e não posso alimentar a minha família.
- Estou terrivelmente cansado e aborrecido!
- Sinto-me doente e é grande a minha tristeza.
Ricos e pobres, homens e mulheres, adultos e crianças, ninguém era feliz.

Os mensageiros do marajá estavam quase a desanimar quando, um dia, um deles descobriu, no sopé de uma montanha, uma gruta onde viviam uns sábios. Tinham abandonado o mundo para se dedicarem às realidades divinas. Não possuíam nada e se alimentavam com poucos grãos de arroz por dia.

Um enviado, aproximando-se do primeiro e fez-lhe a seguinte pergunta:
- Tu és feliz?
Respondeu-lhe:
- Sim, eu sou feliz. Perfeitamente feliz!
- Então, dá-me a tua camisa

O sábio fixou o rosto do interlocutor com olhar profundo e transparente. Depois disse com toda a sinceridade:
- Ta daria com todo o gosto, mas há muito tempo que não tenho camisa!  

As bem-aventuranças

• Todos procuram a felicidade. O drama é que a procuram onde não se encontra. O conto diz que ela não tem camisa, não se encontra no ter, no possuir. Jesus dá uma resposta surpreendente: às bem-aventuranças

67 - FESTA NO CASTELO

 

A população que vivia à volta de um castelo, acordou ouvindo o mensageiro do marquês que proclamava no meio da praça:
«O senhor marquês convida a todos os seus bons e fiéis súbditos a participar na festa do seu aniversário. Cada um, no fim, terá uma agradável surpresa, mas pede um pequeno favor: que cada um leve um pouco de água para encher o depósito do castelo que está vazio...»

O mensageiro repetiu várias vezes o seu anúncio e regressou ao castelo. No entanto, entre a população surgiram os mais diversos comentários. Uns diziam:
- Se quer encher o depósito, que mande trabalhar os seus criados! Eu levarei apenas um copo de água, mais nada!
Outros diziam:

- O marquês foi sempre muito generoso! Eu levarei um barril de água.
- Eu levarei um dedal, e isto chega!
- Eu um balde!

Chegou o dia da festa e desde a manhã um estranho cortejo subia a colina em direção ao castelo. Alguns levavam aos ombros pesados jarros cheios de água e outros grandes baldes. Outros ainda, troçando dos seus companheiros, levavam apenas pequenas garrafas ou, até, simples copos de água. 

Finalmente, a procissão entrou no pátio do castelo e, cada um,  
esvaziava o seu recipiente num grande depósito; deixava ao lado o seu recipiente e dirigia-se, contente, para a sala do banquete. Todos comeram, beberam e divertiram-se se até ao fim do dia.

Ao anoitecer, o marquês agradeceu os convidados e retirou-se para os seus aposentos.
Uns, ficaram desiludidos, interrogavam-se:
- Mas onde é que está a surpresa prometida?
Outros mostravam-se alegres e satisfeitos, e diziam:
- O senhor marquês brindou-nos com uma festa estupenda.

E cada um foi retirar o seu recipiente. Foi então que se ouviram quer gritos de júbilo e grito de raiva.  E que os recipientes estavam cheios, até ao cimo, de moedas de oiro!
Alguns diziam:
- Ah! Se eu tivesse trazido um pouco mais de água!

 

A alegria de dar

* A população gosta de ir à festa do marquês, mas não está disposta a colaborar apenas com um pouco de água. As pessoas gostam mais de receber do que de dar.

* Jesus Cristo disse que há mais alegria em dar do que em receber. Precisamos todos de ser mais generosos para com todos, dando o melhor do que somos e também do que temos.

* Sabes dar gratuitamente, mesmo que seja só um sorriso?  

(Pedrosa Ferreira, p. 80)

68 – O LOBO E O RATO

 

O lobo pôs-se a repreender o rato dizendo-lhe que era um mau animal. E isto porque não fazia outra coisa senão roer sacos, caixas, pão, queijo e tudo o que encontrava.

O rato, depois de o ouvir, respondeu:

- Por que me falas assim, se tu és muito pior? Se eu como queijo, tu devoras um cordeiro; se eu me ponho a roer um saco, tu bebes o sangue de muitas ovelhas. Lembra-te de tantos pobres e inocentes animais que tens matado e não queiras dar lições de moralidade aos outros!

Conta-se que o lobo inclinou a cabeça e se retirou enver­gonhado dizendo para consigo:
«Se me tivesse calado, não teria ouvido o que tive de escutar!»

 

Criticar

• Facilmente as pessoas criticam os outros e ficam muito feridas quando são criticadas. Esta é a realidade: vemos facilmente os defeitos dos outros.

• Jesus interpelou um dia os seus ouvintes dizendo: «Hipócrita! Por que vês o argueiro que o teu irmão tem no olho e não vês a trave que está no teu?»

• Reconheces que necessitas de autocrítica?

 


 

69 – A BOIA DA SALVAÇÃO

 

Era uma vez uma velha que era muito má e morreu. A mulher tinha realizado durante a vida apenas uma boa ação. Vieram então os demónios e atiraram-na para um lago de fogo.

Mas o anjo, que eslava à porta, pensou: «A ver se me recordo de alguma boa ação desta mulher, para o dizer a Deus'. Então lembrou-se de uma e disse a Deus:

- Uma vez ela arrancou da sua horta uma cebola e deu-a a um pobre.

E Deus, bondosamente, respondeu:

- Pega nessa cebola e atira-a ao lago, de forma que a mulher se possa agarrar a ela. Se assim agarrada conseguires tirá-la do lago, irá para o paraíso. Mas se a cebola se rompe, então terá de ficar onde está.

O anjo correu para onde estava a mulher e atirou-lhe a cebola como se fosse uma boia de salvação. Disse-lhe:

- Mulher, agarra-te com força, para verse te conseguimos tirar.

E começou a puxar com todo o cuidado. Quando já faltava muito pouco para sair, os outros pecadores que estavam no lago de fogo agarram-se a ela, porque também se queriam escapar. Mas a mulher era má e dava-lhes com pés, gritando:

- Veio-me tirar a mim e não a vós; a cebola é minha e não vossa.

Depois de ter pronunciado estas palavras, a cebola partiu-se em duas. E a mulher voltou a cair no lago de fogo e ali arde até ao dia de hoje. O anjo retirou-se a chorar.

(F. M. Dostoievski)

 

A importância dos outros

• A mulher, se tivesse pensado mais nos outros e menos em si própria, ter-se-ia salvo. O egoísmo não salva ninguém, esse egoísmo que está no ar que respiramos.

• Jesus disse que no teste final para a entrada no Reino da felicidade eterna é, precisamente, o amor.

• Sentes que és uma pessoa solidária?

               

70 – UM ENGANO DE DEUS

 

Numa tarde de Verão, João e José, dois bons velhotes, regressavam da igreja, onde o pároco tinha falado das maravilhas da criação, louvando a infinita sabedoria de Deus. E, para descansarem um pouco, abrigaram-se à sombra de um imponente carvalho, lá continuaram a conversa. Perto estava um campo com grandes abóboras, fruto de uma pequena planta rasteira.

Entre os dois travou-se o seguinte diálogo:
- Que grandes abóboras! Devem pesar mais de cinquenta quilos! Tanto talvez não, mas perto disso.
- Mas não achas estranho que uma planta tão pequena produza frutos tão grandes?
- A Deus tudo é possível! Não ouviste o que disse o padre no sermão?
- Sim, tens razão. For que terá sido que Deus deu a um carvalho tão forte e robusto frutos tão pequenos como são as bolotas, e a uma planta rasteira e frágil deu frutos tão pesados?
- Também me interrogo. Acho que o contrário seria mais natural!
- Então será que Deus se enganou?
- Certamente. Ele tem tantas coisas em que pensar...

Enquanto assim falavam, eis que cai uma bolota e cai em cheio na cabeça do pobre João. Levando as mãos à cabeça, exclama:

 

A sabedoria divina

• Deus, ao criar o mundo, viu que tudo era bom. A ciência explica como é que surgiu o cosmos e a vida; a Bíblia diz que por detrás está o amor de Deus Criador.

• Nós, as criaturas, devemos manter uma atitude de admiração ante tudo o que vemos. Saber admirar quer a beleza duma paisagem quer a formiga laboriosa.

• Todos os dias elevas para Deus uma oração de louvor?

 


 

72 – AS MACACAS VIAJANTES

 

Um dia, as macacas decidiram fazer uma viagem, a fim de conhecerem melhor o mundo. Caminharam, caminharam e, quando pararam, uma delas perguntou:

- O que é que se vê daqui?

- A jaula do leão, o tanque das focas e a casa da girafa.
- Como é grande o mundo e como é instrutivo viajar!

Continuaram a caminhar e pararam apenas quando era meio-dia.

- O que é que vês agora?

- A casa da girafa, o tanque das focas e a jaula do leão. - Que estranho é o mundo e como é instrutivo viajar. Puseram-se em marcha e só pararam ao pôr-do-sol.

- O que é que há agora para ver?

- A jaula do leão, a casa da girafa e o tanque das focas.

- Como é aborrecido este mundo: vêem-se sempre as mesmas coisas. Viajar não serve mesmo para nada.

É evidente que tinham razão, pois as pobres macacas viajavam, mas não tinham saído da jaula. Não faziam mais do que dar voltas em redor.

(Gianni Rodari)

 

Novos horizontes

• há pessoas que, como as macacas da história, passam a vida sem sair do seu pequeno mundo. Satisfazem-se com pouco e não sonham com nada de novo.

