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quinta-feira, 16 de março de 2023

A FALSA DOUTRINA DA REENCARNAÇÃO

Na Antiga Grécia politeísta não havia uma ideia clara da vida além da morte. O filósofo Pitágoras e seus discípulos ensinavam que era possível que uma mesma alma, depois de um período mais ou menos longo no reino dos mortos, podia voltar a animar outros corpos de homens ou de animais, afim de se purificar e retornar à fonte da vida.

A doutrina da reencarnação é comum a várias religiões de origem oriental, segundo as quais a alma, depois da morte da pessoa, após um certo intervalo, retorna à terra noutro corpo. Essas reencarnações são regidas pela lei do Karma, que obriga os indivíduos a pagar (expiar), em encarnações posteriores, as falhas cometidas na vida presente. O hinduísmo acredita na transmigração das almas: a mesma alma pode voltar a encarnar-se em corpos humanos, animais ou até plantas.

Atualmente, a doutrina da reencarnação é muito difundida pelo espiritismo. Cada reencarnação seria um castigo pelos males das vidas anteriores; a alma teria a finalidade de aperfeiçoar-se na vida depois da morte. A reencarnação seria um progresso de purificação constante, até a alma se tornar um espírito puro e dar-se-ia apenas em corpos humanos. Desse modo, em cada vida, o homem teria a possibilidade de expiar os seus erros e purificar-se, até atingir a perfeição.

A doutrina da reencarnação está em evidente contraste com o cristianismo, pois nega a unicidade da vida terrena, o juízo de Deus e a retribuição ultra-terrena. Nega o inferno, sendo a reencarnação um castigo. Nega o paraíso: o prémio seria tornar-se puro espírito e não voltar e reencarnar-se. Nega a purificação do purgatório, a reencarnação seria a forma de melhorar-se.

Infelizmente há cristãos que, por ignorância,  se deixam arrastar por esta falsa doutrina, por não conhecerem devidamente o conteúdo da fé cristã sobre a vida eterna e a ressurreição. Se a conhecessem, não se deixariam enganar, antes, se alegrariam porque a vida eterna e a ressurreição, que Jesus Cristo ensinou, são verdades que a Igreja ensina, como fundamento sólido da esperança cristã.

A Sagrada Escritura é bem clara: «Está determinado que os homens morram uma só vez, e logo em seguida vem o juízo» (Hb 9, 27). E o Catecismo da Igreja Católica confirma: «Quando tiver terminado o único curso de nossa vida terrestre, não voltaremos mais a outras vidas terrestres. (...) Não existe 'reencarnação' depois da morte» (§ 1013).

O cristão ao fim da existência terrena, espera outra vida, muito mais elevada e nobre do que esta vida terrena. Com a morte, ele se reunirá diante «da montanha de Sião, da cidade do Deus vivo, da Jerusalém celestial, da miríade de anjos, da assembleia festiva dos primeiros inscritos no livro dos céus, e de Deus, juiz universal, e das almas dos justos que chegaram à perfeição, enfim, de Jesus, o mediador da Nova Aliança, e do sangue da aspersão, que fala com mais eloquência que o sangue de Abel» (Hb 12, 22-24).

 

1.      A reencarnação para as religiões orientais é um castigo, não é um bem em si mesmo, mas uma punição. A vida terrena seria um castigo. Se fosse verdade que a vida terrena é um castigo, os homens ansiaríamos a deixá-la, o mais rapidamente possível, pois ninguém quer ficar em castigo longamente. Mas a experiência humana demonstra que todos querem viver e não querem morrer.   

2.      Se a reencarnação é um castigo, o ter corpo seria um mal. Ora, o corpo é um bem, um bem necessário para o homem, só pode conhecer através dos sentidos e só pode atuar através deles. O corpo é, portanto, um bem indispensável. Se assim não fosse, haveria uma contradição na natureza humana, o que é um absurdo, porque Deus tudo fez com bondade e ordem.

3.      Se a reencarnação fosse verdadeira, o nascer seria um mal, pois significaria cair num estado de punição, e todo nascimento deveria causar tristeza. Morrer, pelo contrário, seria uma libertação, e deveria causar alegria. Ora, a experiência diz que o nascimento é causa de alegria e a morte é causa tristeza. Logo, a reencarnação não é verdadeira.

4.      Vimos que a reencarnação se fosse verdadeira, todo nascimento deveria ser causa de tristeza; o próprio o casamento seria um mal, sendo ele causa de novos nascimentos e reencarnações. Ora, isto é um absurdo. Logo, a reencarnação é falsa.

5.      Caso a reencarnação fosse uma realidade, as pessoas nasceriam de determinado casal somente em função de seus pecados em vida anterior. Tivessem sido outros os seus pecados, outros teriam sido seus pais. Portanto, a relação de um filho com seus pais seria apenas uma casualidade, e não teria importância maior. No fundo, os filhos não teriam nada a ver com seus pais, o que é um absurdo.

