Uma vez entendida a realidade da prova a que foram submetidos os Anjos e, tendo a clareza de que, nesta prova, Deus manifestava a grandeza do Seu amor por lhe ter dado o dom do livre arbítrio; a mesma coisa está a acontecer aos homens afim de realizar a sua capacidade de livre arbítrio, escolhendo ou recusando a vontade
de Deus.
de Deus.
O pecado de desobediência de Adão e Eva, trouxe consequências para eles: a união entre o homem e a mulher é submetida a tensões; as suas relações serão marcadas pela cupidez e pela dominação. Seduzida pela serpente, a mulher come do fruto
proibido e o oferece ao seu marido, que também o come. Deus questiona Adão por ele ter comido do fruto. Adão logo responde que foi a mulher que Ele lho deu. Com esta resposta, ele descarrega sobre Deus uma parte dessa responsabilidade por Ele
ter criado a mulher e a ter colocado ao seu lado. A mulher, por sua vez, quando questionada por Deus, coloca a culpa sobre a serpente que a enganou. O pecado gerou esta desarmonia entre as próprias criaturas! As responsabilidades pelos próprios atos começam a serem encobertas por desculpas, uma vez que assumir as culpas pelos seus próprios atos seria “condenar-se” – assim aponta o pecado.
Os homens começam a procurar os culpados para os seus erros, o que é uma realidade para cada um de nós! Se quase nos apercebemos, procuramos dar a culpa aos outros dos nossos pecados. Quantas vezes afirmamos que só tivemos essa atitude ou só caímos em tal pecado porque “fulano” nos influenciou? Quantas vezes colocamos a culpa de nossas falhas nos outros porque as atitudes delas “nos fizeram” reagir desta forma?
A LIBERDADE CORROMPIDA DO HOMEM
A soberba e o orgulho nos impedem de nos reconhecermos fracos e inconstantes. Quando Adão e Eva se veem nus, após de comerem do fruto proibido, deixam de buscam em Deus uma solução para o seu problema, ou motivo de vergonha, que era o estarem nus: por si mesmos, tecem tangas com folhas de figueira e se cobrem (cf. Gn 3,7).
O homem resolve buscar, por si mesmo, as soluções para os problemas que se apresentam! Mas, o verdadeiro problema de Adão e Eva não era o estarem nus, mas sim, a desobediência. Ao encobrirem a sua nudez, tentam encobrir a verdade sobre o seu pecado!
Não devemos ficar admirados! Essa realidade acaba por se refletir em cada um de nós, nos tempos de hoje. Tenho visto pessoas com graves problemas de influências diabólicas que ao se depararem com seus problemas, e não vendo uma solução aparente, resolveram encontrar uma solução por si própria e, na grande maioria das
vezes, fora de Deus, e acabam por se envolver em práticas relacionadas com o Ocultismo, que acabaram por agravar os seus problemas.
vezes, fora de Deus, e acabam por se envolver em práticas relacionadas com o Ocultismo, que acabaram por agravar os seus problemas.
Em toda essa desarmonia encontramos os reflexos do pecado da soberba e da rebelião que Lúcifer originou. Satanás continua a influenciar todos os homens mediante aquilo mesmo que ele próprio não foi capaz de conter e dominar. A visão distorcida de si próprio e a busca em primeiro lugar do seu próprio eu.
A partir do primeiro pecado, uma verdadeira “invasão” de pecado inundou o mundo inteiro. Todos os homens estão agora implicados no pecado de Adão. Neste pecado de Adão, estamos inseridos também cada um de nós que, infelizmente, somos atingidos pelas suas consequências negativas. Muitas vezes, descobrimos que estamos inclinados ao mal, fragilizados quanto à firme decisão de renunciarmos e fazermos o bem, corrompidos pelos nossos desejos. Somos vulneráveis à nossa própria carne, e submetidos a uma luta árdua!
De que maneira o pecado de Adão se tornou o pecado de todos os seus descendentes? O género humano inteiro é em Adão “sicut unum corpus unius hominis – como um só corpo de um só homem”. Em virtude desta “unidade do género humano”, todos os homens estão implicados no pecado de Adão, como todos os homens estão implicados na justiça de Cristo. Contudo, a transmissão do pecado original é um mistério que não somos capazes de compreender plenamente. Isso não significa que trazemos culpa do pecado original, do qual não temos uma responsabilidade pessoal. Não fizemos esta escolha, mas carregamos os seus efeitos sobre nós.
