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quarta-feira, 21 de junho de 2023
quinta-feira, 16 de março de 2023
A LIBERDADE CORROMPIDA DOS HOMENS
de Deus.
O pecado de desobediência de Adão e Eva, trouxe consequências para eles: a união entre o homem e a mulher é submetida a tensões; as suas relações serão marcadas pela cupidez e pela dominação. Seduzida pela serpente, a mulher come do fruto
proibido e o oferece ao seu marido, que também o come. Deus questiona Adão por ele ter comido do fruto. Adão logo responde que foi a mulher que Ele lho deu. Com esta resposta, ele descarrega sobre Deus uma parte dessa responsabilidade por Ele
ter criado a mulher e a ter colocado ao seu lado. A mulher, por sua vez, quando questionada por Deus, coloca a culpa sobre a serpente que a enganou. O pecado gerou esta desarmonia entre as próprias criaturas! As responsabilidades pelos próprios atos começam a serem encobertas por desculpas, uma vez que assumir as culpas pelos seus próprios atos seria “condenar-se” – assim aponta o pecado.
vezes, fora de Deus, e acabam por se envolver em práticas relacionadas com o Ocultismo, que acabaram por agravar os seus problemas.
da política, da ação social e dos costumes (CIC 407-408)
Ainda que cada filho possa experimentar todas as tristes consequências do pecado original, - dizia São Leão Magno - a verdade é que: a graça inefável de Cristo deu-nos bens melhores do que aqueles que a inveja do Demónio nos havia tirado (Serm.
73,4: PL 54, 396.
ama a cada um de nós com amor preferencial.
Obrigado, Jesus. Obrigado porque conheces os meus limites,
Que a tua voz, ó Pai, continue todos os dias a ecoar em meu coração
possa eu prontamente, como a Virgem Maria, responder-Te:
“Eis-me aqui, Senhor!”. Que assim seja. Amém.
Cf. Danilo Gesualdo, Livres de todo o Mal, Ed. Canção Nova,
pp. 42-63 – Adaptação de Padre Leo
1 - GUERRA ESPIRITUAL NO CÉU
Ser cristão significa entrar numa guerra espiritual. Este combate, segundo a Sagrada escritura, começou antes da criação do homem, quando a terceira parte das criaturas angélicas se revoltou contra Deus.
«Como caíste dos céus, estrela da manhã, filho da aurora? Como foste abatido por terra, ó dominador das nações? Tu que dizias no teu coração: 'Subirei aos céus, estabelecerei o meu trono acima das estrelas de Deus, sentar-me-ei na montanha da Assembleia, na extremidade do céu; subirei acima das nuvens e serei semelhante ao Altíssimo'. Infeliz! Foste precipitado no abismo, no mais profundo do mundo dos mortos!» (Is 14, 12-14)
A Bíblia afirma que Deus criou os anjos e multiplicou neles as perfeições; criaturas inteiramente espirituais dotados de livre arbítrio, de suma beleza e de extraordinária inteligência; embora sejam inúmeros, cada um deles possui uma própria personalidade; e virtudes que revelam a grandeza de Deus Criador. Mas, entre os anjos sobressai um serafim, o Príncipe das legiões celestes: Lucifer. Dele parece falar o profeta Ezequiel:
«Assim fala o Senhor Deus: Tu eras um modelo de perfeição, cheio de sabedoria, de uma beleza admirável. Estavas no Éden, jardim de Deus; o teu manto estava coberto de toda a espécie de pedras preciosas: sardónica, topázio, diamante, crisólito, ónix, jaspe, safira, carbúnculo e esmeralda, cravejadas de ouro. Tamborins e flautas estavam ao teu serviço desde o dia em que foste criado. Eras um querubim protetor, colocado sobre a montanha santa de Deus, caminhavas por entre pedras de fogo. Eras irrepreensível na tua conduta, desde o dia em que nasceste, até àquele em que a iniquidade apareceu em ti. Com o aumento do teu comércio, o teu íntimo encheu-se de violências e pecados. Por isso, Eu precipitei-te da montanha de Deus, e fiz-te perecer, ó querubim protetor, no meio das pedras de fogo». (Ez 28, 12-13) Este texto que fala da caída do Rei de Tires é aplicado, pelos exegetas, a Lúcifer.
Este Serafim, Lúcifer estava no cume da hierarquia angélica, o primeiro entre os Serafins, e seu incontestável chefe. Cheio de amor e de fervor, ele irradiava a luz divina, projetando-a sobre os outros anjos, revelando-lhes, com a sua sublime inteligência e sabedoria, os secretos divinos, que ele podia compreender quase em plenitude. Por isso, Deus, deu-lhe o nome de Lúcifer, portador de Luz. Acima dele só podia estar a Virgem Maria, a Estrela da Manhã, que ele recusou de a saudar como sua rainha.
