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segunda-feira, 30 de março de 2026

Oração de libertação

ORAÇÃO DE LIBERTAÇÃO - PAI NOSSO

Oremos como o Senhor nos ensinou: PAI NOSSO ….

Livrai .... de todo mal e de toda a perturbação diabólica; Vós que pela morte e ressurreição de Jesus Cristo, vosso amado Filho, nos libertastes do poder das trevas e da morte e nos transferistes para o Vosso Reino de luz e santidade,

Libertai, agora, o Deus, Pai de bondade e misericórdia, o/a N. do domínio e ligação com Satanás e os seus anjos; libertai-o das forças do mal, esmagai-as, destrui-las, para que o N. possa ficar bom e viver segundo a vossa santíssima Vontade.

Libertai-o, ó Pai, de todos os malefícios, das bruxarias, da magia negra, das missas negras, dos feitiços, das maldições, do mau-olhado, dos ritos satânicos, dos cultos satânicos, das consagrações a Satanás. Destruí qualquer ligação com Satanás e com todas as pessoas ligadas a Satanás, vivas ou defuntas.

Libertai-o de toda a infestação diabólica, de toda a possessão diabólica, de toda a obsessão diabólica e de tudo aquilo que é pecado ou consequência do pecado; destruí todos estes males no inferno, para que nunca mais atormente o N. nem nenhuma outra criatura no mundo.

Deus Pai todo-poderoso, peço-Vos, em nome de Jesus Cristo Salvador, pela intercessão da Virgem Imaculada e de São José, seu castíssimo esposo e pai terreno do Vosso Filho, que ordeneis a todos os espíritos imundos, a todas as presenças maléficas que atormentam o N., a deixá-lo imediatamente, a deixá-lo definitivamente e a ir para o inferno eterno encadeados por São Miguel Arcanjo, por São Gabriel, por São Rafael, pelos nossos Anjos da Guarda, e sejam esmagados debaixo do calcanhar da Santíssima Virgem Maria nossa Mãe Imaculada.

Vós que criastes o homem à vossa imagem e semelhança na santidade e na justiça, e, depois do pecado, não o abandonastes, antes, com sábia providência, cuidastes da sua salvação pelo mistério da encarnação, paixão, morte e ressurreição do vosso muito amado Filho, salvai este vosso servo e libertai-o do mal e da escravidão do Inimigo; afastai dele o espírito de mentira, soberba, luxúria, avareza, ira, inveja, gula, preguiça e de toda a espécie de maldade.

Recebei-o no vosso Reino, abri o seu coração para entender o Vosso Evangelho, para que viva sempre como filho da luz, dê testemunho da verdade e pratique obras de caridade segundo os Vossos mandamentos.

Com o sopro da Vossa boca expulsai, Senhor, os espíritos malignos: ordenai que se retirem porque chegou o Vosso Reino. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, que é Deus convosco, na unidade do Espírito Santo.

R. Amen.

O Senhor te livre de todo o mal, em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo.

R. Amen.

Bendigamos ao Senhor.

R. Graças a Deus.

As correntes do mundo

desejo de possuir 

Uma das verdades mais reconfortantes da nossa fé é a da Providência divina. O profeta Isaías apresenta-a como a imagem do amor materno cheio de ternura, e diz assim:

«Porventura pode uma mulher esquecer-se tanto de seu filho que cria, que não se compadeça dele, do filho do seu ventre? Mas ainda que esta se esquecesse dele, contudo eu não me esquecerei de ti» (Is 49,15).

Como isto é bonito! Deus não se esquece de nós, de cada um de nós! De cada um de nós com nome e sobrenome. Ama-nos e não nos esquece. Que belo pensamento... Este convite à confiança em Deus encontra paralelo numa página do Evangelho de Mateus:

«Olhai para as aves do céu - diz Jesus - não semeiam, nem ceifam, nem recolhem em celeiros; e o vosso Pai do céu alimenta-as... Observai como crescem os lírios do campo! Não trabalham nem fiam. Pois Eu vos digo: nem Salomão, em toda a sua magnificência, se vestiu como qualquer deles» (Mt 6,26.28-29).

Mas, pensando em tantas pessoas que vivem em condi­ções precárias, ou até na miséria que ofende a sua dignidade, estas palavras de Jesus poderiam parecer abstratas, ou até ilu­sórias. Na realidade, são atuais como nunca! Recordam-nos que não se pode servir a dois senhores: a Deus e à riqueza. Enquanto cada um procurar acumular para si, nunca haverá justiça. Ouvi bem isto! Enquanto cada um procurar acumular para si, nunca haverá justiça. Se, ao contrário, confiando na Providência de Deus, procurarmos juntos o seu Reino, então não faltará a ninguém o necessário-para viver dignamente.

Um coração ocupado pela cupidez de possuir é um cora­ção cheio desta cobiça de possuir, mas vazio de Deus. Por isso, Jesus admoestou várias vezes os ricos, porque para eles é alto o risco de ancorar a própria segurança nos bens deste mundo, e a segurança, a segurança definitiva, está em Deus.

Num coração possuído pelas riquezas, não há lugar para a fé. Se, pelo contrário, se deixa a Deus o lugar que lhe compete, isto é, o primeiro, então o seu amor leva a partilhar também as riquezas, a pô-las ao serviço de projetos de solidariedade e de progresso, como demonstram tantos exemplos, até recentes, na história da Igreja. E assim a Providência de Deus passa através do nosso serviço aos outros, do nosso partilhar com os outros. Se cada um de nós não acumular riquezas só para si, mas as puser ao serviço dos outros, nesse caso a Providência de Deus torna-se visível nesse gesto de solida­riedade.

Se, ao invés, cada um acumular só para si, o que lhe acontecerá quando for chamado por Deus? Não poderá levar as riquezas consigo, porque - sabeis - o sudário não tem bolsos! É melhor partilhar, porque só levamos para o Céu aquilo que partilhamos com os outros.

O caminho que Jesus indica pode parecer pouco realista em relação à mentalidade comum e aos problemas da crise económica; mas, se pensarmos bem, reconduz-nos à justa escala de valores. Ele diz: «Porventura não é o corpo mais do que o vestido e a vida mais do que o alimento?» (Mt 6,25).

Para fazer de maneira a que a ninguém falte o pão, a água, o vestuário, a casa, o trabalho, a saúde, é preciso que todos nos reconheçamos filhos do Pai que está nos céus e, por con­seguinte, irmãos entre nós, e que nos comportemos de modo consequente. O caminho para a paz é a fraternidade: este andar junto, partilhar as coisas juntos.

À luz da Palavra de Deus, invoquemos a Virgem Maria como Mãe da divina Providência. A ela confiemos a nossa existência, o caminho da Igreja e da humanidade. Em par­ticular, invoquemos a sua intercessão para que todos nos esforcemos por viver com um estilo simples e sóbrio, com o olhar atento às necessidades dos irmãos mais carentes.

A falsa felicidade do efémero

A alegria não é a emoção de um momento: é outra coisa! A verdadeira alegria não vem das coisas, do ter, não! Nasce do encontro, da relação com os demais, nasce do sentir-se aceite, compreendido, amado e do aceitar, do com­preender e do amar: e isto não pelo interesse de um momento, mas porque o outro, a outra, é uma pessoa.

A alegria nasce da imprevisibilidade de um encontro! É tu ouvir dizer-te: «Tu és importante para mim», não necessariamente com pala­vras. Isto é bonito... E é precisamente isto que Deus nos faz compreender. Ao chamar-vos, Deus diz-vos: «Tu és impor­tante para mim, eu amo-te, conto contigo». Jesus diz isto a cada um de nós! Disto nasce a alegria! A alegria do momento em que Jesus olhou para mim.

Compreender e sentir isto é o segredo da nossa alegria. Sentir-se amado por Deus, sentir que para Ele nós não somos números, mas pessoas; e sentir que é Ele que nos chama.

Tomar-se sacerdote, religioso, religiosa, não é primeiramente uma escolha nossa. É a resposta a uma chamada, a uma cha­mada de amor. Sinto algo dentro de mim, que me desassos­sega, e respondo sim. Na oração, o Senhor faz-nos sentir este amor, mas também o faz através de muitos sinais que pode­mos ler na nossa vida e de tantas pessoas que põe no nosso caminho. E a alegria do encontro com Ele e da sua chamada faz com que não nos fechemos, mas que nos abramos; leva ao serviço na Igreja.

São Tomás dizia «bonum est diffusivum sui», o bem difunde-se. E também a alegria se difunde. Não tenhais medo de mostrar a alegria de ter respondido à chamada do Senhor, à sua escolha de amor e de testemunhar o seu Evangelho no serviço à Igreja. E a ale­gria, a verdadeira alegria, é contagiosa; contagia... faz ir em frente. Ao contrário, quando te encontras com um semina­rista demasiado sério, demasiado triste, ou com uma noviça assim, pensas: «qualquer coisa não está bem!» Falta a alegria do Senhor, a alegria que te leva ao serviço, a alegria do encon­tro com Jesus, que te conduz ao encontro com os outros para anunciar Jesus. Falta isso! Não há santidade na tristeza, não há!

