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segunda-feira, 30 de março de 2026

Deus é Pai que educa os filhos

 «A Deus jamais alguém o viu; o Filho Unigénito, que é Deus, e está no seio do Pai, Ele o deu a conhecer.» (Jo 1,18). De facto, «No princípio existia o Verbo;o Verbo estava em Deus;e o Verbo era Deus. No princípio Ele estava em Deus.  Por Ele tudo começou a existir e sem Ele nada veio à existência (Jo 1,2-3).

São Paulo afirma: «Ele a imagem do Deus invisível, o primogénito de toda a criatura; porque foi nele que todas as coisas foram criadas, no céu e na terra, as visíveis e as invisíveis … Ele é anterior a todas as coisas e todas elas subsistem nele» (Col 1,15-17).

Jesus é de verdade o Filho de Deus, o Verbo eterno que presidiu a criação do mundo: «o Verbo fez-se carne e habitou entre nós, e contemplamos a Sua glória; glória de Filho unigénito do Pai, cheio de graça e de verdade» (Jo 1,14); nascido por uma mulher, a Virgem Maria, tornou-se verdadeiro homem, nosso irmão, no sofrimento e na morte. Nele podemos conhecer o verdadeiro rosto de Deus: o Pai.

Deus Criador: «no princípio Deus criou o céu e a terra» (Gn 1,1). São João afirma solenemente: «No princípio existia o Verbo» (Jo 1,1). O Catecismo da Igreja Católica (n. 295) afirma:

Acreditamos que Deus criou o mundo segundo a sua sabedoria. O mundo não é que ele procede da vontade livre de Deus, que quis fazer as criaturas participantes do seu Ser, da sua sabedoria e da sua bondade: «porque Vós criastes todas as coisas e, pela vossa vontade, elas receberam a existência e foram criadas» (Ap 4, 11). «Como são grandes, Senhor, as vossas obras! Tudo fizestes com sabedoria» (Sl 104, 24). «O Senhor é bom para com todos e a sua misericórdia estende-se a todas as criaturas» (Sl 145, 9). Depois da criação, Deus não abandona a criatura a si mesma. Não só lhe dá o ser e o existir, mas a cada instante a mantém no ser, lhe dá o agir e a conduz ao seu termo. Reconhecer esta dependência total do Criador é fonte de sabedoria e de liberdade, de alegria e de confiança (Catecismo n. 301)

Deus, na Sua Providência, confia aos homens a responsabilidade de «submeter» a terra e dominá-la (Gn 1,26-28). Os homens, como causas inteligentes e livres, com o seu trabalho completam e aperfeiçoam a obra da criação. Muitas vezes de forma inconsciente se tornam colaboradores de Deus (1 Cor 3, 9)(144) e do seu Reino (Col 4,11). (Cf. Catecismo, n. 307)

A nossa vinda ao mundo não é fruto de um destino cego, mas da vontade amorosa de Deus. Existimos, pura e simplesmente, porque Deus o quis. Os nossos pais, de qualquer forma, foram colaboradores de Deus; instrumentos voluntários e conscientes, por Ele escolhidos, mas não o motivo fundamental da nossa vinda ao mundo. Foi Deus que determinou a nossa existência. Ele podia nos ter criado de outra forma, mas na Sua providencia infinita escolheu que fossemos gerados e acolhidos no ceio da ternura de uma família. Através deles manifestou-se o Seu amor paternal.

Sem Deus não existiríamos. Ele é a origem e o fim último da nossa vida. Ele é razão essencial da nossa existência, porque, desde o início, chamou-nos a participar da Sua plenitude e felicidade – o Céu. É para lá que Ele nos conduz afim de realizarmos a nossa vocação, a comunhão perfeita com Ele.

O homem moderno afirma a sua própria autonomia e independência, por isso, recusa qualquer autoridade, também a paternidade de Deus; a dependência de Deus liberta da escravidão do mundo, por isso, ao rejeitar a sua dependência de Deus, o homem perde a sua liberdade,  torna-se escravo do mundo e instrumento passivo do materialismo que domina a sociedade. Só Deus o poderá libertar, pois, a Sua autoridade paterna não só respeita a liberdade e a autonomia pessoal, mas também o liberta da escravidão do mundo, porque lhe abre a perspetiva da eternidade.