O Catecismo da Igreja Católica o define como «um pecado que será transmitido por propagação à humanidade inteira” e completa o entendimento quando afirma que se trata de “um pecado ‘contraído’ e não ‘cometido’, um estado e não um ato» (CIC 404)
Por meio do nosso Batismo somos introduzidos a uma vida nova em Cristo e se rompe a escravidão do pecado original. Em força desta nova vida em Jesus, podemos agora vencer as consequências da nossa natureza corrompida. O Batismo não nos desliga totalmente das consequências da corrupção do pecado original, mas nos insere na realidade do Combate Espiritual.
Pelo pecado original, o Diabo adquiriu uma certa dominação sobre o homem, embora este último permaneça livre. Não podemos ignorar que o homem tem uma natureza ferida, inclinada ao mal, que produz graves erros no campo da educação,
da política, da ação social e dos costumes (CIC 407-408)
da política, da ação social e dos costumes (CIC 407-408)
É por isso que a Palavra de Deus afirma que o mundo inteiro está sob o poder do Maligno (1Jo 5,19). O homem, portanto, esta inserido numa luta, num combate, desde a criação do mundo até ao seu fim no último dia, quando Jesus Cristo estabelecerá um Mundo Novo, uma humanidade renovada!
No entanto, devemos estar atentos e vigilantes neste Combate Espiritual: uma luta contra o Maligno, contra o Mundo e contra nós mesmos! Mas é uma luta que não deve nos trazer dúvidas quanto ao vencedor, pois Cristo Jesus já venceu esta luta por cada um de nós. O que acontece agora é que Deus pacientemente espera que cada um de seus filhos O reconheça como Senhor, e que todos voltem o seu coração para Ele.
Ainda que cada filho possa experimentar todas as tristes consequências do pecado original, - dizia São Leão Magno - a verdade é que: a graça inefável de Cristo deu-nos bens melhores do que aqueles que a inveja do Demónio nos havia tirado (Serm.
73,4: PL 54, 396.
Ainda que cada filho possa experimentar todas as tristes consequências do pecado original, - dizia São Leão Magno - a verdade é que: a graça inefável de Cristo deu-nos bens melhores do que aqueles que a inveja do Demónio nos havia tirado (Serm.
73,4: PL 54, 396.
É pela graça de Cristo que todos os dias podemos ser vitoriosos! Precisamos de ter um coração agradecido. Convido, por um breve instante, depois de ter lido tudo o que leu, a meditar e a rezar agradecendo ao Senhor. Sim, agradecer-Lhe porque tudo que Ele fez e faz é para o nosso maior bem. Porque nada passou despercebido aos olhos de Deus, e ainda que determinadas realidades em nossas vidas queiram distorcer a imagem verdadeira de Deus dentro de nós, sabemos que Ele é Pai e que
ama a cada um de nós com amor preferencial.
ama a cada um de nós com amor preferencial.
Agradeçamos ao Senhor, que não nos abandona nem mesmo em meio às nossas traições, ou quando escolhemos o pecado ao invés de permanecermos em Sua Palavra...
Obrigado, Jesus. Obrigado porque conheces os meus limites,
conhece as minhas fraquezas, as minhas inclinações ao mal,
e mesmo assim continuas a amar-me, acolher-me e perdoar-me!
Por isso, Jesus, peço que derrames sobre mim o Teu Santo Espírito,
para que no meio das lutas do meu dia a dia, eu possa,
pelo Teu Santo Espírito, sair vitorioso.
Que eu possa, pela ação do Espírito Santo,
corresponder de forma obediente aos planos do Pai sobre a minha vida.
Que a tua voz, ó Pai, continue todos os dias a ecoar em meu coração
Que a tua voz, ó Pai, continue todos os dias a ecoar em meu coração
com a mesma pergunta que fizeste a Adão: “Onde estás?”.
Que jamais eu esteja escondido da Tua presença,
que jamais meu coração se afaste do Teu coração e da Tua vontade!
Que nunca me deixe abater pelo sentimento de medo,
mas pelo contrário, quando Senhor me perguntar: “Onde estás?”,
possa eu prontamente, como a Virgem Maria, responder-Te:
“Eis-me aqui, Senhor!”. Que assim seja. Amém.
possa eu prontamente, como a Virgem Maria, responder-Te:
“Eis-me aqui, Senhor!”. Que assim seja. Amém.
Cf. Danilo Gesualdo, Livres de todo o Mal, Ed. Canção Nova,
pp. 42-63 – Adaptação de Padre Leo
Sem comentários:
Enviar um comentário