Lúcifer, no cume do seu conhecimento, deixa de contemplar a glória de Deus e começa a contemplar a si próprio. Os anjos não podiam ainda contemplar diretamente o Rosto de Deus, não tinha chegado a hora. Tal conhecimento deveria chegar como recompensa depois de uma prova, que os anjos não poderiam saber qual seria.
Lucifer e os outros anjos, desde o primeiro instante da sua criação, viram o Mistério da Santíssima Trindade e o Mistério da Encarnação, mas os não podiam compreender inteiramente. Foi então que Deus pus Lucifer diante de uma realidade incrível, incompreensível para a inteligência angélica: criando os anjos, Deus criou seres puramente espirituais. Criando o universo, com plantas e animais, Deus criou seres puramente materiais, incapazes de conhecer a Sua adorável presença; mas, criando o homem, criou um ser híbrido feito de alma e corpo, capaz de se elevar até Deus, «imagem e semelhança de Deus» tal como os anjos. O homem, pela sua natureza corpórea é atraído pela terra, mas pela sua natura espiritual é capaz de elevar-se até Deus. A matéria e o espírito unidos numa só natureza, como é que isto é possível? Come é que o homem, espírito encarnado, tem a capacidade de alcançar a ideia de Deus?
O anúncio da Encarnação do Verbo
O plano divino realizar-se diante da admiração da corte celeste. É verdade que o homem, sendo matéria é atraído para a terra, mas, pelo seu espírito, eleva-se para o céu; mas o cume incompreensível da revelação é que Deus se fará homem: o Mistério da Encarnação. Segundo os Padres da Igreja (Tertuliano, Cipriano, Basílio e Bernardo), a prova que decidiu a sorte dos espíritos celestes foi precisamente o anúncio do mistério da encarnação, a promessa da união hipostática de Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem.
Este mistério é incompreensível para os anjos: este Deus, três vezes santo, tornar-se-á homem! Rebaixar-se-á de tal forma, muito debaixo da natureza angélica! Os anjos não podiam compreender, só podiam aceitar, em humilde submissão a Deus. Ninguém entre os anjos compreendia, mas houve um anjo que ficou particularmente pasmado e indignado diante desta revelação: Lucifer. Ele viu-se confrontado brutalmente com o mistério insondável do projeto divino. A sua aguda inteligência falhava diante desse mistério inefável. Ele sabia que o seu conhecimento de Deus era limitado, mas surge na sua inteligência uma ideia inverosímil, assim, como um relâmpago: que Deus podia estar no erro e que ele estava na verdade, mas resiste, não quer entrar em discussão com o Criador.
Perto dele, outro serafim, Miguel, colocado diante do mesmo Mistério, vê a sua inteligência falhar, não conseguia compreender, mas escolheu confiar em Deus. Ele tem a certeza pacificadora de que Deus sabe bem o que está a fazer, por isso aconselha aos outros anjos: «Não procurai compreender! Aceitai, aceitai, aceitai». Muitos anjos seguiram o seu conselho, mas Lucifer fica fechado em si próprio, não escuta as exortações de Miguel. É dominado pelo orgulho: afinal, não sou eu o chefe dos anjos? Não sou eu quem domina sobre a inteligência dos outros anjos? Porque maravilhar-se, se ele compreende de imediato o que os outros anjos apreendem lentamente, graças a ajuda dele?
Em Lucifer levanta-se a suspeita, o que não é ainda rebelião, mas o prelúdio insidioso da dúvida. Deus faz-se homem. Esta incrível e chocante afirmação percorre ressoa do alto em baixo os nove coros angélicos, suscitando novas questões e novas emoções. Eis que aparece a imagem do Homem-Deus e, ao seu lado, uma criatura humana, uma simples criatura humana, filha dos homens. Os anjos ouvem atónitos o título da Mulher: MÃE DE DEUS. Uma simples criatura proclamada: Mãe do Criador! Uma criatura dá à luz o Incriado. Uma voz ressoa entre os coros angélicos: «Eis o Vosso Senhor, eis a Vossa Rainha. Adorai o Senhor, inclinai-vos diante d’Ela».
Lucifer confuso contempla os dois seres humanos imensamente inferiores à natureza angélica. Ele não pode adorar o que lhe é inferior. Como é possível que Deus, Seu Rei bem-amado, lhe peça este ato de profunda humilhação? O príncipe dos serafins toma consciência daquilo que ele mesmo possui: beleza, inteligência, vontade perfeita, graça e santidade, dons gratuitos que infundem nele paz, felicidade e amor. O homem e mulher nada disso, o se os possuem é de forma tão ínfima, ridícula.