• O cristão tem vistas largas. Sente-se cidadão do mundo, é universalista. E não é indiferente à sorte dos seus irmãos distantes, sobretudo os que sofrem.

• Tens um coração grande onde cabem todas as pessoas do mundo?

73 – O FRUTO NA ÁGUA

 

Uma mulher aproximou-se da fonte: um pequeno e límpido espelho entre as árvores do bosque. Enquanto submergia a bilha para tirar água, descobriu na água um apetitoso fruto, tão belo que parecia dizer:

- Pega em mim e come-me!

Estendeu o braço para o apanhar, mas ele desapareceu. Só voltou a apareceu quando a mulher retirou a mão da água. E assim aconteceu duas ou três vezes.

Então a mulher começou a tirar água para esvaziar a fonte. Trabalhou muito, sempre a pensar naquele fruto misterioso. Mas, quando tirou toda a água, deu-se conta que não havia lá nenhum fruto.

Desiludida por aquele encantamento, estava para se ir embora quando ouviu uma voz que vinha de entre as árvores. Era um pássaro sábio que dizia:

For que procuras em baixo? O fruto está lá em cima...

A mulher ergueu os olhos e, dependurado num ramo por cima da fonte, descobriu o fruto, do qual tinha visto apenas o reflexo.

(Conto da ilha de Zanzibar)

 

Olhar pura o alto

• Não será que as pessoas andam pela vida a olhar demasiado para o chão, para as coisas deste mundo, esquecendo que o essencial se deve procurar «no alto», em Deus?

• A resposta às grandes questões do sentido da vida, do mal e da morte encontram-se em Deus, que nos falou por meio de Jesus Cristo.

• Costumas olhar para o alto, para Deus, para o escutar?

74 O CÃO AVARENTO

 

Era uma vez um cão que teve de atravessar um pequeno lago de águas baixas e tranquilas. O cão levava na boca um sabo­roso pedaço de carne que o bom dono lhe tinha dado para o lanche.

O cão, ao ver a sua imagem refletida nas águas puras, pensou que era outro cão que estava do outro lado, também ele com um pedaço' de carne.

Quis então tirar-lhe esse saboroso alimento, tão igual ao seu. Mas ao abrir a boca deixou cair o seu pedaço de carne, que se perdeu no fundo das águas.

Escapou-se-lhe a carne que cobiçava e nem sequer ficou com a que tinha verdadeiramente na boca.

 

Avareza

• O cão era tão avarento que, desejando ter mais, ficou sem o que possuía. Estas fábulas de animais podem ser um reflexo do que se passa com as pessoas.

• A avareza faz com que a pessoa queira possuir sempre, chegando a cobiçar as coisas alheias. E considerado um pecado porque torna a pessoa escrava do ter.

• Qual o perfil de um avarento na nossa sociedade? Pode dizer-se que és um avarento?

 


 

75 – O RATINHO RÁS-RÁS

 

O ratinho Rás-rás estava aborrecido por estar sempre metido no seu buraco. Gostava de poder passear um pouco e provar o queijo de todos os lugares. Rás-rás sonhava também em ser cantor. De uma casca de noz fez uma guitarra, e com ela ao ombro saiu á rua uma manhã, sem que ninguém o visse.
N
ão sabia nada do mundo. Por isso, quando se encontrou com um gato, não sabia o que era. Julgava que era um rato gigante.
Perguntou-lhe:

- Como te chamas, irmão?

O gato, muito admirado, olhou atentamente para ele.
Pensou: «Este rato deve ser maluco!». Mas respondeu-lhe:
- Chamo-me Rum-rum. E tu?
- Rás-rás. Queres que te cante uma canção?

O gato, lambendo-se todo, respondeu-lhe:
- Bem!... Posso esperar um pouco, antes de comer. Canta. E o ratinho Rás-rás começou a cantar. Dizia a canção:
«Eu sou um ratão valente e ousado. Rio-me de tudo, até dos gatos».

E o gato, sem se poder conter, cantou também:
«És um rato engraçado e vou comer-te porque sou um gato. E atirou-se ao Rás-rás. Ainda foi atingido pela pata do gato, mas conseguiu fugir a grande velocidade. foi um grande susto, até que chegou ao seu buraco. Já dentro, pensou: «Penso que, antes de percorrer o mundo, tenho de aprender muitas coisas!»

 

Saber mais

• O rato precisava de conhecer melhor o mundo e as ciladas que se lhe apresentavam. Também nós precisamos de aprender muitas coisas.

• Aprender quem somos, quem são os outros, o que é o mundo, de onde vimos e para onde caminha­mos, o Evangelho como Boa Nova. Saber sempre mais.

• És curioso? Preocupas-te em aprender muitas coisas?

76 - OS DOIS REMOS

 

Nas margens de um grande rio, entre montanhas, um velho barqueiro estava à espera com a sua barca as pessoas para as trasladar para a outra margem. Era ele, uma pessoa de poucas palavras, mas no seu rosto refletia‑se algo da majestade das montanhas e da transparência das águas do grande rio.
Um dia naquele vale chegou um jovem perdido, habituado ao asfalto e ao ruído da cidade, e pediu ao velho barqueiro que o levasse para a outra margem.
Ele aceitou, e sem dizer palavra, e pôs‑se a reinar.
Enquanto o barco avançava, no melo do rio, o jovem, curioso, deu‑se conta de que num dos dois remos se podia ler DEUS.
Não conseguia ler as outras letras, que estavam quase apagadas.
Ficou incomodado com a palavra DEUS, parecia uma palavra passada de moda, começou a dizer: «Hoje o ser humano com a sua razão descobriu os segredos do mundo e da vida... Não precisa de Deus».
O ancião calou‑se. Pegou no remo com a escrita DEUS, colocou-o dentro da barca e continuou a remar com o outro remo, que tinha escrita a palavra EU.
Naturalmente, a barca não conseguia avançar; rodava à volta de si mesma, ficava dentro aquele pequeno círculo, no qual se movia, e a ser arrastada pela corrente.
O jovem ficou pensativo...

O velho barqueiro interrompeu o silêncio:
‑ sozinhos não chegamos a nenhum lugar. Necessitamos de Deus para poder avançar em frente e ir para mais além.
E pegando novamente no remo DEUS, continuou a remar, acompanhando o jovem para a outra margem.

 

Precisamos de Deus

* Vivemos numa sociedade onde há muitos agnós­ticos, ateus e indiferentes, isto é, pessoas para quem Deus não conta para nada. Vivem sem fé.

* A verdade é que, apesar disso, Deus continua a existir e a dizer‑nos no nosso íntimo que a vida sem Ele não tem sentido. Ele decifra‑nos o sentido da nossa vida.

* Quem é para ti Deus? Que imagem fazes dele? 

(Pedrosa Ferreira, p. 91)

 79 - PAIS E FILHOS 

 

Um camponês viu numa árvore um ninho de passarinhos. Estavam sós, pois os pais tinham ido à procura de alimento para os filhos. O camponês pegou nos passarinhos, levou-os para casa e meteu-os numa gaiola.
Quando chegaram os pais, vendo que não estavam os filhos, procuraram-nos muito aflitos. Encontraram a gaiola e viram os seus filhos a esvoaçar lá dentro.
Ao vê-los, disse o camponês.
- Se os pais voltam para cuidar dos filhos com tanto esmero, quero ver como é que os filhos agradecem aos pais de todo esse amor.
Agarrou os pais e, abrindo a porta da gaiola, meteu-os lá dentro.

Libertou os filhos, que correram a voar para longe. Em vão os pais esperaram pelo seu regresso! Passado algum tempo, morreram de tristeza.

 

Amor filial

* Este breve conto pode ser o retrato do que se passa por esse mundo fora, onde são cada vez mais os lares de pais idosos, que podemos comparar a gaiolas.

* O quarto mandamento da Lei de Deus manda honrar pai e mãe durante toda a sua vida. E uma lei que está gravada no coração de todas as pessoas.

* Os idosos, separados das famílias, serão felizes? Qual a melhor solução para tomar a velhice feliz? 

(Pedrosa Ferreira, p. 95)

 


 

80 - UM DIA COMEÇOU A PAZ

 

As espingardas recusaram-se a disparar.
Os tanques não se quiseram mover.
Os aviões disseram:

- Não queremos mais transportar bombas.
- Estamos fartos de matar homens.
- Estamos cansados das guerras.
E, de repente, cessou o ruído das balas e das bombas e todos podiam ouvir o trinar dos passarinhos e as vozes das crianças.
Os campos de batalha transformaram-se em enormes parques infantis. Os tanques pintados de mil cores diferentes transformaram-se em esconderijos para brincar.
Nas bocas dos canhões pousavam as pombas e as andorinhas.
Os aviões foram transformados em escolas, bibliotecas e salas de vídeo.
As espingardas deixaram de ser utilizadas e nasceram lindas rosas nos seus canos. E os cascos serviram para vasos, onde se plantaram plantas para enfeitar as varandas das habitações.
Os homens apagaram dos livros e dicionários as palavras guerra, inimigo, ódio...
E nas escolas os professores ensinavam que se escreve com letras maiúscula as palavras: PAZ, AMIGO, AMOR...

 

A paz é possível

* Este conto vem juntar-se a outros que sonham com um tempo novo em que, em vez de armas de guerra, se farão instrumentos de trabalho. Um sonho muito antigo.

* Jesus Cristo proclamou: «felizes os construtores de paz, porque serão chamados filhos de Deus». A paz assente na justiça é uma tarefa urgente.

* És uma pessoa pacífica e pacificadora? Interessas-te pelos problemas da humanidade? 