Santa Teresa de Ávila dizia: «Um santo triste é um triste santo!». Tem pouca importância... Quando encontras um seminarista, um padre, uma freira, uma noviça, amuados, tristes, que parece que alguém lançou sobre a sua vida um cobertor muito molhado, muito pesado... dos que te deitam abaixo... Algo não está bem! Então, por favor: nunca haja freiras, sacerdotes, com a cara «azeda», nunca! A alegria vem de Jesus. Pensai nisto: quando um padre - digo um padre, mas também um seminarista - quando a um seminarista, a uma freira, falta a alegria e anda triste, vós podeis pensar: «É um problema psicológico». E é verdade que pode ser, pode ser isso sim. Acontece: alguns infelizmente, adoecem… Pode ser. Mas em geral não é um problema psicológico. É um problema de insatisfação? Claro que sim!

Mas onde está o cerne daquela falta de alegria? É um pro­blema de celibato. Explico. Vós, seminaristas, freiras, consa­grais o vosso amor a Jesus, um amor grande; o coração é para Jesus, e isto leva-vos a fazer o voto de castidade, o voto de celibato. Mas o voto de castidade e o voto de celibato não aca­bam no momento em que se emitem, continuam... Um cami­nho que amadurece, amadurece, amadurece até à paternidade pastoral, até à maternidade pastoral, e quando um sacerdote não é pai da sua comunidade, quando uma religiosa não é mãe de todos aqueles com quem trabalha, torna-se triste. Eis o problema. Por isto vos digo: a raiz da tristeza na vida pastoral consiste precisamente na falta de paternidade e de maternidade que vem do viver mal esta consagração que, ao contrário, nos deve conduzir à fecundidade. Não se pode imaginar um sacerdote ou urna religiosa que não sejam fecun­dos: isto não é católico! Não é católico! É esta a beleza da consagração: a alegria, a alegria...

A doença estéril do pessimismo

A alegria do Evangelho é tal que nada e ninguém no-la poderá tirar (cf. Jo 16,22). Os males do nosso mundo - e os da Igreja - não deveriam servir como desculpa para reduzir a nossa entrega e o nosso ardor. Vejamo-los como desafios para crescer. Além disso, o olhar crente é capaz de reconhecer a luz que o Espírito Santo sempre irradia no meio da escuridão, sem esquecer que, «onde abundou o pecado, superabundou a graça» (Rm 5,20). A nossa fé é desafiada a entrever o vinho em que a água pode ser transformada, e a descobrir o trigo que cresce no meio do joio. Apesar de nos entristecerem as misérias do nosso tempo e de estarmos longe de otimis­mos ingénuos; um maior realismo não deve significar menor confiança no Espírito, nem menor generosidade.

Uma das tentações mais sérias que sufoca o fervor e a ousadia é a sensação de derrota que nos transforma em pessimistas lamurientos e desencantados, com cara de «vina­gre». Ninguém pode empreender uma luta se de antemão não está plenamente confiante no triunfo. Quem começa sem confiança, perdeu já metade da batalha e enterra os seus talentos. Embora com a dolorosa consciência das próprias fraquezas, há que seguir em frente, sem se dar por vencido, e recordar o que disse o Senhor a São Paulo: «Basta-te a minha graça, porque a força manifesta-se na fraqueza» (2 Cor 12,9).

O triunfo cristão é sempre uma cruz, mas cruz que é, simul­taneamente, estandarte de vitória, que se empunha com ter­nura batalhadora contra as investidas do mal. O mau espírito da derrota é irmão da tentação de separar prematuramente o trigo do joio, resultado de uma desconfiança ansiosa e ego­cêntrica.

É verdade que, nalguns lugares, se produziu uma «deser­tificação» espiritual, fruto do projeto de sociedades que querem construir-se sem Deus ou que destroem as suas raí­zes cristãs.  Noutros países, a resistência violenta ao cristianismo obriga os cristãos a viverem a sua fé às escondidas no país que amam. Esta é outra forma muito triste de deserto. E a própria famí­lia ou o lugar de trabalho podem ser também o tal ambiente árido, onde há que conservar a fé e procurar irradiá-la.

Mas «é precisamente a partir da experiência deste deserto, deste vazio, que podemos redescobrir a alegria de crer, a sua impor­tância vital pata nós, homens e mulheres. No deserto, é pos­sível redescobrir o valor daquilo que é essencial para a vida; assim sendo, no mundo de hoje, há inúmeros sinais da sede de Deus, do sentido último da vida, ainda que muitas vezes expressos implícita ou negativamente. E, no deserto, existe sobretudo a necessidade de pessoas de fé que, com as suas próprias vidas, indiquem o caminho para a Terra Prometida, mantendo assim viva a esperança» (Bento XVI, Homilia na Missa de abertura do Ano da Fé, 11 de outubro 2012).

Em todo o caso, nestas circunstâncias somos chamados a ser pessoas-cântaro para dar de beber aos outros. Às vezes o cântaro transforma-se numa pesada cruz, mas foi precisamente na Cruz que o Senhor, trespassado. Se Ele nos entregou como fonte de água viva. Não deixemos que nos roubem a esperança!

A indústria da destruição

Quando, no Livro do Apocalipse, ouvimos a voz do Anjo que dama em voz alta aos quatro Anjos a quem tinha sido concedido devastar a terra e o mar, destruindo tudo:

«Não danifiqueis a terra, nem o mar, nem as árvores» (4 7,3) e nós somos capazes de devastar a terra melhor do que os Anjos. E é o que continuamos a fazer, é isto que levamos a cabo: devastar a Criação, destruir a vida, aniquilar as culturas, devastar os valores e destruir a espe­rança.

Quanta necessidade temos da força do Senhor, para que nos trave com o seu amor e com a sua força, para impe­dir esta desvairada corrida de destruição! Devastação daquilo que Ele nos concedeu, das coisas mais bonitas que Ele criou para nós, para que cuidássemos delas e as fizéssemos crescer, para dar fruto.

O homem apodera-se de tudo, julga-se Deus, julga-se rei. E as guerras: as guerras que continuam, não para semear o trigo da vida, mas para destruir. É a indústria da des­truição! É um sistema, também de vida, em que, quando as coisas não podem ser resolvidas, são descartadas: descartam­-se as crianças, descartam-se os idosos, descartam-se os jovens desempregados. Esta devastação provocou uma cultura do descartável: descartam-se povos inteiros... Eis a primeira ima­gem que me vem à mente, quando ouvimos esta passagem do Apocalipse.

Eis a segunda imagem, na mesma Leitura: esta «grande multidão, que ninguém podia contar, de todas as nações, tri­bos, povos e línguas» (7,9). Os povos, a gente... esses pobres que, para salvar a sua vida, têm de fugir das próprias casas, das suas gentes, das suas aldeias, rumo ao deserto.., e vivem em tendas, sentem frio, sem remédios, famintos, porque o «deus-homem» se apoderou da Criação, de toda aquela beleza que Deus criou para nós.

Mas quem paga a festa? Eles! Os mais pequeninos, os pobres, aqueles que, como pessoas, acabaram descartados. E isto não é uma história antiga: acontece hoje. Direi mais: parece que estas pessoas, estas crianças famintas e enfermas não contam, parece que são de outra espécie, que não são humanas. Esta multidão encontra-se diante de Deus e suplica: «Por favor, salvação! Por favor, paz! Por favor, pão! Por favor, trabalho! Por favor, filhos e avós! Por favor, jovens com a dig­nidade de poder trabalhar!»

Entre estas pessoas perseguidas encontram-se também as que são perseguidas pela fé. «Então um dos Anciãos falou comigo e perguntou-me: "Esses, que estão vestidos com vestes brancas, quem são e de onde vêm?" ( ...) "Esses são os sobreviventes do grande tormento; lavaram as suas vestes e purificaram-nas no sangue do Cordeiro"» (7,13.14). E hoje, sem exagerar, no dia de todos os Santos, gostaria que pensássemos em todos eles, nos Santos desco­nhecidos. Pecadores como nós, pior do que nós, mas des­truídos. A todas estas pessoas que vêm do grande tormento. A maior parte do mundo vive em tormento. E o Senhor san­tifica este povo, pecador como nós, mas santifica-o com o tormento.

E no fim, a terceira imagem: Deus. A primeira, a devas­tação; a segunda, as vítimas; e a terceira, Deus. Na Primeira Carta de São João ouvimos: «Desde já somos filhos de Deus, mas ainda não se manifestou o que havemos de ser. Sabe­mos que, quando isso se manifestar, seremos semelhantes a Deus, porque o veremos como Ele é» (1 Jo 3,2): ou seja, a esperança. E esta é a bênção do Senhor, que ainda é a nossa: a esperança. A esperança de que Ele tenha piedade do seu povo, tenha piedade daqueles que vivem no grande tormento e que tenha piedade também dos destruidores, a fim de que se convertam. É assim que a santidade da Igreja progride: com este povo, com cada um de nós, que veremos Deus como Ele é. Qual deve ser a nossa atitude, se quisermos fazer parte deste povo e caminhar rumo ao Pai, neste mundo de devas­tação, neste mundo de guerras, neste mundo de tormento?

Como ouvimos no Evangelho de Mateus, a nossa atitude é a das Bem-Aventuranças. Somente este caminho nos levará ao encontro com Deus. Só esta vereda nos salvará da destruição, da devastação da terra, da Criação, da moral, da história, da família, de tudo. Unicamente este caminho: contudo, far-nos-á passar por situações difíceis! Trar-nos-á problemas e perse­guição. Mas só este caminho nos levará em frente. E assim, este povo que hoje sofre tanto, devido ao egoísmo dos devas­tadores, dos nossos irmãos devastadores, este povo progride através das Bem-Aventuranças, da esperança de descobrir Deus, de se encontrar face a face com o Senhor, com a espe­rança de se tomarem santos no momento do encontro defi­nitivo com Ele.