Mas se Deus quer unir a Sua sublime natureza a uma criatura, porque desce tão em baixo? Quando Ele poderia honrar essa união hipostática com a única criatura digna de tal honra: ele, Lucifer: «sigilo de semelhança, cheio de sabedoria e de perfeita beleza» (Ez 28, 12)
Ao mesmo tempo a inteligência angélica de Lucifer percebe todas as consequências dos seus atos e compreende, sem nenhuma incerteza a única escolha que lhe é oferecida: adorar, ultrapassando os seus medos, a sua incompreensão e desilusão, só assim, alcançará a felicidade plena. Mas se recusar cairá sobre ele uma desgraça irreparável, sobre a qual, nem deveria pensar. É uma escolha inevitável, porque Deus respeita a liberdade. Não quer ser servido forçadamente por um povo de escravos medrosos. A liberdade é o direto que cada criatura tem para escolher a Deus ou afastar-se d’Ele.
Lucifer sabe não pode viver sem Deus, seria isto praticamente impossível. Um tal castigo seria pior do que desaparecer, deixar de existir. Deus criou-o para amar a Deus, uma queimadura permanente, que não tem cura, uma chama inextinguível. A essência da sua natureza é amar. Amar a Deus acima de tudo. E Lúcifer sabe que ele não é um Serafim qualquer: é o primeiro, o mais nobre, a mais sublime criatura de Deus. Entre todos, é ele que possui a maior capacidade de amar. Uma potencialidade tão grande que nada a poderia preencher, senão o próprio Deus. Renunciar a Deus seria renunciar a amar, renunciar à razão da sua existência. Deixar de amar, seria para ele cair num abismo profundo, num vazio insondável, tal como insondável seria a dor da perda de Deus, do desespero e do sofrimento. Ele próprio tornar-se-ia o Vazio.
Lúcifer compreende que está à beira de um precipício horroroso. Miguel, ao lado dele, compreende a resistência de Lúcifer, mas lhe suplica: «Lúcifer adora!». Lúcifer percebe que é o amor que move a súplica de Miguel: não se trata apenas da exigência de dar a Deus o que lhe é devido, não, aquela súplica surge do amor fraterno horrorizado perante o grave perigo que ameaça o príncipe seráfico. Mas, de repente, o amor que Miguel lhe manifesta parece-lhe odioso, insultante e, enfim, insuportável: «afinal, quem é ele que pensa saber mais do que eu?
Os dois Serafins não podem esconder os seus pensamentos, nem a conversa entre eles; o que tem repercussões em todos os coros angélicos. Adorar ou não adorar, é escolha inevitável. Grande parte dos anjos, habituados a receber a luz de Lúcifer, o Serafim portador de Luz, caem na prisão da dúvida e não sabem o que escolher: adorar ou não adorar. Se estarem da parte de Deus, que não compreendem ou se estarem da parte do grande Serafim, o mestre, a autoridade constituída. De que lado está a obediência? De que lado está a rebelião? Terrível dilema: escolha espantosa.
Miguel escolheu adorar e fica escondido na penumbra, embriagado de amor e fé, cegamente confiante e seguro do amor de Deus e prostra-se diante d’Ele. Ele adora, rebaixando a sua seráfica natureza diante dos seres parcialmente materiais. Diante dessa cena, muito outros anjos se prostram, seguem o exemplo dele.
Mais para abaixo, a turbulência continua. Lúcifer sente a dúvida que invade os seus irmãos, a fidelidade que lhe devotam. Ele é o príncipe, o líder. A submissão de Miguel, contra o conselho dele, irrita-os, parece-lhes uma desobediência intolerável, uma traição odiosa. O seu apelo desolado irrita-o: "Adora, Lúcifer! Adora!" Miserável escravo, indigno das virtudes que Deus lhes infundiu!
Lúcifer olha para si mesmo, vê-se magnífico e incomparável. Como é que ele pode prostrar-se diante da matéria? Nunca! A sua inteligência, a sua lógica, como também a sua própria consciência, o advertem que, recusando-se, esta para cometer um erro irreparável, um erro que produzirá a sua própria desgraça. Tudo se rebela diante dessa escolha, mas Lúcifer sabe que tem que se submeter, agora, enquanto lhe é oferecida esta possibilidade; depois será o vazio, um vazio atroz e eterno. Ele tem que dobrar o seu espírito, todo o seu ser para Deus. Está ainda em tempo para seguir o conselho de Miguel, mas isto significa renunciar aos direitos que ele considera intangíveis. Não é ele a Beleza, a Perfeição, a Graça e a Santidade?
Lúcifer não vê a si mesmo em relação a Deus. Ele pensa em si mesmo em relação a si mesmo, está a tomar o lugar de Deus: compraz-se do seu próprio esplendor, deleita-se nessa mentira. Em seu coração não há humildade, é dominado pelo orgulho: «O teu coração encheu-se de orgulho, por causa da tua beleza. Arruinaste a tua sabedoria, por causa do teu esplendor» (Ez 28,17).
O amor que ardia nele afasta-se da Fonte, o fogo do amor apaga-se, virado como é para si mesmo. Ainda está em tempo para renunciar à mentira e escolher a verdade. Sabe que está para cometer um erro irreparável, mas, esse erro o seduz, parece-lhe mais belo do que a Verdade. Obstinado, o belo Lúcifer olha só para si mesmo. Deus é para ele, cada vez mais distante, escondido, sente que está quase a ser perdido por Ele, mas isso já não o incomoda. Que necessidade tem ele de Deus? Ele pode viver sem Ele! E a Felicidade? Esta não está em Deus, mas em si próprio!