(Pedrosa Ferreira, p. 96)

82 - O VENTO E O SOL

 

Um dia, o Sol e o Vento discutiram sobre qual deles con­seguiria que um caminhante, que passava, tirasse o sobretudo.

O Vento, porque é muito forte, dizia que, bastava-lhe soprar com muita força, e o capote desse homem voaria pelos ares. O Sol, mais astuto, apenas disse: Comecemos a aposta. Entra tu em ação, amigo Vento. Quanto mais este soprava, mais o homem se agarrava ao sobretudo, protegendo-se do frio Vento.

Chegou a vez do Sol. Este começou a brilhar e a aumentar lentamente o seu calor. O caminhante, atingido pelos ardentes raios do Sol, tirou o sobretudo. O Vento, apesar de tanta força e tanto ruído, deu-se por vencido.

A força do amor

• Este conto tão conhecido encerra uma grande sabedoria. E que há quem julgue que a força do homem reside apenas nos músculos, na força tísica.

• Há outras forças que, sendo mais discretas, são mais poderosas. E o caso, por exemplo, da força do amor. Nada é mais forte que o amor verdadeiro.

• Nos conflitos, utilizas a força da violência ou a força do amor?

(Pedrosa Ferreira, p. 98)

 



 

 

 

 

 

 

83 - O BURRO E O PICA-PAU

 

Carregando uma pesada carga, ia uma vez um burro pelo caminho fora. Um pica-pau, que estava num ramo de uma velha árvore, viu e disse-lhe: Não vês que assim tão carregado não chegarás muito longe? Escuta o que te digo: tira das tuas costas metade dessa carga; caso contrário, vais morrer antes de chegares ao teu destino. 

O burro, depois de zurrar, perguntou: Mas que devo fazer? O meu dono carregou-me assim? Não há nada a fazer, porque ordens são ordens. E o infeliz burro continuou a sua dolorosa caminhada. De repente, quando chegava ao cimo da última encosta, caiu exausto no meio do caminho.

O pica-pau, que preguiçosamente seguia os passos do pobre jumento, exclamou então: Vês, irmão? Já te tinha dito. Se tivesses prestado atenção aos meus conselhos...

Deitado no chão duro e poeirento do caminho, o burro, já moribundo, olhou vagamente para o seu néscio conselheiro e teve ainda [orças para dizer amargamente: Se antes, quando era tempo, em lugar de me dares conselhos, me tivesses prestado a ajuda necessária, nem que fosse pequena, talvez não me encontrasses agora neste estado. Agora, por favor, fecha o bico e não lamentes a minha morte.

 

Não me dê conselhos

* É fácil dar conselhos aos outros. Mas o que os outros necessitam é de quem os ajude a carregar as suas tristezas e angústias, a fim de não desa­nimarem.

* A ajuda fraterna faz parte do mandamento novo. Jesus passou a sua vida pública a ajudar os mais pobres, dando-lhe esperança e a vida que necessitam.

* E tu, habitualmente, dás conselhos ou prefere dar a ajuda que os outros necessitam?
(Pedrosa Ferreira, p. 99)

 84 - VIVER NA CIDADE

 

Uma senhora, que vivia numa grande cidade, tinha deixado as chaves dentro de casa e fechado a porta. Ao regressar do mercado, deu-se conta do esquecimento e não sabia como entrar. O seu marido só regressaria ao fim da tarde. A única solução seria pedir ajuda e talvez hospitalidade a alguma vizinha do mesmo prédio.

Mas não o fez, porque era gente anónima, desconhecida.
Sentou-se nas escadas e esperou pelo regresso do marido.

 

Anonimato

* Nos ambientes rurais, as pessoas conhecem-se umas às outras, partilham das mesmas alegrias e dores. Nas cidades impera o anonimato.

* É importante conhecer os vizinhos do prédio e da rua. Não custa nada uma saudação, um sorriso, uma palavra amiga. E urgente humanizar as cidades. 

* Se visses um desconhecido em aflição, eras capaz de o ajudar.

(Pedrosa Ferreira, p. 100)

 


 

85 - UMA CHÁVENA DE CHÁ

 

Um sábio japonês, conhecido pela sua sabedoria e doutrina, recebeu de visita um professor universitário, que for ter com ele para o interrogar acerca do seu pensamento.

O professor universitário tinha fama de ser orgulhoso, nunca prestava atenção ao que os outros diziam, julgando-se estar na posse de toda a verdade. O sábio, então, quis dar-lhe uma lição. 

Para tal o sábio começou por lhe servir uma chávena de chá. Deitava pouco a pouco o chá, a chávena ficou cheia a transbordar. O sábio, fingindo não se dar conta, continuava a deitar chá, tanto que o líquido começava a molhar a toalha. O sábio mantinha a sua expressão serena e sorridente,

O professor, vendo o chá a transbordar, ficou admirado, sem perceber como era possível que o sábio tivesse uma tal distração, contrária às normas das boas maneiras. Mas, num certo ponto, não consegui mais conter-se, e disse ao sábio: - Já está cheia! Não cabe mais!

O sábio, imperturbável, respondeu-lhe:

- Tu também estás cheio como esta chávena, cheio da tua cultura e das tuas opiniões. Como é que eu poderei falar-te da sabedoria, se antes não esvaziares a tua chávena?

O professor compreendeu a lição. A partir desse dia, esfor­çou-se por se esvaziar das suas certezas e de escutar com maia atenção as opiniões dos outros, sem desprezar nenhuma delas.

 

A minha e a tua verdade

* Há pessoas que, como o professor do conto, estão tão cheios de certezas que não há lugar para acolher as certezas ou opiniões dos outros.

* As pessoas verdadeiramente inteligentes reconhe­cem que necessitam de escutar os outros. É que cada qual tem a sua parcela de verdade.

* Em ti ainda existe espaço para receber o que os outros têm para te ensinas? (Pedrosa Ferreira, p. 101)

88 - O MELHOR ARGUMENTO

 

Um velhinho, ateu e incrédulo, foi visitar um sacerdote. Queria que o ajudasse a resolver as suas dúvidas de fé. Não conseguia convencer-se de que Jesus de Nazaré tenha ressus­citado. Procurava provas da sua ressurreição. Quando entrou em casa do sacerdote, estava alguém a falar com ele.

O sacerdote avistou o idoso de pé no corredor e correu imediatamente, sorridente, a ofereceu-lhe uma cadeira. Quando o outro se despediu, o sacerdote convidou o velhinho a entrar. Logo que conheceu o seu problema, falou-lhe largamente e, depois de um denso colóquio, o idoso ateu converteu-se em cristão e quis conhecer melhor os Evangelhos, receber os sacramentos e rezar.

O sacerdote, satisfeito, mas também um pouco surpreendido pela mudança, perguntou-lhe:

- Por favor, depois da nossa longa conversa, qual foi o argumento que o convenceu de que Cristo ressuscitou verda­deiramente e continua vivo no meio de nós?

Respondeu o velhinho:

- O pormenor de me ter dado uma cadeira, para não me cansar de esperar.

(Danilo Zanella)

 

A linguagem do testemunho

• Hoje na Igreja as pessoas preferem ver testemunhos a ouvir discursos. O que convence as pessoas é, de facto, a nossa alegria, a nossa amizade...

• Os cristãos devem dar testemunho que é viver segundo o Evangelho. Deverão viver um cristianismo que realmente é Boa Nova de salvação para toda a gente.

• Que testemunho dás da tua fé em Cristo vivo?

(Pedrosa Ferreira, p. 104)

 


 

89 - O LEOPARDO E AS MACACAS

 

Um leopardo, que andava na floresta à procura de alimento, encontrou um grande grupo de macacas. Estas, quando o viram, subiram às árvores. Ali refugiadas e dependuradas nos ramos, sentiam-se seguras. O leopardo, que era muito manhoso, pensou: Para que elas baixem, vou fingir que estou morto.

As macacas, entretanto, saltavam de um ramo para o outro com grande satisfação. A mais atrevida, ao ver o leopardo estendido no chão pensou: Está morto! Sem raciocinar mais, desceu da árvore. Gritou para as colegas: Descei, porque o nosso inimigo está morto».

Baixaram então todas as macacas e tocavam despreo­cupadamente no leopardo. Umas saltavam-lhe em cima, outras puxavam-lhe as orelhas...

Quando já estavam cansadas de brincar, o leopardo levan­tou-se e matou-as a todas.

 

O inimigo não dorme

* O leopardo era manhoso e as macacas estultas. Na sociedade não faltam pessoas com as mes­mas características. Daí que toda a atenção é pouca.

* Não convém brincar com o perigo. A prudência é considerada uma das virtudes fundamentais em que deve assentar a nossa personalidade.

* És prudente ou brincas com o perigo? Quais os «perigos» existentes no mundo de hoje?

(Pedrosa Ferreira, p. 104)

 


 

90 - CONSELHO DE AMIGO

 

Um homem bom e honrado tinha sido requisitado pelo imperador para assumir o governo de uma região na antiga e milenária China. Este bom homem quis começar bem o seu mandato e decidiu pedir conselho a um dos seus melhores amigos.

Alguns dias depois, reuniu-se com o seu amigo. Ao mesmo tempo que se despedia dele, pediu-lhe, por favor, um conselho que lhe servisse para a nova etapa que ia começar.

O amigo, conhecendo-o bem, depois de refletir um pouco, recomendou-lhe:
- Sobretudo, sê paciente e dessa maneira não terás dificuldades nas tuas funções.
O novo governador respondeu que não se esqueceria de tais palavras.