Que o Senhor nos ajude e nos conceda a graça desta espe­rança, mas também a graça da coragem de sair de tudo aquilo que é destruição, devastação, relativismo de vida, exclusão do próximo, exclusão dos valores e exclusão de tudo o que o Senhor nos ofereceu: exclusão da paz. Que Ele nos liberte de tudo isto e nos conceda a graça de caminhar na esperança de nos encontrarmos um dia face a face com Ele. E esta espe­rança, irmãos e irmãs, não desilude!

O paradoxo da abundância

A Igreja, como sabeis, procura estar sempre atenta e ser solícita em relação a tudo o que se refere ao bem-estar espiritual e material das pessoas, em especial de quantos vivem marginalizados e excluídos, para que sejam garan­tidas a sua segurança e dignidade.

Os destinos de cada nação estão mais do que nunca rela­cionados entre si, como os membros de uma mesma família que dependem uns dos outros. Mas vivemos numa época em que as relações entre as nações são frequentemente dete­rioradas pela suspeita recíproca que, por vezes, se transforma em formas de agressão bélica e económica, mina a amizade entre irmãos e rejeita ou descarta quem já era excluído. Sabe isto muito bem quem não tem o pão diário nem um trabalho digno. É este o quadro mundial, no qual se devem reconhe­cer os limites das organizações que se baseiam na soberania de cada um dos Estados, entendida como absoluta, e nos interesses nacionais, muitas vezes condicionados por peque­nos grupos de poder. (...)

Hoje fala-se muito de direitos, esquecendo muitas vezes os deveres. Talvez não nos tenhamos preocupado o suficiente por quantos sofrem de fome. Além disso, é doloroso cons­tatar que a luta contra a fome e a subalimentação é ultra­passada pela «prioridade do mercado», e pela «primazia do lucro», que reduziram os alimentos a uma comum merca­doria, sujeita a especulações, até financeiras. E quando se fala de novos direitos, o faminto está ali, na esquina da rua, e pede o direito de cidadania, pede para ser considerado na sua condição, pede para receber uma alimentação básica sadia. Pede-nos dignidade, não esmola.

Estes critérios não podem permanecer no limbo da teo­ria. As pessoas e os povos exigem que se ponha em prática a justiça; não só a justiça legal, mas também a contributiva e distributiva. Por conseguinte, os planos de desenvolvimento e o trabalho das organizações internacionais deveriam ter em consideração o desejo, tão frequente entre as pessoas comuns, de ver respeitados em todas as circunstâncias os direitos fundamentais da pessoa humana e, no caso que abor­damos, da pessoa que tem fome. Quando isto acontecer, tam­bém as intervenções humanitárias, as ações urgentes de ajuda e de desenvolvimento - o verdadeiro e integral - terão maior impulso e darão os frutos desejados.

A preocupação com a produção, a disponibilidade de alimentos e o acesso a eles, as mudanças climatéricas e o comércio agrícola devem indubitavelmente inspirar regras e medidas técnicas, mas a primeira preocupação devem ser as pessoas, e quantas não têm o alimento diário e deixam de pensar na vida, nas relações familiares e sociais, para lutar unicamente pela sobrevivência. O Santo Padre João Paulo II, na inauguração da Primeira Conferência sobre a Alimen­tação, em 1992, advertiu a comunidade internacional acerca do risco do «paradoxo da abundância»: há alimento para todos, mas nem todos podem comer, enquanto o desperdí­cio, o descarte, o consumo excessivo e o uso de alimentos para outros fins estão diante dos nossos olhos. Eis o para­doxo! Infelizmente, este «paradoxo» continua a ser atual. Há poucos temas sobre os quais se exibem tantos sofismas como a fome; e poucos argumentos tão suscetíveis de ser mani­pulados pelos dados, pelas estatísticas, pelas exigências de segurança nacional, pela corrupção ou por uma chamada dolorosa à crise económica. É este o primeiro desafio que deve ser superado.

O segundo desafio que deve ser enfrentado é a falta de soli­dariedade. Uma palavra que, no fundo de nós, suspeitamos ter de eliminar do dicionário. As nossas sociedades carateri­zam-se por um individualismo crescente e pela divisão; isto acaba por privar os mais débeis de uma vida digna e por pro­vocar revoltas contra as instituições. Quando num país não há solidariedade, todos se ressentem disso. De facto, a solida­riedade é a atitude que faz com que as pessoas sejam capazes de ir ao encontro do outro e de fundar as suas próprias rela­ções recíprocas naquele sentimento de fraternidade que vai para além das diferenças e dos limites, e leva a procurar jun­tos o bem comum.

Os seres humanos, na medida em que tomam consciência de ser parte responsável no desígnio da criação, tornam-se capazes de se respeitar reciprocamente, em vez de se comba­terem entre si, danificando e empobrecendo o planeta. Tam­bém aos Estados, concebidos como comunidades de pessoas e povos, é pedido que ajam de comum acordo, que estejam dispostos a ajudar-se uns aos outros mediante os princípios e as normas que o direito internacional põe à sua disposi­ção. Uma fonte inexaurível de inspiração é a lei natural, ins­crita no coração humano, que fala uma linguagem que todos podem compreender: amor, justiça, paz, elementos insepa­ráveis entre si. Como as pessoas, também os Estados e as instituições internacionais são chamados a acolher e cultivar estes valores, num espírito de diálogo e de escuta recíproca. Deste modo, o objetivo de alimentar a família humana torna­-se realizável.

Cada mulher, homem, criança ou idoso deve poder con­tar com estas garantias em toda a parte. E é um dever de cada Estado, atento ao bem-estar dos seus cidadãos, subscrevê-las sem reservas e preocupar-se com a sua aplicação. Isto exige perseverança e apoio. A Igreja católica procura oferecer também neste âmbito o próprio contributo, mediante uma atenção constante à vida dos pobres, dos necessitados em todas as partes dó planeta; move-se nesta mesma linha o compromisso ativo da Santa Sé nas organizações interna­cionais e com os seus numerosos documentos e declarações. Desta forma pretende-se contribuir para a identificação e adoção de critérios que o desenvolvimento de um sistema internacional equitativo deve satisfazer. São critérios que, a nível ético, se baseiam em pilares como a verdade, a liber­dade, a justiça e a solidariedade; ao mesmo tempo, no âmbito jurídico, estes critérios incluem a relação entre o direito à alimentação e o direito à vida e a uma existência digna, o direito de ser tutelado pela lei, nem sempre próxima da rea­lidade de quem sofre a fome, e a obrigação moral de parti­lhar a riqueza económica do mundo.

Se se acredita no princípio da unidade da família humana, fundado na paternidade de Deus Criador e na fraternidade dos seres humanos, nenhuma forma de pressão política ou económica que se sirva da disponibilidade de alimentos pode ser aceitável. Pressão política e económica. Penso na nossa irmã e mãe Terra, o Planeta. Preservar o Planeta. Recordo uma frase que ouvi de um ancião, há muitos anos: «Deus perdoa sempre, as ofensas os abusos; Deus perdoa sempre. Os homens perdoam de vez em quando. A Terra nunca per­doa!». Preservemos a irmã Terra, a mãe Terra, para que não responda com destruição. Mas, sobretudo, nenhum sistema de discriminação, de fado ou de direito, vinculado à capacidade de acesso ao mercado de alimentos, deve ser tomado como modelo das ações internacionais que se propõem eliminar a fome.

A engrenagem de consumismo desenfreado

Sinto obrigação, antes de mais, de sublinhar a ligação estreita que existe entre estas duas palavras: «dignidade» e «transcendente».

«Dignidade» é uma palavra-chave que caraterizou a recu­peração após a Segunda Guerra Mundial. A nossa história recente carateriza-se pela inegável centralidade da promoção da dignidade humana contra as múltiplas violências e dis­criminações que não faltaram, ao longo dos séculos, nem mesmo na Europa. A perceção da importância dos direitos humanos nasce precisamente como resultado de um longo caminho, feito também de muitos sofrimentos e sacrifícios, que contribuiu para formar a consciência da preciosidade, unicidade e irrepetibilidade de cada pessoa humana. Esta tomada de consciência cultural tem o seu fundamento não só nos acontecimentos da história, mas sobretudo no pensamento europeu, caraterizado por um encontro marcante cujas numerosas e distantes fontes provêm «da Grécia e de Roma, de substratos celtas, germânicos e eslavos, e do cris­tianismo que os plasmou profundamente» (João Paulo II, Discurso na Assembleia do Conselho da Europa, 8 outubro 1998), dando origem ao conceito de «pessoa».

Hoje, a promoção dos direitos humanos ocupa um papel central no empenho da União Europeia em promover a dig­nidade da pessoa, tanto no âmbito interno como nas relações com os outros países. Trata-se de um compromisso impor­tante e admirável, porque persistem ainda muitas situações onde os seres humanos são tratados como objetos, dos quais se pode programar a conceção, a configuração e a utilidade, podendo depois ser jogados fora quando já não servem por­que se tornaram frágeis, doentes ou velhos.

Realmente, que dignidade existe quando não há possibi­lidade de exprimir livremente o pensamento ou professar sem coerção a própria fé religiosa? Que dignidade é possível sem um quadro jurídico claro, que limite o domínio da força e faça prevalecer a lei sobre a tirania do poder? Que dignidade podem ter um homem ou uma mulher tornados objetos de todo o género de discriminação? Que dignidade poderá encon­trar uma pessoa que não tem o alimento ou o mínimo essen­cial para viver e, pior ainda, que não tem o trabalho que o unge de dignidade?