São Tomás de Aquino diz: «Os anjos rebeldes acharam que podiam prescindir da felicidade sobrenatural que Deus lhe oferecia, para a procurarem dentro de si, com as suas próprias forças: uma beatitude natural. Eles desprezaram, numa palavra, a graça de Deus e pensaram que não precisavam dela» (São Tomás de Aquino).
Lúcifer esqueceu-se de quem lhe ofereceu os dons que ele possui. Só olha para si mesmo e a sua complacência não para de crescer.
A repreensão de Miguel ainda ressoa ainda nalgum lugar, mas é uma voz infinitamente longínqua: «adora!». E lucifer: «Não, não adorarei! Não posso eu adorar o que é inferior! Não, não adorarei seres materiais». Como pode ele adorar seres materiais, quando ele é o mais sublime entre os serafins. Ao proferir estas palavras insensatas, ele bem sabia disso, um véu de trevas caiu sobre ele. A Luz apagou-se para sempre. O Serafim portador da Luz agora é trevas. Santo Agostinho dizia: «Os Santos Anjos, voltando-se para o Verbo, tornaram-se Luz; os anjos rebeldes, habitando em si mesmos, tornaram-se trevas» (Santo Agostinho, A Cidade de Deus).
Lúcifer continua a possuir a sua beleza, inteligência e vontade, mas, agora, são virtudes desfiguradas, irreconhecíveis. Aquela natureza angélica, da qual se tinha imprudentemente glorificado, está destruída para sempre, sem possibilidade de retorno.
Beleza? Lúcifer pode ainda dar-se a mais sedutora aparência e enganar os crédulos. Ele próprio vê-se e retira-se horrorizado por se ter tornado tão odioso.
Inteligência? É agora desviada, irremediavelmente, distorcida. O que é justo, o que é verdadeiro, agora perdeu a ligação com Aquele que é a Verdade, e nunca poderá alcança-Lo. O seu espírito sublime, de premissas exatas, chegará sempre a resultados falsos, sem que lhe seja possível compreender onde está o erro. Lúcifer tornou-se o erro, a mentira. A sua lógica implacável, que tudo compreendia, não o abandonou, mas agora não passa de loucura e revolta. Ele raciocinará, nunca deixará de raciocinar, obstinadamente, mas o seus raciocínios serão loucos e absurdos, apesar da sua aparente coerência. A inteligência de Lúcifer é como uma bússola que não conhece mais o Norte.
Graça? Infelizmente, ele bem sabia o que era, conserva dela a lembrança, mas agora, já não a tem, perdeu-a para sempre. É uma dor intolerável. Para ele, Deus e a graça de Deus serão inacessíveis para sempre! Seria melhor morrer! Mas Lúcifer, gelado pelo desespero, sabe bem que ele é um anjo e que é imortal.
Voltar atrás! Já não é possível. Para os anjos a possibilidade de pecar era tão pequena, tão improvável, devido à perfeição da natureza angélica, que Deus não lhe deu a noção do arrependimento; e, mesmo que ele tivesse a possibilidade de se arrepender, será que a desfrutaria? Será que ele voltaria atrás arrependido? Será que orgulho louco de Lúcifer se curvaria diante de Deus? Pediria perdão? Certamente que não. Lúcifer agora é trevas, loucura e vaidade. Tal escuridão torna-o cego e surdo diante de Deus. A mesma escuridão espalha-se nos coros angélicos inferiores, semeando neles mentiras e erros.
Miríades de anjos de todos os coros angélicos engolem esta mentira sedutora: A felicidade não está em Deus, está em nós próprios; mas não veem a ferida atroz que está na alma de Lúcifer, uma ferida que ele esconde a si próprio, tanto quanto a teme. Para milhares de milhares de anjos, Serafins, Querubins, Tronos, Dominações, Potestades, Virtudes e Principados assumem o grito insensato de Lucifer: «Não serviremos! Não adoraremos!»; e enquanto pronunciam essas palavras, as trevas caem sobre eles e engole-os.
Lúcifer é semelhante a um daqueles fenómenos cósmicos chamados buracos negros. Ele caiu nesse buraco e, a partir desse abismo de sofrimento vê a desgraça dos outros anjos que seguiram a sua mesma rebeldia, o que lhe dá algum conforto, mas é uma alegria amarga, que não muda o seu estado de desespero. Ele perdeu a Deus para sempre. É uma dor inconsolável; mas os outros anjos que o seguiram também O perderam. Ele não estará sozinho a debater-se naquele terrível horror. Escutaram-no e, assim, também eles perderam a Beleza, o Esplendor e Amor, que é Deus. Perderam-no para sempre. Lúcifer sobressalta de satisfação quando um dos Serafins abraça a mesma mentira. Alegra-se porque não está sozinho e também tirou a Deus o que Lhe pertencia.