O seu amigo repetiu-lhe três vezes a mesma recomendação e todas as vezes o futuro governador prometia seguir o seu conselho. Mas quando, pela quarta vez, lhe fez a mesma advertência, irritou-se:
- Julga que sou um imbecil? Já me recomendou a mesma coisa quatro vezes!

O amigo simplesmente sorriu e, advertindo-o de como é difícil seguir o conselho que lhe propusera, disse-lhe:
- Vês como não é fácil ser paciente. O único que fiz foi repetir-te o meu conselho, talvez, mais vezes do que é con­veniente. E tu ficaste logo enfurecido!

(Popular chinês)

 

Sê paciente

• A paciência é muito importante para toda a gente. Trata-se de manter a calma, mesmo quando alguém nos irrita com as suas palavras, atitudes ou modos de ser.

• Diz a Bíblia que Deus é paciente; descreve a Jesus Cristo paciente e compreensivo para com toda a gente. E esta a referência do agir cristão.

• Numa escala de 0 a 20, qual o teu grau de paciência?

(Pedrosa Ferreira, p. 106)

 91 - NEM POR DEZ MIL RUBLOS

 

Vivia na Rússia um jovem que tinha o costume de se lamentar. Repetia sempre a mesma coisa:
- Deus deu aos meus vizinhos tantas riquezas. Mas comigo foi avarento. Não me deu nada. Como posso eu singrar na vida sem nada?

A sua lamentação chegou aos ouvidos de um velho sábio.

Chamou-o e perguntou-lhe:
- Tens mesmo a certeza de que és pobre como dizes? Será que Deus não te ofereceu a juventude e a saúde?

O jovem, enchendo o peito, disse:
- Sim, sinto orgulho pela minha força e pela minha juventude.

O sábio, agarrou na sus mão direita, e disse:

- E estarias disposto a deixá-la cortar por mil rublos? 
- Nunca! Só se fosse maluco!
- E a esquerda?
- Nem sonhar!

O sábio, ainda não satisfeito, insistiu:
- Aceitarias tornar-te cego em troca de dez mil rubros?

Ele respondeu, decidido:
- Que Deus me livre, não quero ficar cego! Não daria um dos meus olhos, nem em troca da maior fortuna! 

O velho então concluiu:
- Então por que é que te lamentas? Deus encheu-te com imensos presentes! Recorda-te disso, e procura ser reconhecido. (Lev Tolstoi)

 

Viver positivo

• Há pessoas tão pessimistas que só se sabem lamentar. Veem a vida através de umas lentes negras. Preferem sempre apontar para o que existe de negativo.

• Somos convidados a viver num são otimismo. Sem ignorar a realidade com luzes e sombras, sublinhar o que existe de positivo, de bom, de estimulante.

• Vives positivamente? És uma pessoa alegre? (Pedrosa Ferreira, p. 107)

92 - A PASSAGEM DO REI

 

Andava eu a pedir esmola, de porta em porta, quando vi ao longe um carro de ouro. fiquei maravilhado e perguntei se aquele não seria o Rei dos reis.

O carro foi-se aproximando e, ao chegar junto de mim, parou. O rei olhou para mim, sorriu e desceu. Pensei que me iria dar uma esmola tão grande que ficaria rico para sempre. Mas ele estende-me a mão direita e diz-me:

- Podes dar-me alguma coisa?

Um rei a pedir! fiquei confundido, sem saber que fazer. Nesse momento, tirei do meu saco de mendigo um grão de trigo e dei­-lho. foi grande a minha surpresa quando, ao fim do dia, esvaziei o meu saco: encontrei um grão de trigo na miséria no montão. Senti uma imensa pena de não ter dado tudo!

 

Dar tudo

• Se tivesse dado todo o trigo, teria recebido todos esses grãos transformados em ouro. Mas a sua generosidade não era pouca e não arriscou.

• Esse Rei dos reis pode ser imagem de Deus. Ele espera de nós a nossa adesão incondicional de fé. Em resposta, dá-nos todos os seus bens: a vida em abundância.

• À tua fé em Deus é mesmo grande? Entregas-lhe toda a tua vida?

(Pedrosa Ferreira, p. 108)

 


 

93 - A CONCHA DE LEITE

 

O sábio indiano Narada era amigo de Deus. Tinha uma tão grande devoção, que chegou a pensar que ninguém, podia amar tanto a Deus como ele. O Senhor leu no seu coração e disse-lhe:
- Narada, vai à cidade que está na margem do rio Ganges e procura um meu devoto que vive lá, será para ti um bom companheiro.

Narada foi à cidade e encontrou lá um lavrador que todos os dias se levantava muito cedo, pronunciava o nome de Deus uma única vez, pegava no seu arado e ia para o campo e trabalhava todo o dia. Só à noite, antes de se deitar, pronunciava outra vez o nome de Deus. Narada disse para consigo:
- Como é que este indivíduo pode ser um amigo de Deus, se passa todo o dia envolvido nas suas ocupações terrenas?

Então o Senhor disse a Narada:
- Pega numa concha, enche-a completamente de leite e passeia com ela pela cidade. Depois volta aqui, mas sem que se derrame uma só gota.

Narada fez como lhe tinha ordenado. E o Senhor pergun­tou-lhe:
- Quantas vezes te recordaste de mim enquanto passeavas pela cidade?
Narada respondeu:
- Nem uma só vez, Senhor. Como o poderia pensar, se estava de tal modo preocupado com a concha cheia de leite?

E Deus disse-lhe:
- Essa concha absorveu a tua atenção de tal maneira que te esqueceste de mim por completo. Repara agora nesse camponês que, apesar de ter de trabalhar tanto e cuidar da sua família, se recorda de mim duas vezes ao dia...

 

Oração e vida

• O sábio indiano julgava que o amor a Deus se media pelo relógio, pelo tempo gasto a dizer orações. Ainda há pessoas que julgam que basta rezar muito para agradar a Deus.

• O importante é que as pessoas, vivendo o seu quotidiano, não se esqueçam da presença amorosa de Deus, que ama a todos com um amor eterno.

• Quantas vezes ao dia te recordas de Deus? Pro­nuncias o seu nome?

(Pedrosa Ferreira, p. 109)

 

94 - O ASTRÓNOMO

 

Era uma vez um astrónomo que tinha o costume de sair todas as noites a observar os astros do firmamento.

Um dia, quando vagueava pelos arrabaldes de cabeça erguida e olhos no céu, caiu, por descuido, num buraco. Lá de dentro, lamentava-se e gritava por socorro. Um transeunte, ao passar, ouviu os seus gemidos, aproximou-se e perguntou:

- O que foi que lhe aconteceu? De dentro, uma voz:
- Andava a olhar para cima e cai aqui em baixo! O transeunte disse-lhe:
- Então, amigo, pretendes conhecer o que há no céu, e não te interessas pelo que há na terra?

(Esopo)

 

Com os pés em terra

• Os cristãos são pessoas que, apesar de terem os olhos fixos no céu, sua pátria definitiva, andam com os pés bem assentes neste mundo que passará.

• Os cristãos devem interessar-se pela terra, e colaborarem na resolução dos problemas da injustiça, da falta de solidariedade, do analfabe­tismo, etc.

• És sensível aos problemas sociais? Sabes o que o magistério da Igreja diz acerca dos mesmos?


 

95 - A ESMOLA

 

Um dia, uma mulher vestida de trapos velhos percorria as ruas de uma aldeia a bater às portas e a pedir esmola. Não tinha grande sorte. Muitos lhe dirigiam palavras ofensivas, outros atiçavam-lhe os cães para que fugisse. Outros ainda davam­-lhe pedaços de pão já muito duro e batatas já greladas. Apenas dois velhos, que habitavam num casebre, convidaram a pobre mulher a entrar. Disse o velho:
- Senta-te à nossa fogueira, enquanto a minha mulher prepara uma sopa quente e mais alguma coisa.

Enquanto a mulher comia, os dois idosos dirigiam-lhe palavras de conforto. No dia seguinte, naquela aldeia aconteceu algo de extraor­dinário. Um mensageiro real levou a todas as casas, também a casa dos dois idosos, um cartão que convidava todas as famílias para uma festa no castelo do rei.

O convite inesperado provocou uma grande animação na aldeia. Ao cair da tarde, todas as famílias, vestidas com trajes de festa, chegaram ao castelo. Foram introduzidas numa imponente sala de jantar e a cada um foi indicado um lugar.

Quando todos estavam sentados, os serventes em traje de cerimónia começaram a servir. Imediatamente se ouviram murmúrios de desilusão e de cólera mal dissimulada. É que os serventes deitavam nos pratos pedaços de pão muito duro, de batatas já greladas e de pedras. Apenas nos pratos dos dois velhos, sentados a um canto, eram colocadas ricas e saborosas iguarias.

De improviso, entrou na sala a mulher que vestia trapos velhos. Todos emudeceram. A mulher disse:
- Hoje encontrastes exatamente o que me oferecestes ontem.

Tirou os trapos que a cobriam. For debaixo estava um grande vestido doirado revestido de pedras preciosas.
Era a rainha.

 

Todos convidados

• Todos foram convidados, mas só os dois idosos tiveram direito às melhores iguarias. Foram os únicos que acolheram verdadeiramente bem.

• O acolhimento faz parte do programa de vida de todo o cristão. «Tudo o que fizerdes ao mais pequenino dos meus irmãos, a mim o fazeis» (Jesus Cristo).

• Como acolhes as pessoas, sobretudo as pobres e humildes?

(Pedrosa Ferreira, p. 111)

96 - O MELHOR PRESENTE

 

Há alguns anos, caminhando pelas ruas de Genebra nos dias de Natal, reparei num cartaz publicitário que chamou a minha atenção.