Promover a dignidade da pessoa significa reconhecer que ela possui direitos inalienáveis, de que não pode ser privada por arbítrio de ninguém e, muito menos, para benefício de interesses económicos.

É preciso, porém, ter cuidado para não cair em alguns equí­vocos que podem surgir de um errado conceito de direitos humanos e de um abuso paradoxal dos mesmos. De facto, há hoje a tendência para uma reivindicação crescente de direi­tos individuais - sinto-me tentado a dizer individualistas -, que esconde uma conceção de pessoa humana separada de todo o contexto social e antropológico, quase como uma «mónada» cada vez mais insensível às outras «mónadas» à sua volta. Ao conceito de direito já não se associa o conceito igualmente essencial e complementar de dever, acabando por afirmar-se os direitos do indivíduo sem ter em conta que cada ser humano está unido a um contexto social, onde os seus direitos e deveres estão ligados aos dos outros e ao bem comum da própria sociedade.

Por isso, considero que hoje seja mais vital do que nunca aprofundar uma cultura dos direitos humanos que possa sapientemente ligar a dimensão individual, ou melhor, pessoal, à do bem comum, àquele «todos nós» formado por indivíduos, famílias e grupos intermédios que se unem em comunidade social. Na realidade, se o direito de cada um não está harmoniosamente ordenado para o bem maior, acaba por conceber-se sem limitações e, por conseguinte, tornar­-se fonte de conflitos e violências.

Assim, falar da dignidade transcendente do homem significa apelar para a sua natureza, a sua capacidade inata de distin­guir o bem do mal, para aquela «bússola» inscrita nos nossos corações e que Deus imprimiu no universo criado; significa sobretudo olhar para o homem, não como um absoluto, mas como um ser relacional. Uma das doenças que, hoje, vejo mais difusa na Europa é a solidão, típica de quem está pri­vado de vínculos. Vemo-la particularmente nos idosos, mui­tas vezes abandonados à sua sorte, bem como nos jovens, privados de pontos de referência e de oportunidades para o futuro; vemo-la nos numerosos pobres que povoam as nos­sas cidades; vemo-la no olhar perdido dos imigrantes que vieram para cá à procura de um futuro melhor.

Uma tal solidão foi, depois, agravada pela crise econó­mica, cujos efeitos persistem ainda com consequências dra­máticas do ponto de vista social. ( ... )

A isto vêm juntar-se alguns estilos de vida um pouco egoístas, caraterizados por uma opulência atualmente insus­tentável e muitas vezes indiferente ao mundo circundante, sobretudo aos mais pobres. No centro do debate político, constata-se lamentavelmente a preponderância das ques­tões técnicas e económicas em detrimento de uma autên­tica orientação antropológica. O ser humano corre o risco de ser reduzido a mera engrenagem dum mecanismo que o trata como se fosse um bem de consumo a ser utilizado, de modo que a vida - como vemos, infelizmente, com muita frequência -, quando deixa de ser funcional para esse mecanismo, é descartada sem muitas delongas, como no caso dos doentes, dos doentes terminais, dos idosos aban­donados e sem cuidados, ou das crianças eliminadas antes de nascer.

É o grande equívoco que se verifica «quando prevalece a absolutização da técnica» (Bento XVI, Caritas in veritate, 71), acabando por gerar «uma confusão entre fins e meios» (ibidem) que é o resultado inevitável da «cultura do descarte» e do «con­sumismo exacerbado». Pelo contrário, afirmar a dignidade da pessoa significa reconhecer a preciosidade da vida humana, que nos é dada gratuitamente não podendo, por conseguinte, ser objeto de troca ou de comércio. ( ... ) Cuidar da fragilidade quer dizer força e ternura, luta e fecundidade, no meio de um modelo funcionalista e individualista que conduz ine­xoravelmente à «cultura do descarte». Cuidar da fragilidade das pessoas e dos povos significa guardar a memória e a espe­rança; significa assumir o presente na sua situação mais mar­ginal e angustiante e ser capaz de ungi-lo de dignidade.

 As tentações do pastor.

A s tentações, que procuram ofuscar o primado de Deus e do seu Cristo, são um «batalhão» na vida do Pastor: vão da tibieza, que acaba em mediocridade, à busca de uma vida sossegada, que se esquiva a renúncias e sacrifícios. É tentação a impetuosidade pastoral, ao mesmo nível da sua meia-irmã, aquela acídia que leva à impaciência, como se tudo fosse apenas um peso. Tentação é a presunção de quem se convence de que pode contar apenas com as suas próprias forças, com a abundância de recursos e de estruturas, com as estratégias organizacionais que sabe pôr em ação. Tenta­ção é acomodar-se na tristeza que, enquanto apaga qualquer expetativa e criatividade, nos deixa insatisfeitos e, portanto, incapazes de entrar na vida concreta do nosso povo, e de o entender à luz da manhã de Páscoa.

Se nos afastarmos de Jesus Cristo, se o encontro com Ele perder a sua frescura, acabaremos por só tocar com a mão na esterilidade das nossas palavras e das nossas iniciativas. Porque os planos pastorais são úteis, mas a nossa confiança está noutro lado: no Espírito do Senhor que - na medida da nossa docilidade - nos abre de par em par, continua­mente, os horizontes da missão.

Para evitar encalhar nos recifes, a nossa vida espiritual não pode reduzir-se a uns poucos momentos religiosos. Na sucessão dos dias e das estações, no suceder-se das idades e dos acontecimentos, exercitemo-nos em nos considerarmos pessoas que contemplam Aquele que não passa: espirituali­dade significa regresso ao essencial, àquele bem que ninguém nos pode tirar, ao único bem verdadeiramente necessário. Até nos momentos de aridez, quando as situações pastorais se tornam difíceis e quando temos a impressão de estarmos sozinhos, ela é um manto de consolação maior do que qual­quer dissabor; é a medida da liberdade de julgamento do chamado «senso comum»; é fonte de júbilo, que nos leva a receber tudo das mãos de Deus, a ponto de contemplarmos a sua presença em tudo e em todos.

Portanto, não nos cansemos de procurar o Senhor - de nos deixarmos buscar por Ele - de cuidar da nossa relação com Ele no silêncio e na escuta orante. Mantenhamos fixo o nosso olhar sobre Ele, centro do tempo e da história; reser­vemos espaço à sua presença em nós; é Ele o princípio e o fundamento que cobre de misericórdia as nossas debilidades e tudo transfigura e renova; Ele é aquilo que de mais precioso somos chamados a oferecer à nossa gente, caso contrário acabaremos por deixá-lo à mercê de uma sociedade da indi­ferença, se não mesmo do desespero. Dele - ainda que o ignorasse - vive cada homem. Por Ele, Homem das Bem­-Aventuranças - página evangélica que volta quotidiana­mente à minha meditação - passa a medida alta da santidade: se tivermos a intenção de O seguir, não nos é dado outro caminho. Percorrendo-o com Ele, descobrimo-nos como povo, acabando por reconhecer com enlevo e gratidão que tudo é graça, inclusive as dificuldades e as contradições da vivência humana, se forem experimentadas com o coração aberto ao Senhor, com a paciência do artesão e com o coração do pecador arrependido.

 

Não nos apoderemos da vinha

Janto o profeta Isaías (5,1-7) como o Evangelho de Mateus (21,3343) utilizam a imagem da vinha do Senhor. A vinha do Senhor é o seu «sonho», o projeto que Ele cultiva com todo o seu amor, como um agricultor cuida do seu vinhedo. A videira é uma planta que requer muitos cuidados!

O «sonho» de Deus é o seu povo: plantou-o e cultiva-o com amor paciente e fiel, para se tornar um povo santo, um povo que produza muitos e bons frutos de justiça.

Mas, tanto na antiga profecia como na parábola de Jesus, o sonho de Deus é frustrado. Isaías diz que a vinha, tão amada e cuidada, «produziu agraços» (5,2.4), enquanto Deus «esperava a justiça, e eis que só viu derramamento de san­gue; esperava a retidão, e eis que só ouviu gritos dos opri­midos» (5,7). Por sua vez, no Evangelho, são os agricultores que arruínam o projeto do Senhor: não trabalham para o Senhor, pensam apenas nos seus interesses.

Através da sua parábola, Jesus dirige-se aos sumos sacer­dotes e aos anciãos do povo, isto é, aos «sábios», à classe dirigente. Foi a eles, de modo particular, que Deus confiou o seu «sonho», isto é, o seu povo, para que o cultivem, cuidem dele e o guardem dos animais selvagens. Esta é a tarefa dos líderes do povo: cultivar a vinha com liberdade, criatividade e diligência.

Mas Jesus diz que aqueles agricultores se apoderaram da vinha; pela sua ganância e soberba, querem fazer dela aquilo que lhes apetece e, assim, tiram a Deus a possibilidade de realizar o seu sonho a respeito do povo que Ele escolheu.

A tentação da ganância está sempre presente. Encontramo­-la também na grande profecia de Ezequiel sobre os pastores (cf. cap. 34), comentada por Santo Agostinho num famoso Dis­curso que lemos na liturgia das Horas. Ganância de dinheiro e de poder. E, para saciar esta ganância, os maus pastores colo­cam sobre os ombros do povo pesos insuportáveis, que eles próprios nem com um dedo ajudam a deslocar (cf. Mt 23,4).