Loucos de angústia e de dor, os anjos por ele desviados, chamam-no, insultam-no, amaldiçoam-no, acusando-o de os ter enganados. É verdade, ele mentiu-lhes, prometendo-lhes a descoberta da felicidade em si mesmos e não em Deus, uma alegria impossível; mas não tinham eles uma inteligência suficiente, um juízo esclarecido, para renunciar à mentira e voltar-se para Deus? A verdade é que o seguiram livremente, desviando-se de Deus, o único que merece a adoração; e virando-se para si próprios, miseráveis criaturas. Estavam à espera de uma ocasião e ele ofereceu-a. Santo Agostinho dizia: «Dois amores criaram duas cidades: uma é Jerusalém, o amor de Deus até ao desprezo de si próprios; o outro é Babilônia, o amor de si mesmo até ao desprezo de Deus» (Santo Agostinho, A Cidade de Deus).
Os outros anjos já não o saúdam com os nomes gloriosos: «Filho da aurora, beleza perfeita...". Acabou! Mas não deprecia os novos títulos que lhe aplicam: «Príncipe da mentira! Mestre do erro, Senhor das Trevas!» Ele é mentira, erro e escuridão, mas continua a ser príncipe, mestre e senhor, títulos honrosos que os demónios usam para falar de Deus. Paradoxalmente, é assim que o diabo é chamado.
Não, ainda não é suficiente que multidões de anjos continuem alcança-lo, seguindo-o na sua mesma perdição, no meio de gritos e maldições. Ele perseguirá também o Homem e a Mulher, para lhes impedir aquela felicidade eterna que ele perdeu para sempre. São matéria em parte e serão para sempre matéria porque ele matará a alma. Matará as almas preciosas e amadas por Deus. Que vingança! Pois ao sofrimento de Lúcifer junta-se agora uma raiva furiosa que ele não consegue dominar: um ódio imenso tal como era o seu amor. É um vazio insondável que se instalou nele e só o ódio poderá preenchê-lo, aos menos, um pouco. É uma loucura que já não para de crescer. É uma tortura espiritual que os teólogos chamam «pena do dano», pena da privação de Deus. É uma pena que Lucifer infligiu a si próprio pela sua obstinação e pelo seu orgulho, uma pena que não lhe dá sossego e que alimenta o seu furor contra Deus.
Pela sua inteligência distorcida muda os dados do problema. Pensa que Deus o enganou, que os enganou a todos, que cometeu uma injustiça intolerável punindo-os com pura crueldade. Tirano! Tirano ignóbil! Ele não é digno de dominar sobre as nuvens! Abaixo o tirano! Lucifer esqueceu-se da verdade e colocou a questão à sua maneira. Amor, ele chama de ódio. A vida, ela chama morte. Verdade, ela chama mentira, chama tirania a justiça, preto o que é branco ... operou uma inversão completa dos valores, uma visão distorcida da realidade, através da qual, tenta as almas distorcendo nelas a perceção do bem e do mal. Lucifer está preso dentro do seu sistema, da sua lógica doentia.
Ele também crê, animado como está pela fúria e pela detestação de Deus, cego diante do real e do justo, o seu poder de Espírito Angélico tem a capacidade de culpar o Criador, desonrado pela Sua vontade de assumir a natureza humana, de se tornar homem, matéria ... de derrubá-lo de Seu Trono e assim tomar o lugar Dele: «Tornar-se Deus em última instância, este é o pecado dos anjos, uma luxúria espiritual: estavam satisfeitos em si mesmos, chegando ao ponto de desejar, se fosse possível, suprimir Deus e tomar o Seu lugar. (João Escoto).
Tão inverosímil é o programa dele que pretende tratar a Deus como se fosse uma criatura: o dominador das nações: «Tu que dizias no teu coração: Subirei aos céus, estabelecerei o meu trono acima das estrelas de Deus, sentar-me-ei na montanha da Assembleia, na extremidade do céu; subirei acima das nuvens e serei semelhante ao Altíssimo'. Infeliz! Foste precipitado no abismo, no mais profundo do mundo dos mortos! (Is 14, 13-14-15)
O delírio blasfemo atinge o universo de consternação. Os próprios anjos rebeldes estavam convencidos de que Deus poderia aniquilá-los; bastaria, que deixasse de pensar neles; mas nada acontece, Deus não aniquilou os anjos, não aniquilou Lúcifer, porque Deus nunca se arrepende daquilo que criou. O Serafim já se esqueceu da sabedoria divina, e não vê neste silêncio, nesta tolerância, a prova da fraqueza desse Deus Criador que se prostrava diante dele, velando-se o rosto.
