É muito importante e necessário afirmar que a salvação do homem tem duas dimensões: uma interna e outra externa.
- A dimensão externa é a história da salvação contida na Sagrada Escritura. Deus poderia ter realizado a salvação de outra forma, mas de facto a realizou através de Cristo e da Igreja. Negar este aspeto externo seria reduz a salvação à uma intimidade subjetiva ou entrar na superstição e na magia.
- A dimensão interna é o encontro pessoal do homem com Deus. Os sacramentos foram constituídos para a santificação do homem, isto é, para realizar a união do homem com Deus e a união dos homens uns com os outros. Uma união com Deus que é um dom da graça que se concretiza na vivencia da fé. Para o cristão, na verdade, não há separação entre a vida presente e a vida eterna, mas entre vida com graça e vida sem graça.
1. O sacramento é um sinal externo (objetos, palavra e ações) que significa e realiza a graça da salvação (causalidade interna). É um sinal eficaz: realiza o que significa, a graça, a união do homem para com Deus. O rito é externo, mas produz um dinamismo interior: a união com Deus, que se realiza de forma diferente em cada sacramento, cuja finalidade é a salvação eterna: a comunhão definitiva com Deus.
2. O encontro com Deus através dos sacramentos não deve ser considerado como como um momento isolado, pois está inserido na vida da Igreja e na vida de fé de cada batizado.
O sacramento é recebido, mas há um antes e um depois, uma continuidade. O sacramento causa graça, mas deve ser preparado. Existe uma preparação externa, isto é, uma catequese adequada (preparação externa). Existe também uma preparação interna em que Deus atua no coração do homem e que dispõe o homem a responder (preparação interna).
As Sagradas Escrituras testemunham que Deus procura o pecador, como o pastor procura a ovelha perdida (causalidade interna). Deus, portanto, atua no coração, embora o homem não esteja perfeitamente consciente. Neste sentido, Deus é sempre a causa principal da graça daquela união com Deus que é significada nos sacramentos.
O homem responde livremente ao dom da graça através das virtudes teologais, fé, esperança e caridade, que são também dons de Deus. A graça faz parte essencial da vida cristã que é, em si mesma, uma vida aberta a vida de Deus.
O homem pode obstaculizar a vida da graça e, até, a pode por causa do pecado, mas também, a pode recupera e renovada através do arrependimento e a conversão. Os sacramentos fazem parte deste dinamismo de conversão. O homem está sujeito à concupiscência, mas existem meios para recuperar a vida da graça: os sacramentos.
O cristão está unido a Deus pela graça batismal, mas, desde a conceção ele está marcado pela tendência negativa do pecado e, mesmo depois do Batismo, pode sempre perder a vida da graça. Os sacramentos são necessários quer para causar a união com Deus (Batismo), para a fortalecer (Eucaristia, Confirmação), e para a renovar, depois do pecado (Penitência). Estas simples considerações, negativas e positivas, explicam a necessidade dos sacramentos.
O sacramento da Eucaristia é absolutamente o maior de todos os sacramentos. Primeiro, porque sob as espécies do pão e do vinho, contém a presença real de Cristo, enquanto os outros sacramentos realizam uma ação particular de Cristo. Segundo, porque todos os sacramentos são causas instrumentais e são finalizados à Eucaristia: o sacramento das Ordens Sagradas visa a consagração da Eucaristia; a Penitência e a Unção dos Enfermos purificam o homem para recebê-la melhor; o casamento também se refere à Eucaristia pelo menos pelo seu simbolismo de Aliança de Cristo para com a Igreja.
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