Também nós, no Sínodo dos Bispos, somos chamados a trabalhar para a vinha do Senhor. As assembleias sinodais não servem para discutir ideias bonitas e originais, nem para ver quem é mais inteligente... Servem para cultivar e guar­dar melhor a vinha do Senhor, para cooperar no seu sonho, no seu projeto de amor a respeito do seu povo. Neste caso, o Senhor pede-nos para cuidarmos da família que, desde os primórdios, é parte integrante do desígnio de amor que ele tem para a humanidade.

Somos todos pecadores e também a nós pode chegar a tentação de «nos apoderarmos» da vinha, pela ganância que nunca falta em nós, seres humanos. O sonho de Deus esbarra sempre na hipocrisia de alguns dos seus servidores. Pode­mos «frustrar» o sonho de Deus se não nos deixarmos guiar pelo Espírito Santo. O Espírito dá-nos a sabedoria, que vai além da ciência, para trabalharmos generosamente com ver­dadeira liberdade e humilde criatividade.

Para cultivarmos e guardarmos bem a vinha, é preciso que os nossos corações e as nossas mentes sejam guardados em Jesus Cristo na «paz de Deus que supera toda a inteli­gência» (Ftp 4,7). Assim, os nossos pensamentos e os nossos projetos estarão de acordo com o sonho de Deus: formar para Si um povo santo que Lhe pertença e produza os frutos do Reino de Deus (cf. Mt 21,43).

 

Papa Francisco, O Evangelho da vida nova, Edição portuguesa, Editora Nascente, Braga, 2015, pp. 14-45

A falsa felicidade do efémero

 A alegria não é a emoção de um momento: é outra coisa! A verdadeira alegria não vem das coisas, do ter, não! Nasce do encontro, da relação com os demais, nasce do sentir-se aceite, compreendido, amado e do aceitar, do com­preender e do amar: e isto não pelo interesse de um momento, mas porque o outro, a outra, é uma pessoa.

A alegria nasce da imprevisibilidade de um encontro! Ë ouvir-se dizer: «Tu és importante para mim», não necessariamente com pala­vras. Isto é bonito... E é precisamente isto que Deus nos faz compreender. Ao chamar-vos, Deus diz-vos: «Tu és impor­tante para mim, eu amo-te, conto contigo». Jesus diz isto a cada um de nós! Disto nasce a alegria! A alegria do momento em que Jesus olhou para mim.

Compreender e sentir isto é o segredo da nossa alegria. Sentir-se amado por Deus, sentir que para Ele nós não somos números, mas pessoas; e sentir que é Ele que nos chama.

 A doença estéril do pessimismo

A alegria do Evangelho é tal que nada e ninguém no-la poderá tirar (cf. Jo 16,22). Os males do nosso mundo - e os da Igreja - não deveriam servir como desculpa para reduzir a nossa entrega e o nosso ardor. Vejamo-los como desafios para crescer. Além disso, o olhar crente é capaz de reconhecer a luz que o Espírito Santo sempre irradia no meio da escuridão, sem esquecer que, «onde abundou o pecado, superabundou a graça» (Rm 5,20). A nossa fé é desafiada a entrever o vinho em que a água pode ser transformada, e a descobrir o trigo que cresce no meio do joio. Apesar de nos entristecerem as misérias do nosso tempo e de estarmos longe de otimis­mos ingénuos; um maior realismo não deve significar menor confiança no Espírito, nem menor generosidade.

Uma das tentações mais sérias que sufoca o fervor e a ousadia é a sensação de derrota que nos transforma em pessimistas lamurientos e desencantados, com cara de «vina­gre». Ninguém pode empreender uma luta se de antemão não está plenamente confiante no triunfo. Quem começa sem confiança, perdeu já metade da batalha e enterra os seus talentos. Embora com a dolorosa consciência das próprias fraquezas, há que seguir em frente, sem se dar por vencido, e recordar o que disse o Senhor a São Paulo: «Basta-te a minha graça, porque a força manifesta-se na fraqueza» (2 Cor 12,9).

O triunfo cristão é sempre uma cruz, mas cruz que é, simul­taneamente, estandarte de vitória, que se empunha com ter­nura batalhadora contra as investidas do mal. O mau espírito da derrota é irmão da tentação de separar prematuramente o trigo do joio, resultado de uma desconfiança ansiosa e ego­cêntrica.

É verdade que, nalguns lugares, se produziu uma «deser­tificação» espiritual, fruto do projeto de sociedades que querem construir-se sem Deus ou que destroem as suas raí­zes cristãs.  Noutros países, a resistência violenta ao cristianismo obriga os cristãos a viverem a sua fé às escondidas no país que amam. Esta é outra forma muito triste de deserto. E a própria famí­lia ou o lugar de trabalho podem ser também o tal ambiente árido, onde há que conservar a fé e procurar irradiá-la.

Mas «é precisamente a partir da experiência deste deserto, deste vazio, que podemos redescobrir a alegria de crer, a sua impor­tância vital pata nós, homens e mulheres. No deserto, é pos­sível redescobrir o valor daquilo que é essencial para a vida; assim sendo, no mundo de hoje, há inúmeros sinais da sede de Deus, do sentido último da vida, ainda que muitas vezes expressos implícita ou negativamente. E, no deserto, existe sobretudo a necessidade de pessoas de fé que, com as suas próprias vidas, indiquem o caminho para a Terra Prometida, mantendo assim viva a esperança» (Bento XVI, Homilia na Missa de abertura do Ano da Fé, 11 de outubro 2012).

Em todo o caso, nestas circunstâncias somos chamados a ser pessoas-cântaro para dar de beber aos outros. Às vezes o cântaro transforma-se numa pesada cruz, mas foi precisamente na Cruz que o Senhor, trespassado. Se Ele nos entregou como fonte de água viva. Não deixemos que nos roubem a esperança!

A indústria da destruição

Quando, no Livro do Apocalipse, ouvimos a voz do Anjo que dama em voz alta aos quatro Anjos a quem tinha sido concedido devastar a terra e o mar, destruindo tudo:

«Não danifiqueis a terra, nem o mar, nem as árvores» (4 7,3) e nós somos capazes de devastar a terra melhor do que os Anjos. E é o que continuamos a fazer, é isto que levamos a cabo: devastar a Criação, destruir a vida, aniquilar as culturas, devastar os valores e destruir a espe­rança.

Quanta necessidade temos da força do Senhor, para que nos trave com o seu amor e com a sua força, para impe­dir esta desvairada corrida de destruição! Devastação daquilo que Ele nos concedeu, das coisas mais bonitas que Ele criou para nós, para que cuidássemos delas e as fizéssemos crescer, para dar fruto.

O homem apodera-se de tudo, julga-se Deus, julga-se rei. E as guerras: as guerras que continuam, não para semear o trigo da vida, mas para destruir. É a indústria da des­truição! É um sistema, também de vida, em que, quando as coisas não podem ser resolvidas, são descartadas: descartam­-se as crianças, descartam-se os idosos, descartam-se os jovens desempregados. Esta devastação provocou uma cultura do descartável: descartam-se povos inteiros... Eis a primeira ima­gem que me vem à mente, quando ouvimos esta passagem do Apocalipse.

Eis a segunda imagem, na mesma Leitura: esta «grande multidão, que ninguém podia contar, de todas as nações, tri­bos, povos e línguas» (7,9). Os povos, a gente... esses pobres que, para salvar a sua vida, têm de fugir das próprias casas, das suas gentes, das suas aldeias, rumo ao deserto.., e vivem em tendas, sentem frio, sem remédios, famintos, porque o «deus-homem» se apoderou da Criação, de toda aquela beleza que Deus criou para nós.

Mas quem paga a festa? Eles! Os mais pequeninos, os pobres, aqueles que, como pessoas, acabaram descartados. E isto não é uma história antiga: acontece hoje. Direi mais: parece que estas pessoas, estas crianças famintas e enfermas não contam, parece que são de outra espécie, que não são humanas. Esta multidão encontra-se diante de Deus e suplica: «Por favor, salvação! Por favor, paz! Por favor, pão! Por favor, trabalho! Por favor, filhos e avós! Por favor, jovens com a dig­nidade de poder trabalhar!»

Entre estas pessoas perseguidas encontram-se também as que são perseguidas pela fé. «Então um dos Anciãos falou comigo e perguntou-me: "Esses, que estão vestidos com vestes brancas, quem são e de onde vêm?" ( ...) "Esses são os sobreviventes do grande tormento; lavaram as suas vestes e purificaram-nas no sangue do Cordeiro"» (7,13.14). E hoje, sem exagerar, no dia de todos os Santos, gostaria que pensássemos em todos eles, nos Santos desco­nhecidos. Pecadores como nós, pior do que nós, mas des­truídos. A todas estas pessoas que vêm do grande tormento. A maior parte do mundo vive em tormento. E o Senhor san­tifica este povo, pecador como nós, mas santifica-o com o tormento.

E no fim, a terceira imagem: Deus. A primeira, a devas­tação; a segunda, as vítimas; e a terceira, Deus. Na Primeira Carta de São João ouvimos: «Desde já somos filhos de Deus, mas ainda não se manifestou o que havemos de ser. Sabe­mos que, quando isso se manifestar, seremos semelhantes a Deus, porque o veremos como Ele é» (1 Jo 3,2): ou seja, a esperança. E esta é a bênção do Senhor, que ainda é a nossa: a esperança. A esperança de que Ele tenha piedade do seu povo, tenha piedade daqueles que vivem no grande tormento e que tenha piedade também dos destruidores, a fim de que se convertam. É assim que a santidade da Igreja progride: com este povo, com cada um de nós, que veremos Deus como Ele é. Qual deve ser a nossa atitude, se quisermos fazer parte deste povo e caminhar rumo ao Pai, neste mundo de devas­tação, neste mundo de guerras, neste mundo de tormento?