Iludido da sua vitória agora próxima, ele grita cada vez mais, no meio do silêncio assustado dos espíritos: «Serei semelhante a Deus! Eu sou como Deus!» Está diante do Trono de Deus, que para ele não passa de trevas impenetráveis, ameaçadoras. Ele é o adversário irreconciliável. Levados pelo seu exemplo, avançam os seus companheiros, animados pela inação dos anjos fiéis. Então, ouve-se um grito que atravessa os céus, um grito ainda mais forte do que a monstruosa blasfêmia de Lucifer: «Quem é que se atreva a chamar-se igual a Deus? Quem é como Deus?»
Lúcifer reconhece a voz daquele que está pronto para o desafiar. «Quem como Deus?» é o nome do segundo dos Serafins, o tenente fraterno de Lúcifer, o amigo perfeito. Agora, porém, é o traidor, aquele que lhe desobedeceu e que se humilhou diante das duas criaturas materiais. É o Arcanjos Miguel, pacífico e misericordioso. São Miguel o príncipe das Misericórdias, mas agora transformado por uma santa cólera, pronto a defender o Amado insultado. O Bem-Amado escondido e invisível, que Lúcifer, devastado pelo ciúme e pelo sofrimento, contempla e que serenamente realiza a justiça divina.
Miguel transfigurado, sublime, chama viva de Deus, braseiro do amor e da verdade, e que realiza serenamente a justiça divina.
"Quem é como Deus!".
Bilhões de anjos, aliviados pela indignação, aceitam incessantemente a demanda.
Pela primeira vez, Lúcifer tenta contar suas tropas. Quando os viu morrer em graça, santidade, felicidade e luz, estrelas sugadas para o buraco negro da sua revolita, do seu orgulho, da sua obstinação, pareceram-lhe inumeráveis. Na realidade, eles são muito menos numerosos do que os exércitos que permaneceram fiéis ao Outro e que se reúnem ao redor de Miguel... Apenas um terço, um terço dos anjos deixaram o campo de Deus para o seguir (interpretação tradicional do Apocalipse, 12,3-4): «Então apareceu no céu o segundo sinal: um enorme dragão vermelho ardente, com sete cabeças e dez comas, cada cabeça encimada por um diadema. Sua cauda varre um terço das estrelas do céu e as precipita sobre a terra»
A luz que irradia em Miguel, e que ele espalhava profusamente sobre os Espíritos dos nove coros, agora é insuportável para Lúcifer. Queima-o, mas não com aquele delicioso ardor, daquele sofrimento requintado que ele conhecia quando ainda era o príncipe dos Serafins.
Não, é como uma chama atroz e insuportável que o devora sem o destruir, como o amor, uma vez, o devorava sem o consumir (os teólogos pensam que o castigo dos anjos rebeldes e o dos condenados é duplo: a perda irreparável de Deus que eles recusaram, ou pena do dano; e um fogo espiritual devido à perversão das suas faculdades de amar. Este sofrimento age nele como uma agulha e alimenta o seu ódio e, com toda a sua revolta, lança-se contra Miguel. Nesta luta pelo primeiro lugar, ele está determinado a assiná-lo e vencê-lo. Lutas de espíritos, de inteligências puras: E se Lúcifer tem menos tropas, ele continua convencido de sua superioridade, a começar pela sua. Ele não teme Michael que sempre dominou com sua ciência, com sua compreensão do universo. Ele certamente triunfará.
"Então ocorreu uma guerra no céu: Miguel e seus anjos lutaram contra o Dragão. E respondeu o Dragão com os seus anjos» (Ap 12, 7).
Quando se engajou na luta, Lúcifer acreditava na vitória. Percebeu, tarde demais, que não ganharia. Não só Miguel, mas todos os seus companheiros, até ao último dos anjos do Coro, opõem-lhe uma resistência triunfal, mas nada o pode rasgar. Lúcifer recua diante dos Espíritos sobre os quais reinava, que antes não poderiam nada sem a sua ajuda: O que acontece? Como é possível que essas naturezas inferiores conseguem vence-lo?
Nunca o tinha experimentado, Lúcifer ignorava o poder desses espíritos unidos a Deus. Ele pensava de lutar contra criaturas espirituais inferiores, mas ignorava o poder de Deus que atuava neles. A força de Deus derrama-se entre os seus anjos fiéis. "Qualquer um deles, homem ou Anjo, quando adere a Deus, torna-se espiritualmente um com Ele e torna-se superior a qualquer outra criatura".
Luz, Amor, Verdade, Beleza, Justiça e Bem, tesouros que Lúcifer e seus Anjos desprezaram, agora resplandecem diante deles, como muralha inquebrável, braseiro ardente, do qual não se podem aproximar, luz resplandecente que não podem sustentar. A Luz esplendorosa de Deus rejeita-os; eles não podem estar em Sua presença. As trevas não suportam a Luz, a escuridão não resiste diante do sol, os Anjos rebeldes recuam. O Céu, estadia da sua felicidade queima-os; pensam apenas de fugir dele. Um imenso clamor enche o universo: «Como caíste do Céu, estrela da manhã, filho da aurora? Foste precipitado à terra, vencedor das nações»
Lúcifer cai, sugado por aquele vazio insondável, cada mais longe do Paraíso. Quanto mais desce, tanto mais cresce seu desespero, o ódio, e o desejo de fazer o mal, o maior mal possível.