6.      A reencarnação causa uma destruição da caridade. Se uma pessoa nasce em certa situação de necessidade, doente, escrava, por exemplo, não se deveria fazer nada para a ajudar, porque está em tal situação como justo castigo de seus pecados numa vida anterior. É por isso que na Índia, país em que se crê normalmente na reencarnação, praticamente ninguém se preocupa em auxiliar os infelizes párias. A reencarnação destrói a caridade. Portanto, é falsa.

7.      A reencarnação incentiva a tendência para a imoralidade e não para a virtude. Com efeito, quando sabemos que temos só uma vida e que, ao fim dela, seremos julgados por Deus, procuramos converter-nos antes da morte. Mas se, pelo contrário, há diversas reencarnações, não seriamos impelidos à conversão imediata. Alguém poderia dizer: «Agora quero aproveitar desta vida gozando à vontade. Em outra encarnação, recuperar-me-ei». Portanto, a reencarnação impele mais à imoralidade do que à virtude.

8.      Ademais, por que esforçar-se, combatendo vícios e defeitos, se a recuperação é praticamente fatal, põe fim ao processo das reencarnações?

9.      Se assim fosse, então ninguém seria condenado a um inferno eterno, porque todos se salvariam ao cabo de um número infindável de reencarnações. Não haveria inferno. Se isso fosse assim, como se explicaria que Cristo Nosso Senhor afirmou que, no juízo final, Ele dirá aos maus: "Ide malditos para o fogo eterno"? (Mt. 25, 41)

10. Se a reencarnação fosse verdadeira, o homem seria salvador de si mesmo. Ele mesmo pagaria suficientemente suas faltas por meio de reencarnações sucessivas. Se fosse assim, Cristo não seria o Redentor do homem. O sacrifício do Calvário seria nulo e sem sentido. Cada um salvar-se-ia por si mesmo. O homem seria o redentor de si mesmo. Em consequência, a Missa e todos os Sacramentos não teriam valor nenhum e seriam inúteis ou dispensáveis. O que é outro absurdo herético.

11. A doutrina da reencarnação conduz necessariamente à ideia gnóstica de que o homem é o redentor de si mesmo.

12. Se homem é redentor de si mesmo, pagando com seus próprios méritos as ofensas feitas por ele a Deus infinito, é porque seus méritos pessoais são infinitos. Ora, só Deus pode ter méritos infinitos. Logo, o homem seria divino. O que é uma conclusão gnóstica ou panteísta. De qualquer modo, absurda. Logo, a reencarnação é uma falsidade.

13. Se, reencarnando-se infinitamente, o homem tende à perfeição, não se compreende como, ao final desse processo, ele não se torne perfeito de modo absoluto, isto é, que se torne Deus, já que ele tem em sua própria natureza essa capacidade de aperfeiçoamento infinito.

14. A doutrina da reencarnação, admitindo várias mortes sucessivas para o homem, contraria diretamente o que Deus ensinou na Sagrada Escritura.

Por exemplo, São Paulo escreveu:  "O homem só morre uma vez" (Heb. IX, 27).

Também no Livro de Job está escrito: "Assim o homem, quando dormir, não ressuscitará, até que o céu seja consumido, não despertará, nem se levantará de seu sono" (Jó, XIV,12).

15. Finalmente, a doutrina da reencarnação vai frontalmente contra o ensinamento de Cristo no Evangelho. Com efeito, ao ensinar a parábola do rico e do pobre Lázaro, Cristo Nosso Senhor disse que, quando ambos morreram, foram imediatamente julgados por Deus, sendo o mau rico mandado para o castigo eterno, e Lázaro mandado para o seio de Abraão, isto é, para o céu. (Cfr. Lucas XVI, 19-31)

E, nessa mesma parábola Cristo nega que possa alguma alma voltar para ensinar algo aos vivos. Além disso, embora não seja um argumento contrário à reencarnação, convém recordar que na, Sagrada Escritura, Deus proíbe que se invoquem as almas dos mortos. No Livro do Deuteronómio se lê: "Não se ache entre vós quem purifique seu filho ou sua filha, fazendo-os passar pelo fogo, nem quem consulte os adivinhos ou observe sonhos ou agouros, nem quem use malefícios, nem quem seja encantador, nem quem consulte os pitões [os médiuns] ou adivinhos, ou indague dos mortos a verdade. Porque o Senhor abomina todas estas coisas e por tais maldades exterminará estes povos à tua entrada" (Deut. XVIII-10-12).

http://www.montfort.org.br/index.php?secao=cadernos&subsecao=apologetica&artigo=reencarnacao&lang=bra#

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