Como ouvimos no Evangelho de Mateus, a nossa atitude é a das Bem-aventuranças. Somente este caminho nos levará ao encontro com Deus. Só esta vereda nos salvará da destruição, da devastação da terra, da Criação, da moral, da história, da família, de tudo. Unicamente este caminho: contudo, faz-nos passar por situações difíceis! Trar-nos-á problemas e perse­guição. Mas só este caminho nos levará em frente. E assim, este povo que hoje sofre tanto, devido ao egoísmo dos devas­tadores, dos nossos irmãos devastadores, este povo progride através das Bem-Aventuranças, da esperança de descobrir Deus, de se encontrar face a face com o Senhor, com a espe­rança de se tomarem santos no momento do encontro defi­nitivo com Ele.

Que o Senhor nos ajude e nos conceda a graça desta espe­rança, mas também a graça da coragem de sair de tudo aquilo que é destruição, devastação, relativismo de vida, exclusão do próximo, exclusão dos valores e exclusão de tudo o que o Senhor nos ofereceu: exclusão da paz. Que Ele nos liberte de tudo isto e nos conceda a graça de caminhar na esperança de nos encontrarmos um dia face a face com Ele. E esta espe­rança, irmãos e irmãs, não desilude!

 

Papa Francisco, O Evangelho da vida nova, Edição portuguesa, Editora Nascente, Braga, 2015, pp. 18-28

Deus é Pai que educa os filhos

 «A Deus jamais alguém o viu; o Filho Unigénito, que é Deus, e está no seio do Pai, Ele o deu a conhecer.» (Jo 1,18). De facto, «No princípio existia o Verbo;o Verbo estava em Deus;e o Verbo era Deus. No princípio Ele estava em Deus.  Por Ele tudo começou a existir e sem Ele nada veio à existência (Jo 1,2-3).

São Paulo afirma: «Ele a imagem do Deus invisível, o primogénito de toda a criatura; porque foi nele que todas as coisas foram criadas, no céu e na terra, as visíveis e as invisíveis … Ele é anterior a todas as coisas e todas elas subsistem nele» (Col 1,15-17).

Jesus é de verdade o Filho de Deus, o Verbo eterno que presidiu a criação do mundo: «o Verbo fez-se carne e habitou entre nós, e contemplamos a Sua glória; glória de Filho unigénito do Pai, cheio de graça e de verdade» (Jo 1,14); nascido por uma mulher, a Virgem Maria, tornou-se verdadeiro homem, nosso irmão, no sofrimento e na morte. Nele podemos conhecer o verdadeiro rosto de Deus: o Pai.

Deus Criador: «no princípio Deus criou o céu e a terra» (Gn 1,1). São João afirma solenemente: «No princípio existia o Verbo» (Jo 1,1). O Catecismo da Igreja Católica (n. 295) afirma:

Acreditamos que Deus criou o mundo segundo a sua sabedoria. O mundo não é que ele procede da vontade livre de Deus, que quis fazer as criaturas participantes do seu Ser, da sua sabedoria e da sua bondade: «porque Vós criastes todas as coisas e, pela vossa vontade, elas receberam a existência e foram criadas» (Ap 4, 11). «Como são grandes, Senhor, as vossas obras! Tudo fizestes com sabedoria» (Sl 104, 24). «O Senhor é bom para com todos e a sua misericórdia estende-se a todas as criaturas» (Sl 145, 9). Depois da criação, Deus não abandona a criatura a si mesma. Não só lhe dá o ser e o existir, mas a cada instante a mantém no ser, lhe dá o agir e a conduz ao seu termo. Reconhecer esta dependência total do Criador é fonte de sabedoria e de liberdade, de alegria e de confiança (Catecismo n. 301)

Deus, na Sua Providência, confia aos homens a responsabilidade de «submeter» a terra e dominá-la (Gn 1,26-28). Os homens, como causas inteligentes e livres, com o seu trabalho completam e aperfeiçoam a obra da criação. Muitas vezes de forma inconsciente se tornam colaboradores de Deus (1 Cor 3, 9)(144) e do seu Reino (Col 4,11). (Cf. Catecismo, n. 307)

A nossa vinda ao mundo não é fruto de um destino cego, mas da vontade amorosa de Deus. Existimos, pura e simplesmente, porque Deus o quis. Os nossos pais, de qualquer forma, foram colaboradores de Deus; instrumentos voluntários e conscientes, por Ele escolhidos, mas não o motivo fundamental da nossa vinda ao mundo. Foi Deus que determinou a nossa existência. Ele podia nos ter criado de outra forma, mas na Sua providencia infinita escolheu que fossemos gerados e acolhidos no ceio da ternura de uma família. Através deles manifestou-se o Seu amor paternal.

Sem Deus não existiríamos. Ele é a origem e o fim último da nossa vida. Ele é razão essencial da nossa existência, porque, desde o início, chamou-nos a participar da Sua plenitude e felicidade – o Céu. É para lá que Ele nos conduz afim de realizarmos a nossa vocação, a comunhão perfeita com Ele.

O homem moderno afirma a sua própria autonomia e independência, por isso, recusa qualquer autoridade, também a paternidade de Deus; a dependência de Deus liberta da escravidão do mundo, por isso, ao rejeitar a sua dependência de Deus, o homem perde a sua liberdade,  torna-se escravo do mundo e instrumento passivo do materialismo que domina a sociedade. Só Deus o poderá libertar, pois, a Sua autoridade paterna não só respeita a liberdade e a autonomia pessoal, mas também o liberta da escravidão do mundo, porque lhe abre a perspetiva da eternidade.

A autoridade de Deus é uma autoridade paterna: é para nós fonte de vida. Deus liberta-nos e respeita a nossa liberdade, mas não renuncia à Sua autoridade divina, e quer ser amado acima de todas as coisas (Mt 22, 33-40). Ele não nos trata como servos, mas como filhos; poderia valer-se da Sua autoridade divina, mas que apenas ser tratado por Pai. Não é um Deus longínquo, mas um Deus próximo. Um Pai que quer a felicidade dos Seus filhos.

Deus é Pai e, quando nós vivemos como Seus filhos ficamos livres da escravidão do mundo. É uma dependência filial, não uma dependência servil; uma dependência de amor e não uma dependência servil;  uma dependência livremente escolhida e não uma dependência imposta; uma dependência livre que respeita a nossa liberdade e autonomia; uma dependência de amor que nos conduz à felicidade eterna.

A filiação divina - Vede que amor tão grande o Pai nos concedeu, a ponto de nos podermos chamar filhos de Deus; e, realmente, o somos! É por isso que o mundo não nos conhece, uma vez que o não conheceu a Ele. Caríssimos, agora já somos filhos de Deus, mas não se manifestou ainda o que havemos de ser. O que sabemos é que, quando Ele se manifestar, seremos semelhantes a Ele, porque o veremos tal como Ele é. (1Jo 3,1-2)

Deus, sendo bom Pai, oferece-nos a possibilidade de alcançar a verdadeira felicidade: a comunhão perfeita com Ele no Céu. O Seu amor paterno corrige-nos, educa-nos e alerta-nos sobre o perigo de nos desviarmos do caminho do bem; quer que sejamos santos como Ele é santo e convidando-nos a observar os Seus mandamentos. 

«Não ameis o mundo nem o que há no mundo. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Pois tudo o que há no mundo - a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e o estilo de vida orgulhoso - não vem do Pai, mas sim do mundo. Ora, o mundo passa e também as suas concupiscências, mas quem faz a vontade de Deus permanece para sempre. (1Jo 2, 15-17)

Deus não pretende de nós coisas impossíveis, «pois o amor de Deus consiste precisamente em que guardemos os seus mandamentos; e os seus mandamentos não são uma carga pesada» (1Jo 5,3). Além disso, Deus ajuda-nos com a sua graça. Ele corrige-nos quando é necessário a fim de chegarmos à perfeição que Ele deseja para nós. 

A Carta aos Hebreus explica isso muito bem: «Meu Filho, não desprezes a correção do Senhor. Não desa­nimes, quando repreendido por ele; pois o Senhor corrige a quem ama e castiga todo aquele que reconhece por seu filho» (Pr 3,18);  «Meu filho, não desprezes a correcção do Senhor, e não desanimes quando és repreendido por Ele, porque o Senhor corrige os que ama e castiga todo o que reconhece como filho. É para vossa correção que sofreis. Deus trata-vos como filhos; e qual é o filho a quem o pai não corrige?» (Hb 12, 5-6).

Deus é um Pai que educa os Seus filhos, quer que sejam pessoa de bem, bons cristãos e bons cidadãos, e que não se esqueçam de cumprir as obrigações quotidianas.

Nós cremos firmemente que Deus é o Senhor do mundo e da história. Muitas vezes, porém, os caminhos da sua Providência são-nos desconhecidos. Só no fim, quando acabar o nosso conhecimento parcial e virmos Deus «face a face» (1 Cor 13, 12), é que nos serão plenamente conhecidos os caminhos pelos quais, mesmo através do mal e do pecado, Deus terá conduzido a criação ao repouso desse Sábado (158) definitivo, em vista do qual criou o céu e a terra. (Catecismo, 314)

 

Cf. Catecismo da Igreja Católica, nn. 268-269; Deus Criador, nn. 279-280; a criação, obra da SS. Trindade, nn. 290-292; o mundo foi criado para a glória de Deus, nn. 293-294; Deus cria com sabedoria e amor, n. 295; Deus transcende o mundo e está presente nele, 300; Deus sustenta e conduz a criação, 301; a divina Providência, nn. 302-305 ss.