Ele perde a sua primeira batalha, mas não perdeu ainda a guerra. A sua vingança está para começar. O Céu para ele está fechado para sempre. Agora o que lhe resta é impedir aos homens de entrar nele.
Marcello Stanzione, In lotta contro il maligno, Edizioni Segno, pp. 5-20
A FALSA DOUTRINA DA REENCARNAÇÃO
Na Antiga Grécia politeísta não havia uma ideia clara da vida além da morte. O filósofo Pitágoras e seus discípulos ensinavam que era possível que uma mesma alma, depois de um período mais ou menos longo no reino dos mortos, podia voltar a animar outros corpos de homens ou de animais, afim de se purificar e retornar à fonte da vida.
A doutrina da reencarnação é comum a várias religiões de origem oriental, segundo as quais a alma, depois da morte da pessoa, após um certo intervalo, retorna à terra noutro corpo. Essas reencarnações são regidas pela lei do Karma, que obriga os indivíduos a pagar (expiar), em encarnações posteriores, as falhas cometidas na vida presente. O hinduísmo acredita na transmigração das almas: a mesma alma pode voltar a encarnar-se em corpos humanos, animais ou até plantas.
Atualmente, a doutrina da reencarnação é muito difundida pelo espiritismo. Cada reencarnação seria um castigo pelos males das vidas anteriores; a alma teria a finalidade de aperfeiçoar-se na vida depois da morte. A reencarnação seria um progresso de purificação constante, até a alma se tornar um espírito puro e dar-se-ia apenas em corpos humanos. Desse modo, em cada vida, o homem teria a possibilidade de expiar os seus erros e purificar-se, até atingir a perfeição.
A doutrina da reencarnação está em evidente contraste com o cristianismo, pois nega a unicidade da vida terrena, o juízo de Deus e a retribuição ultra-terrena. Nega o inferno, sendo a reencarnação um castigo. Nega o paraíso: o prémio seria tornar-se puro espírito e não voltar e reencarnar-se. Nega a purificação do purgatório, a reencarnação seria a forma de melhorar-se.
Infelizmente há cristãos que, por ignorância, se deixam arrastar por esta falsa doutrina, por não conhecerem devidamente o conteúdo da fé cristã sobre a vida eterna e a ressurreição. Se a conhecessem, não se deixariam enganar, antes, se alegrariam porque a vida eterna e a ressurreição, que Jesus Cristo ensinou, são verdades que a Igreja ensina, como fundamento sólido da esperança cristã.
A Sagrada Escritura é bem clara: «Está determinado que os homens morram uma só vez, e logo em seguida vem o juízo» (Hb 9, 27). E o Catecismo da Igreja Católica confirma: «Quando tiver terminado o único curso de nossa vida terrestre, não voltaremos mais a outras vidas terrestres. (...) Não existe 'reencarnação' depois da morte» (§ 1013).
O cristão ao fim da existência terrena, espera outra vida, muito mais elevada e nobre do que esta vida terrena. Com a morte, ele se reunirá diante «da montanha de Sião, da cidade do Deus vivo, da Jerusalém celestial, da miríade de anjos, da assembleia festiva dos primeiros inscritos no livro dos céus, e de Deus, juiz universal, e das almas dos justos que chegaram à perfeição, enfim, de Jesus, o mediador da Nova Aliança, e do sangue da aspersão, que fala com mais eloquência que o sangue de Abel» (Hb 12, 22-24).
1. A reencarnação para as religiões orientais é um castigo, não é um bem em si mesmo, mas uma punição. A vida terrena seria um castigo. Se fosse verdade que a vida terrena é um castigo, os homens ansiaríamos a deixá-la, o mais rapidamente possível, pois ninguém quer ficar em castigo longamente. Mas a experiência humana demonstra que todos querem viver e não querem morrer.
2. Se a reencarnação é um castigo, o ter corpo seria um mal. Ora, o corpo é um bem, um bem necessário para o homem, só pode conhecer através dos sentidos e só pode atuar através deles. O corpo é, portanto, um bem indispensável. Se assim não fosse, haveria uma contradição na natureza humana, o que é um absurdo, porque Deus tudo fez com bondade e ordem.
3. Se a reencarnação fosse verdadeira, o nascer seria um mal, pois significaria cair num estado de punição, e todo nascimento deveria causar tristeza. Morrer, pelo contrário, seria uma libertação, e deveria causar alegria. Ora, a experiência diz que o nascimento é causa de alegria e a morte é causa tristeza. Logo, a reencarnação não é verdadeira.
4. Vimos que a reencarnação se fosse verdadeira, todo nascimento deveria ser causa de tristeza; o próprio o casamento seria um mal, sendo ele causa de novos nascimentos e reencarnações. Ora, isto é um absurdo. Logo, a reencarnação é falsa.