Era um anúncio que destoava no meio de todos os outros cartazes que anunciavam o último modelo de automóveis, uma marca de chocolates, brinquedos da moda.

Nesse cartaz estavam escritas apenas algumas palavras a vermelho: Christ est le meilleur cadeau (Cristo é o melhor presente).

O anúncio estava assinado pelas Igrejas protestantes da Suíça, e queria recordar a toda a gente, precisamente nos dias em que se celebrava a vinda de Deus ao nosso mundo, que não se esquecessem do maior presente que Deus nos fez.

 

Deus connosco

• O Natal muitas vezes é celebrado como uma festa que esquece o essencial. Há apenas iguanas sobre a mesa, lindas músicas, muitas compras, palavras lindas.

• O Natal só será verdadeiramente celebrado por quem medite neste mistério: Deus Amor faz-se um de nós, O Menino Jesus é o presente de Deus a todos nós.

• Como celebras o Natal? Será apenas um Natal
pagão? Haverá nele lugar para a festa cristã? (Pedrosa Ferreira, p. 113)


 

97 – O AMOR E A GUERRA

 

Entre dois países vizinhos a guerra tinha-se tornado inevitável. De ambas as partes, os senhores feudais decidiram enviar espias para averiguar os pontos mais débeis da fronteira do inimigo.

Passado algum tempo, regressaram para informar o mesmo de ambas as partes. Em toda a fronteira havia apenas um lugar adequado para penetrar no território inimigo. Disseram:

- Ali vive um pequeno, mas laborioso camponês, numa pequena casa com a sua encantadora esposa. Estão muito enamorados. Até se diz que são o casal mais feliz do mundo. Têm um filho. Se nós invadirmos por meio das suas terras, estragamos a sua felicidade. Por conseguinte, não pode haver guerra.

Os senhores feudais entenderam os motivos e é óbvio que não houve guerra.

 

Não impedir a felicidade

• O importante é que as pessoas tenham oportu­nidade de saborear um pouco de felicidade. Esta existe, por exemplo, no amor, no serviço aos outros.

• Tornar os outros felizes faz parte do programa de vida do cristão. Ele sabe que a plenitude da alegria só se encontrará no Reino futuro, na casa de Deus.

• Que fazes para tornar os outros mais felizes?

(Pedrosa Ferreira, p. 107)

 

 

 




 

98 - O VALOR DE MAIS UM

 

Um pássaro perguntou a uma pomba quanto pesava um floco de neve. A pomba respondeu:
- Nada. Mesmo nada,

Foi então que o pássaro contou esta história à pomba:
- Estava eu poisado no ramo de um abeto, perto do tronco, e começou a nevar. Era um nevão leve e suave como um sonho. Os flocos de neve caíam lentos. Como não tinha nada que fazer, fui contando os flocos enquanto caíam sobre o ramo onde estava poisado. Caíram exatamente 3.751.952.

Quando, sobre o ramo, caiu o seguinte floco (que nada pesa, como dizes) o ramo partiu-se.
E, dito isto, o pássaro foi-se embora voando.

A pomba, uma autoridade em assuntos de paz, desde os tempos de Noé, pôs-se a refletir. Passados alguns minutos, depois disse:

-Talvez falte a colaboração de uma pessoa para que a paz aconteça no mundo.

(K. Hauter)

 

A nossa colaboração

• For vezes julgamos que a nossa colaboração não tem qualquer valor quando se trata de melhorar este mundo, fazendo com que haja nele mais paz.

• A realidade é que cada um de nós tem um programa a realizar neste mundo. Se for pre­guiçoso, ficará por executar. Todos somos impor­tantes.

• Qual achas que deve ser a tua colaboração para a paz no mundo?

(Pedrosa Ferreira, p. 114)

 


 

99 - NEGROS E BRANCOS

 

Há muitos e muitos anos, todos os elefantes do mundo eram negros ou brancos. Amavam os outros animais, mas odiavam-se entre si, porque ambos os grupos se mantinham apartados: os negros viviam de um lado e os brancos do lado oposto.

Um dia, os elefantes negros decidiram matar todos os elefantes brancos, e os elefantes brancos decidiram matar todos os elefantes negros.

Os elefantes de ambos os grupos que queriam a paz, esses retiraram-se para o lugar mais escondido da selva. E nunca mais ninguém os voltou a ver.

Começou a batalha. E durou muito, muito tempo. Até que não ficou sequer um elefante vivo.

Durante anos não se voltou a ver nenhum elefante sobre a Terra. Até que um dia, os netos dos elefantes pacíficos saíram da selva. Eram cinzentos.

Desde então os elefantes passaram a viver em paz. Mas há algum tempo, os elefantes que têm as orelhas pequenas e os elefantes que têm as orelhas grandes se olham uns aos outros de uma forma um tanto inquietante.

(David Nckee)

 

Extinguir o ódio

• Falamos de elefantes para recordar que, desde a aurora dos tempos que existe a violência na humanidade: irmãos que matam irmãos.

• Esta realidade não é um fatalismo. Se as pessoas quiserem, pode apressar-se a hora em que os ódios darão lugar a uma convivência pacífica.

• Que fazer para educar as novas gerações à con­vivência pacífica?

 (Pedrosa Ferreira, p. 115)

 

 

100 - AS CRÍTICAS

 

Em certa ocasião, um orgulhoso indiano foi ver um sábio e, muito irado, começou a insultá-lo duramente. O sábio escutava-o pacientemente, sem se alterar nem responder aos insultos que o orgulhoso brâmane lhe dirigia. Passado algum tempo, o homem cansou-se dos seus ataques verbais e calou-se.
Então o sábio perguntou-lhe:
- Já terminou?

O homem respondeu:
- Sim. 

Perguntou-lhe o sábio:
- Recebe visitas em sua casa?

O bramante orgulhoso, intrigado, respondeu:
- Sim, frequentemente.
- E ofereces aos visitantes comida e bebida?
- Certamente! E este o costume.
- E se a visita não quer comer nem beber, que fazes? 
- Não me importo. Como e bebo eu!

Então o sábio disse ao brâmane:
- Isso mesmo podes fazer com as tuas críticas. Foste muito amável em convidar-me, mas não interessado em digerir as tuas críticas. Fica com elas e come-as tu sozinho,

O brâmane, envergonhado, não soube que dizer.

(Conto zen)

 

Orgulho o ira

• Há muitas maneiras de criticar. O brâmane orgulhoso criticou duramente e estando muito irado. Passou Inclusivamente da crítica para o insulto.

• A atitude do sábio terá sido correta? É que as críticas, se necessárias, só darão efeito se forem feitas serenamente, num clima de amizade.

• Que pensas e sentes das críticas? Em que condi­ções é que serão úteis?

(Pedrosa Ferreira, p. 116) 

101 - OS DOIS FÓSFOROS

 

Num dia de grande calor, um viajante atravessava os bosques da Califórnia e soprava um vento forte. Cansado de tanto cavalgar, pensou em fumar um cigarro. Para tal, desceu do cavalo e tirou do bolso o cachimbo. Mas, por mais que procurasse, apenas encontrou no bolso dois fósforos; experimentou o primeiro, que não se acendeu, O viajante resmungou:
- Só me faltava mais esta! Apetece-me tanto fumar e só tenho um fósforo, que certamente também não acenderá. Haverá alguém com tão pouca sorte?

E continuou a refletir:
- Contudo, suponhamos que este fósforo se acende, eu fume o cachimbo e ponha as cinzas aqui sobre a erva; tão seca como está, poderia incendiar-se. E, enquanto procure apagar a chama, ela poderia escapar-se e correr atrás de mim e pegar-me fogo. Depois atacaria aquele pinheiro coberto de musgo, que se incendiaria imediatamente. Viria o vento, que levaria a lava­reda para mais longe, pondo todo o bosque em brasa. Um bosque a arder dias e dias, o gado a morrer, as fontes a secarem-se, os camponeses arruinados e os seus filhos errantes pelo mundo. Sim, tudo isto depende deste fósforo!

O viajante concluiu:
- Felizmente que me dei conta de tudo isto!
Meteu o cachimbo no bolso e seguiu o seu caminho.

(Robert Stevenson)

 

Proteger a Natureza

• Os perigos dum fósforo aceso são tão gran­des que o homem deixou de fumar. Todos os anos assistimos, durante o Verão, aos temíveis incêndios.

• Os incêndios, que surgem espontaneamente ou são provocados por criminosos, são uma calamidade, porque destroem o pulmão da Terra.

• Que deverá fazer um cidadão para prevenir os incêndios? Como educar as pessoas ao respeito pela Natureza?

(Pedrosa Ferreira, p. 118) 

102 - JULGAMENTO UNIVERSAL

 

Depois de uma vida simples e serena, uma mulher morreu e encontrou-se imediatamente a fazer parte de uma longa e ordenada procissão de pessoas que avançavam lentamente para o Juiz Supremo. A medida que se aproximava da meta, ouvia cada vez mais distintamente as palavras do Senhor.
Ouviu, assim, o que o Senhor dizia a um:
- Tu socorreste-me quando estava ferido na autoestrada e levaste-me ao hospital, entra no meu Paraíso.

Depois disse a um outro:
- Tu fizeste-me um empréstimo sem juros a uma viúva, vem receber o prémio eterno.

A outro disse o Juiz:
- Tu fizeste gratuitamente operações cirúrgicas muito difíceis, ajudando-Me a restituir a esperança a muitos, entra no meu Reino.

E assim sucessivamente.