 

(padreleo.org)

Oração de cura da depressão

 Senhor Jesus Cristo!
Estou em desespero 
e nas garras de ferro da depressão.
As coisas correm mal em todos os sentidos.

Sinto que o meu coração se parte em dois.
Preciso que Tu venhas e habites nele.
A escuridão deprime tudo à minha volta.
Não consigo combater esta escuridão
batendo-lhe com as minhas mãos.

Continuo a ser teu, Senhor,
do fundo do meu coração chamo por ti;
a minha alma sedenta espera por ti,
pois nas tuas palavras ponho toda a minha confiança.

Apresento a minha fraqueza diante da Tua força,
a minha confusão diante da Tua compaixão,
a minha aflição diante da Tua grande agonia na cruz.

Que esta depressão que estou a sentir não me destrua
mas que serva para o meu crescimento e cura.
Toca as feridas do meu espírito com o bálsamo do perdão,
derrama o óleo da tua serenidade no meu coração.

Que eu não fique fechado,
mas que vire a minha face suavemente para Ti,
ajuda o meu coração a amar
e dá determinação
a minha vontade,
pelo que eu lute até ao fim.

A oração do perdão

É perdoando que posso ficar curado 

Pai, perdoa-me e ajuda-me a perdoar 
àqueles que me têm ofendido.

Pai Celeste,
Acende em mim e na minha família
o fogo do Teu Amor Divino.
Conduz-nos a união mais profunda
contigo através do perdão.

Abre os meus olhos para que eu veja
as áreas obscuras da minha vida
por falta de perdão.

Senhor Jesus Cristo,
Ajuda-me a amar e perdoar como
Tu amas e perdoas.
Ajuda-me a mudar mente e coração:
que eu tenha sempre a Tua Paz em meu coração
e que consiga dá-la aos outros.

Espírito Santo,
Ilumina os meus olhos,
a minha mente e o meu coração
para que nenhum recanto do meu ser 
permaneça na escuridão.

Revela-me as pessoas
e as circunstâncias do meu passado 
que precisam de perdão 
e liberta-me de toda a amargura, 
do ressentimento, do ódio, da raiva, 
do todos o desejo de vingança
e de toda a divisão e discórdia.

Dá-me o desejo e a força
de me abrir ao dom do perdão
para a Tua maior glória, honra e louvor, 
ó Deus Pai, Bom e Misericordioso.

Obrigado, Pai, pela tua graça 
que me dá a força de perdoar, 
que seja para a Tua maior gloria!
Eu Te louvo e Te agradeço 
agora e sempre, Ámen,
Aleluia, Ámen.

O que fazer na depressão

 Um fenómeno universal

“Eu era jovem, era homem, ia ser médico. Homens jovens, a exercer a profissão de que gostam, não ficam deprimidos ou pelo menos pensava eu. De facto, estava à beira do co­lapso. Sempre tive uma personalidade de altos e baixos, com tendência para mudanças de humor que iam e vinham sem razão. Desta vez a escuridão ficou comigo. Quando me morreu um paciente predilecto, dei comigo a considerar-me indigno. Não valia nada como médico, nunca conseguira na­da, seria sempre um fracasso. Tinha dificuldade em adorme­cer e acordava cedo, ensopado em suor. Perdi todo o interesse pelo sexo e comia para iludir a infelicidade. Fui ter com o meu director para lhe dizer que ia abandonar a medicina. Estava disposto a desistir da própria vida. Era a depressão, com certeza, e eu reconhecia-o.” (Michael Shooter)

Este artigo de jornal é da autoria de um pedopsiquia­tra da Gwent Community Health Trust. Ele afir­ma que cada pessoa, em cada cinco entra em de­pressão, em certos momentos da sua vida. Por isso, em qualquer altura, estará a lutar com uma depressão de qualquer grau. Os homens são tão vulneráveis como as mulheres e podem até ser mais. Sim, a depressão é um fenómeno universal que afecta as pessoas de todas as idades, embora parecer estar a aumentar nos adolescentes e nos jovens adul­tos. Segundo um relatório recente do Royal Coilege of Psychiatrists de Londres, a depressão atinge 65 por cento dos homens, por isso, o suicídio é três vezes mais provável nos homens do que nas mulheres. Nas ida­des entre 16 e 24 anos, no grupo dos homens jovens e solteiros, houve um aumento de 75 por cento de sui­cídios desde 1982.

 

A “constipação” das perturbações mentais

A depressão é conhecida como a constipação das per­turbações mentais e a doença psiquiátrica mais espa­lhada que hoje afecta a humanidade. Apesar de ser tão comum, é sempre um estado muito complicado, difícil de definir, embora é possível descrever-se através dos sintomas. Na sua forma mais branda, a depressão pode ser um período passageiro de tristeza que se segue a uma de­silusão pessoal; na sua forma mais severa pode es­magar as suas vítimas com uma tristeza acompanhada de pessimismo, de apatia que o impede de seguir em frente, de uma fadiga generalizada, acompanhada de perda de energia e incapacidade para se interessar por algo, com uma diminuição do amor próprio, muitas vezes acompanhada de autocrítica, fazendo-nos sentir cul­pados, incapazes, desesperados e até suicidas. Pode, também, incluir perda de espontaneidade, insónia e perda de apetite.

• A depressão tem muitas vezes uma causa física. Po­de ser originada por falta de sono, exercício insufi­ciente, efeitos secundários de drogas, doença física ou uma dieta imprópria.

• As experiências da infância podem levar à depressão em fases mais tardias da vida. Crianças que foram se­paradas dos pais e criadas numa instituição, privadas de contacto humano caloroso e contínuo, mostram apatia, saúde débil e tristeza que podem mais tarde le­var à depressão.

• A experiência de adolescentes e adultos em conflito com os pais, com problemas em se tornarem indepen­dentes, pode aumentar a possibilidade de uma de­pressão numa fase mais tardia.

• O “stress” devido à perda de uma oportunidade, um trabalho, um lugar de destaque, saúde ou haveres po­de estimular a depressão.

• Quando enfrentamos situações sobre as quais não temos controlo, ficamos deprimidos, apercebendo-nos que as nossas acções são inúteis por mais que se tente.

• Pensamentos negativos podem gerar depressão. A forma como pensamos determina muitas vezes como nos sentimos. Se pensamos negativamente, vendo ape­nas o lado negativo da vida, a depressão é inevitável.

• A depressão pode surgir da ira quando esta é reprimi­da no interior e se vira contra nós mesmos. A maioria das vezes a ira começa com uma mágoa. Se a ira não é admitida e ultrapassada, leva à vingança. Se não é possí­vel uma acção vingativa, pode-se entrar em depressão.

  Quando uma pessoa sente que talhou ou fez algo de errado, aparece a culpa, e com ela vem a auto condenação, a frustração e outros sintomas de depressão.

 

Esteja atento

• Aos mitos. É um mito, e não uma verdade, que a depressão resulta sempre do pecado ou da falta de fé em Deus; que a depressão é causada pela autocomiseração; que é errado um cristão ficar deprimido em qualquer ocasião; e que a depressão pode ser afastada permanentemente por exercícios espirituais.

• As realidades da vida. Na nossa vida há “dias de pi­cos de montanha”, em que tudo corre bem. Há “dias de planície”, que são comuns, em que não estamos exaltados ou deprimidos. Há “dias de vale”, em que nos arrastamos a custo por entre desgostos, e que, se persistem, tornam-se dias de profunda depressão.

• A depressão mascarada. Em algumas pessoas a de­pressão está escondida delas mesmas, mas é revelada de outras formas, tais como sintomas físicos, queixas, agressão, raiva, bebida em excesso, violência e auto-destruição.

• A situação difícil de outras pessoas. Aqueles que têm de viver com uma pessoa deprimida sentem-se muitas vezes afectados pelas suas preocupações, cansaços e falta de interesse em actividades sociais.

• A medicação. Há tratamentos eficazes e curas para a depressão. A maioria dos tratamentos podem reduzir os sintomas, pelo menos em algumas pessoas, e muitas vezes a depressão pode ser eliminada completamente.

·  Há situações propensas à depressão. Por exemplo, é de esperar que uma viúva recente fique deprimida, es­pecialmente no dia do aniversário, no dia do pai ou no primeiro aniversário da morte do seu marido. Para al­guns dé nós, dias de festa como o Natal podem origi­nar depressão se estivermos separados dos entes queri­dos ou se não tivermos dinheiro para comprar prendas.

• Às técnicas de luta. Estudos mostram que as pessoas que resistem à depressão são aquelas que aprenderam a dominar e a lutar contra o “stress” da vida. Se sentir que tem algum controlo sobre as circunstâncias, é menos provável que se sinta desamparado e conse­quentemente deprimido.

 

SUGESTÕES

• Se a sua depressão tem uma base física, procure a aju­da de um médico competente; mude os seus hábitos alimentares se forem deficientes. A depressão, por ve­zes, trata-se melhor através de mudanças na sua dieta.

• Se as influências passadas ou pressões familiares esti­verem a gerar depressão, discuta esses problemas com alguém que o possa ajudar a vê-los através de uma perspectiva diferente e, se possível, a ter acções repa­radoras.