5. Caso a reencarnação fosse uma realidade, as pessoas nasceriam de determinado casal somente em função de seus pecados em vida anterior. Tivessem sido outros os seus pecados, outros teriam sido seus pais. Portanto, a relação de um filho com seus pais seria apenas uma casualidade, e não teria importância maior. No fundo, os filhos não teriam nada a ver com seus pais, o que é um absurdo.
6. A reencarnação causa uma destruição da caridade. Se uma pessoa nasce em certa situação de necessidade, doente, escrava, por exemplo, não se deveria fazer nada para a ajudar, porque está em tal situação como justo castigo de seus pecados numa vida anterior. É por isso que na Índia, país em que se crê normalmente na reencarnação, praticamente ninguém se preocupa em auxiliar os infelizes párias. A reencarnação destrói a caridade. Portanto, é falsa.
7. A reencarnação incentiva a tendência para a imoralidade e não para a virtude. Com efeito, quando sabemos que temos só uma vida e que, ao fim dela, seremos julgados por Deus, procuramos converter-nos antes da morte. Mas se, pelo contrário, há diversas reencarnações, não seriamos impelidos à conversão imediata. Alguém poderia dizer: «Agora quero aproveitar desta vida gozando à vontade. Em outra encarnação, recuperar-me-ei». Portanto, a reencarnação impele mais à imoralidade do que à virtude.
8. Ademais, por que esforçar-se, combatendo vícios e defeitos, se a recuperação é praticamente fatal, põe fim ao processo das reencarnações?
9. Se assim fosse, então ninguém seria condenado a um inferno eterno, porque todos se salvariam ao cabo de um número infindável de reencarnações. Não haveria inferno. Se isso fosse assim, como se explicaria que Cristo Nosso Senhor afirmou que, no juízo final, Ele dirá aos maus: "Ide malditos para o fogo eterno"? (Mt. 25, 41)
10. Se a reencarnação fosse verdadeira, o homem seria salvador de si mesmo. Ele mesmo pagaria suficientemente suas faltas por meio de reencarnações sucessivas. Se fosse assim, Cristo não seria o Redentor do homem. O sacrifício do Calvário seria nulo e sem sentido. Cada um salvar-se-ia por si mesmo. O homem seria o redentor de si mesmo. Em consequência, a Missa e todos os Sacramentos não teriam valor nenhum e seriam inúteis ou dispensáveis. O que é outro absurdo herético.
11. A doutrina da reencarnação conduz necessariamente à ideia gnóstica de que o homem é o redentor de si mesmo.
12. Se homem é redentor de si mesmo, pagando com seus próprios méritos as ofensas feitas por ele a Deus infinito, é porque seus méritos pessoais são infinitos. Ora, só Deus pode ter méritos infinitos. Logo, o homem seria divino. O que é uma conclusão gnóstica ou panteísta. De qualquer modo, absurda. Logo, a reencarnação é uma falsidade.
13. Se, reencarnando-se infinitamente, o homem tende à perfeição, não se compreende como, ao final desse processo, ele não se torne perfeito de modo absoluto, isto é, que se torne Deus, já que ele tem em sua própria natureza essa capacidade de aperfeiçoamento infinito.
14. A doutrina da reencarnação, admitindo várias mortes sucessivas para o homem, contraria diretamente o que Deus ensinou na Sagrada Escritura.
Por exemplo, São Paulo escreveu: "O homem só morre uma vez" (Heb. IX, 27).
Também no Livro de Job está escrito: "Assim o homem, quando dormir, não ressuscitará, até que o céu seja consumido, não despertará, nem se levantará de seu sono" (Jó, XIV,12).
15. Finalmente, a doutrina da reencarnação vai frontalmente contra o ensinamento de Cristo no Evangelho. Com efeito, ao ensinar a parábola do rico e do pobre Lázaro, Cristo Nosso Senhor disse que, quando ambos morreram, foram imediatamente julgados por Deus, sendo o mau rico mandado para o castigo eterno, e Lázaro mandado para o seio de Abraão, isto é, para o céu. (Cfr. Lucas XVI, 19-31)
E, nessa mesma parábola Cristo nega que possa alguma alma voltar para ensinar algo aos vivos. Além disso, embora não seja um argumento contrário à reencarnação, convém recordar que na, Sagrada Escritura, Deus proíbe que se invoquem as almas dos mortos. No Livro do Deuteronómio se lê: "Não se ache entre vós quem purifique seu filho ou sua filha, fazendo-os passar pelo fogo, nem quem consulte os adivinhos ou observe sonhos ou agouros, nem quem use malefícios, nem quem seja encantador, nem quem consulte os pitões [os médiuns] ou adivinhos, ou indague dos mortos a verdade. Porque o Senhor abomina todas estas coisas e por tais maldades exterminará estes povos à tua entrada" (Deut. XVIII-10-12).
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