A pobre mulher começou a ficar aterrorizada porque, por mais que pensasse, não se recordava de ter feito nada de excecional. Ainda tentou abandonar a fila para ter tempo de pensar, mas foi-lhe absolutamente impossível: um anjo sorridente, mas decidido, não permitiu que deixasse a fila. O coração batia forte, e com muito temor, chegou diante do Senhor. Imediatamente se sentiu envolvida pelo seu sorriso. Deus disse-lhe:
- Tu passaste a ferro as minhas camisas... Entra na minha felicidade
.

 

O valor do quotidiano

• A mulherzinha, apesar de não ter feito coisas sensacionais, foi digna de entrar no Paraíso. Supõe-se que viveu uma vida de dedicação aos outros.

• De facto, o que Deus pede não é que os seus filhos muito amados sejam todos gente famosa. Simplesmente que vivam com amor e alegria o seu quotidiano.

• Que importância dás ao cumprimento fiel das tuas tarefas quotidianas? Fazes tudo isso por amor?

 103 - RECONSTRUIR A PESSOA

 

Um filho estava continuamente a incomodar o seu pai. Este, para o distrair e se libertar dele, pegou numa folha de um velho atlas onde se encontrava todo o mundo: a escala muito reduzida, continha todos os continentes, países, cidades...

Cortou-o em pequenos pedaços e entregou-o ao filho para que as compusesse. Pensou o pai: «Levará muito tempo e assim deixar-me-á em paz».

Passados alguns minutos, a criança regressou com o mundo perfeitamente ordenado. O pai, assombrado, perguntou-lhe:
- Como é que conseguiste compô-lo tão depressa?
- Muito simples, pai. No reverso do papel estava desenhado um ser humano. Reconstrui primeiro aquela pessoa e o mundo foi-se articulando por si mesmo.

(Adaptado de O. Negri)

 

Por um mundo novo

• Reconstruindo a pessoa, o problema do mundo ficou resolvido. Há no mundo muitas coisas por ordenar: a paz, a justiça social, os direitos humanos...

• Cada pessoa terá de começar por se ordenar a si própria. Cada pessoa terá de viver em paz consigo, em relação fraterna e em solidariedade.

• Que necessitas de fazer para ficares uma pessoa «reconstruída?» Que podes fazer para melhorar o mundo?

(Pedrosa Ferreira, p. 120) 

 


 

104 - A BONECA DE SAL

 

Era uma vez uma boneca de sal. Embora fosse de sal, nunca tinha visto o mar. For isso, um dia, deixou a sua terra e pôs-se a caminho em direção ao mar.

Depois de percorrer muitos quilómetros, chegou finalmente ao final da viagem. Ficou fascinada por aquela imensidão de água a perder-se no infinito. Nunca tinha visto uma coisa assim tão grandiosa. Mas seria isso o mar? Por isso, perguntou:

- Quem és tu?

Com um sorriso, o mar respondeu:
- Entra nas minhas águas e comprova-o tu mesma!

E a boneca de sal meteu-se no mar. Mas, à medida que avançava nas águas, ia derretendo-se, até que dela nada ficou. Mas, antes de se dissolver completamente, exclamou mara­vilhada:

-Agora sei quem sou!

(Anthony de Mello)

 

Sede de infinito

• A boneca de sal tinha ânsia de conhecer o infinito. Por isso, pôs-se a caminho em direção ao mar imenso. Só percebeu o que é o mar quando se derreteu nele.

• A pessoa humana, quando se põe a pensar, descobre que tem ânsia de chegar a Deus, e pres­sente que só aí encontrará verdadeira paz e felicidade.

• Tens ânsia de mergulhar no mistério de Deus? Ou preferes entreter-te com as coisas que esta socie­dade te vai oferecendo?

 (Pedrosa Ferreira, p. 121) 

 


 

105 - O CAVALO DE CALÍGULA

 

Calígula, célebre imperador romano, tinha um cavalo muito valente e Formoso. Gostava tanto dele, que decidiu nomeá-lo cônsul. Ser cônsul era ter um grande poder. Certamente que este cavalo era apenas cônsul honorário, isto é, tinha o título, mas não exercia o poder.

O cavalo, ao ver-se com um tão grande título, começou a ficar cada vez mais vaidoso. Chegou ao ponto de deixar de comer a palha que lhe davam. Dizia para consigo: 'Um cônsul não se pode rebaixar a comer palha, como os outros miseráveis cavalos!'

Os que cuidavam dele, ao verem que se recusava a comer a palha, não sabiam que fazer. Um deles teve uma ideia luminosa:
- E se pintássemos a palha da cor do ouro? Talvez assim ele, que é orgulhoso, a coma.

E assim fizeram, pintaram a palha da cor do oiro e levaram-lha. O cavalo pensou: 1sto é outra coisa: um alimento digno de ser comido por mim!». E comeu-a toda.

 

A vaidade

• Como se poderia terminar esta história? Talvez que o vaidoso cavalo teve dificuldades em digerir uma palha que não era integral.

• Há pessoas que se julgam mais do que são. Têm uma exagerada consideração da sua pessoa. Nem complexos de superioridade nem complexos de inferioridade.

• Aceitas-te tal como és, com as tuas qualidades e também as tuas limitações?

(Pedrosa Ferreira, p. 122) 

 

 


 

106 - MENSAGEM

 

Sonhei que caminhava à beira do mar com Deus e revia no écran do céu todos os dias da minha vida passada, e por cada dia transcorrido apareciam na areia duas pegadas: as minhas e as de Deus. Mas em alguns momentos, precisamente naqueles que correspondiam aos dias mais difíceis da minha vida, vi apenas umas pegadas.

Então disse:
- Senhor, escolhi viver contigo e Tu prometeste que estarias sempre comigo. For que é que me deixaste só nos momentos mais difíceis?

Ele respondeu-me:
- Sabes que Eu te amo e nunca te abandonei. Os dias nos quais há apenas duas pegadas na areia foram os momentos em que Eu te levei nos meus braços.

(Anónimo)

 

Confiança em Deus

• Todos os crentes sentem a ausência ou o silêncio de Deus. Têm a amarga sensação de que Deus está distante e deixa as pessoas abandonadas à sua sorte.

• A certeza que nos vem da revelação feita por Jesus Cristo é a de que Deus está sempre com os seus, sobretudo nos momentos mais difíceis.

• Qual o teu grau de confiança em Deus? Já alguma vez te revoltaste contra Ele?

(Pedrosa Ferreira, p. 123) 

 


 

107 - TAL PARA QUAL

 

Era uma vez uns noivos que queriam casar-se. Ela ia ter com ele sempre muito bem arranjada e ele, por seu lado, esmera­va-se em apresentar-se muito elegante. Chegou o dia do casa­mento.

Nessa noite, disse ele:

- Já que estamos casados, não devemos ocultar nada. Olha, os meus dentes são postiços, o cabelo é uma peruca. Agora tem paciência, pois já és minha mulher.

Então disse ela:

- Desculpa, mas também tenho a dizer-te uma coisa: Também uso peruca, as pestanas são postiças e os meus lindos olhos não veem um palmo à frente do nariz. Agora tem paciência, pois já és meu marido!

 

Namoro e casamento

• Os noivos da história casaram sem se conhecerem bem. Não foram sinceros. Andaram a iludir-se um ao outro durante o tempo do namoro e do noivado.

• É preciso que, os que decidem viver juntos toda a vida, sejam sinceros um para com o outro, revelando-se um ao outro também as suas limitações.

• Qual é o motivo por que há atualmente tantos esposos separados, tantos divórcios? Como é que deve­ria ter sido o tempo do namoro?

(Pedrosa Ferreira, p. 124) 

 


 

108 - A PAZ DO PESCADOR

 

Um homem rico ficou horrorizado quando viu um pescador tranquilamente recostado junto do seu barco, contemplando o mar e fumando tranquilo, depois de ter vendido o peixe.

Travou-se entre eles o seguinte diálogo:

- For que não saíste a pescar?

- For que já pesquei bastante para hoje.

- Por que não pescas mais do que necessitas?

- E para quê?

- Ganharias mais dinheiro. Podias pôr um motor novo e mais potente no teu barco. E podias ira águas mais profundas e pescar mais peixes. Ganharias o suficiente para comprar redes de nylon, com que tirarias mais peixes e conseguirias mais dinheiro. Em breve ganharias para ter dois barcos... E até uma verdadeira frota. Então serias' rico e poderoso como eu.

- E que faria então?

- Podias sentar-te e gozar da vida.

- E o que é que que julgas que eu estou a fazer neste momento?

 

Ter ou ser?

• O consumismo consiste em buscar a felicidade no consumo de bens, no possuir muitas coisas, no gastar cada vez mais e melhor. O importante é ter.

• Os verdadeiros humanistas e os cristãos não desis­tem em afirmar que a felicidade se encontra no ser: ser mais pessoa, estar mais em amizade com Deus.

• Que valor dás à publicidade que te agride e te convida a ter mais? Que é para ti «gozar da vida?»

109 - O ÚLTIMO MONGE

 

Nossa Senhora, com o Menino Jesus ao colo, decidiu descer à terra e visitar um mosteiro. Orgulhosos, os monges formaram uma grande fila para lhe prestar homenagem.

Um declamou belos poemas, outro mostrou as pinturas que fez, um terceiro disse o nome de todos os santos. E assim, um por um, homenagearam a Nossa Senhora.

Em último lugar estava um monge, o mais humilde do convento. Os seus pais trabalhavam num velho circo dos arredores, e a única coisa que lhe tinham ensinado era atirar bolas ao ar e fazer alguns malabarismos.