• Se a depressão resultou do “stress” provocado por uma perda, reconheça a perda, expresse a dor a alguém e siga em frente.

• Se está deprimido devido a um hábito de pensa­mento negativo sobre si mesmo, reavalie os seus pen­samentos autocríticos. Será que, por causa de alguns desgostos, diz: “Isto prova que não presto” ou “Nun­ca consigo fazer nada correcto” ou “Ninguém me quer agora”? Lembre-se que muitas vezes estas auto-críticas não são baseadas em argumentos sólidos.

• Se sente falta de energia ou motivação para fazer al­guma coisa que tenha valor, tente envolver-se, em primeiro lugar, na rotina diária e em actividades em que é mais provável ser bem-sucedido.

• Se o ambiente que o rodeia está a gerar depressão, tente modificar a rotina, reduza a quantidade de tra­balho ou faça férias periodicamente.

• Se está deprimido porque está só e isolado, adira a um grupo da igreja ou a outros grupos sociais em que se sinta bem-vindo e aceite. Recorra aos outros para os servir. Aqueles que acorrem para ajudar os outros são os que mais beneficiam e são mais ajudados.

 

PALAVRAS DE CONFORTO

“Ele é o resplendor da sua glória e a imagem da sua substância e sustenta todas as coisas pela sua palavra poderosa” (Hb 1,3).

Quando está deprimido porque está a enfrentar situações que estão fora do seu controlo, veja primeiro se con­segue controlar pelo menos uma parte do seu am­biente. Segundo, reconheça que alguns acontecimentos são inevitáveis e, por isso, incontroláveis na sua vida. Tal como um pássaro pode empoleirar-se num só ramo e um ra­to pode beber do rio não quanto quer, mas quando consegue, as­sim, o homem não pode controlar tudo, só consegue certos acontecimen­tos e circunstâncias. Tal como a aceitação do que é possível é o início da felicidade, também a aceitação do que é impossível é o início da sabedoria. Terceiro, acredite que tudo está sob o controlo de Deus que tudo pode. O diabo até para Deus é diabo. Deus tem sempre a última palavra. Deus é tão poderoso que pode direcionar qualquer mal para um bom fim. Para a nossa mente limitada, o caminho de Deus é complexo e, consequentemente, difícil de prever, mas quando Deus move as peças, elas encontram sempre algum tipo de ordem. Com Deus há mistérios, mas não há erros.

                    “Deveis ter em mente tudo o que é verdadeiro,

                     tudo o que é honesto, tudo o que é justo,

                    tudo o que é puro, tudo o que é amável” (Fi 4,8).

Cada um de nós fala silenciosamente consigo mesmo. Se esta conversa é quase sempre negativa, isso pode levar à depressão. Se tem o hábito de dizer a si mesmo “não presto”, recorde o que diz a Bíblia: “Como pen­sas no teu íntimo, assim és”. Seja amigo de si mesmo e os outros sê-lo-ão também. Respeite-se a si mesmo se quer que o respeitem. Dê valor à estima que tem por si mesmo. Se consegue olhar-se ao espelho e sor­rir para o que vê, então ainda há esperança para si. Se tem o hábito de ver apenas o mal nas pessoas e no mundo, relembre-se do que Shakespeare disse: “Não há nada bom ou mau, mas pensar fá-lo ser.”

Lembre-se que há muito bem no mundo. O céu não é menos azul porque o cego não o vê.

Seja optimista. O optimista diz que o seu copo está meio cheio, enquanto o pessimista diz que o seu copo está meio vazio. Medite na Palavra de Deus, nas coi­sas que são positivas, boas e justas. A meditação é uma forma de conversar consigo mesmo, que afasta a sua mente do pensamento negativo que leva à depressão.

 

“Então, Pedro aproximou-se e perguntou-lhe: “Senhor, se o meu irmão me ofender, quantas vezes lhe deverei perdoar? Até sete vezes? Jesus respondeu: «Não te digo até sete ve­zes, mas até setenta vezes sete” (Mt 18,21-22).

 

Quando estamos magoados, ficamos zangados e a raiva esconde a dor. Quando estamos zangados, queremos vingança e a vingança esconde a raiva e a dor. Quando somos vingativos, queremos ter acções destrutivas, mas se isso não é possível, entramos em depressão. A so­lução do cristão para este tipo de depressão é o perdão. Perdoe com todo o seu coração àquele que o magoou. Jesus pediu-nos repetidamente para perdoarmos. Per­doe e depois esqueça o que perdoou. Como esquece­mos facilmente a bondade, mas guardamos as injúrias para sempre no fundo da nossa mente, como se fossem antigas relíquias! E melhor esquecer e sorrir que lem­brar e ficar triste. Se seguir o caminho de não perdoar, no fim encontrará apenas um deserto com as raízes re­torcidas do azedume puxando-o para a vingança, e a vingança nunca repara uma injúria. Como pode o san­gue ser lavado com sangue? E, portanto, mais honroso esquecer uma injúria do que vingá-la.

“Porque a tristeza, que vem de Deus produz arrependimen­to que leva à salvação e não dá lugar ao remorso, enquanto a tristeza do mundo produz a morte” (2Cor 7,10).

Podemos aperceber-nos que a depressão dele ou dela se deve a sentimentos de culpa acompanhados de auto condenação por ter feito algo de errado. E claro que o pecado traz consigo sofrimento interior a uma cons­ciência culpada. Tal como a virtude é a sua recom­pensa, assim o vício é a sua punição. Não se pode fa­zer o mal sem sofrer o mal. Mas o Deus de misericór­dia perdoa todos os nossos pecados. O nosso Deus é um grande apagador. Quando perdoa, entrega a ofen­sa ao esquecimento eterno. Por isso, dirija-se a Ele com o coração arrependido, revele a sua chaga e suas fe­ridas e suplique pela cura. Ele enviará o seu espírito curativo aos recantos sombrios da sua culpa. Mas to­me cuidado para que o seu arrependimento não seja uma mágoa mundana que é apenas remorso; o remor­so é débil, pois volta a pecar e acaba na morte. Tenha, portanto, uma mágoa piedosa, que seja construtiva e leve ao arrependimento que conduza à salvação e não deixa remorso.

 

“Aprendi a contentar-me com o que tenho. Sei viver na pe­núria e sei viver na abundância. Tudo posso naquele que me dá força. O meu Deus proverá a todas as vossas necessidades conforme as suas riquezas em Jesus Cristo” (El 4,11-19).

 

Por vezes somos atirados para a depressão porque te­mos de enfrentar desgostos, ou perdemos algo valioso, ou fomos rejeitados, ou fracassámos num empreendi­mento importante. Todos temos estes períodos de in­felicidade e desânimo. Mesmo assim, há meios pelos quais podemos prevenir e suavizar os sopros da de­pressão. Um meio seguro é confiar em Deus. Se Deus é Deus, então não existe problema insolúvel, e se Deus é o seu Deus, então nenhum dos seus problemas fica sem solução. Deus está mais perto que a sua respi­ração e mais próximo que as suas mãos e pés, especial­mente quando estiver em dificuldade. E verdade que nem sempre podemos encontrar a marca da mão de Deus, mas podemos sempre confiar no seu coração porque o seu amor é igual à sua grandeza. Deus ama-nos porque somos dignos de ser amados, sim, mas ainda mais porque Ele é amor. Aprenda a ver as suas circunstâncias através do amor de Deus em vez de ver o amor de Deus através das suas circunstâncias.

“Digo-vos isto para terdes paz em mim; no mundo tereis aflições, mas tende confiança: Eu venci o mundo!”. (Jo 16,33)

Aqueles que contam com as provações como parte da vida, incluindo a vida cristã, manter-se-ão sempre preparados para as a enfrentar e salvarem-se assim de cair demasiado facilmente em depressão. O brilho perpétuo do sol não é comum neste mundo, nem é bom para nós. Não há como passar por este mundo sem sofrer um arranhão. As provações não existem certamente com o intuito de dar prazer, mas existem para nosso benefício. Oferecem-nos oportunidades para demonstrarmos o nosso carácter. Ficamos mais sábios através das adversidades. Jesus morreu para afas­tar de nós a maldição e não para afastar de nós a cruz. Jesus prometeu o céu depois da morte e não antes. As nossas provações fortalecem os músculos espirituais. As nossas aflições preparam-nos para recebermos a graça de Deus brilha mais forte. E por isso que os cristãos estão no seu melhor, paradoxalmente, quando estão na fornalha da aflição.

 

ORAÇÃO

Senhor Jesus Cristo!
Estou em desespero e nas garras de ferro da depressão.
As coisas correm mal em todos os sentidos.
Sinto que o meu coração se parte em dois.

Preciso que venhas e habites nele.
A escuridão deprime tudo à minha volta.
Não consigo combater esta escuridão
batendo-lhe com as minhas mãos.

Continuo a ser teu, Senhor;
do fundo do meu coração chamo por ti;
a minha alma espera por ti,
pois nas tuas palavras está toda a minha confiança.

Apresento a minha fraqueza à tua força,
a minha confusão à tua compaixão,
a minha aflição à tua grande agonia na cruz.

Possa a depressão que estou a sentir servir de cura.
Toca as feridas do meu espírito com o bálsamo do perdão,
derrama o óleo da tua serenidade nas águas do meu coração.

Vira a minha face suavemente para ti,
ajuda o meu coração a amar
e dá determinação
a minha vontade,
pelo que eu lute até ao fim.