A autoridade de Deus é uma autoridade paterna: é para nós fonte de vida. Deus liberta-nos e respeita a nossa liberdade, mas não renuncia à Sua autoridade divina, e quer ser amado acima de todas as coisas (Mt 22, 33-40). Ele não nos trata como servos, mas como filhos; poderia valer-se da Sua autoridade divina, mas que apenas ser tratado por Pai. Não é um Deus longínquo, mas um Deus próximo. Um Pai que quer a felicidade dos Seus filhos.

Deus é Pai e, quando nós vivemos como Seus filhos ficamos livres da escravidão do mundo. É uma dependência filial, não uma dependência servil; uma dependência de amor e não uma dependência servil;  uma dependência livremente escolhida e não uma dependência imposta; uma dependência livre que respeita a nossa liberdade e autonomia; uma dependência de amor que nos conduz à felicidade eterna.

A filiação divina - Vede que amor tão grande o Pai nos concedeu, a ponto de nos podermos chamar filhos de Deus; e, realmente, o somos! É por isso que o mundo não nos conhece, uma vez que o não conheceu a Ele. Caríssimos, agora já somos filhos de Deus, mas não se manifestou ainda o que havemos de ser. O que sabemos é que, quando Ele se manifestar, seremos semelhantes a Ele, porque o veremos tal como Ele é. (1Jo 3,1-2)

Deus, sendo bom Pai, oferece-nos a possibilidade de alcançar a verdadeira felicidade: a comunhão perfeita com Ele no Céu. O Seu amor paterno corrige-nos, educa-nos e alerta-nos sobre o perigo de nos desviarmos do caminho do bem; quer que sejamos santos como Ele é santo e convidando-nos a observar os Seus mandamentos. 

«Não ameis o mundo nem o que há no mundo. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Pois tudo o que há no mundo - a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e o estilo de vida orgulhoso - não vem do Pai, mas sim do mundo. Ora, o mundo passa e também as suas concupiscências, mas quem faz a vontade de Deus permanece para sempre. (1Jo 2, 15-17)

Deus não pretende de nós coisas impossíveis, «pois o amor de Deus consiste precisamente em que guardemos os seus mandamentos; e os seus mandamentos não são uma carga pesada» (1Jo 5,3). Além disso, Deus ajuda-nos com a sua graça. Ele corrige-nos quando é necessário a fim de chegarmos à perfeição que Ele deseja para nós. 

A Carta aos Hebreus explica isso muito bem: «Meu Filho, não desprezes a correção do Senhor. Não desa­nimes, quando repreendido por ele; pois o Senhor corrige a quem ama e castiga todo aquele que reconhece por seu filho» (Pr 3,18);  «Meu filho, não desprezes a correcção do Senhor, e não desanimes quando és repreendido por Ele, porque o Senhor corrige os que ama e castiga todo o que reconhece como filho. É para vossa correção que sofreis. Deus trata-vos como filhos; e qual é o filho a quem o pai não corrige?» (Hb 12, 5-6).

Deus é um Pai que educa os Seus filhos, quer que sejam pessoa de bem, bons cristãos e bons cidadãos, e que não se esqueçam de cumprir as obrigações quotidianas.

Nós cremos firmemente que Deus é o Senhor do mundo e da história. Muitas vezes, porém, os caminhos da sua Providência são-nos desconhecidos. Só no fim, quando acabar o nosso conhecimento parcial e virmos Deus «face a face» (1 Cor 13, 12), é que nos serão plenamente conhecidos os caminhos pelos quais, mesmo através do mal e do pecado, Deus terá conduzido a criação ao repouso desse Sábado (158) definitivo, em vista do qual criou o céu e a terra. (Catecismo, 314)

 

Cf. Catecismo da Igreja Católica, nn. 268-269; Deus Criador, nn. 279-280; a criação, obra da SS. Trindade, nn. 290-292; o mundo foi criado para a glória de Deus, nn. 293-294; Deus cria com sabedoria e amor, n. 295; Deus transcende o mundo e está presente nele, 300; Deus sustenta e conduz a criação, 301; a divina Providência, nn. 302-305 ss.

 

(padreleo.org)

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