Quando chegou a sua vez, sentiu também ele a necessidade de prestar homenagem a Maria e ao seu Menino.

Tirou do bolso umas laranjas e começou a lançá-las ao ar fazendo malabarismos, que era o único que sabia fazer.

Foi nesse instante que o Menino Jesus sorriu e começou a bater palmas. E foi para esse monge que Nossa Senhora estendeu os braços, deixando que o monge tivesse o Menino alguns instantes ao colo.

 

A humildade

• A humildade desse monge consistiu em aceitar-se tal como era. Não pretendeu imitar os outros mais sábios. Homenageou a Maia com o que sabia fazer.

• A humildade cristã consiste em reconhecermo-nos tais como somos: criaturas «de barro», frágeis, que necessitam da salvação de Deus.

• Apesar da tua pobreza, que tens de positivo para apresentai' a Deus, como gesto de oferenda da tua vida?

110 - A CIGARRA E A FORMIGA

 

No Verão, a cigarra alegre ocupava o tempo a cantar e a dançar enquanto a esforçada formiga não descansava a levar comida para casa. A cigarra troçava da formiga:

- For que não passas a vida a cantar, como faço eu?

A formiga calava-se e continuava a trabalhar. Quando chegou o Inverno, a cigarra calou-se e foi abrigar-se num refúgio. Sem ter nada para comer, foi bater à porta da formiga:

- Boa formiga, não me podias dar alguma coisa de comer e também um lugar quente onde passar o Inverno?

Então a formiga respondeu:

- Eu trabalhava no Verão, pensando no dia de amanhã, e tu divertias-te todo •o dia com canções. Cantavas? Agora, dança!

 

O trabalho

• A conhecida parábola é, evidentemente, um elogio ao trabalho. A formiga foi previdente, armaze­nando comida para o Inverno.

• Não se trata aqui de condenar a cigana, pois também a sua música é importante para alegrar a vida. Pretende-se sublinhar como é importante o trabalho.

• Identificaste mais com a formiga ou com a cigarra? Quando é tempo de trabalhar, trabalhas verdadei­ramente?

(Pedrosa Ferreira, p. 126) 

 


 

111 – O VELHO E A MORTE

 

Era uma vez um pobre velho que, num dia de inverno, se dirigiu a uma floresta à procura de lenha para a fogueira. O caminho era áspero e o velho, carregando com um feixe de lenha, maldizia a sua sorte:

- Que vida tão difícil! Que venha a morte para me levar! Já estou sem forças, caiu ao chão.

E continuava a suspirar pela morte. Esta, estava armada com uma foice e envolta num lençol, e apareceu-lhe.

O velho, ao vê-la, a tremer, balbuciou:

- De facto, chamei por si!

Ela perguntou:

- E que queres infeliz?

Disse ele:

- Apenas que me leve o feixe de lenha!

 

O medo

• O velho estava a lamentar-se e a pedir a morte, mas verdadeiramente não estava interessado em morrer. Pedia afinal o que não queria.

• Nos momentos de sofrimento, não se deve deses­perar e desejar a morte. Deve manter-se sempre um grande amor à vida, lutando corajosamente até ao fim.

• Recordas testemunhos vivos de pessoas que, em momentos difíceis, deram testemunho de forta­leza? Costumas ser medroso ou és valente?

(Pedrosa Ferreira, p. 127) 


 

112 - A MULHER DO CEGO

 

Era uma vez um homem que tinha uma filha muito feia. Tão feia que nem se queria mirar ao espelho. Os anos passavam, mas ninguém queria casar com ela, nem sequer o jovem mais feio da aldeia.

O pai, que não a queria ver solteira toda a vida, ofere­ceu-a em casamento a um cego. E o casamento celebrou-se.

Um dia, um médico ofereceu-se para devolver a vista ao cego, porque se tratava de uma cegueira curável.

O pai, ao saber disto, opôs-se:

- Não, senhor! É conveniente que o meu genro fique cego toda a vida.

Ele tinha as suas razões. É que temia que, se ele visse a filha, se divorciasse imediatamente.

 

Olhos abertos

• A atitude desse pai certamente que não é muito recomendável. O cego podia recuperar a vista e o sogro opôs-se, pois lá tinha as suas razões.

• Somos convidados a andar de olhos abertos, para vermos a realidade. E ninguém nos deve impedir. Necessitamos de conhecer a vida e o mundo.

• És uma pessoa de olhos abertos para as pessoas ou para os acontecimentos, ou preferes viver alheado da realidade?

(Pedrosa Ferreira, p. 128) 

 


 

113 - O PEQUENO RAIO DE SOL

Era uma vez um raio de sol que entrou numa pequena casa. Tinha encontrado uma janela entreaberta e entrou. A sua passagem, levantava milhares de pontinhos de pó que se moviam sem parar.

Era um raio de sol jovem, quase recém-nascido, por isso, olhava para tudo com curiosidade. Depois de ter percorrido todos os recantos daquela casa, sen­tiu-se muito bem lá dentro. Enquanto ia contemplando os pormenores da casa, a janela que estava entreaberta fechou-se de repente e o pequeno raio de sol ficou preso. O interior da casa ficou às escuras e as partículas do luminoso pó desapareceram.

O raio de sol sentiu-se como se tivesse ficado sem corpo. Não sabia por onde andava e tropeçava em tudo. Tentou sair, mas não encontrou nenhum buraco por onde se escapar. A escuridão assustava-o. Se não pudesse sair antes de o sol deixar de dar na janela, era destinado a desaparecer para sempre. Pensou com tristeza que já não podia atravessar as gotas de chuva e transformá-las nas cores do arco-íris. Nem sequer podia deslizar sobre a neve branca das montanhas nem cavalgar sobre as nuvens de algodão. E jamais se refletiria no espelho azul do mar.

Pensava nisto, quando uma rajada de vento abriu de par em par a janela e milhares de raios de sol entraram dentro. Puseram-se imediatamente a brincar com ele, enchendo tudo de luz.

 

Viver na luz

• O raio de sol, ao ficar fechado dentro da casa escura, sentiu-se mal. Sentia-se só, privado de liberdade ou mergulhado na escuridão.

• Somos por natureza pessoas destinadas a viver com os outros, em liberdade e a caminhar na luz, isto é., tendo um sentido para a nossa vida.

• Já alguma vez tiveste a experiência angustiante do raio de sol? Que foi que te devolveu a alegria de viver?

114 - A DIETA DA BELEZA

Era uma vez, num pais oriental, duas lindíssimas irmãs. A primeira casou com o sultão, a segunda com um comerciante. Com o passar do tempo, porém, a mulher do rei tornou-se cada vez mais magra, enrugada e triste. Enquanto, a sua irmã, que vivia com o comerciante, parecia que estava a tornar-se cada dia mais bonita.

O sultão chamou o comerciante ao seu palácio e pergun­tou-lhe:

- O que fazes à tua esposa para ela conservar a sua beleza?

Respondeu:

- É simples: alimento a minha mulher com língua.

O sultão deu ordem para se prepararem quilos e quilos de língua de carneiro, de vaca, de camelo, para a dieta da mulher. Mas não sucedeu nada. A mulher ficava, cada vez mais, pálida e melancólica.

Furioso, o sultão decidiu mudar. Mandou a rainha para casa do comerciante e casou com a irmã.

Aconteceu, porém, que no palácio, a mulher do mercador depressa murchou, enquanto a irmã, na casa do comerciante, em pouco tempo se tornou bela e radiante.

Qual era o segredo? Todas as tardes o comerciante e a sua mulher falavam, contavam histórias um ao outro e cantavam juntos.

 

Comunicar

• A solidão é um perigoso mal que pode destruir uma vida. A rainha estava cada vez mais doente porque o sultão não comunicava, não falava com ela.

• A cura veio quando a rainha mudou de ambiente e encontrou alguém com quem podia comunicar, em quem podia confiar. A comunicação é saudável.

• Sentes-te só? Gostas de comunicar as tuas alegrias e esperanças, tristezas e angústias?

115 - A HERANÇA DO CAMPONÊS

Um rico lavrador, ao ver aproximar-se a morte, chamou os seus filhos e disse-lhes:

- Cuidado! Não deveis vender a vossa herança, que vem dos nossos avôs! Nesse campo está escondido um tesouro, embora eu ignore onde se encontra. Mas, com um pouco de esforço, conseguireis encontrá-lo. Depois da colheita, cavai bem no vosso campo, sem deixar um palmo sequer por remover.

Entretanto, o pai morreu. Os filhos cavaram tão bem o campo que, no ano seguinte, a colheita foi mais que abundante, mas encontraram o tesouro, porque não existia. Mas o seu pai foi sábio ao ensinar-lhes, antes de morrer, que o trabalho é um tesouro.

(Jean de la Fontaine)

 

Elogio do trabalho

• Esta fábula enaltece o trabalho, o esforço feito com as próprias mãos. Com esperteza, o pai fez com que os seus filhos cultivassem a terra.

• Numa época de facilidades, em que se procura enriquecer, mesmo enganando ou explo­rando os outros, é importante valorizar o trabalho honesto.

• Podes considerar-te um bom trabalhador ou um bom estudante?

(Pedrosa Ferreira, p. 131) 


 

116 - A POMBA E A FORMIGA

 

Junto a um ribeiro, uma pomba matava a sua sede quando, ao inclinar-se sobre a água, uma infeliz formiga caiu à corrente.

A formiga em vão se esforçava por sair daquele mar e alcançar a margem. Foi então que a pomba lhe atirou, rapidamente, um pequeno ramo de erva. E assim a pobre formiga, agarrando-se a ele, conseguiu salvar-se.

