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sábado, 4 de março de 2023

NÃO PODERIA DEUS PERDOAR OS DEMÓNIOS?

Aqui colocamos a seguinte questão: Satanás viu o seu erro, a sua derrota frente a Deus, viu como ele próprio se deformou e, como ele, muitos outros anjos; não poderia, ele ter-se arrependido? E se se arrependeu, não poderia Deus perdoar-lhe e restabelecê-lo na sua condição de Anjo de Luz?

A Igreja ensina que, no caso o Demónio se tivesse arrependido, Deus lhe teria perdoado, pois Deus é amor, é amor sempre! Mas a realidade é que o Demónio nunca se arrependeu e nunca se arrependerá; permanece para sempre fixado na sua rebelião, tal como continua ainda hoje, atacando as criaturas humanas, com as sua soberba e mentiras.

A mesma coisa vale para os condenados. Deus pode fazer tudo, mas não pode perdoar a quem não se arrepende. É, de facto, impossível que Deus, tendo dado o dom da liberdade aos homens, depois perdoe a quem não se arrepende. Não é Deus que é incapaz de perdoar, é o homem que não quer ser perdoado. Existe um limite para além do qual a alma se endurece de tal forma que rejeita a graça do perdão. Nesse ponto, o Criador não pode fazer nada mais do que deixá-la seguir o seu caminho.

Os demónios não se arrependerem por duas razões: A primeira razão está ligada à natureza angélica. Os Anjos, sendo criaturas espirituais, possuem uma inteligência e uma lucidez de conhecimento muito superior do que os seres humanos. Isso significa que, quando escolhem alguma coisas, tal escolha é feita com tamanha força de vontade, de liberdade e clareza, que é impossível voltar atrás.

- A segunda razão é que ele permanece fixado na recusa de Deus. Um demónio é tal porque, de livre vontade recusou a Deus, como verdadeiro Deus e permanece fixado nessa escolha para sempre. Só poderia arrepender-se por pura graça de Deus, mas, ele próprio a recusou para sempre.

A contrição do coração e o arrependimento são puros dons de graça de Deus, mas o demónio as recusou e permanece fixado na sua recusa. Deus é capaz de perdoar a quem se arrepende, mesmo que sejam pecados gravíssimos, mas não pode perdoar a um Demónio porque ele nunca se arrepende, por isso, como nunca de arrepende, nunca poderá receber o perdão. Não é Deus que é incapaz de perdoar, mas é o Demónio que é incapaz de se arrepender, fixado como está na sua própria rebelião.

O Padre António Fortea cita uma afirmação do Papa Virgílio do ano 543, que proclamou: «Se alguém diz ou pensa que o castigo dos demónios ou dos homens ímpios é temporal e que em algum momento terá fim, ou que se dará a reabilitação ou restabelecimento dos homens ímpios, seja anátema» (DS 411). Deus não pode perdoar a um demónio porque não pode perdoar a quem não de arrepende do seu pecado.

São João Paulo II, num discurso de 23 de julho de 1986, afirmou que os demónios «Com base em sua liberdade criada, fizeram uma opção radical e irreversível, igualmente como os Anjos bons fizeram, mas diametralmente oposta: em vez de uma aceitação de Deus plena de amor, lhe opuseram uma rejeição inspirada num falso sentido de autossuficiência, de aversão e até de ódio que se converteu em rebelião».

O Catecismo da Igreja Católica (n. 393) é muito claro a esse respeito: «É o carácter irrevogável de sua opção, e não uma deficiência da infinita misericórdia divina, que faz com que o pecado dos Anjos não possa ser perdoado».

E cita uma afirmação de São João Damasceno: «Não existe arrependimento para os Demónios depois da queda, como não existe para os homens após a morte». O Catecismo continua: «Esta “queda” consiste na opção livre desses espíritos criados, que rejeitaram radical e irrevogavelmente a Deus e seu Reino» (CIC 392)

Os Demónios fizeram uma escolha definitiva irreversível, baseada no pleno conhecimento próprio da natureza angélica e realizada com a firmeza da sua vontade. Os homens, durante a sua vida terrena, pela sua natureza fragilizada pelo pecado original, podem arrepender-se, porque não possuem a mesma clareza e lucidez do conhecimento angélico, nem a mesma firmeza e determinação da vontade.

Os seres humanos sofrem as consequências do pecado original, por isso, estão condicionados e influenciados, não só pelas limitações da natureza humana, mas também, pelas suas próprias paixões, que limitam as suas perceções e as suas decisões. Foi exatamente por isso que, apesar do pecado original, mesmo sendo pecador, abriu-se para ele a possibilidade do arrependimento e do perdão.

Cf. José António Fortea, Summa Daemoniaca, Paulus 2010, Questão 94, Deus pode perdoar a um demónio?

Cf. Catecismo da Igreja Católica, 392-393

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