Ao mesmo tempo, passava por ali um caçador. Ao ver a pomba, pensou logo em matá-la e comê-la. Mas, quando ele se preparava para disparar e a matar, a formiga deu-lhe uma forte picadela no calcanhar. O homem, que estava descalço, voltou-se para trás e a pomba teve tempo para fugir.

 

Gratidão

• É esta uma fábula comovente. Fala-nos da gratidão da formiga que salvou a vida à pomba.

• A gratidão é a memória do coração. As pessoas precisam de ter mão memória, isto é, de se recordarem dos benefícios recebidos e serem gratas.

• Costumas ser grato com as pessoas que trabalham para que possas viver feliz? Em que gestos ou atitudes se manifesta esta gratidão?

(Pedrosa Ferreira, p. 132) 

 


 

117 - O LEÃO E O RATO

 

Era uma vez um rato que tinha ido parar às garras de um leão. Estava ali porque, quando estava a brincar, incomodava o leão que queria dormir em paz e sossego. O leão, para não ser incomodado, agarrou o pobre rato.

Este, ao ver-se preso, pediu desculpa ao leão e este, comovido perdoou-lhe.

Passado algum tempo, andando o leão a caçar, caiu numa ratoeira, uma grande rede oculta na vegetação. Quis sair, mas a rede não deixava. Começou então a rugir, pedindo auxílio.

O rato, ao ouvir os pedidos de socorro, sem pensar duas vezes, foi ter com o leão e começou a roer a rede, até que a conseguiu romper. Libertou o leão.

 

Solidariedade

• Esta parábola coloca animais com comporta­mentos que muitas vezes não se encontram nas pessoas humanas. Referimo-nos à solidarie­dade.

• A vida urbana, com o seu anonimado, favorece o egoísmo: cada qual se fecha no seu pequeno mundo, desinteressando-se dos outros em aflição.

• Consideras-te uma pessoa solidária? Qual gesto de solidariedade te impressionou ultimamente?


 

118 - O CÃO SÁBIO

 

Certo dia, um cão passou diante de uma reunião de gatos. Viu que estavam todos corri muita atenção a escutar uni galo mais velho. Parou e, sem que eles o notassem, ficou a escutá-los.

O grande gato dizia aos colegas: Orai, irmãos, com insistência e, sem dúvida alguma, choverão ratos do céu!»

Ao ouvir isto, o cão riu-se, afastou-se dos gatos e comen­tava para consigo: «Estes gatos são uns cegos e insensatos! Já os meus pais diziam e sempre li nos meus livros que o que chove, quando elevamos ao céu as nossas orações, são ossos e não ratos!

(Gibran)

 

Orgulho intelectual

• O cão, inchado com a sua sabedoria, riu-se dos gatos, a quem considerou uns ignorantes, cegos e insensatos. Não foi capaz de os valorizar.

• Também entre as pessoas existem vítimas de uma doença chamada «orgulho intelectual». Só que se acham seguras e verda­deiras.

• És capaz de relativizar as tuas certezas? Sabes ouvir os outros numa atitude de empatia?

(Pedrosa Ferreira, p. 134) 


 

119 - O VEADO E A FONTE

 

Um veado espelhava-se num rio de águas cristalinas. Con­templava-se e admirava os seus maravilhosos cornos, dizendo:

- Que lindos cornos eu tenho! Nenhum animal os tem assim tão belos!

E, ao ver as suas patas compridas tia água, dizia:

- Mas por que é que eu tenho uma cabeça tão bonita e umas patas tão feias? Que grande desproporção! E que tristeza ter de andar toda a vida com este corpo assim!

Estava com estas lamentações, quando chegou um grande cão. Ao vê-lo, correu pelo bosque, mas os seus cornos agarraram se aos ramos de uma árvore. Foi graças às suas patas compridas e leves que conseguiu livrar-se do cão. Disse:

- Se estou vivo, devo o às minhas patas, embora feias.

 

Gostar de nós próprios

• O veado, que admirava os seus cornos, não gostava das suas patas compridas. Porém, foram estas que o salvaram do furioso cão. Certamente que depois mudou de ideias.

• As pessoas, ao olharem-se ao espelho, podem não gostar de alguma parte do seu corpo. Mas não têm que se lamentar, pois talvez seja isso que dá a originalidade.

• Quando te olhas ao espelho, de que é que mais gostas e de que menos gostas? Aceitas o teu corpo tal como ele é? Cuidas da sua higiene e praticas exercícios físicos?


 

120 - O ÁRABE FAMINTO

 

Um árabe ia pelo deserto, perdido e sem encontrar saída no meio daquela enorme extensão de areia e secura.

O sol era tão forte e fazia tanto calor, que o homem estava meio morto. Caminhava e caminhava, procurando água e alimento.

De noite fazia tanto frio e soprava um vento tão gelado, que o pobre do homem não podia descansar. Chegava um novo dia e, novamente, a dolorosa caminhada no deserto.

Um dia, inesperadamente, encontrou algo envolto em plástico. O árabe pegou nisso e pensou com alívio:

- «Devem ser ostras. Vou saciar finalmente a minha fome!»

Mas qual não foi a sua triste surpresa quando, ao abrir o plástico, viu que não eram ostras, mas pérolas!

 

Fome e sede

• As pérolas são coisas valiosas, mas não era disso que o caminhante faminto necessitava para matar a sua fome e saciar a sua sede. Ficou triste.

• As pessoas que peregrinam neste mundo têm fomes e sedes que as coisas mais ricas poderão saciar. Quem lhes dará um sentido para o viver e para o morrer?

• És uma pessoa faminta que busca sentido para a vida? Jesus Cristo é para ti o caminho, a verdade e a vida?

(Pedrosa Ferreira, p. 135) 

 


 

121 - O MACACO E O LEÃO

 

Era uma vez um leão que, querendo encontrar ocasião para comer, perguntou a uma ovelha:

- Eu cheiro bem ou cheiro mal?

A ovelha disse a verdade: ele cheirava mal.

O leão, fin­gindo-se ofendido, deu-lhe uma forte patada e matou-a, dizendo:

- Não tens vergonha de ofender o teu rei? Mereces a morte!
Encontrou depois uma cabra e fez-lhe a mesma pergunta.

Esta, sabendo o que ele tinha feito à ovelha, disse-lhe que o seu cheiro era maravilhoso.

O leão deu-lhe então uma grande patada na cabeça e matou-a, dizendo:

- Porque me quiseste enganar, adulando-me, mereces a morte!

Fez a mesma pergunta a um macaco. Este, astuto, respondeu imediatamente:

- Não posso responder à sua pergunta, porque estou constipado.

E assim escapou a uma morte certa.

(F. Eiximenis)

 

Prudência

• O leão encontrou razões para comer quer quem lhe disse a verdade, quer quem o adulou. Mas o macaco, na sua esperteza conseguiu livrar-se da morte.

• A prudência ajuda-nos a escapar a certos perigos. Graças a ela, agimos depois de termos pensado bem no que é melhor. Ela pode salvar-nos a vida.

• És uma pessoa prudente? Que imprudências te deram já algum desgosto?

122 - O SONHO DO REI E DO CAMPONÊS

 

Um lavrador, quando estava a dormir, sonhava frequente­mente que era rei. E este sonho dava-lhe tanta alegria, que se sentia a pessoa mais feliz do mundo.

O rei também sonhava muitas vezes que era um camponês e andava a lavrar no campo. E este sonho produzia-lhe tanta alegria, que se sentia a pessoa mais feliz do mundo.

Quando acordavam, os dois diziam sempre para consigo próprios: «Oh, que pena, era só um sonho! Por que é que as tristezas têm de ser realidade e as alegrias apenas sonho?»

 

Um outro projeto

• O rei sonhava em ser camponês. O camponês sonhava em ser rei. Ambos pensavam que a sua felicidade se encontrava num outro projeto de vida.

• Acontece na realidade que há pessoas que, por exemplo, sonham em ter outra profissão, outra forma de vida. Terão as suas razões, pois querem ser felizes.

• A tua profissão é a que sonhaste um dia ter? Achas que podes ainda mudar o curso da tua história pessoal?

(Pedrosa Ferreira, p. 136) 


 

123 - O DIA E A NOITE

 

Um velho rabi perguntou aos seus discípulos:

- Quem de vós sabe dizer-me como se pode distinguir o momento em que termina a noite e começa o dia?

O primeiro respondeu:

- Eu diria que é, quando vendo um animal de longe, uma pessoa consegue distinguir se é ovelha ou cão.

Contestou o rabi:

- Não.

Disse um outro:

- Começa verdadeiramente o dia quando, vendo de longe uma árvore, se pode dizer se é uma figueira ou uma macieira. Insistiu o rabi:

- Também não.

Então os discípulos perguntaram-lhe como poderiam saber quando termina a noite e começa o dia.

O rabi respondeu com solenidade:

- Quando contemplando o rosto de uma pessoa qualquer vês nele o teu irmão. Porque se não o conseguíssemos ver, qualquer que seja a hora do dia, seria sempre noite.

 

Somos irmãos

·       O rabi dizia que, se conseguimos ver no outro um irmão, é porque caminhamos na luz e com os olhos abertos. Quem não vê os outros como irmãos vive na escuridão.

·       «Se levamos uma vida de luz, tal como Deus, que está na luz, somos solidários uns com os outros» (1Jo 1,7). Viver em pleno dia é também para São Paulo, viver no amor.

·       Podes dizer que vives em pleno dia ou vives na escuridão?